Electromyographic diagnosis of leprosy

Diagnóstico eletromiográfico da lepra

Carlos R. DeFaria Ilma M. Silva

Abstracts

Eighty untreated patients suspected to have leprosy were submitted to neurophysiological examination and later compared with the clinical diagnosis. Among the patients who had leprosy confirmed, 98% had EMG abnormalities. Motor and sensory amplitude reduction was the earliest and the most frequent abnormality. Low conduction velocity of the ulnar nerve across the elbow was present in over 55% ot the patients. A «mosaic» peripheral polyneuropathy was the most characteristic finding, and seems to be helpful to the diagnosis of leprosy. All of the clinical forms showed BMG abnormalities, and even some asymptomatic contacts, however the abnormalities increase from ;he indetermined and tuberculous to the borderline and Virchow's forms.


Hanseníase tem sido considerada doença dermatológica, embora semprt provoque lesões de nervos periféricos e nem sempre provoque lesões dermatológicas. O diagnóstico de hanseníase jamais seria considerado sem alterações sensitivas. Partindo desse princípio, 80 pacientes com suspeita de hanseníase, não tratados anteriormente, foram submetidos a cuidadoso exame eletrofisiológico na busca de lesões de nervos periféricos. Cerca de 98% dos paciente» em que hanseníase foi confirmada pelos métodos tradicionais apresentaram alterações eletromiográficas. O achado mais comum e precoce foi redução da amplitude das respostas motoras e sensitivas, usualmente duas vezes mais freqüente que redução nas velocidades de condução nervosa no mesmo nervo. O nervo mais freqüentemente alterado foi o ulnar, em que a amplitude sensitiva estava reduzida em 62% dos pacientes e a velocidade de condução nervosa sensitiva em apenas 29%. A velocidade de condução nervosa motora do nervo ulnar no canal cubital estava reduzida em 55% dos pacientes (síndrome do túnel cubital). Síndrome do túnel carpiano foi observada em 16% dos pacientes. Alterações eletromiográficas foram registradas em todas as formas clínicas, discretas na forma indeterminada, moderadas na forma tuberculóide e severas nas formas dimorfa e virchowiana. Surpreendentemente, alguns contatos assintomáticos apresentaram alterações eletromiográficas, mais freqüentemente a síndrome do túnel cubital, o que sugere a possibilidade de uma «cicatriz» neurofisiológica: o «complexo primário» da hanseníase. Alguns desses contatos poderiam ainda pertencer à forma I, incipiente. Juntamente com a síndrome do túnel cubital e a redução da amplitude sensitiva no território do nervo ulnar, distribuição em «mosaico» das lesões nervosas foi o achado mais característico da hanseníase (polineuropatia em mosaico). Nossos achados evidenciam a utilidade da eletromiografia no diagnóstico da hanseníase, em qualquer estágio ou forma, particularmente nos estágios iniciais, quando os testes atualmente em uso são ineficientes.


  • Electromyographic diagnosis of leprosy
    Diagnóstico eletromiográfico da lepra
  • Carlos R. DeFariaI; Ilma M. SilvaII

    IClinical Neurophysiologist of the Clinica Mens Sana - Research developed in the EMG Laboratory of Clinica Mens Sana. Sponsored by Sistema Unificado de Saúde do Estado de Goiás (SUDS)

    IIPhysician of Sistema Unificado de Saúde de, Goiás - Research developed in the EMG Laboratory of Clinica Mens Sana. Sponsored by Sistema Unificado de Saúde do Estado de Goiás (SUDS)

    SUMMARY

    Eighty untreated patients suspected to have leprosy were submitted to neurophysiological examination and later compared with the clinical diagnosis. Among the patients who had leprosy confirmed, 98% had EMG abnormalities. Motor and sensory amplitude reduction was the earliest and the most frequent abnormality. Low conduction velocity of the ulnar nerve across the elbow was present in over 55% ot the patients. A «mosaic» peripheral polyneuropathy was the most characteristic finding, and seems to be helpful to the diagnosis of leprosy. All of the clinical forms showed BMG abnormalities, and even some asymptomatic contacts, however the abnormalities increase from ;he indetermined and tuberculous to the borderline and Virchow's forms.

    RESUMO

    Hanseníase tem sido considerada doença dermatológica, embora semprt provoque lesões de nervos periféricos e nem sempre provoque lesões dermatológicas. O diagnóstico de hanseníase jamais seria considerado sem alterações sensitivas. Partindo desse princípio, 80 pacientes com suspeita de hanseníase, não tratados anteriormente, foram submetidos a cuidadoso exame eletrofisiológico na busca de lesões de nervos periféricos. Cerca de 98% dos paciente» em que hanseníase foi confirmada pelos métodos tradicionais apresentaram alterações eletromiográficas. O achado mais comum e precoce foi redução da amplitude das respostas motoras e sensitivas, usualmente duas vezes mais freqüente que redução nas velocidades de condução nervosa no mesmo nervo. O nervo mais freqüentemente alterado foi o ulnar, em que a amplitude sensitiva estava reduzida em 62% dos pacientes e a velocidade de condução nervosa sensitiva em apenas 29%. A velocidade de condução nervosa motora do nervo ulnar no canal cubital estava reduzida em 55% dos pacientes (síndrome do túnel cubital). Síndrome do túnel carpiano foi observada em 16% dos pacientes. Alterações eletromiográficas foram registradas em todas as formas clínicas, discretas na forma indeterminada, moderadas na forma tuberculóide e severas nas formas dimorfa e virchowiana. Surpreendentemente, alguns contatos assintomáticos apresentaram alterações eletromiográficas, mais freqüentemente a síndrome do túnel cubital, o que sugere a possibilidade de uma «cicatriz» neurofisiológica: o «complexo primário» da hanseníase. Alguns desses contatos poderiam ainda pertencer à forma I, incipiente. Juntamente com a síndrome do túnel cubital e a redução da amplitude sensitiva no território do nervo ulnar, distribuição em «mosaico» das lesões nervosas foi o achado mais característico da hanseníase (polineuropatia em mosaico). Nossos achados evidenciam a utilidade da eletromiografia no diagnóstico da hanseníase, em qualquer estágio ou forma, particularmente nos estágios iniciais, quando os testes atualmente em uso são ineficientes.

