Resumo
Objetivo Examinar os efeitos da prática de yoga sobre a atenção plena e os níveis de estresse percebido em estudantes de enfermagem.
Métodos Estudo controlado, randomizado, pré-teste/pós-teste, com delineamento simples-cego e grupos paralelos, conduzido em um departamento de enfermagem no oeste da Turquia entre setembro de 2019 e janeiro de 2020, com participação de 56 estudantes de enfermagem (29 no grupo intervenção e 27 no grupo controle). O grupo intervenção participou de um curso de yoga de 15 semanas, enquanto o grupo controle participou de um curso de comunicação. Os dados foram coletados online utilizando o Formulário de Dados Pessoais, a Escala de Atenção e Consciência Plenas (Mindful Attention Awareness Scale - MAAS) e a Escala de Estresse Percebido (Perceived Stress Scale, PSS). A análise dos dados incluiu estatística descritiva, teste t para amostras pareadas, teste t para amostras independentes e teste qui-quadrado de Pearson.
Resultados Após 15 semanas, os alunos do grupo de yoga apresentaram pontuações significativamente mais altas na Escala de Atenção e Consciência Plenas (média = 62,24 ± 6,72) em comparação com os do grupo controle (média = 58,18 ± 10,04) (p < 0,05), bem como pontuações significativamente mais baixas na Escala de Estresse Percebido (média = 17,51 ± 3,51) do que o grupo controle (média = 20,29 ± 5,36) (p < 0,05). A análise intragrupo também demonstrou uma redução significativa no estresse percebido do pré-teste para o pós-teste no grupo de yoga (p < 0,05).
Conclusão Os resultados sugerem que a integração do yoga no currículo de enfermagem pode oferecer uma estratégia não farmacológica eficaz para reduzir o estresse percebido e aumentar a atenção plena entre estudantes de enfermagem. ClinicalTrials.gov: NCT06405789
Descritores
Atenção plena; Educação em enfermagem; Estresse fisiológico; Yoga
Abstract
Objective This study aimed to examine the effects of yoga on mindfulness and perceived stress levels in nursing students.
Methods A randomized controlled pre/posttest study with a single-blind, parallel-group design was conducted in a nursing department in western Turkey between September 2019 and January 2020. A total of 56 nursing students participated (29 in the intervention group and 27 in the control group). The intervention group participated in a 15-week yoga course, while the control group participated in a communication course. Data were collected online using the Personal Data Form, the Mindful Attention Awareness Scale, and the Perceived Stress Scale. Data analysis included descriptive statistics, paired samples t-test, independent sample t-test, and Pearson’s chi-squared test.
Results After 15 weeks, the students in the yoga group had significantly higher scores on the Mindful Attention Awareness Scale (mean = 62.24 ± 6.72) compared to those in the control group (mean = 58.18 ± 10.04) (p < 0.05). The yoga group also had significantly lower scores on the Perceived Stress Scale (mean = 17.51 ± 3.51) than the control group (mean = 20.29 ± 5.36) (p < 0.05). Within-group analysis also showed a significant reduction in perceived stress from pretest to posttest in the yoga group (p < 0.05).
Conclusion The findings suggest that integrating yoga into the nursing curriculum may offer an effective non-pharmacological strategy to reduce perceived stress and increase mindfulness among nursing students.
Keywords
Mindfulness; Education, nursing; Stress, physiological; Yoga
Resumen
Objetivo Examinar los efectos de la práctica del yoga sobre la atención plena y los niveles de estrés percibido en estudiantes de enfermería.
Métodos Estudio controlado, aleatorizado, pretest y postest, con diseño simple ciego y grupos paralelos, realizado en un departamento de enfermería en el oeste de Turquía entre septiembre de 2019 y enero de 2020, con la participación de 56 estudiantes de enfermería (29 en el grupo de intervención y 27 en el grupo de control). El grupo de intervención participó en un curso de yoga de 15 semanas, mientras que el grupo de control participó en un curso de comunicación. Los datos se recopilaron en línea utilizando el Formulario de Datos Personales, la Escala de Conciencia y Atención Plena (Mindful Attention Awareness Scale, MAAS) y la Escala de Estrés Percibido (Perceived Stress Scale, PSS). El análisis de los datos incluyó estadísticas descriptivas, la prueba t para muestras emparejadas, la prueba t para muestras independientes y la prueba ji cuadrado de Pearson.
