Prevalência de sinais e sintomas e conhecimento sobre doenças sexualmente transmissíveis

Paulie Marcelly Ribeiro dos Santos Carvalho Rafael Alves Guimarães Paula Ávila Moraes Sheila Araujo Teles Marcos André de Matos Sobre os autores

Resumos

Objetivo

Estimar a prevalência de sinais e sintomas de doenças sexualmente transmissíveis e verificar o conhecimento para essas infecções em adolescentes e jovens de um assentamento urbano.

Métodos

Estudo de corte transversal realizado em 105 assentados de 12 a 24 anos. Os dados foram coletados por meio de entrevista e analisados pelo Statistical Package for the Social Sciences, versão 17.0.

Resultados

Do total de participantes que responderam sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis, 20,6% relataram algum sinal e/ou sintoma, com maior proporção em indivíduos do sexo feminino, que possuíam piercing e/ou tatuagem e consumiam álcool antes ou durante a relação sexual (p < 0,05). Também, muitos participantes apresentaram desconhecimento quanto os sinais e sintomas de Doenças Sexualmente Transmissíveis.

Conclusão

A presença de sinais e/ou sintomas de doenças sexualmente transmissíveis foi associado a fatores relacionados à vulnerabilidade individual dos adolescentes e jovens do assentamento.

Sinais e sintomas; Doenças sexualmente transmissíveis/epidemiologia; Prevalência; Enfermagem em saúde comunitária; Comunidades vulneráveis


Objective

To estimate the prevalence of signs and symptoms of sexually transmitted diseases and to verify the knowledge of adolescents and young people of an urban settlement about these infections.

Methods

This was a cross-sectional study conducted among 105 settlers aged 12-24 years old. Data were collected through interviews and analyzed using the Statistical Package for the Social Sciences, version 17.0.

Results

Of the participants who responded regarding sexually transmitted diseases, 20.6% reported signs and/or symptoms, with a higher proportion in females, those who had a piercing and/or tattoo, and who consumed alcohol before or during sexual intercourse (p <0.05). Also, many participants showed ignorance about the signs and symptoms of sexually transmitted diseases.

Conclusion

The presence of signs and/or symptoms of sexually transmitted diseases were associated with factors related to individual vulnerability of adolescents and young people of the settlement.

Signs and symptoms; Sexually transmitted diseases/epidemiology; Prevalence; Community health nursing; Vulnerable groups


Introdução

As Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) constituem um importante problema de saúde pública. Estima-se que a cada ano, 340 milhões de pessoas adquiram alguma DST curável, como clamídia, gonorreia, sífilis ou tricomoníase, sendo de 10 a 12 milhões no Brasil.(1World Health Organization (WHO). Global prevalence and Incidence of selected curable Sexually transmitted infections: Overview and estimates [Internet]. Geneva: WHO; 2001 [cited 2014 Mai 29]. Available from: 2001.http://www.who.int/hiv/pub/sti/who_hiv_aids_2001.02.pdf2001.
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)

Essas infecções podem permanecer de forma assintomática ou manifestar-se, principalmente, por meio de sinais e sintomas como corrimento uretral e/ou vaginal, úlceras genitais, linfadenopatia inguinal e dor abdominal(2World Health Organization (WHO). Guideline for the management of sexually transmitted infections [Internet]. Geneva: WHO; 2003 [cited 2014 Mai 29]. Available from: http://applications.emro.who.int/aiecf/web79.pdf.
http://applications.emro.who.int/aiecf/w...
) e encontram-se associadas com infertilidade, incapacidades, complicações gestacionais e morte.(3Rompalo A. Preventing sexually transmitted infections: back to basics. J Clin Invest. 2011; 121(12): 4580-3.) Ainda, potencializam o risco de aquisição e transmissão do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV).(1World Health Organization (WHO). Global prevalence and Incidence of selected curable Sexually transmitted infections: Overview and estimates [Internet]. Geneva: WHO; 2001 [cited 2014 Mai 29]. Available from: 2001.http://www.who.int/hiv/pub/sti/who_hiv_aids_2001.02.pdf2001.
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,4Joint United Nations Program on HIV/AIDS. World AIDS day report 2012 [Internet]. Geneva: UNAIDS; 2012[cited 2014 Mai 29]. 2012. Available from: http://www.unaids.org/en/media/unaids/contentassets/documents/epidemiology/2012/gr2012/jc2434_worldaidsday_results_en.pdf.
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)

