Kiju Sakai: o antropólogo japonês que dedicou sua vida a estudar o Brasil na primeira metade do século XX

Kiju Sakai: the Japanese anthropologist who dedicated his life to study Brazil in the first half of the 20th century

Marcia Lika Hattori André Strauss Sobre os autores

Resumo

Kiju Sakai foi um antropólogo e arqueólogo japonês que veio ao Brasil em 1934. Ao longo de sua vida, ele escavou diversos sítios e formou uma importante coleção arqueológica. Até recentemente, essa coleção não estava institucionalizada e a biografia de Sakai era desconhecida. O estudo apresenta a história de constituição desta coleção, a partir da vida do antropólogo, e trazer dados sobre a curadoria do material, seus desdobramentos e contribuições para a história da Arqueologia brasileira no início do século XX e o papel dos ‘amadores’ e de instituições como a Sociedade Archaeológica Brasileira de Amadores (SABA) e o Instituto Kurihara nas pesquisas desenvolvidas no estado de São Paulo. A “Coleção Arqueológica Kiju Sakai” se encontra hoje no Museu Histórico e Arqueológico de Lins, no estado de São Paulo, e conta com os mais distintos tipos de material arqueológico, dentre os quais se destacam: cerâmicas Tupi e Jê; remanescentes humanos, provenientes de sambaquis e de montículos funerários Kaingang; artefatos líticos, lascados e polidos, de sambaquis; pontas feitas de ferro; e medalhas do Serviço Nacional de Proteção ao Índio. Além do material arqueológico, também se encontra no acervo a documentação primária que Sakai produziu, incluindo mapas de dispersão linguística na América do Sul escrito em japonês, diários de campo e aquarelas representando os motivos presentes em cerâmica Tupi.

Palavras-chave
História da Arqueologia; Imigração japonesa; Instituto Kurihara; São Paulo; Sepultamentos

Abstract

Kiju Sakai was a Japanese anthropologist and archaeologist who came to Brazil in 1934. Throughout his life, he excavated many sites and formed an important archaeological collection. Until recently, however, the collection was not officially recognized and few academics knew of its existence. The very biography of Sakai is still largely unknown. The objectives of this study are to present the academic community with the collection, to introduce Sakai´s biography, to bring information about the curation of the material and its contribution to the history of the Brazilian Archaeology at the beginning of the 19th century as well as the role of the non-professional archaeologists and institutions such as th Sociedade Archaeológica Brasileira de Amadores and the Instituto Kurihara in the research developed in Sao Paulo State. The “Archaeological Collection Kiju Sakai” is now in the newly built Museum of History and Archaeology of Lins, State of São Paulo. The collection includes the most distinct types of archaeological material among which: ceramics of Tupi and Jê groups; human skeletons from riverine shell middens and Kaingang burial mounds, flaked and polished stone artifacts, projectile points made of iron and medals of the Serviço Nacional de Proteção ao Índio (the National Bureau for the Protection of Native Brazilians). In addition to the archaeological items, the collection also includes the primary documentation Sakai produced, including maps of linguistic dispersion in South America written in Japanese, field diaries and watercolors representing the motifs present in Tupi ceramics.

Keywords
History of Archaeology; Japanese imigration; Kurihara Institution; São Paulo; Burial sites

Em 2002, uma coleção arqueológica é doada à Universidade de São Paulo (USP) e fica sob guarda do Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos (LEEH), do Instituto de Biociências (IB) dessa Universidade. Tratava-se da coleção de um antropólogo japonês, que falecera em Ferraz de Vasconcelos, na região da Grande São Paulo, cujo acervo estava guardado no asilo onde vivia. Parte desse material era exposto em estantes para os visitantes do local. Após conversas entre as instituições, a coleção é transportada para a USP sob responsabilidade dos professores Astolfo Gomes Araújo e Walter Alves Neves. Aquilo que inicialmente se pensava ser uma coleção com artefatos fortuitos, coletados sem referência, era o acervo de uma instituição científica do início do século XX, que estava sob responsabilidade de Kiju Sakai, coordenador dos trabalhos de Antropologia e Arqueologia, enquanto outros, como Goro Hashimoto, estavam à frente do inventário de plantas brasileiras.

Este texto apresenta a história da constituição dessa coleção, a partir da vida de Kiju Sakai, e traz dados sobre a curadoria do material, seus desdobramentos e contribuições para a história da Arqueologia brasileira, no início do século XX, e sobre o papel dos ‘amadores’ nas pesquisas desenvolvidas no estado de São Paulo.

