Parasitismo de ovos de Heliothis virescens por Trichogramma spp. pode ser afetado por cultivares de algodão

Parasitism of Heliothis virescens eggs by Trichogramma spp. can be affected by cotton cultivars

Resumos

O objetivo foi avaliar o parasitismo de ovos de Heliothis virescens em folhas das cultivares comerciais de algodoeiro de fibra branca (BRS 8H) e colorida (BRS Safira) por Trichogramma exiguum, Trichogramma pretiosum e Trichogramma atopovirilia.Trinta ovos da praga, depositados sobre folhas das respectivas cultivares, foram expostos a cada espécie do parasitóide por 48h, em condições controladas, nas quais foram mantidos até a emergência de seus descendentes. Entre as culturas, obteve-se o maior parasitismo na cultivar BRS 8H. T. atopovirilia e T. exiguum apresentaram maiores porcentagens de parasitismo, seguido por T. pretiosum. Os três parasitóides tiveram viabilidade de parasitismo acima de 90% e razão sexual de 0,79 a 1,0 em ambas as cultivares, mas com menores taxas para T. exiguum, seguido por T. atopovirilia. O número de descendentes por ovo de H. virescens foi semelhante entre as espécies de parasitóides com valores 1,69 a 1,9. De maneira geral, T. atopovirilia obteve o melhor desempenho em ambas as cultivares, diferenciando-se de T. pretiosum. Assim, o desempenho dessas espécies pode ser afetado pelas cultivares. Os resultados obtidos sugerem que diferenças entre plantas são as causas de resultados variáveis no parasitismo de Trichogramma na mesma cultura.

controle biológico; parasitóides; manejo integrado de pragas


The objective of this work was to evaluate the parasitism of Heliothis virescens eggs on leaves of commercial cultivars of white (BRS 8H) and colored (BRS Safira) cotton fibers, by Trichogramma exiguum, Trichogramma pretiosum and Trichogramma atopovirilia. Thirty eggs of the pest were deposited on leaves of the respective cultivars, and exposed to each species of the parasitoid for 48 hours in controlled conditions, where they were kept until the emergence of their descendants. The parasitism rate was higher on BRS 8H cotton with better parasitism of T. atopovirilia and T. exiguum, followed by T. pretiosum. The parasitism viability was above 90%, and sexual ratio ranged from 0.79 to 1.00 on both cotton genotypes, but with lower values for T. exiguum, followed by T. atopovirilia. The number of descendants per parasitized egg of H. virescens was similar among parasitoid species, with values from 1.69 to 1.9. Overall, T. atopovirilia achieved better results on both cotton cultivars, differing from T. pretiosum. Thus, the performance of these species can be affected by cultivars. The results suggest that differences between plants are the causes of variation in the results of Trichogramma parasitism in the same culture.

biological control; parasitoids; integrated pest management


FITOSSANIDADE / CROP PROTECTION

Parasitismo de ovos de Heliothis virescens por Trichogramma spp. pode ser afetado por cultivares de algodão

Gilberto Santos AndradeI* * Autor para correspondência. E-mail: gilberto.andrade@ufv.br ; Dirceu PratissoliII; Jorge Braz TorresIII; Reginaldo BarrosIII; Leandro Pin DalvIV; Hugo Bolsoni ZagoIII

IDepartamento de Biologia Animal, Universidade Federal de Viçosa, Av. Peter Henry Rolfs, s/n, 36570-000, Viçosa, Minas Gerais, Brasil

IIDepartamento de Produção Vegetal, Universidade Federal do Espírito Santo, Alegre, Espírito Santo, Brasil

IIIDepartamento de Agronomia, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife, Pernambuco, Brasil

IVDepartamento de Fitotecnia, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, Minas Gerais, Brasil