Resultados Después de 15 semanas, los alumnos del grupo de yoga obtuvieron puntajes significativamente más altos en la Escala de Conciencia y Atención Plena (promedio = 62,24 ± 6,72) en comparación con los del grupo de control (promedio = 58,18 ± 10,04) (p < 0,05), así como puntajes significativamente más bajos en la Escala de Estrés Percibido (promedio = 17,51 ± 3,51) que el grupo de control (promedio = 20,29 ± 5,36) (p < 0,05). El análisis intragrupo también demostró una reducción significativa del estrés percibido entre el pretest y el postest en el grupo de yoga (p < 0,05).
Conclusión Los resultados sugieren que la integración del yoga en el plan de estudios de enfermería puede ofrecer una estrategia no farmacológica eficaz para reducir el estrés percibido y aumentar la atención plena entre los estudiantes de enfermería.
Descriptores
Atención plena; Educación en enfermeira; Estrés fisiológico; Yoga
Introdução
Estudantes de enfermagem enfrentam um alto risco de comprometimento do bem-estar físico e mental.(1) Ao longo de sua formação, eles lidam com cargas de trabalho intensas, altos níveis de estresse e ambiente acadêmico competitivo,(2,3) e encontram diversos fatores estressantes que podem, direta ou indiretamente, prejudicar seu aprendizado e desempenho geral.(4) Há três tipos de eventos estressores na formação em enfermagem: 1) estressores acadêmicos (por exemplo, pressão por provas e medo do fracasso acadêmico), 2) estressores clínicos (incluem medo do fracasso, respostas emocionais ao sofrimento ou morte do paciente, e dinâmicas interpessoais dentro da equipe de saúde) e 3) estressores pessoais/sociais (por exemplo, dificuldades financeiras).(5,6)
Estudos sobre o estresse em estudantes de enfermagem revelam níveis variáveis entre os países. Na Turquia, os estudantes de enfermagem geralmente relatam estresse de nível leve a moderado.(7) Um estudo realizado na Espanha constatou que aproximadamente metade dos estudantes de enfermagem pesquisados vivenciaram um nível moderado de estresse percebido.(8) Em contraste, Labrague et al. (2017) relataram altos níveis de estresse entre estudantes de enfermagem nas Filipinas, Grécia e Nigéria.(6) A resolução de problemas, a negação de problemas e a fuga/evitação são as principais estratégias de enfrentamento utilizadas pelos estudantes de enfermagem quando confrontados com o estresse.(5,8) Diversas intervenções foram propostas para esses estudantes, incluindo a melhoria da educação clínica, a integração da gestão do estresse na orientação, o aprimoramento das habilidades de gestão do tempo, a oferta de aconselhamento e o estabelecimento de sistemas de apoio e políticas hospitalares para auxiliar na aprendizagem.(3,5,9) A inclusão de intervenções de autocuidado nos currículos de certos programas de enfermagem é encorajadora e produz resultados positivos,(10) pois os estudantes de enfermagem se envolvem ativamente em diversas práticas de autocuidado, como manutenção da dieta, oração, meditação, sono suficiente e exploração da medicina complementar.(6,11,12) Concomitantemente, a literatura indica a prática frequente de atividade física ou do yoga como estratégias para o alívio e gestão do estresse.(11,13)
O yoga, uma combinação de arte e ciência, tem sido praticado há milênios. O Dr. Dean Ornish, renomado médico americano, demonstrou que um estilo de vida yogue pode reverter doenças cardíacas, e considera o yoga um poderoso sistema de ferramentas para alcançar a união e a cura.(14) Yoga — frequentemente considerado a medicina mente-corpo original — é uma abordagem não farmacológica e não invasiva que desempenha um papel fundamental na promoção da reintegração psicossomática e somatopsíquica.(15,16) Amplamente adotado como medicina integrativa, com frequência o yoga é considerado um método ideal para o restabelecimento do equilíbrio psicofisiológico através de sua estrutura filosófica e prática.(15) Revisões recentes também destacam o impacto do yoga em múltiplos sistemas corporais, enfatizando seu valor como uma ferramenta poderosa e holística para promoção de saúde e bem-estar.(16) Ultimamente, inúmeros cientistas têm examinado de forma extensiva seus efeitos, com relatos consistentes de transformações fisiológicas e psicológicas positivas.(10,13,17) Ao encorajar os indivíduos a manterem uma consciência corporal constante, com concentração em sua atenção na respiração, nas emoções, nos pensamentos ou em partes específicas do corpo, o yoga melhora efetivamente o humor e reduz estresse.