O ANTROPÓLOGO IMIGRANTE: KIJU SAKAI

Em maio de 1934, Kiju Sakai chegou ao Brasil, país que, imaginava ele, seria sua residência permanente. Nascido no Japão, sua história confunde-se com a de muitos outros que imigraram para o Brasil em busca de melhores condições de vida. Seus pais eram de Toyama e instalaram-se em Hokkaido. Sakai nasceu em Tomakomai, em 1910, mas, posteriormente, transferiu seu registro civil para a vila de Hiroshima, na comarca de Sapporo. Passou a infância na cidade de Sapporo. Cursou o ensino primário na Escola Primária de Kita-Kujô e, após concluir os estudos na Escola Secundária de Sapporo I, fixou-se em Tóquio. Ficou órfão enquanto cursava Ciências Comerciais no Instituto Meiji Gakuin, que abandonou sem concluir para ir estudar na Escola de Colonização Ultramarina de Sapporo (Sakai, 1979SAKAI, Kiju. Archaeological investigations in São Paulo, Brazil. Anthropological papers of the Anthropological Society of Tokyo, v. 87, n. 4, p. 25-52, 1979.). Sua jornada na Antropologia teve início no Japão, onde, ainda criança, já se interessava pelas ligações fonéticas entre as palavras do japonês moderno e aquelas oriundas dos antigos habitantes da província de Hokkaido. Não só a vocação de arqueólogo já se fazia presente, como também a de etnógrafo, que levava o jovem Sakai a passar horas em meio às aldeias do interior do Japão (por exemplo a aldeia de Shiraoi), com o intuito de conhecer seu modus-vivendi, nas palavras do próprio Sakai.

Já no Brasil, desperta seu interesse perceber, em sua viagem pelo interior de São Paulo, que as localidades, animais e plantas tinham nomes indígenas. Junto com outros imigrantes japoneses, ele passa a integrar diferentes grupos científicos que pesquisavam em território brasileiro, ficando responsável pelas áreas de Antropologia e Arqueologia. Documentou diferentes modos de vida no Vale do Ribeira e empreendeu ‘expedições científicas’ aos sambaquis no sul do estado de São Paulo e aos sítios relacionados a grupos Kaingang, no noroeste do estado.

Os locais escolhidos estavam sempre relacionados aos núcleos de colonização para onde eram levados os imigrantes japoneses (Figura 1). Um deles era o Núcleo das Alianças, no atual município de Mirandópolis (SP), local onde, é provável, Sakai se fixou inicialmente. Digno de nota é que nenhum outro núcleo de colonização conseguiu reunir tantos intelectuais, incluindo militares, pesquisadores, funcionários do governo, artistas e religiosos (Yoshioka, 1995YOSHIOKA, Reimei. Por que migramos do e para o Japão. São Paulo: Massao Ohno Editor, 1995.). Chegou a contar com um Instituto de Sericicultura, onde se produziam ovos do bicho-da-seda, além do Instituto Kurihara, criado em 1932, no município de Mirandópolis, interior de São Paulo (Figura 2), pelo lavrador Shinishi Kamiya e um grupo de ‘amadores’, que desenvolveram estudos nas áreas de Astronomia, Meteorologia, Zoologia, Botânica, Arqueologia, Antropologia e História.

Figura 1
Mapa do estado de São Paulo com as localidades visitadas por Sakai. O título do mapa é: “Estado de São Paulo. Colônia das Alianças”. O mapa faz referência à colônia das Alianças e ao Vale do Ribeira locais onde o antropólogo desenvolveu as pesquisas - e aos estados que fazem fronteira - Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná. Fonte: Sakai ([s.d.])SAKAI, Kiju. Diário de campo. In: COLEÇÃO Arqueológica Kiju Sakai [s. d.]..
Figura 2
Linha do tempo dos trabalhos realizados pelo Instituto Kurihara.

Em 1937, para pesquisar os sambaquis I e II do município de Pedro de Toledo (SP), Sakai recebeu a proposta para ser professor de língua japonesa na Vila de Três Barras. Paralelamente ao exercício do magistério, empenhou-se à pesquisa nos dois sítios arqueológicos, aproveitando as férias escolares (Sakai, 1981SAKAI, Kiju. Notas Arqueológicas do Estado de São Paulo. São Paulo: Instituto Paulista de Arqueologia, 1981.).