Adolescentes e jovens são considerados grupos vulneráveis as DST. Muitos apresentam comportamentos de risco, como iniciação precoce da atividade sexual,(5Doku D. Substance use and risky sexual behaviours among sexually experienced Ghanaian youth. BMC Public Health. 2012; 12:571.) uso inconsistente do preservativo, múltiplos parceiros sexuais,(6Li S, Huang H, Xu G, Cai Y, Huang F, Ye X. Substance use, risky sexual behaviors, and their associations in a Chinese sample of senior high school students. BMC Public Health. 2013; 13:295.) consumo de álcool e outras drogas, entre outros.(7Sanchez ZM, Nappo SA, Cruz JI, Carlini EA, Carlini CM, Martins SS. Sexual behavior among high school students in Brazil: alcohol consumption and legal and illegal drug use associated with unprotected sex. Clinics. 2013; 68(4):489-94.) Ainda, a fase da adolescência é constituída por transformações anatômicas, cognitivas, emocionais, sociais, econômicas e comportamentais,(8Halpern CT. Reframing research on adolescent sexuality: healthy sexual development as part of the life course. Perspect Sex Reprod Health. 2010; 42(1):6-7.) o que pode contribuir para o aumento dos comportamentos de risco para DST.

Essas mudanças se intensificam quando esses indivíduos estão expostos e em situações de vulnerabilidade, como os adolescentes e jovens que residem em assentamentos urbanos. Apesar desses locais assegurarem o direito a terra e moradia, ainda apresentam condições habitacionais precárias e, sobretudo são desprovidos de usufruto dos direitos sociais, principalmente relacionados à assistência à saúde, o que pode contribuir para o aumento dos determinantes sociais, institucionais e individuais de vulnerabilidade para as DST.

Neste contexto, os objetivos desse estudo foram estimar a prevalência de sinais e sintomas de Doenças Sexualmente Transmissíveis e verificar o conhecimento para essas infecções em adolescentes e adultos jovens de um assentamento urbano de uma cidade de grande porte da Região Central do Brasil.

Métodos

Estudo de corte transversal, realizado entre agosto de 2012 e julho de 2013, em adolescentes e adultos jovens residentes de um assentamento urbano da Região Centro-Oeste do Brasil. Foram elegíveis indivíduos com idade de 12 a 24 anos, residentes do assentamento há pelo menos 12 meses e que entregaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido assinado pelo responsável legal no caso de indivíduos menores de 18 anos.

A coleta de dados foi realizada em locais privativos nas dependências da instituição de ensino local e unidade básica de saúde do assentamento. Todos os candidatos elegíveis foram convidados a participar do estudo e orientados sobre a natureza, objetivos, metodologia, riscos e benefícios.

Após consentimento dos indivíduos maiores de 18 anos e dos responsáveis dos assentados menores de 18 anos, todos foram entrevistados face a face, por meio de um roteiro estruturado, sobre características sociodemográficas (sexo, faixa etária, escolaridade, renda familiar, estado civil, religião e tempo de assentamento), relato e conhecimento de sinais e sintomas de DST e fatores de risco para essas infecções (consumo de álcool e outras drogas, presença de piercing e/ou tatuagem, uso de preservativo nas relações sexuais, histórico de rompimento do preservativo, relação sexual sob efeito de álcool e número de parceiros sexuais). Definiu-se como variável de desfecho a presença, nos últimos 12 meses, de sinais e sintomas de DST (corrimento uretral ou vaginal e/ou úlcera genital), conforme relato.

Os dados foram analisados no programa estatístico Statistical Package for the Social Sciences, versão 17.0. Para as variáveis contínuas foram calculadas médias e desvio-padrão. Prevalências para sinais e sintomas de DST foram calculadas com intervalo de confiança de 95% (IC 95%). Os testes de qui-quadrado (x 2) e exato de Fisher foram utilizados para testar a significância das diferenças entre as proporções e valores com p < 0,05 foram considerados estatisticamente significantes.

O desenvolvimento do estudo atendeu as normas nacionais e internacionais de ética em pesquisa com seres humanos.

