Sumário
Acta Ortopédica Brasileira, Volume: 34, Número: spe1, Publicado: 2026Acta Ortopédica Brasileira, Volume: 34, Número: spe1, Publicado: 2026
| Documents |
|---|
|
Editorial SBCOC CONSENSUS STATEMENTS: A SCIENTIFIC COMMITMENT TO GOOD MEDICAL PRACTICE |
|
Review Article/Shoulder and Elbow REVISÃO E RECOMENDAÇÕES BASEADAS EM EVIDÊNCIA DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA DO OMBRO E COTOVELO: REPARO DE BANKART ASSOCIADO AO REMPLISSAGE NA INSTABILIDADE GLENOUMERAL RECORRENTE COM PERDA ÓSSEA Zanesco, Leonardo Pinto, Gustavo de Mello Ribeiro Amaral, Marcus Vinícius Galvão Bonadiman, João Artur Neri, Kaleu Costa França, Flávio de Oliveira Campos, Marcelo Costa de Oliveira Malavolta, Eduardo Angeli Resumo em Português: RESUMO Introdução: A instabilidade glenoumeral anterior recidivante com lesões de Hill-Sachs "on-track" e perda óssea glenoidal subcrítica permanece desafiadora, e as taxas de falha após o reparo artroscópico isolado de Bankart (RB) podem ser significativas. A adição do procedimento de Remplissage (RB-R) foi proposta para melhorar a estabilidade e a função do ombro, porém sua efetividade em lesões "on-track" ainda não está completamente estabelecida. Métodos: Foi realizada uma revisão baseada em evidência nas bases PubMed, Embase, Cochrane Library e BVS (busca até agosto de 2025), incluindo estudos clínicos comparativos que avaliaram RB-R versus RB isolado em pacientes com instabilidade anterior, lesões de Hill-Sachs "on-track" e perda óssea glenoidal parcial. Os desfechos primários foram recidiva da luxação e função do ombro; desfechos secundários incluíram apreensão residual, reoperação e retorno ao esporte. Resultados: Quatro estudos preencheram os critérios de inclusão (uma revisão sistemática de seis estudos de coorte e três estudos de coorte adicionais; total de 537 pacientes). Em conjunto, os estudos mostraram que o RB-R apresenta menores taxas de recidiva (0–7,7% vs. 3,5–30%) e melhores escores funcionais (WOSI, SSV, SANE, ASES, ROWE), maior taxa de retorno ao esporte no nível pré-lesão em atletas e menor apreensão residual, sem aumento claro nas complicações. A certeza global da evidência foi classificada como muito baixa. Conclusão: A evidência, embora de muito baixa qualidade, sugere que a adição do Remplissage ao reparo artroscópico de Bankart melhora a estabilidade e os desfechos funcionais em comparação ao reparo isolado de Bankart em pacientes com perda óssea do tipo "on-track". Nível de Evidência II; Revisão sistemática.Resumo em Inglês: ABSTRACT Introduction: Recurrent anterior glenohumeral instability with "on-track" Hill-Sachs lesions and subcritical glenoid bone loss remains a therapeutic challenge, with considerable failure rates following isolated arthroscopic Bankart repair (BR). The addition of the Remplissage procedure (BR-R) has been proposed to improve stability and shoulder function, however, its effectiveness in "on-track" lesions remains uncertain. Methods: An evidence-based review was conducted in PubMed, Embase, Cochrane Library, and BVS (search up to August 2025), including comparative clinical studies that evaluated BR-R versus isolated BR in patients with anterior instability, on-track Hill-Sachs lesions, and partial glenoid bone loss. Primary outcomes were recurrence of dislocation and shoulder function; secondary outcomes included residual apprehension, reoperation, and return to sport. Results: Four studies met the inclusion criteria (one systematic review of six cohort studies and three additional cohort studies; 537 patients in total). Across studies, BR-R showed lower recurrence rates (0–7.7% vs. 3.5–30%) and better functional scores (WOSI, SSV, SANE, ASES, ROWE), higher return-to-sport rates at preinjury level in athletes, and less residual apprehension, without clear increase in complications. Overall certainty of evidence was very low. Conclusions: Very low-quality evidence suggests that the addition of Remplissage to arthroscopic Bankart repair may improve stability and functional outcomes compared with isolated Bankart repair in patients with on-track bone loss. Level of evidence II; Systematic review. |
|
Review Article/Shoulder and Elbow REVISÕES E RECOMENDAÇÕES BASEADAS EM EVIDÊNCIAS DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA DO OMBRO E COTOVELO: AUMENTO COM IMPLANTE BIOINDUTIVO VERSUS REPARO CONVENCIONAL PARA LESÕES DO MANGUITO ROTADOR Lara, Paulo Henrique Schmidt Belangero, Paulo Santoro Schiefer, Márcio Zanesco, Leonardo Fernandes, Marcos Rassi Murachovsky, Joel Medeiros Filho, João Felipe de Malavolta, Eduardo Angeli Resumo em Português: RESUMO Introdução: Apesar dos avanços nas técnicas artroscópicas e nos métodos de fixação tendínea, a falha estrutural após o reparo do manguito rotador ainda é um desafio clínico relevante, especialmente em lesões extensas e maciças, em tendões de má qualidade e em reparos sob tensão. Nesse contexto, a cicatrização tendão-osso é reconhecida como um dos principais determinantes do sucesso cirúrgico, o que tem impulsionado o interesse por estratégias capazes de otimizar o ambiente biológico do reparo, como os implantes