Diagnóstico eletromiográfico da lepra

Hanseníase tem sido considerada doença dermatológica, embora semprt provoque lesões de nervos periféricos e nem sempre provoque lesões dermatológicas. O diagnóstico de hanseníase jamais seria considerado sem alterações sensitivas. Partindo desse princípio, 80 pacientes com suspeita de hanseníase, não tratados anteriormente, foram submetidos a cuidadoso exame eletrofisiológico na busca de lesões de nervos periféricos. Cerca de 98% dos paciente» em que hanseníase foi confirmada pelos métodos tradicionais apresentaram alterações eletromiográficas. O achado mais comum e precoce foi redução da amplitude das respostas motoras e sensitivas, usualmente duas vezes mais freqüente que redução nas velocidades de condução nervosa no mesmo nervo. O nervo mais freqüentemente alterado foi o ulnar, em que a amplitude sensitiva estava reduzida em 62% dos pacientes e a velocidade de condução nervosa sensitiva em apenas 29%. A velocidade de condução nervosa motora do nervo ulnar no canal cubital estava reduzida em 55% dos pacientes (síndrome do túnel cubital). Síndrome do túnel carpiano foi observada em 16% dos pacientes. Alterações eletromiográficas foram registradas em todas as formas clínicas, discretas na forma indeterminada, moderadas na forma tuberculóide e severas nas formas dimorfa e virchowiana. Surpreendentemente, alguns contatos assintomáticos apresentaram alterações eletromiográficas, mais freqüentemente a síndrome do túnel cubital, o que sugere a possibilidade de uma «cicatriz» neurofisiológica: o «complexo primário» da hanseníase. Alguns desses contatos poderiam ainda pertencer à forma I, incipiente. Juntamente com a síndrome do túnel cubital e a redução da amplitude sensitiva no território do nervo ulnar, distribuição em «mosaico» das lesões nervosas foi o achado mais característico da hanseníase (polineuropatia em mosaico). Nossos achados evidenciam a utilidade da eletromiografia no diagnóstico da hanseníase, em qualquer estágio ou forma, particularmente nos estágios iniciais, quando os testes atualmente em uso são ineficientes.


Academia Brasileira de Neurologia - ABNEURO R. Vergueiro, 1353 sl.1404 - Ed. Top Towers Offices Torre Norte, 04101-000 São Paulo SP Brazil, Tel.: +55 11 5084-9463 | +55 11 5083-3876 - São Paulo - SP - Brazil
E-mail: revista.arquivos@abneuro.org