Resultados

Participaram do estudo 105 adolescentes e jovens do assentamento. Observou-se o predomínio de indivíduos entre 12-18 anos (73,3%), com renda familiar até três salários mínimos (81,0%), com até oito anos de escolaridade (64,8%) e que residiam no assentamento há mais de dois anos (66,7%). Quanto ao sexo, 58,1% dos entrevistados eram do sexo masculino e 41,9% do sexo feminino. Em relação à religião, mais da metade (56,2%) se declararam evangélicos e 21,0% católicos (Tabela 1).

Tabela 1
Características sociodemográficas de 105 adolescentes e adultos jovens de um assentamento urbano

Do total de participantes, 102 (97,1%) responderam alguns sinais e sintomas de DST. Desses, 19,6% (IC 95%: 13,1-28,4) e 4,9% (IC 95%: 2,1-11,0) referiram corrimento uretral/vaginal e úlcera genital, respectivamente. Considerando a presença de pelo menos uma dessas condições, a prevalência global de sinais e sintomas de DST nos assentados foi de 20,6% (IC 95%: 13,9-29,4). Ainda, sete indivíduos que relataram sinais e/ou sintomas de DST relataram que não tinham iniciado a vida sexual.

A tabela 2 demonstra os fatores associados à presença de sinais/sintomas de DST nos assentados. Verificou-se uma proporção maior de sinais e sintomas de DST em indivíduos do sexo feminino (p < 0,01), que apresentavam piercing e/ou tatuagem (p < 0,01) e que consumiam bebida alcoólica antes ou durante a relação sexual (p=0,02).

Tabela 2
Fatores associados à presença de sinais e sintomas de doenças sexualmente transmissíveis de 102 adolescentes e jovens de um assentamento urbano

O conhecimento sobre sinais e sintomas de DST dos assentados está demonstrado na tabela 3. Verificou-se que 27,6%, 22,8%, 31,4%, 34,3%, 37,1%, 57,1% dos entrevistados, não reconheceram úlcera genital, corrimento, linfadenopatia inguinal, dor/ardência ao urinar, coceira na genitália e dor abdominal como sinal e sintoma de DST, respectivamente.

Tabela 3
Conhecimento sobre sinais e sintomas de doenças sexualmente transmissíveis de 105 adolescentes e adultos jovens de um assentamento urbano

Discussão

As limitações deste estudo incluem a natureza da coleta de dados, uma vez que foi baseada no relato verbal de sinais/sintomas de DST, podendo a prevalência estar sub ou superestimada. Também, há as limitações dos estudos transversais, uma vez que não permitem o estabelecimento de relações de causa e efeito.

Ainda são poucos os estudos que retratam a saúde de indivíduos residentes em áreas de assentamentos urbanos e a maioria foram conduzidos em assentamentos informais.(9Ndugwa RP, Kabiru CW, Cleland J, Beguy D, Egondi T, Zulu EM, et al. Adolescent problem behavior in nairobi’s informal settlements: applying problem behavior theory in Sub-Saharan Africa. J Urban Health. 2010; 88(Suppl 2):298-317.

10 Beguy D, Kabiru CW, Nderu EN, Ngware MW. Inconsistencies in self-reporting of sexual activity among young people in Nairobi, Kenya . J Adolesc Health. 2009; 45(6):595-601.
-1111 Hartley M, Tomlinson M, Greco E, Comulada WS, Stewart J, Roux I, et al. Depressed mood in pregnancy: prevalence and correlates in two Cape Town peri-urban settlements. Reprod Heatlh. 2011; 8:9.) No Brasil, para o nosso conhecimento, não foi identificado nenhum estudo com esse grupo social emergente. Identificar os fatores relacionados à vulnerabilidade dessa população para DST pode auxiliar os profissionais de saúde na elaboração de intervenções de prevenção e controle dessas infecções junto a este segmento populacional que fica, em função de sua condição de dispersão e segregação urbana, às margens dos serviços públicos de saúde. Também, poderá colaborar para a formulação, implantação e avaliação de políticas públicas de saúde voltadas para a prevenção, identificação e tratamento das DST nos assentados.