    Texto completo disponível apenas em PDF.

    Full text available only in PDF format.

    Dr. Carlos R. DeFaria - Clínica Mens Sana - Rua 87 nº 3988 - 74310 Goiânia GO - Brasil.

    • 1. Antia NH, Nedugayil K - Persistence of Mycobacterium leprae in the peripheral nerve. Indian J Med Res 77:420, 1983.
    • 2. Betts RP, Johnston DM, Brown BH - Nerve fibre velocity and refractory period distribution in nerve trunks. J Neurol Neurosurg Psychiat 39:694, 1976.
    • 3. Buchthal F, Rosenflalck A - Sensory conduction from digit to palm and palm to wrist in the carpal tunnel syndrome. J Neurol Neurosurg Psychiat 34:243, 1971.
    • 4. Donde SV, Shah A, Antia NH - Nerve conduction in leprosy: in vivo and in vitro study. Leprosy in India 55:12, 1983.
    • 5. Finlayson MH, Bilbao JM, Lough JO - The pathogenesis of the neuropathy in dimorphous leprosy: electron microscopic and cytochemical studies. J Neuropath Exp Neurol 33:446, 1974.
    • 6. Kaplan M, Gelber RH - Evaluation of testing modalities for peripheral neuropathy in lepromatous Hansen's disease. Physical Ther 65:1662, 1985.
    • 7. Karat S, Karat ABA, Potchandy P - Electromyographic findings in conduction velocities of ulnar nerves in leprosy, Lepr India 42:77, 1970.
    • 8. London WG - Normal nerve conduction velocity across lhe thoracic outlet: comparison oi two measuring techniques. J Neurol Neurosurg Psychiat 38:756, 1975.
    • 9. McComas AJ, Fawcet PRW, Campbell MJ, Sica REP - Electrophysiological estimation of the number of motor units within a human muscle. J Neurol Neurosurg Psychiat 34:121, 1971.
    • 10. McLeod JG, Hargave JC, Walsh JC, Booth GC, Gye RS, Earron A - Nerve conduction studies in leprosy. Internat J Leprosy 41:21, 1974.
    • 11. Mshana R, Humber D, Harboe M, Belehu A - Nerve damage following intraneural injection of M leprae into rabbits presensitized to Mycobacteria. Clin Exp Immunol 52:441, 1983.
    • 12. Ndiaye-Niang M, Diagne IP, Ndiaye P, Boucher P, Millan J - Interêt de Pexamen electromyographique dans la lèpre. Acta Leprol 4:51, 1983.
    • 13. Payan J - Electrophysiological localization of ulnar nerve lesions. J Neurol Neurosurg Psychiat 32:208, 1969.
    • 14. Shetty VP, Mehta LN, Antia NH, Irani PF - Teased fibre study of early nerve lesions in leprosy and in contacts with electrophysiological correlates. J Neuvol Neurosurg Psychiat 40:708, 1977.
    • 15. Shetty VP, Mehta LN, Irani PF, Antia NH - Study of evolution of nerve damage in leprosy. Part I: Lesions of the index branch of radial cutai.eous nerve in early leprosy. Lepr India 52:5, 1980. Part II: Observations on the index branch of the radial cutaneous nerve in contacts of leprosy. Lepr India 52:19, 1980.
    • 16 Shetty VP, Mistry NF, Antia NH - Serum demyelinating factors and adjuvant-like activity of Mycobacterium leprae: possible causes of early nerve damage in leprosy Lepr Rev 56:221, 1985.
    • 17. Singh N, Behse F, Buehthal F - Electrophysiological study of peroneal palsy. J Neurol Neurosurg Psychiat 34:1202, 1974.
    • 18. Verghese M, Ittimani KV, Satyanarayan KR, Mathai R, Bhakthaviziam C - Study of the conduction velocity in motor fibres of ulnar and median nerves ir. leprosy. Internat J Leprosy 38:271, 1970.
    • 19. Vieregge P, Reinhardt V, Gerhard L, Schliwinski V, Jorg JR - Untreated borderline-leprosy in the ulnar nerve: light and electron microscopical studies. Lepr Rev 56:5, 1985.

    Electromyographic diagnosis of leprosy Diagnóstico eletromiográfico da lepra

    Publication Dates

    • Publication in this collection
      19 May 2011
    • Date of issue
      Dec 1990
    Academia Brasileira de Neurologia - ABNEURO R. Vergueiro, 1353 sl.1404 - Ed. Top Towers Offices Torre Norte, 04101-000 São Paulo SP Brazil, Tel.: +55 11 5084-9463 | +55 11 5083-3876 - São Paulo - SP - Brazil
    E-mail: revista.arquivos@abneuro.org