(14) Amplamente comprovado pela ciência, o yoga é uma ferramenta eficaz na gestão do estresse, demonstrando melhorias significativas em resultados psicológicos e fisiológicos em inúmeros estudos e metanálises.(10,18) A prática de yoga também é importante na vida pessoal e profissional de estudantes de enfermagem já que eles têm papel vital na área da saúde como cuidadores primários de pacientes.(14) O yoga foi oficialmente reconhecido como intervenção de enfermagem pela autoridade internacional de enfermagem, ao ser incluído na Classificação de Intervenções de Enfermagem (NIC) e validado como abordagem não farmacológica que pode ser implementada de forma autônoma pelos enfermeiros.(19) Por seu papel crítico como cuidadores primários frequentemente expostos a altos níveis de estresse, os enfermeiros com certificação em yoga podem primeiro aplicar essas práticas para o seu próprio bem-estar e, posteriormente, incorporá-las ao cuidado de indivíduos saudáveis e adoecidos.(10,19)
Ao reconhecer o valor dessas intervenções de autocuidado, diversos países têm tomado medidas para integrar formalmente o yoga ao ensino de enfermagem. Na Índia, por exemplo, o yoga está oficialmente incluído no currículo nacional de enfermagem desde 2016.(20) Na Turquia, algumas faculdades de enfermagem adotaram o yoga como disciplina eletiva.(10) Essas mudanças são respaldadas por evidências crescentes que destacam os benefícios das práticas baseadas em atenção plena (mindfulness) — incluindo yoga, meditação e exercícios respiratórios — para o bem-estar e a resiliência dos profissionais de saúde.(21) Estudantes de enfermagem em todo o mundo relatam os resultados positivos alcançados com o engajamento nessas práticas, particularmente na gestão do estresse e promoção do bem-estar.(10,14) Embora pesquisas sobre o uso do yoga entre estudantes de enfermagem tenham mostrado resultados promissores globalmente,(9,20,22) os estudos conduzidos na Turquia ainda são limitados(10,23). As evidências demonstram os benefícios das práticas baseadas em atenção plena, mas na Turquia, as intervenções de yoga integradas ao currículo ainda são limitadas. Os estudantes de enfermagem vivenciam altos níveis de estresse, e na graduação em enfermagem há uma carência de programas de autocuidado estruturados e integrados ao currículo. Portanto, este estudo teve como objetivo examinar o efeito de um curso de yoga integrado ao currículo sobre os níveis de atenção plena e estresse percebido em estudantes de enfermagem.
Métodos
Este estudo randomizado, controlado, pré-teste/pós-teste, com delineamento simples-cego e grupos paralelos, conduzido no departamento de enfermagem de uma universidade pública no oeste da Turquia, entre setembro de 2019 e janeiro de 2020. Uma descrição detalhada do processo de randomização e alocação dos grupos, e das etapas da intervenção foi fornecida para maior clareza e reprodutibilidade. Os critérios de inclusão foram: ser estudante do primeiro ano de enfermagem, ter mais de 18 anos, participar voluntariamente e fornecer consentimento livre e esclarecido por escrito. Os critérios de exclusão compreenderam limitações físicas que impedissem a prática de yoga, deficiência auditiva ou visual, recusa em continuar ou absenteísmo escolar. Os dados do pré-teste e pós-teste foram coletados online por meio do Google Forms. Conforme ilustrado no fluxograma CONSORT (Figura 1), três estudantes do grupo intervenção (GI) e seis do grupo controle (GC) desistiram antes do início das aulas e foram excluídos da avaliação inicial. Além disso, dois estudantes de cada grupo se recusaram a responder ao questionário do pós-teste. A análise final por protocolo incluiu 29 participantes no GI e 27 no GC (Figura 1).
Após todos os alunos do primeiro ano de enfermagem (n = 69) serem informados sobre o objetivo do estudo, os que decidiram participar forneceram consentimento livre e esclarecido por escrito antes da randomização. Um estatístico independente, que não participou da intervenção nem da coleta de dados, gerou a sequência de alocação aleatória usando um gerador de listas aleatórias online (http://www.random.org). Os alunos foram alocados aleatoriamente aos grupos A e B. A alocação do grupo A como intervenção (yoga) e do grupo B como controle (curso de comunicação) foi determinada por sorteio. Para garantir o sigilo da alocação, os alunos não foram informados sobre o conteúdo específico do curso (yoga vs. comunicação) até a conclusão da inscrição. Essa abordagem minimizou o viés de seleção e impediu que os participantes escolhessem os grupos com base em preferências.