A presença de sinais e/ou sintomas de DST encontra-se associados à infecção pelo HIV.(1212 Pettifor AE, Rees HV, Kleinschmidt I, Steffenson AE, MacPhail C, Hlongwa-Madikizela L, et al. Young people’s sexual health in South Africa: HIV prevalence and sexual behaviors from a nationally representative household survey. AIDS. 2005; 19(14):1525-34.) A prevalência global de sinais e sintomas de DST dos participantes foi de 20,6% (IC 95%: 13,9-29,4). Esse índice foi sete vezes superior ao encontrado em um estudo no sudeste da Ásia em adolescentes de 14 a 19 anos (3,0%; IC 95%: 1,7-4,8).(1313 Sychareun V, Thomsen S, Chaleunvong K, Faxelid E. Risk perceptions of STIs/HIV and sexual risk behaviours among sexually experienced adolescents in the Northern part of Lao PDR. BMC Public Health. 2013; (13):1126.) Corrimento uretral/vaginal e úlceras genitais foram reportados por 19,6% (IC 95%: 13,1-28,4) e 4,9% (IC 95%: 2,1-11,0) dos assentados, respectivamente.(1212 Pettifor AE, Rees HV, Kleinschmidt I, Steffenson AE, MacPhail C, Hlongwa-Madikizela L, et al. Young people’s sexual health in South Africa: HIV prevalence and sexual behaviors from a nationally representative household survey. AIDS. 2005; 19(14):1525-34.) Na África, uma investigação em jovens de 15-24 anos estimou uma prevalência para corrimento genital de 9,2% (IC 95%: 8,3-10,2) e 19,1% (IC 95%: 18,0-20,5) em homens e mulheres, respectivamente.(1212 Pettifor AE, Rees HV, Kleinschmidt I, Steffenson AE, MacPhail C, Hlongwa-Madikizela L, et al. Young people’s sexual health in South Africa: HIV prevalence and sexual behaviors from a nationally representative household survey. AIDS. 2005; 19(14):1525-34.) O mesmo estudo encontrou uma prevalência de 5,9% (IC 95%: 5,2-6,7) e 6,9% (IC 95%: 6,1-7,7) para úlceras/feridas genitais em indivíduos do sexo masculino e feminino, respectivamente.(1212 Pettifor AE, Rees HV, Kleinschmidt I, Steffenson AE, MacPhail C, Hlongwa-Madikizela L, et al. Young people’s sexual health in South Africa: HIV prevalence and sexual behaviors from a nationally representative household survey. AIDS. 2005; 19(14):1525-34.) Diferenças entre as prevalências dos estudos pode refletir as variações nos comportamentos de risco dos adolescentes e jovens em diferentes contextos.

A identificação de sinais e sintomas das DST, por meio da Abordagem Sindrômica, constitui um método bastante recomendável para populações vulneráveis e de difícil acesso aos serviços de saúde, como adolescentes residentes em áreas de assentamento. Essa metodologia possibilita rápida detecção das síndromes, tratamento precoce, baixo custo terapêutico e não necessita de grandes investimentos laboratoriais.(2World Health Organization (WHO). Guideline for the management of sexually transmitted infections [Internet]. Geneva: WHO; 2003 [cited 2014 Mai 29]. Available from: http://applications.emro.who.int/aiecf/web79.pdf.
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)

Para essa população, observou-se uma proporção maior de relato de sinais e sintomas de DST em indivíduos do sexo feminino, que consumiam álcool antes ou durante a relação sexual e que apresentavam piercing e/ou tatuagem.

Mulheres, principalmente adolescentes e jovens, apresentam maior vulnerabilidade às DST que a população masculina, devido a fatores biológicos, sociais e de gênero.(1414 Nardis C, Mosca L, Mastromarino P. Vaginal microbiota and viral sexually transmitted diseases. Ann Ig. 2013; 25(5):443-56.

15 Higgins JA, Hoffman S, Dworkin SL. Rethinking Gender, Heterosexual Men, and Women’s Vulnerability to HIV/AIDS. Am J Public Health. 2010; 100(3):435-45.