RESUMO

O objetivo foi avaliar o parasitismo de ovos de Heliothis virescens em folhas das cultivares comerciais de algodoeiro de fibra branca (BRS 8H) e colorida (BRS Safira) por Trichogramma exiguum, Trichogramma pretiosum e Trichogramma atopovirilia.Trinta ovos da praga, depositados sobre folhas das respectivas cultivares, foram expostos a cada espécie do parasitóide por 48h, em condições controladas, nas quais foram mantidos até a emergência de seus descendentes. Entre as culturas, obteve-se o maior parasitismo na cultivar BRS 8H. T. atopovirilia e T. exiguum apresentaram maiores porcentagens de parasitismo, seguido por T. pretiosum. Os três parasitóides tiveram viabilidade de parasitismo acima de 90% e razão sexual de 0,79 a 1,0 em ambas as cultivares, mas com menores taxas para T. exiguum, seguido por T. atopovirilia. O número de descendentes por ovo de H. virescens foi semelhante entre as espécies de parasitóides com valores 1,69 a 1,9. De maneira geral, T. atopovirilia obteve o melhor desempenho em ambas as cultivares, diferenciando-se de T. pretiosum. Assim, o desempenho dessas espécies pode ser afetado pelas cultivares. Os resultados obtidos sugerem que diferenças entre plantas são as causas de resultados variáveis no parasitismo de Trichogramma na mesma cultura.

Palavras-chave: controle biológico, parasitóides, manejo integrado de pragas

ABSTRACT

Parasitism of Heliothis virescens eggs by Trichogramma spp. can be affected by cotton cultivars. The objective of this work was to evaluate the parasitism of Heliothis virescens eggs on leaves of commercial cultivars of white (BRS 8H) and colored (BRS Safira) cotton fibers, by Trichogramma exiguum, Trichogramma pretiosum and Trichogramma atopovirilia. Thirty eggs of the pest were deposited on leaves of the respective cultivars, and exposed to each species of the parasitoid for 48 hours in controlled conditions, where they were kept until the emergence of their descendants. The parasitism rate was higher on BRS 8H cotton with better parasitism of T. atopovirilia and T. exiguum, followed by T. pretiosum. The parasitism viability was above 90%, and sexual ratio ranged from 0.79 to 1.00 on both cotton genotypes, but with lower values for T. exiguum, followed by T. atopovirilia. The number of descendants per parasitized egg of H. virescens was similar among parasitoid species, with values from 1.69 to 1.9. Overall, T. atopovirilia achieved better results on both cotton cultivars, differing from T. pretiosum. Thus, the performance of these species can be affected by cultivars. The results suggest that differences between plants are the causes of variation in the results of Trichogramma parasitism in the same culture.

Keywords: biological control, parasitoids, integrated pest management

Introdução

A lagarta da maçã-do-algodoeiro, Heliothis virescens (Fabr.) (Lepidoptera: Noctuidae), possui ampla distribuição no continente americano, podendo utilizar espécies de plantas de oito famílias botânicas como hospedeiras, incluindo o algodoeiro (YÉPEZ et al., 1990), além de culturas de importância econômica como fumo, tomate, girassol e soja (McCAFFERY, 1998; BLANCO et al., 2006).

O entendimento das interações no agroecossistema desponta como estratégia fundamental no manejo de pragas pela possibilidade de diminuir o uso de inseticidas sintéticos, com menor impacto sobre organismos não-alvo (GHINI; BETTIOL, 2000; WAAGE, 2001; MOSCARDI et al., 2008). Isso permite o manejo sustentável de culturas pelo uso de agentes naturais de controle em liberações inundativas, após o estudo do ecossistema e das potencialidades de cada agente de controle (PRATISSOLI et al., 2005).

A ocorrência natural de parasitismo de ovos de lepidópteros-praga do algodoeiro por Trichogramma demonstra a possibilidade de utilização destes parasitóides no manejo de pragas daquela cultura (HOHMANN; SANTOS, 1989; FERNANDES

et al.,1999). O ponto-chave é a compreensão das relações entre o inimigo natural e o meio em que o hospedeiro se encontra (QUAYLE et al.,2003; ANDOW; OLSON, 2003; GRIESHOP et al., 2007).