No início do estudo, para garantir a correspondência confiável dos dados, os participantes foram solicitados a criar um código pessoal ou pseudônimo de que pudessem lembrar facilmente. Esse identificador foi usado para vincular os questionários pré-teste e pós-teste sem revelar informações pessoais. Os dados da pesquisa foram codificados como grupos A e B e inseridos no SPSS (versão 25.0) por um estatístico que desconhecia a alocação dos grupos. Todas as análises e relatórios foram conduzidos em condições de cegamento para minimizar o viés.
Os dados do pré-teste e do pós-teste foram coletados online por meio de um questionário estruturado administrado via Google Forms. O link foi compartilhado pelo Instagram e WhatsApp, e o preenchimento dos formulários de forma anônima pelos participantes levou cerca de 10 minutos. Essa abordagem minimizou o contato entre os grupos durante a coleta de dados do pré-teste e do pós-teste.
Os instrumentos de coleta de dados incluíram o Formulário de Dados Pessoais, a Escala de Atenção e Consciência Plenas (Mindful Attention Awareness Scale - MAAS) e a Escala de Estresse Percebido (Perceived Stress Scale - PSS). O Formulário de Dados Pessoais foi desenvolvido pelos pesquisadores com base na literatura relevante e incluiu três perguntas relacionadas à idade, sexo e experiência prévia com yoga.(10,18) A MAAS foi originalmente desenvolvida por Brown e Ryan (2003)(24) para medir as diferenças individuais na capacidade de prestar atenção e estar consciente das experiências do momento presente. A escala consiste em 15 itens avaliados em uma escala Likert de 6 pontos (1 = quase sempre a 6 = quase nunca), com pontuações mais altas indicando maior atenção plena. A adaptação turca da escala foi realizada por Catak (2012), que confirmou sua estrutura unidimensional e confiabilidade em populações turcas.(25) A escala Likert de 6 pontos varia de 1 (quase sempre) a 6 (quase nunca); pontuações mais altas indicam maior atenção plena.(24) O alfa de Cronbach foi de 0,82 no estudo original,(24) 0,85 na adaptação turca,(25) e 0,86 no presente estudo. A PSS foi desenvolvida por Cohen, Kamarck e Mermelstein (1983) para avaliar o grau em que os indivíduos percebem situações em suas vidas como estressantes.(26) Ela inclui 10 itens em duas subdimensões: autoeficácia percebida e impotência percebida. Cada item é avaliado em uma escala Likert de 5 pontos (0 = nunca a 4 = muito frequentemente) e quatro itens são formulados positivamente (itens 4, 5, 7 e 8) com pontuação invertida. Pontuações totais mais altas indicam maior estresse percebido. A adaptação para o turco foi realizada por Eskin, Harlak, Demirkıran e Dereboy (2013).(27) O alfa de Cronbach foi 0,82 na escala original, 0,84 na versão turca e 0,78 neste estudo.
Intervenção/Curso de yoga: A duração da intervenção (15 semanas) foi definida para coincidir com um semestre letivo do currículo de enfermagem. Um estudo(10) realizado na Turquia implementou programas de yoga de 14 semanas entre estudantes de enfermagem com resultados positivos. Além disso, na NIC, o yoga é identificado como uma intervenção de enfermagem que pode ser realizada em um período flexível, com sessões semanais regulares.(19) Portanto, um programa de 15 semanas foi considerado viável e consistente com as evidências. O curso de yoga foi oferecido como disciplina eletiva dentro do currículo de enfermagem, com aprovação prévia da administração da faculdade, o que garantiu a frequência regular e a obtenção de créditos acadêmicos.
