A governança de recursos naturais está intimamente ligada com a governança de pessoas. No entanto, na prática da implementação de projetos como barragens, aspectos técnicos são priorizados como mais urgentes em detrimento das questões sociais. O uso da água para a geração de eletricidade no Brasil é um caso de excelência que exemplifica como a desconsideração das salvaguardas socioambientais e da participação social leva invariavelmente a conflitos. Estes atrasam os trabalhos de infraestrutura que são considerados essenciais para o equilíbrio do sistema elétrico nacional, como ocorreu em Belo Monte. Recentemente, manifestações sociais se tornaram o bode expiatório para justificar crises no sistema. Este artigo visa a discutir o conceito de "crise" desde uma análise histórica das políticas públicas do setor. O artigo conclui que a presente desconsideração dos procedimentos sócio-ambientais é uma doença auto-infligida que contribui para um estado de permanente conflitividade na expansão do setor elétrico brasileiro.
Palavras-chave
Setor Elétrico; barragens; crise; governança democrática da água
Left hand side: Warning about possible energy deficits that would affect economic growth. Experts accuse the government of relying on "rainfall" to ensure electricity supply (Source: Jornal do Brasil, 26 Sept. 2000); Right hand side from top to bottom: Magazine cover declaring "Prepare yourself: it is going to shut down: the economy will grow less, there will be layoffs, exports will be cancelled and inflation will grow" (Source: Isto é Magazine of May 16th 2001); Veja Magazine covers: "What else needs to happen?" Calling readers' attention to the new mandatory measures imposed on users to save energy and "Without light - get ready: rationing will turn your life into hell, slow down the economy, and it can destroy the governments' image" (Source: Veja Magazine, May 2001)