A influência da planta hospedeira sobre o parasitismo de espécies de Trichogramma tem sido documentada em diversos estudos, nos quais há indícios de que podem ocorrer taxas de parasitismo diferenciadas dependendo da planta e da espécie de parasitóide (LUKIANCHUK; SMITH, 1997; GINGRAS et al., 2003; ROMEIS et al., 2005). Alguns Hymenoptera usam características como cor, formato, tamanho, odor e outras características para discriminar plantas (GUMBERT, 2000). Isso, possivelmente, pode ocorrer com parasitóides desta ordem para localizar seus hospedeiros e o entendimento do parasitismo em diferentes cultivares ou espécies vegetais permitem predizer o desempenho de espécies de Trichogramma mediante interações (BOTTRELL et al.,1998).

A localização do hospedeiro por essas espécies de parasitóides é feita por caminhamento e pequenos vôos sobre as folhas, de modo que as características foliares podem reduzir a localização e o parasitismo (ROMEIS et al., 2005). Assim, testes em laboratório devem ser conduzidos para avaliar a eficiência desses organismos.

O objetivo do trabalho foi avaliar a influência de duas cultivares de algodão sobre o parasitismo, viabilidade e número de indivíduos por ovo de três espécies de Trichogramma em ovos de H. virescens depositados sobre folhas de duas cultivares de algodoeiro.

Material e métodos

A criação do hospedeiro alternativo, Anagasta kuehniella (Zeller) (Lepidoptera: Pyralidae), foi realizada em dieta à base de farelo de trigo e de milho na proporção de 2:1, enriquecida com 30 g de levedura de cerveja por kg de dieta. A dieta, previamente homogeneizada, foi distribuída em caixas plásticas (30 x 25 x 10 cm). Ovos de A. kuehniella (0,3 g) foram distribuídos sobre a dieta. Os adultos emergidos foram coletados diariamente, e as mariposas foram transferidas para gaiolas plásticas (20 cm de diâmetro x 25 cm de altura). A parte superior das gaiolas foi vedada com tela tipo voil. Os ovos foram coletados diariamente, por cinco dias, e armazenados em câmara climatizada ajustada para temperatura de 3 ± 1°C (PARRA, 1997).

As espécies de parasitóides utilizadas foram Trichogramma exiguum Pinto e Platner, Trichogramma pretiosum Riley e Trichogramma atopovirilia Oatman e Platner (Hymenoptera: Trichogrammatidae), provenientes da criação de manutenção do Núcleo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Manejo Fitossanitário do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) de Alegre, Estado do Espírito Santo. A manutenção e a multiplicação das espécies de parasitóide foram realizadas em tubos de vidro (8,5 x 2,5 cm) com gotículas de mel nas paredes internas para alimentação dos adultos.

Os ovos de A. kuehniella foram aderidos a retângulos de cartolina azul celeste (8,0 x 2,0 cm) com goma arábica a 10% e inviabilizados por exposição à lâmpada germicida por 45 min., previamente (PARRA, 1997). As cartelas com ovos foram oferecidas aos parasitóides por 24h.

A criação inicial de H. virescens foi estabelecidaporinsetos fornecidos pelo Laboratório de Biologia de Insetos da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Piracicaba, Estado de São Paulo, e desenvolvida em sala climatizada a temperatura de 25 ± 1ºC, umidade relativa de 70 ± 10% e fotofase de 12h.

Os adultos de H. virescens foram mantidos em gaiolas de PVC (20 cm de diâmetro x 25 cm de altura), revestidas internamente com folha de papel branco. A face superior dessas gaiolas foi vedada com tecido tipo voil e a alimentação feita com solução de mel a 10%, oferecida em frascos de 20 mL contendo chumaço de algodão em contato com a solução. O alimento foi renovado a cada 48h. Os ovos de H. virescens foram coletados e transferidos para câmara climatizada a 25 ± 1ºC, umidade relativa de 70 ± 10% e fotofase de 12h, mantidos até o início da emergência de lagartas, que foram individualizadas até a pupação em tubos de vidro (8,5 x 2,5 cm), previamente esterilizados a 100ºC por 1h e 30 min., preenchidos até ¼ de seu volume com dieta artificial adaptada para H. virescens (GREENE et al., 1976).