O conteúdo do curso foi desenvolvido com base na literatura e em estudos anteriores, e ministrado pela pesquisadora principal, uma instrutora de yoga certificada.(10,11,14,18) O GI participou de 15 semanas de sessões estruturadas de yoga, cada uma com duração de 1,5 hora por semana (30 minutos de teoria, 60 minutos de prática). Cada sessão incluía exercícios respiratórios (pranayama), aquecimento, posturas (asanas) e relaxamento profundo (shavasana). Os alunos também receberam práticas diárias opcionais de atenção plena para uso fora da sala de aula. A frequência foi registrada e a fidelidade da implementação foi assegurada por roteiros de sessão padronizados. Os materiais do curso incluíram notas da instrutora e práticas guiadas. Após a conclusão do estudo, o GC recebeu uma sessão única de yoga. O grupo experimental recebeu um curso de yoga que integrava componentes práticos e teóricos, parcialmente ministrado com apresentações em PowerPoint. Os elementos práticos incluíram exercícios respiratórios (pranayama), posturas físicas (asanas) e relaxamento/meditação (por exemplo, postura do cadáver). Os componentes teóricos incluíram a introdução à filosofia do yoga (por exemplo, integração mente-corpo e o conceito de atenção plena/dharana), o ensino da meditação da bondade amorosa (dhyana) e a revisão de estruturas baseadas em evidências, que explicam a eficácia do yoga na redução do estresse e no bem-estar psicológico.
Grupo Controle: O grupo controle participou do curso de comunicação por 15 semanas, com aulas uma vez por semana. O conteúdo incluiu o propósito e os elementos da comunicação, tipos e ferramentas de comunicação, fatores de influência, técnicas de comunicação, técnicas de comunicação terapêutica, comunicação em situações específicas, técnicas de comunicação ineficazes/não terapêuticas, autoconhecimento e autoexpressão, empatia, uso da “linguagem do eu” e da “linguagem do você”, estilos comportamentais, conflito e sua gestão. Esses tópicos foram apresentados aos alunos de forma teórica durante 1,5 hora por semana.
Um estatístico independente, sem conhecimento da alocação dos grupos, codificou e inseriu os dados anonimizados no SPSS (Versão 25.0, IBM Corp). Antes da análise, a precisão dos dados foi verificada duas vezes para garantir a confiabilidade. O tamanho da amostra foi determinado usando o G*Power (Versão 3.1, Universidade Heinrich Heine, Düsseldorf, Alemanha). As premissas de normalidade foram testadas usando o teste de Shapiro-Wilk e a homogeneidade das variâncias foi verificada. A significância foi definida em p < 0,05. Estatísticas descritivas (frequência, porcentagem, média, desvio padrão) foram calculadas. A homogeneidade do grupo na linha de base foi avaliada com o teste qui-quadrado para variáveis categóricas e testes t independentes para variáveis contínuas. As mudanças intragrupo (pré/pós) foram analisadas usando testes t para amostras pareadas, enquanto as diferenças intergrupos foram examinadas usando testes t para amostras independentes. Para examinar a interação entre grupo (intervenção vs. controle) e tempo (pré vs. pós), foi realizada a ANOVA de medidas repetidas de dois fatores. Os tamanhos do efeito (d de Cohen e η2 parcial) foram relatados para indicar a magnitude das diferenças.
A aprovação ética foi obtida do Comitê de Ética em Pesquisa Clínica Não Invasiva da İzmir Democracy University (Decisão nº: 2019/05-03). Antes da coleta de dados, os alunos foram informados sobre o objetivo do estudo e a participação voluntária, anônima e desvinculada da avaliação do curso. O consentimento livre e esclarecido por escrito foi concedido antes da randomização. Somente os alunos que forneceram o consentimento voluntariamente puderam acessar o questionário. Os participantes foram assegurados da confidencialidade e do seu direito de desistir a qualquer momento. Pseudônimos foram utilizados para garantir a correspondência entre os formulários pré-teste e pós-teste. As permissões para o uso de todas as escalas foram obtidas. O estudo foi conduzido de acordo com a Declaração de Helsinque, relatado em conformidade com as diretrizes CONSORT e registrado no ClinicalTrials.gov (NCT06405789).
Resultados
A idade média dos participantes do GI foi de 18,51 ± 0,82 anos e a do GC foi de 18,70 ± 0,77 anos. O GI e GC eram semelhantes antes da intervenção em termos de idade, sexo e experiência prévia com yoga (p > 0,05). Em relação ao sexo, 69% do GI e 70,4% do GC eram do sexo feminino (Tabela 1). As características basais mostraram que quase todos os participantes não tinham experiência prévia com yoga; 96,6% do GI e 88,9% do GC relataram não ter nenhuma experiência anterior (Tabela 1).
