Há muito o dualismo natureza/cultura no Ocidente vem sendo questionado. Este artigo propõe algumas reflexões sobre abordagens teóricas que buscam superar essa divisão no interior da Antropologia e Biologia. Pela ótica da Antropologia, perspectivas associadas ao seu “giro ontológico” são discutidas. Mas é no conceito de “ambiente”, de Tim Ingold, que uma superação do problema é aqui reconhecida. No âmbito da Biologia, pensadores como Richard Lewontin, Georges Canguilhem e Jakob von Uexküll, além de conceitos sobre Construção de Nicho e Síntese Evolutiva Estendida, são enfocados. O encontro entre essas concepções, gestadas independentemente, configura nova oportunidade de interlocução entre Biologia e Antropologia. Mais do que isto, a ressignificação de “ambiente”, “história” e “ecologia” pode representar uma superação real do dualismo em questão, em sua dimensão ontológica. Implicações desses revisionismos para temas na interface Sociedade-Ambiente, envolvendo Evolução Humana, Ecologia Humana, Ecologia Histórica, Domesticação e Sistemas Socioecológicos, são problematizadas.
Palavras-chave:
Epistemologia Ambiental; Ontologia da Natureza; Relações Sociedade-Ambiente; Antropologia Ambiental; Filosofia Biológica
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Fonte: Elaborado pelos autores.
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