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Dostoiévski e a síndrome de Stendhal

A síndrome de Stendhal foi descrita pela psiquiatra italiana Graziela Margherini, em 1989. Foi assim denominada em homenagem ao famoso escritor francês Stendhal que viveu na Itália grande parte da sua vida como diplomata. Stendhal descreveu as sensações que se apoderaram dele ao se deparar com algumas obras primas de pintores e escultores em Florença - vivências estranhas, por vezes acompanhadas de sintomas físicos, sensação de profunda emoção, seguida de um leve entorpecimento, desorientação têmporo-espacial momentânea, sudorese profusa e desrealização. Esse conjunto de sintomas, ocorridos durante a contemplação de uma obra de arte, foram catalogados por Graziela Magherini no hospital Santa Maria Nuova de Florença em 106 pacientes, todos eles viajantes que vieram a Florença pela primeira vez, passando a denominá-los síndrome de Stendhal. Com base nas reações do escritor russo Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski diante do quadro O Cristo Morto, de Hans Holbein, o jovem, num museu da Basiléia descritas por sua segunda esposa Anna Grigoriévna Sniktina, em dados biográficos e na análise do entusiasmo com que o príncipe Míschkin, personagem principal do romance O Idiota, demonstra pelo quadro, na própria descrição que Dostoiévski fez dessa obra de arte, este autor propõe a ocorrência da síndrome no escritor russo diante da contemplação do quadro. Discute ainda a possibilidade de tais fenômenos serem manifestações críticas da epilepsia parcial complexa de que provavelmente Dostoiévski era portador.

síndrome de Stendhal; Dostoiévski; Hans Holbein; Cristo morto


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