As comparações das pontuações MAAS e PSS do GI e GC são apresentadas na tabela 2. Após 15 semanas, as pontuações MAAS dos alunos do GI foram significativamente maiores (62,24 ± 6,72) do que as dos alunos do GC (58,18 ± 10,04) (p < 0,05) (Tabela 2). Após as 15 semanas, foi verificada uma melhoria estatisticamente significativa (p< 0,05) na pontuação do MAAS no GI ao comparar o pós-teste com o pré-teste. O tamanho do efeito do GI e do GC no MAAS foi: d de Cohen = 0,84; IC 95% -5,19 a -0,36. A análise de medidas repetidas de dois fatores para grupo*tempo foi significativa (p< 0,05) (Tabela 2). Após 15 semanas, o GI apresentou pontuações PSS mais baixas (17,51 ± 3,51) do que o GC (20,29 ± 5,36), e a diferença foi significativa (p < 0,05). Após a intervenção, a alteração no GI em termos de PSS pós-teste foi significativamente menor do que no pré-teste (p < 0,05). O tamanho do efeito do GI e do GC no PSS foi de 0,62. O GI tendeu a apresentar uma melhora maior na pontuação do MASS em relação ao GC (d de Cohen = 0,84; IC 95% -5,19 a -0,36). O tamanho do efeito no PSS foi de 0,62, superior a um tamanho de efeito “moderado” de 0,50.
Discussão
Este estudo avaliou o impacto de um curso de yoga integrado ao currículo, com duração de 15 semanas, sobre a atenção plena e o estresse percebido em estudantes de enfermagem do primeiro ano. Embora o yoga e a atenção plena tenham sido amplamente estudados no ensino de enfermagem, na Turquia, as aplicações curriculares ainda são limitadas. Esta intervenção, ministrada por um instrutor de yoga certificado e apoiada por escalas validadas, apresenta um modelo educacional viável e replicável. A maioria dos participantes não tinha experiência prévia com yoga, o que destaca a acessibilidade de tais programas para iniciantes. Em consonância com os resultados de programas de enfermagem anteriores, a maioria dos participantes do GI e uma parcela considerável do GC não havia praticado yoga antes do estudo — uma observação que corrobora evidências prévias, que indicam baixa exposição anterior ao yoga entre estudantes de enfermagem de graduação.(22,28) Este estudo contribui para a literatura ao demonstrar que mesmo estudantes de enfermagem sem experiência prévia com a prática podem se beneficiar do yoga integrado ao currículo, destacando sua acessibilidade e aplicabilidade na formação de graduação em enfermagem.
A atenção plena é a capacidade de focar intensamente nas próprias experiências internas e externas e de perceber o momento presente com consciência.(29) Professores universitários de enfermagem recomendam a integração de práticas de atenção plena, como o yoga, na formação em enfermagem para melhorar o bem-estar psicológico dos estudantes.(3,10,13) Neste estudo, os estudantes do GI que praticaram yoga demonstraram níveis mais elevados de atenção plena em comparação com os do GC. As pontuações MASS do GI após a intervenção foram significativamente maiores do que as do GC (p < 0,05), e o GI mostrou uma maior tendência de melhora, com um grande tamanho de efeito (d de Cohen = 0,84). Alguns pesquisadores descobriram que a adoção de intervenções de atenção plena podem elevar significativamente os seus níveis e reduzir o estresse, a ansiedade e a depressão de estudantes de enfermagem,(3,10) enquanto outros pesquisadores não obtiveram resultados estatisticamente significativos.(2) Em uma meta-análise, Chen et al. (2021)(3) examinaram as pontuações de atenção plena de seis estudos, envolvendo um total de 1318 estudantes de enfermagem; 637 no GI e 681 no GC. Com exceção de um, cinco estudos relataram resultados estatisticamente significativos em relação ao desenvolvimento da atenção plena.(3) Uma revisão da literatura recomenda integrar programas de atenção plena, incluindo exercícios de desenvolvimento da consciência da respiração, meditação e yoga, no currículo de estudantes de enfermagem no primeiro ano do curso de graduação em enfermagem.(18) Foi demonstrado um aumento da atenção plena em programas de enfermagem com integração da atenção plena e do yoga.(10,30) De forma semelhante à literatura, este estudo comprova que a integração de cursos de yoga no currículo de enfermagem aumenta a atenção plena.