Em agosto de 1941, juntamente com Shiniti Kamiya, Sakai viaja ao Japão para buscar auxílio e recursos para continuidade das pesquisas, mas, em dezembro do mesmo ano, a Segunda Guerra Mundial eclode e ambos ficam impossibilitados de retornar ao Brasil.

[...] Logo depois de minha chegada ao Japão irrompeu a Segunda Guerra Mundial, o que me impediu de voltar ao Brasil. E assim, passou-se a mocidade para a idade adulta e ao fim entrou-me a idade avançada. Sonhava de vez em quando, no Japão, com a cena de escavação de sambaquis e túmulos de índios. (Sakai, 1979SAKAI, Kiju. Archaeological investigations in São Paulo, Brazil. Anthropological papers of the Anthropological Society of Tokyo, v. 87, n. 4, p. 25-52, 1979., p. 117).

Antes da Segunda Guerra Mundial, todo o valioso acervo coletado nos sítios arqueológicos estava exposto no Instituto Kurihara. Entretanto, devido à participação do Brasil na guerra, os imigrantes japoneses se sentiam intimidados em função do decreto que congelava seus bens. Os membros do Instituto ficaram profundamente preocupados com o destino dos acervos sob sua guarda, especialmente os remanescentes humanos. Não sabendo exatamente como proceder, decidiram dividir a coleção. Uma parte ficou com Hidefumi Okubo, um dos pesquisadores do Instituto, que a transportava consigo a cada mudança (Sakai, 1981SAKAI, Kiju. Notas Arqueológicas do Estado de São Paulo. São Paulo: Instituto Paulista de Arqueologia, 1981.). Outra parte foi guardada por Goro Hashimoto, companheiro das pesquisas, dentro das caixas que continham as plantas cultivadas pelos japoneses e que foram transportadas até o Paraná para serem empilhadas no meio de milhares de outras caixas. Fica claro, portanto, que a rede de contatos da comunidade japonesa havia sobrevivido à guerra e tinha sido capaz de realizar o improvável, garantindo a preservação da coleção arqueológica de Kiju Sakai.

Por fim, em 1967, Sakai imigra novamente ao Brasil, com a família dedicando-se à agricultura e com a convicção de se estabelecer permanentemente no país. Alguns anos após seu retorno ao Brasil, em 1978, Sakai se encontra novamente com as coleções arqueológicas e seus diários de campo. Preocupado em divulgar os trabalhos desenvolvidos, publica, em 1979, com a ajuda do arqueólogo e professor da Universidade de Tóquio, IchiroYawata, a versão em japonês do “Notas Arqueológicas do Estado de São Paulo” pela editora Rokko Shuppan-sha, de Tóquio. Em 1981, a versão em português é editada pelo Instituto Paulista de Arqueologia e impresso pela Gráfica e Editora Nippon’Art Ltda. É importante destacar que a versão em japonês apresenta inúmeros dados e trabalhos que não constam na versão em português do livro, como é o caso da descrição etnográfica dos guaranis da Serra dos Itatins na região de Itanhaém (SP), relatando a vida, costumes, danças e as representações nos instrumentos musicais. Em 1981, preocupado com a divulgação dos trabalhos realizados, Sakai pede a Aurélio M. G. de Abreu que apresente a pesquisa sobre os ‘Túmulos de Terra do Interior de São Paulo’ na III Jornada Brasileira de Arqueologia, ocorrida no Rio de Janeiro.

Em algum momento que não podemos determinar, Sakai se muda para Atibaia, no distrito de Tanque, e passa a viver na região da Grande São Paulo cultivando uvas e flores com seu filho. Visita ainda alguns locais por onde passou, como o sambaqui de Jipovura, no município de Iguape (SP), 41 anos depois, e segue em contato com alguns pesquisadores, incluindo o próprio Aurélio de Abreu e também Caio del Rio Garcia, do Instituto de Pré-História da USP, que o auxiliou na classificação dos ossos de animais da coleção; José Luiz Moreira Leme, do Museu de Zoologia de São Paulo, para classificação dos moluscos; Goro Hashimoto, que na época era diretor do Museu Agrícola da Colonização do Paraná e o auxiliou na classificação de plantas; e Gui Collet com quem dialogava sobre as pesquisas no interior de São Paulo. Já em idade avançada, como se referia o próprio Sakai, seu interesse e envolvimento com a Arqueologia e com a divulgação das pesquisas se mantinham, embora já vivendo um outro momento, onde vemos a institucionalização da ciência arqueológica no Brasil e as pesquisas majoritariamente desenvolvidas por arqueólogos inseridos nas instituições acadêmicas.