As cultivares comerciais dealgodão BRS 8H de fibra branca e BRS Safira de fibra colorida utilizadas foram cedidas pela Embrapa Algodão, Campina Grande, Estado da Paraíba. As plantas foram cultivadas em sacos de plástico (30,0 x 20,0 cm) contendo partes iguais de terra, areia e esterco. Folhas totalmente desenvolvidas foram colhidas, higienizadas com água destilada, mantidas sobre papel toalha para retirar o excesso de umidade e utilizadas para deposição de ovos de H. virescens.

A exposição dos ovos ao parasitismo por T. pretiosum, T. exiguum e T. atopovirilia foi conduzida em condições controladas de 25 ± 1ºC, 70 ± 10% de umidade relativa e fotofase de 12h. Trinta ovos de H. virescens foram dispostos ao acaso na superfície do disco foliar de 5 cm de diâmetro, na superfície abaxial da folha das duas cultivares de algodoeiro, por apresentarem maior densidade de tricomas. Vinte discos foliares de ambas as cultivares de algodão contendo os ovos de H. virescens foram dispostos sobre papel de filtro para absorção da umidade e acondicionados em caixas circulares de acrílico tipo gerbox (5 cm de diâmetro x 3 cm de altura). Uma fêmea recém-emergida do parasitóide foi liberada no interior do gerbox, que foi fechado para evitar a fuga do parasitóide. Os parasitóides foram eliminados após 48h, e os discos foliares foram mantidos por mais quatro dias no mesmo recipiente, para eliminar a umidade e lagartas emergidas dos ovos não-parasitados. Os discos foliares com os ovos parasitados foram identificados e transferidos para sacos de plásticos perfurados com alfinete nº 000 para possibilitar a aeração até a emergência dos descendentes.

Os números de ovos parasitados, ovos com orifício, parasitóides emergidos, machos e fêmeas dos descendentes foram avaliados. O número de ovos parasitados e a viabilidade foram expressos em porcentagem, o número total de parasitóides foi dividido pelo número de ovos com orifício, para se determinar a relação de parasitóides por ovo, e a razão sexual foi determinada pelo número de fêmeas dividido pelo total de indivíduos na descendência.

Os tratamentos foram arranjados em esquema fatorial 2 x 3, com duas cultivares de algodão e três espécies de parasitóides. Foi utilizado delineamento inteiramente casualizado, com 20 repetições. Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Resultados e discussão

O parasitismo de ovos de H. virescens variou em função das cultivares de algodoeiro e das espécies de Trichogramma. O maior parasitismo foi obtido para os ovos em folhas do cultivar BRS 8H, exceto para T. pretiosum, que foi semelhante em ambas as cultivares (Tabela 1).

Em média, 23,4% dos ovos foram parasitados em BRS 8H, comparados a 19,8% em BRS Safira. A porcentagem de parasitismo, entre as espécies de Trichogramma, variou de 19,0 a 27,4% para BRS 8H e de 16,9 a 22,2% para BRS Safira. T. atopovirilia e T. exiguum apresentaram maiores porcentagens de parasitismo sem diferenças entre as duas espécies em BRS 8H (Tabela 1).

A restrição de BRS 8H foi menor que para BRS Safira embora tenha ocorrido parasitismo em ambas as cultivares. Diferenças entre as espécies só ocorreram para T. atopovirilia e T. pretiosum para a cultivar BRS Safira, com 22,3 e 16,9% de parasitismo, respectivamente. Maior parasitismo por T. atopovirilia comparado a T. pretiosum ocorreu em ovos de Spodopera frugiperda (J.E. Smith) (Lepidoptera: Noctuidae) como neste estudo (BESERRA; PARRA, 2004). Parasitismo entre 4,67 a 25,0% foi obtido com Trichogramma chilonis Ishii com o hospedeiro alternativo Sitotroga cerealella (Olivier) (Lepidoptera: Gelechiidae) em cultivares de algodoeiro com resultados semelhantes a este estudo (CHEEMA et al.,2004). A possível causa para as diferenças entre cultivares pode ser pelas estruturas foliares, a densidade de tricomas tem sido uma das principais causas para a variação do parasitismo em Trichogramma (KAUFFMAN; KENNEDY, 1989). Trichogramma nubilale Ertle e Davis sobre as superfícies foliares de Zea mays, Canna x generalis, Silphium perfoliatum, Abutilon theophrasti, Schizachyruim scoparium, poliéster sintético e papel demonstram limitação do substrato no desempenho de parasitóides (OLSON; ANDOW, 2006). Isso ocorre porque a localização do hospedeiro é feita por caminhamento e por pequenos vôos na superfície a curtas distâncias, onde os ovos do hospedeiro estão depositados (ROMEIS et al., 2005). Assim, o desempenho de uma espécie de elevada potencialidade no controle de uma praga pode ser reduzido pelo primeiro nível trófico (VERKERK

et al., 1998; GINGRAS et al., 2003).