Abordagens baseadas em atenção plena, como técnicas de respiração, yoga e meditação, demonstraram reduzir significativamente as emoções negativas de estudantes de enfermagem e aprimorar sua capacidade de lidar com o estresse.(3,31) Partindo desse princípio, os resultados deste estudo sugerem que a integração do yoga ao currículo de enfermagem pode aprimorar a regulação emocional e as habilidades de gestão do estresse dos estudantes. Tais melhorias podem não apenas apoiar o desempenho acadêmico e o bem-estar pessoal dos estudantes, mas também influenciar positivamente o futuro cuidado ao paciente, visto que enfermeiros emocionalmente resilientes estão mais bem preparados para fornecer cuidados compassivos e atenciosos. A intervenção foi particularmente eficaz para reduzir o estresse percebido entre os estudantes que participaram do yoga integrado ao currículo. Em vez de focar apenas na significância estatística, esses resultados apontam para o benefício prático do yoga como uma ferramenta não farmacológica que auxilia no enfrentamento de ambientes de aprendizagem de alto estresse, como a formação em enfermagem. Apesar do uso de instrumentos de autorrelato validados e confiáveis (MAAS e PSS) neste estudo, essas ferramentas dependem das percepções subjetivas dos participantes. Pesquisas futuras devem considerar a integração de medidas fisiológicas objetivas, como cortisol salivar ou variabilidade da frequência cardíaca, para avaliar a redução do estresse com maior precisão e corroborar os resultados autorrelatados.(32) Essas descobertas têm implicações práticas valiosas para a educação em enfermagem e o treinamento clínico. Ao integrar programas de yoga ao currículo em ambientes de treinamento clínico, os educadores de enfermagem podem reforçar uma cultura de atenção plena, resiliência ao estresse e autocuidado entre os estudantes de graduação em enfermagem. Evidências indicam que programas de yoga implementados entre profissionais de saúde reduzem significativamente o burnout e melhoram o bem-estar — uma revisão constatou que enfermeiros que participaram de intervenções prolongadas de yoga experimentaram reduções significativas no estresse e na exaustão emocional, mesmo em ambientes de trabalho exigentes.(13,33) A expansão do programa para níveis institucionais ou interinstitucionais poderia ampliar seus benefícios, melhorando não apenas o bem-estar dos estudantes e a prontidão clínica, mas também a resiliência entre os enfermeiros em exercício. Como mostram os estudos, a integração de yoga em grupo acessível em ambientes de trabalho — sejam módulos de seis ou oito semanas — reduz efetivamente o estresse, o burnout e melhora a qualidade de vida geral. Apoiar a equipe de enfermagem por meio de tais intervenções pode, por sua vez, melhorar a qualidade do atendimento ao paciente, a retenção de funcionários e os resultados de saúde da instituição.
Em consonância com nossos achados, pesquisas anteriores demonstraram que intervenções baseadas em atenção plena — incluindo yoga, técnicas de respiração e meditação — podem reduzir significativamente o estresse, a ansiedade e a depressão, ao mesmo tempo que melhoram o desempenho acadêmico e a satisfação com a vida dos estudantes.(3,18) Por exemplo, uma revisão sistemática e metanálise recente demonstrou que programas de atenção plena, muitos dos quais incorporam práticas de yoga, melhoram efetivamente os resultados de saúde mental, reduzindo o estresse, a ansiedade e a depressão entre estudantes universitários.(17) Da mesma forma, evidências mais recentes destacam que programas de atenção plena com integração de yoga e outras técnicas mente-corpo não apenas reduzem os sintomas psicológicos negativos, mas também melhoram a qualidade do sono e a satisfação com a vida em populações estudantis.(34) Entre profissionais de saúde, uma metanálise em rede revelou que as práticas mente-corpo são as intervenções mais eficazes para reduzir o estresse ocupacional. O yoga aparece como a modalidade mais eficaz.(35) Ensaios recentes com estudantes de enfermagem também mostram que programas baseados em yoga ou atenção plena reduzem significativamente o estresse percebido e melhoram o bem-estar.(13)
Este estudo apresenta vários pontos fortes, incluindo o uso de instrumentos validados e confiáveis (MAAS e PSS), um estudo randomizado controlado e uma intervenção de yoga integrada ao currículo, conduzida por uma enfermeira educadora certificada. No entanto, algumas limitações devem ser reconhecidas.