bioindutivos de colágeno (patches). Métodos: Realizou-se revisão sistemática da literatura nas bases PubMed, Embase, Cochrane Library e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) até março de 2026, para avaliar se o reparo do manguito rotador associado a reforço com implante bioindutivo (patch) é mais efetivo do que o reparo convencional para o tratamento das lesões do manguito rotador. A certeza da evidência foi avaliada pela abordagem GRADE. Resultados: Foram incluídos quatro ensaios clínicos randomizados (288 participantes), com avaliação da taxa de re-ruptura e da função do ombro. Os resultados favoreceram o reforço com implante bioindutivo, sobretudo por menor taxa de re-rruptura e recuperação funcional mais precoce. Conclusão: Até o momento, existe evidência de muito baixa qualidade de que o reparo do manguito rotador associado a reforço com implante bioindutivo (patch) é mais efetivo do que o reparo convencional para o tratamento das lesões do manguito rotador (incluindo lesões completas e maciças), em relação aos desfechos re-rruptura e função. Nível de evidência II; Revisão sistemática.Resumo em Inglês: ABSTRACT Introduction: Despite advances in arthroscopic techniques and tendon fixation methods, structural failure after rotator cuff repair remains a relevant clinical challenge, particularly in extensive and massive tears, poor tendon quality, and repairs performed under tension. In this context, tendon-bone healing is recognized as a key determinant of surgical success, driving interest in strategies to optimize the biological environment of the repair, such as bioinductive collagen implants (patches). Methods: A systematic review was conducted in PubMed, Embase, Cochrane Library, and the Virtual Health Library (VHL) up to March 2026, to evaluate whether rotator cuff repair augmented with a bioinductive implant (patch) is more effective than conventional rotator cuff repair for the treatment of rotator cuff tears. The certainty of evidence was assessed with the GRADE approach. Results: Four randomized controlled trials (288 participants) were included, with assessment of the re-tear rate and shoulder function. The results favored bioinductive implant augmentation, mainly through a lower re-tear rate and earlier functional recovery. Conclusion: To date, there is very low-quality evidence that rotator cuff repair augmented with a bioinductive implant (patch) is more effective than conventional repair for the treatment of rotator cuff tears (including complete and massive tears), with respect to the outcomes of re-tear and function. Level of evidence II; Systematic review. |
|
Review Article/Shoulder and Elbow REVISÕES BASEADAS EM EVIDÊNCIAS E RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA DO OMBRO E COTOVELO: REPARO EM FILEIRA DUPLA PARA ROTURAS GRANDES DO MANGUITO ROTADOR Malavolta, Eduardo Angeli Zanesco, Leonardo Pinto, Gustavo de Mello Ribeiro Amaral, Marcus Vinícius Galvão Caixeta, Thiago Barbosa Simmer Filho, Jair Silva, Luciana Andrade da Campos, Marcelo Costa de Oliveira Resumo em Português: RESUMO Introdução: As roturas do manguito rotador de grande tamanho (≥ 3 cm) apresentam pior prognóstico, e a configuração ideal de reparo artroscópico (fileira simples vs fileira dupla) permanece controversa. Métodos: Realizou-se uma revisão baseada em evidências de revisões sistemáticas e ensaios clínicos randomizados que compararam o reparo artroscópico em fileira dupla e em fileira simples para roturas ≥ 3 cm. As bases de dados PubMed, Embase, Cochrane Library e BVS foram pesquisadas até maio de 2025. Foram incluídos apenas estudos que relataram desfechos estratificados pelo tamanho da lesão. A qualidade metodológica foi avaliada, e a certeza da evidência foi graduada segundo a abordagem GRADE. Resultados: Duas revisões sistemáticas de alta qualidade e cinco ensaios randomizados forneceram dados específicos sobre roturas ≥ 3 cm. O reparo em fileira dupla apresentou melhores desfechos funcionais do que o reparo em fileira simples, com escores superiores de ASES (DM −3,09; IC95% −6,19 a 0,02) e UCLA (DM −1,47; IC95% −2,21 a −0,72) (evidência de qualidade moderada). Dados randomizados limitados sugerem maior taxa de cicatrização com a fileira dupla (OR 3,44; IC95% 1,09–10,88; evidência de baixa qualidade). A dor, isoladamente, não diferiu de forma clinicamente relevante após o período pós-operatório imediato. Conclusão: Para roturas do manguito rotador ≥ 3 cm, o reparo artroscópico em fileira dupla oferece melhores desfechos funcionais e provavelmente maior cicatrização estrutural em comparação ao reparo em fileira simples, o que apoia sua preferência em lesões grandes e maciças, com decisões individualizadas às características do paciente e da própria lesão. Nível de Evidência II; Revisão sistemática.Resumo em Inglês: ABSTRACT Introduction: Large (≥ 3 cm) rotator cuff tears have a poorer prognosis, and the optimal arthroscopic repair configuration (single-row vs double-row) remains controversial. Methods: We performed an evidence-based review of systematic reviews and randomized controlled trials comparing arthroscopic