Nos anos 1980 realiza, no Museu Municipal de Ferraz de Vasconcelos (SP), uma exposição com o acervo gerado ao longo de sua vida. Os dados dessa exposição não foram acessados pelos autores deste trabalho, embora no acervo da coleção se encontrem guias de visitação com uma breve explicação de cada artefato exposto.

O INSTITUTO KURIHARA DE PESQUISAS EM CIÊNCIAS NATURAIS E A SOCIEDADE ARQUEOLÓGICA BRASILEIRA DE AMADORES (SABA)

Sakai se juntou a uma entidade de pesquisa composta exclusivamente por japoneses, cuja ata de reuniões era aberta por uma página na qual todos os membros assinavam seus nomes em torno de um círculo vermelho, como se fossem os raios de um sol nascente. Tratava-se do Instituto Kurihara, cujos pesquisadores transformaram um velho galinheiro em observatório astronômico, enviando dados para o Observatório de Kwazan1 1 Sakai (1981) cita também um convênio firmado com o Observatório Astronômico Hanayama, de Kioto, Japão, para o intercâmbio de literatura científica e dados de pesquisa. , no Japão, e para o Observatório Nacional, no Brasil (Haag, 2008HAAG, Carlos. A terra da ciência nascente: a contribuição nipônica para a pesquisa brasileira. Revista Pesquisa FAPESP, n. 151, p. 86-89, set. 2008.). Kiju Sakai e Goro Hashimoto passam a integrar o Instituto posteriormente: o primeiro, para contribuir na área de Arqueologia; e, o segundo, na área de Botânica e Biologia (Sakai, 1981SAKAI, Kiju. Notas Arqueológicas do Estado de São Paulo. São Paulo: Instituto Paulista de Arqueologia, 1981.).

No âmbito desse Instituto, são organizadas pesquisas arqueológicas e antropológicas, cujos dados das escavações, registros de campo e das peças estão documentadas na atual coleção Kiju Sakai. Ao longo de quatro anos, logo após a chegada de Sakai ao Japão, diferentes etapas de campo são desenvolvidas pela instituição, mobilizando inúmeros moradores dos núcleos de colonização (Figura 2).

O Instituto possuía diferentes frentes de pesquisa e também contava com uma publicação, nos moldes de uma revista científica, em que estavam registrados os trabalhos desenvolvidos pelos pesquisadores. A revista, denominada ‘Natura’, tem o primeiro número publicado em 1940 (Figura 3). Anos mais tarde, em fevereiro de 1951, após o fim da Segunda Guerra Mundial, outra publicação, denominada Boletim do Instituto Kurihara, é impressa.

Figura 3
Capa da Revista Natura. Fonte: Natura (1940-)NATURA. São Paulo: Instituto Kurihara da Ciência Natural Brasileira, 1940-..

Em sua tese de doutoramento, Wichers (2012)WICHERS, Camila Azevedo de Moraes. Patrimônio arqueológico paulista: proposições e provocações museológicas. 2012. 382 f. Tese (Doutorado em Arqueologia) - Museu de Arqueologia e Etnologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012. 2 v. chama a atenção do grupo de pesquisas no que concerne à musealização dos vestígios e à estreita relação com museus de São Paulo e do Rio de Janeiro. Em 1935, a sede do Instituto é transferida do Núcleo das Alianças, noroeste de São Paulo, para a capital do estado, no bairro da Liberdade, onde o acervo ficava exposto. O Instituto Kurihara é, na década de 1930, junto com o Museu Paulista (criado em 1894) e o Museu de Etnografia (vinculado à Faculdade de Filosofia), uma das poucas instituições que abrigam acervos arqueológicos no período (Wichers, 2012WICHERS, Camila Azevedo de Moraes. Patrimônio arqueológico paulista: proposições e provocações museológicas. 2012. 382 f. Tese (Doutorado em Arqueologia) - Museu de Arqueologia e Etnologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012. 2 v.).

Os dados referentes às pesquisas arqueológicas, com base na documentação manuseada pelos presentes autores, apontam que o Instituto Kurihara, sob coordenação de Kiju Sakai, empreendeu de maneira contínua pesquisas de campo em ao menos seis municípios do estado de São Paulo, escavou ao menos sete sítios arqueológicos e realizou etnografias em dois estados: com os guaranis, no litoral do estado de São Paulo (Figuras 4 a 6); e com os Kadiwéu, no Mato Grosso, este último pesquisado por Osamu Sato.