A primeira foi o mascaramento aplicado apenas ao estatístico, o que pode introduzir viés durante a intervenção e a coleta de dados. Estudos futuros poderiam aprimorar o rigor metodológico envolvendo facilitadores ou avaliadores independentes que desconheçam a alocação dos grupos. A segunda foi a coleta de dados realizada online, o que pode ter introduzido potenciais erros de resposta. Estes podem incluir problemas de conectividade com a internet, distração dos participantes durante o preenchimento do questionário ou interpretação errônea dos itens sem a possibilidade de esclarecimentos. Pesquisas futuras podem se beneficiar da coleta de dados presencial, permitindo que os pesquisadores controlem o ambiente e ofereçam suporte em tempo real. A terceira é que embora o uso de instrumentos de autorrelato seja comum em pesquisas psicológicas, eles dependem das percepções subjetivas dos participantes e podem estar sujeitos a viés de resposta. A incorporação de marcadores fisiológicos objetivos, como cortisol salivar ou variabilidade da frequência cardíaca, em estudos futuros poderia fornecer informações mais robustas sobre os efeitos do yoga na redução do estresse. A quarta foi a limitação da intervenção a um período de acompanhamento relativamente curto (um semestre acadêmico). Estudos de longo prazo são necessários para determinar se os benefícios do yoga se mantêm ao longo do tempo. Em quinto lugar, embora quase todos os participantes não tivessem experiência prévia com yoga, o estudo foi conduzido em uma única universidade, exclusivamente com alunos do primeiro ano de enfermagem. Logo, os resultados não podem ser generalizados para alunos de outros anos acadêmicos, disciplinas ou instituições. Os sistemas educacionais, as práticas culturais e as características socioeconômicas variam entre universidades e regiões da Turquia, o que pode afetar a forma como os alunos percebem e se envolvem com o yoga.
Por fim, embora os resultados destaquem o potencial da integração do yoga ao currículo, o estudo não abordou questões de viabilidade e custo. Pesquisas futuras devem avaliar os recursos, o treinamento do corpo docente e a capacidade institucional necessários para expandir tais programas, visto que essas considerações práticas podem influenciar a implementação mais ampla do yoga nos currículos de enfermagem.
Conclusão
Este estudo controlado randomizado sugere que um curso de yoga integrado ao currículo, com duração de 15 semanas, pode melhorar a atenção plena e reduzir o estresse percebido em estudantes de enfermagem do primeiro ano. Ao contrário de abordagens de curto prazo ou extracurriculares, a integração do yoga como disciplina acadêmica pareceu aumentar o engajamento dos alunos e a percepção de valor. As melhorias observadas podem contribuir potencialmente para a regulação emocional, gestão do estresse e a resiliência, habilidades consideradas importantes na prática da saúde, embora mais pesquisas sejam necessárias para confirmar esse impacto. Esses achados destacam o potencial da incorporação do yoga aos currículos de enfermagem. No entanto estudos adicionais são necessários para examinar os resultados a longo prazo, os indicadores fisiológicos objetivos e a viabilidade de uma implementação mais ampla em diversos contextos educacionais e culturais. O tamanho do efeito para a melhora na atenção plena foi grande (d de Cohen = 0,84), enquanto o tamanho do efeito para a redução do estresse percebido foi moderado (d de Cohen = 0,62), indicando que as mudanças observadas não foram apenas estatisticamente significativas, mas também relevantes na prática. Pesquisas futuras também devem incluir estudos longitudinais para avaliar os efeitos sustentados e investigar os resultados clínicos e o uso de medidas fisiológicas objetivas. Além disso, são necessárias análises de viabilidade e custo-efetividade para avaliar a integração prática do yoga aos currículos de enfermagem, uma vez que os recursos institucionais, o treinamento do corpo docente e as restrições de horário podem afetar a implementação.
Agradecimentos
A autora agradece a todos os participantes pelo interesse e pelas valiosas contribuições para este estudo. As análises estatísticas e os processos de randomização contaram com o apoio da ISTAR Consultancy. A autora também deseja expressar sincera gratidão ao Dr. James Whedon e à Dra. Barbara Gibson por suas valiosas contribuições. Apesar desta pesquisa ser de autoria individual, a leitura crítica, o feedback construtivo e as valiosas sugestões acadêmicas desses profissionais ofereceram apoio significativo ao trabalho. Este estudo foi apresentado como pôster na 15ª Conferência Anual IM4US, realizada de 14 a 16 de agosto de 2025, no Susan Samueli Integrative Health Institute da UCI, na Califórnia, EUA.
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Disponibilidade dos dados:
Os dados da pesquisa estão disponíveis no artigo.
Editado por
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Editor Associado:
Thiago da Silva Domingos (https://orcid.org/0000-0002-1421-7468) Escola Paulista de Enfermagem, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
Os dados da pesquisa estão disponíveis no artigo.