double-row and single-row repair for tears ≥ 3 cm. PubMed, Embase, the Cochrane Library, and BVS were searched through May 2025. Only studies reporting size-stratified outcomes were included. Methodological quality was assessed, and the certainty of evidence was graded using the GRADE approach. Results: Two high-quality systematic reviews and five randomized trials provided separate data for tears ≥ 3 cm. Double-row repair showed better functional outcomes than single-row repair, with improved ASES (MD −3.09; 95% CI −6.19 to 0.02) and UCLA scores (MD −1.47; 95% CI −2.21 to −0.72) (moderate-quality evidence). Limited randomized data suggested higher healing rates with double-row repair (OR 3.44; 95% CI 1.09–10.88; low-quality evidence). Pain alone did not differ meaningfully beyond the immediate postoperative period. Conclusions: For rotator cuff tears ≥ 3 cm, arthroscopic double-row repair provides superior functional outcomes and likely higher structural healing versus single-row repair, supporting its preferential use in large and massive tears, with decisions individualized to patient and lesion characteristics. Level of evidence II; Systematic review. |
|
Review Article/Shoulder and Elbow REVISÕES E RECOMENDAÇÕES BASEADAS EM EVIDÊNCIAS DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA DO OMBRO E COTOVELO: REPARO PRECOCE VERSUS REPARO TARDIO DE RUPTURAS TRAUMÁTICAS DO MANGUITO ROTADOR Lara, Paulo Henrique Schmidt Belangero, Paulo Santoro Schiefer, Márcio Zanesco, Leonardo Fernandes, Marcos Rassi Murachovsky, Joel Medeiros Filho, João Felipe de Malavolta, Eduardo Angeli Resumo em Português: RESUMO Introdução: A ruptura traumática do manguito rotador consiste na lesão estrutural aguda de um ou mais tendões do manguito, ocasionada por trauma identificável, em geral associada ao início abrupto de dor, fraqueza e disfunção do ombro, devendo ser distinguida das rupturas degenerativas crônicas e das lesões agudas sobre tendões previamente degenerados. O momento ideal do reparo cirúrgico permanece controverso. Métodos: Realizou-se revisão sistemática da literatura nas bases de dados PubMed, Embase, Cochrane Library e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) até março de 2026, para avaliar se o reparo precoce é mais efetivo do que o reparo tardio no tratamento das lesões traumáticas do manguito rotador, em relação aos desfechos clínico-funcionais, rerruptura e retorno às atividades pré-lesão. A certeza da evidência foi avaliada pela abordagem GRADE. Resultados: Foram incluídos três estudos de coorte. O termo "precoce" não está padronizado na literatura – alguns autores consideram até 3 semanas e outros até 6 meses – de modo que foram incluídos estudos que definiram "precoce" como até 3 a 4 meses, o que representa potencial fonte de viés. Os desfechos funcionais foram semelhantes entre reparo precoce e tardio, enquanto o reparo precoce associou-se a recuperação mais rápida e menor necessidade de enxertia tendínea nas lesões maiores. A certeza da evidência foi muito baixa. Conclusão: O cirurgião deve avaliar, de maneira individualizada, as características do paciente e da enfermidade para a tomada da melhor decisão de tratamento. Devido ao risco de irreparabilidade e ao maior tempo de reabilitação, este projeto recomenda que, após uma ruptura traumática, o reparo seja realizado o mais brevemente possível. Nível de evidência II; Revisão sistemática.Resumo em Inglês: ABSTRACT Introduction: Traumatic rotator cuff tears are acute structural injuries to one or more rotator cuff tendons caused by an identifiable trauma, generally associated with the abrupt onset of pain, weakness, and shoulder dysfunction. They must be distinguished from chronic degenerative tears and from acute injuries superimposed on previously degenerated tendons. The optimal timing of surgical repair remains debated. Methods: A systematic review was conducted in PubMed, Embase, Cochrane Library, and the Virtual Health Library (VHL) up to March 2026 to evaluate whether early repair is more effective than late repair for the treatment of traumatic rotator cuff tears, with respect to clinical and functional outcomes, retear, and return to pre-injury activities. The certainty of evidence was assessed with the GRADE approach. Results: Three cohort studies were included. The definition of "early" repair is not standardized in the literature – some authors consider it up to 3 weeks and others up to 6 months – so studies defining "early" as up to 3–4 months were included, which represents a potential source of bias. Functional outcomes were similar between early and late repair, whereas early repair was associated with and a lower likelihood of requiring tendon grafting in larger tears. The certainty of evidence was very low. Conclusion: The surgeon should individually assess patient- and disease-related characteristics to make the best treatment decision. Given the risk of irreparability and longer rehabilitation, the project recommends that, after a traumatic tear, repair be performed as early as possible. Level of evidence II; Systematic review. |
Leia a Declaração de Acesso Aberto