Figura 4
Guaranis em Itariry, 6 de janeiro de 1940. Fonte: Sakai (1940b)SAKAI, Kiju. Estudo das representações encontradas nos artefatos dos guaranis em Itariry. Revista Natura, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 99-114, 1940b. Expedição ao Rio Preto e Itariry..
Figura 5
Estudo das representações encontradas nos artefatos dos guaranis em Itariry. Fonte: Sakai (1940b)SAKAI, Kiju. Estudo das representações encontradas nos artefatos dos guaranis em Itariry. Revista Natura, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 99-114, 1940b. Expedição ao Rio Preto e Itariry..
Figura 6
Escavação em um dos sepultamentos ‘túmulos de terra3 3 Termo utilizado por Sakai. ’, no noroeste de São Paulo. Fonte: Sakai, ([s. d.])SAKAI, Kiju. Diário de campo. In: COLEÇÃO Arqueológica Kiju Sakai [s. d.]..

Outra instituição, criada em 1937 com o objetivo de empreender pesquisas arqueológicas, surge no seio do Instituto Kurihara: a Sociedade Archaeologica Brasileira de Amadores (Wichers, 2012WICHERS, Camila Azevedo de Moraes. Patrimônio arqueológico paulista: proposições e provocações museológicas. 2012. 382 f. Tese (Doutorado em Arqueologia) - Museu de Arqueologia e Etnologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012. 2 v.). Parte dos integrantes, como Shinichi Kamiya, participava também do Instituto Kurihara. É importante destacar que os membros do grupo recém-criado ocupavam cargos de bastante destaque, como o presidente da Sociedade, Kozo Itige, cônsul-geral do Japão à época, e ‘Carlos’ Yoshiyuki Kato, ligado ao Banco América do Sul; Midori Kobayashi, um educador protestante, responsável pelo internato ‘Seishû Gijuku’; e Kiyoshi ‘Zenpati’ Ando, jornalista de orientação marxista. Shinichi Kamiya, que imigrou para o Brasil em 1926, é fundador do Instituto Kurihara.2 2 Comunicação pessoal do pesquisador Kenji Matsuzaka, do Centro de Estudos Nipo-Brasileiros.

Sociedade Archaeologica Brasileira de Amadores, com sede na capital do Estado de Sáo Paulo. FIM: Estudar anthropologia em geral, particularmente archeologia sobre os habitantes pré-históricos no Brasil [...] MEMBROS DA DIRECTORIA: Presidente – KozoItige. Thesoureiro – Yoshiaki Katoh. Directores – Shiniti Kamiya, Midori Kobayashi, Kioshi Ando. (São Paulo, 1937SÃO PAULO (Estado). Sociedade Archaeologica Brasileira de Amadores. Diario Oficial [do] Estado de São Paulo. São Paulo, n. 57, p. 59, 13 mar. 1937., p. 59).

As únicas pesquisas atribuídas especificamente à SABA são a primeira etapa de escavação no sambaqui Alecrim, a vinda dos arqueólogos japoneses Ryuzo e Ryujiro Torii para o Brasil e a escavação do sambaqui de Jipovura (Figuras 7 e 8). Vale lembrar que Sakai (1981)SAKAI, Kiju. Notas Arqueológicas do Estado de São Paulo. São Paulo: Instituto Paulista de Arqueologia, 1981. descreve a dificuldade de obter autorização da polícia para as escavações do sambaqui do Alecrim, em 1936. As autoridades locais os consideravam estrangeiros e chegaram a apreender três esqueletos humanos em Pedro de Toledo (SP). Sob o nome de SABA, eles conseguem a autorização para escavações, que se seguiram, sistematicamente, por dois meses em 1937, mobilizando mais de 150 pessoas no sambaqui de Jipovura.

Figura 7
Escavação em sambaqui no Vale do Ribeira, estado de São Paulo. Fonte: Sakai, ([s. d.])SAKAI, Kiju. Diário de campo. In: COLEÇÃO Arqueológica Kiju Sakai [s. d.]..
Figura 8
No Rio do Azeite, no Vale do Ribeira, retornando da aldeia Guarani. Fonte: Sakai (1940b)SAKAI, Kiju. Estudo das representações encontradas nos artefatos dos guaranis em Itariry. Revista Natura, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 99-114, 1940b. Expedição ao Rio Preto e Itariry..