16 Gupta GR, Ogden J, Warner A. Moving forward on women’s gender-related HIV vulnerability: the good news, the bad news and what to do about it. Glob Public Health. 2011; 6 Suppl 3:S370-82.
-1717 Strathdee SA, Wechsberg WM, Kerrigan DL, Patterson TL. HIV prevention among women in low- and middle-income countries: intervening upon contexts of heightened HIV risk. Annu Rev Public Health. 2013; 34:301-16.) Diferenças entre os comportamentos sexuais de homens e mulheres devem ser considerados nos planejamentos de políticas de prevenção e controle de DST.

No presente estudo, consumo de álcool antes ou durante a relação sexual foi associado ao relato de sinais/sintomas de DST. Também, consumo de drogas ilícitas mostrou-se marginal (p = 0,08). O uso de álcool encontra-se associado com DST e múltiplos comportamentos de risco que potencializam a aquisição dessas infecções.(6Li S, Huang H, Xu G, Cai Y, Huang F, Ye X. Substance use, risky sexual behaviors, and their associations in a Chinese sample of senior high school students. BMC Public Health. 2013; 13:295.,1818 Chimoyi LA, Musenge E. Spatial analysis of factors associated with HIV infection among young people in Uganda, 2011. BMC Public Health. 2014; 14:555.

19 Choudhry V, Agardh A, Stafström M, Östergren PO. Patterns of alcohol consumption and risky sexual behavior: a cross-sectional study among Ugandan university students. BMC Public Health. 2014; 14:128.
-2020 Vagenas P, Lama JR, Ludford KT, Gonzales P, Sanchez J, Altice FL. A systematic review of alcohol use and sexual risk-taking in Latin America. Rev Panam Salud Publica. 2013; 34(4):267-74.)

O uso de piercing e/ou tatuagem pode configurar como um indicador de comportamentos de risco para aquisição de DST, tais como, iniciação precoce da atividade sexual, uso inconsistente do preservativo, uso de álcool e drogas ilícitas, entre outros,(2121 Nowosielski K, Sipiński A, Kuczerawy I, Kozłowska-RupD, Skrzypulec-Plinta V. Tattoos, piercing, and sexual behaviors in young adults. J Sex Med. 2012; 9(9):2307-14.,2222 Oliveira MDS, Matos MA, Martins RMB, Teles SA. Tattooing and body piercing as lifestyle indicator of risk behaviors in Brazilian adolescents. Eur J Epidemiol. 2006; 21(7):559-60.) podendo servir assim como uma variável preditora para presença de DST. Essa variável deve ser considerada em estudos epidemiológicos, uma vez que possibilita a mensuração de comportamentos de risco para DST em grupos populacionais de maior vulnerabilidade.

Histórico de rompimento do preservativo mostrou-se marginal a prevalência de sinais/sintomas de DST. Embora essa variável ainda seja pouco explorada nos estudos epidemiológicos, esse dado sugere a necessidade premente de aprofundar essa discussão nos estudos com essa clientela, bem como de expandir os programas preventivos de educação sexual, abordando a temática da colocação correta do preservativo por adolescentes e jovens.

Verificou-se, mesmo com inúmeros meios de divulgação, um conhecimento insuficiente ou insatisfatório sobre os sinais e sintomas de DST em grande parte dos assentados. Esse dado aponta à necessidade de investimentos em intervenções educativas, visando empoderar a população de assentados quanto à identificação de sinais e sintomas de DST, contribuindo, assim, para o diagnóstico precoce, melhor prognóstico e interrupção da cadeia de transmissão.

Nesse contexto, é essencial que os profissionais de saúde, em especial enfermeiros, juntamente com a rede social destes indivíduos, como instituições de ensino, trabalhem de forma interdisciplinar, promovendo discussões com o intuito de orientá-los quanto à vulnerabilidade a que estão expostos e fornecendo informações que visem à assistência integral, equânime e humanizada da população jovem assentada.

Conclusão

A prevalência global para sinais e sintomas de DST foi alta. Observou-se que fatores de vulnerabilidade individual (sexo feminino, consumo de álcool antes ou durante a relação sexual e uso de piercing e/ou tatuagem) foram associados à presença de sinais e sintomas de DST. Também, identificou-se um conhecimento inadequado ou insatisfatório sobre sinais e sintomas de DST em grande parte dos assentados.

Referências

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Jan-Feb 2015

Histórico

  • Recebido
    29 Set 2014
  • Aceito
    3 Nov 2014
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