A viabilidade dos parasitóides foi superior a 91%, sem diferença estatística para todas as espécies de Trichogramma e cultivares, denotando adequação nutricional dos ovos de H. virescens para o desenvolvimento das espécies. Esses valores são satisfatórios já que valores superiores a 85% de viabilidade são considerados como padrão de qualidade na produção desses inimigos naturais (ALMEIDA et al., 1998). Resultados semelhantes foram obtidos com T. pretiosum que se desenvolveram em ovos de H. zea, com viabilidade de 91,63% (PRATISSOLI; OLIVEIRA, 1999).

A razão sexual apresentou diferenças significativas entre as espécies com 0,86 a 0,88 para T. exiguum, 0,99 a 1,0 para T. pretiosum e 0,79 a 0,81 para T. atopovirilia. A característica de cada espécie foi a determinante para isso, e não houve influência das cultivares de algodão. T. pretiosum apresentou maior número de fêmeas, seguido de T. exiguum e T. atopovirilia (Tabela 1). Esses resultados concordam a razão sexual de T. exiguum que sedesenvolveem Corcyra cephalonica (Stainton) (Lepidoptera: Pyralidae) (OLIVEIRA et al., 2003). Razão sexual de 0,70 para T. atopovirilia desenvolvendo-se em ovos de Ecdytolopha aurantiana (Lima) (Lepidoptera: Tortricidae) foi semelhante à obtida pelas espécies utilizadas neste trabalho (MOLINA et al., 2005).

A limitação imposta pela superfície vegetal das cultivares não demonstrou ter atuado de maneira negativa na razão sexual em função do tempo para o parasitismo e alterações no desenvolvimento embrionário do ovo, como observado para T. exiguum em ovos de Plutella xylostella (L.) (Lepidoptera: Plutellidae) (POLANCZYK et al., 2007). Espécies de Trichogramma tendem a aumentar o número de machos na população, o que permite a variabilidade genética na população com adaptação em ambientes adversos (SCHMIDT, 1994). Mesmo com um tempo de 48h e considerando complexas transformações bioquímicas pelas quais o ovo passa nesta fase, não houve alterações na razão sexual entre espécies e cultivares (VINSON, 1997). Além disso, é comum ocorrer diferenças intraespecíficas nesse parâmetro, como demonstrado por linhagens de T. pretiosum em ovos de S. frugiperda, em que três tiveram razão sexual entre 0,71 a 0,84 (BESERRA et al., 2003).

Conclusão

As cultivares de algodão afetaram o parasitismo das espécies T. exiguum e T. atopovirilia em ovos de H. virescens. T. pretiosum apresentou o menor parasitismo entre as espécies na cultivar BRS 8H. No entanto, o parasitismo desta espécie foi semelhante a T. exiguum e menor que T. atopovirilia em BRS Safira.

A viabilidade, a razão sexual e o número de indivíduos por ovo não foram afetados negativamente, independentemente da cultivar. Diferenças interespecíficas foram determinantes para variações nesses parâmetros.

Agradecimentos

À Capes, pela concessão de bolsa e ao Programa de Pós-graduação em Entomologia Agrícola da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Received on February 8, 2008.

Accepted on May 2, 2008.

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    Autor para correspondência. E-mail:
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    * Autor para correspondência. E-mail: gilberto.andrade@ufv.br

    Datas de Publicação

    • Publicação nesta coleção
      25 Ago 2011
    • Data do Fascículo
      Dez 2009

    Histórico

    • Aceito
      02 Maio 2008
    • Recebido
      08 Fev 2008
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