O contexto da eminente guerra também é ressaltado por Sakai (1981)SAKAI, Kiju. Notas Arqueológicas do Estado de São Paulo. São Paulo: Instituto Paulista de Arqueologia, 1981.. Durante os trabalhos de campo no sambaqui de Jipovura, o arqueólogo japonês Ryuzo Torii faz uma apresentação sobre arqueologia para os moradores dos núcleos de colonização, a maior parte deles imigrantes e descendentes de japoneses. Um dos moradores, filho de japoneses nascido no Brasil, perguntou ao arqueólogo Torii o que fazer caso o Brasil e o Japão entrassem na guerra em lados opostos, uma vez que ele era brasileiro e também se sentia japonês (Sakai, 1981SAKAI, Kiju. Notas Arqueológicas do Estado de São Paulo. São Paulo: Instituto Paulista de Arqueologia, 1981.).

Em 1940, a SABA publica um relatório denominado ‘Notas e informações sobre objetos indígenas achados em escavações efetuadas em Jypubura, Alecrim e Fazenda Aliança, 1940’ (Sakai, 1940aSAKAI, Kiju. Notas e informações sobre objetos indígenas achados em escavações efetuadas em Jypubura, Alecrim e Fazenda Aliança. In: COLEÇÃO Arqueológica Kiju Sakai: inventário da documentação. [S. l.]: SABA, 1940a. p. 1-40.). Sistematizando os dados apresentados por Sakai e relacionados à duração das etapas de campo, realização, sítios arqueológicos trabalhados, financiamento e equipe, temos, para as duas instituições – SABA e Instituto Kurihara –, um verdadeiro empreendimento em termos de pesquisas desenvolvidas no início dos anos de 1930 (Quadro 1).

Quadro 1
Projetos de pesquisa empreendidos no litoral e oeste de São Paulo.

A CONSTRUÇÃO DE UMA NARRATIVA: A CURADORIA DA COLEÇÃO

Toda a documentação que se encontrava no asilo em Ferraz de Vasconcelos (SP) e que foi levada ao Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos (LEEH-IB-USP) fora submetida a um tratamento de higienização. A coleção arqueológica, composta por artefatos líticos, cerâmica, artefatos ósseos, fauna, remanescentes humanos, entre outros itens, foi curada, catalogada, organizada, e seu inventário foi entregue ao Museu Histórico e Arqueológico de Lins (SP), depositário da coleção. A partir da organização desse material, pudemos desdobrar a história de Sakai e construir uma narrativa sobre parte das pesquisas arqueológicas do início do século XX.

Com seu retorno ao Brasil, bastante conhecido na comunidade japonesa, Kiju Sakai acaba recebendo artefatos encontrados por agricultores e, a partir do que recebe, elabora relatórios com a apresentação de quem enviou as peças, a localidade de onde foram retiradas e uma listagem com numeração e descrição das peças recebidas (Figuras 9 a 13). A curadoria do acervo possibilitou entender que a coleção é composta por um conjunto relacionado às pesquisas empreendidas por Sakai, a partir de instituições como a SABA e o Instituto Kurihara, na década de 1930, e outra parte, relacionada a um conjunto formado por diversas doações feitas por imigrantes japoneses e seus descendentes a Kiju Sakai. Essas doações vêm, em sua maioria, de diferentes municípios do estado de São Paulo, como Marília, Mirandópolis, Lençóis Paulistas, Vinhedo, Registro, Analândia e Mogi das Cruzes. Dentre as peças oriundas de outros estados, a maioria é proveniente de Guaíra, no Paraná, ainda que material de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e nove peças, cuja procedência é indicada como Amazônia, também estejam presentes. O predomínio de peças vindas do Paraná, possivelmente, indica a presença nesse estado de um outro pesquisador japonês, que, posteriormente, doou sua coleção a Sakai.

Figura 9
Cadernos de campo de Kiju Sakai. Fonte: Sakai, ([s. d.])SAKAI, Kiju. Diário de campo. In: COLEÇÃO Arqueológica Kiju Sakai [s. d.]..
Figura 10
Cerâmica Tupi pertencente à coleção arqueológica Kiju Sakai. Fonte: Sakai, ([s. d.])SAKAI, Kiju. Diário de campo. In: COLEÇÃO Arqueológica Kiju Sakai [s. d.]..
Figura 11
Aquarelas pintadas por Sakai para documentar os fragmentos de cerâmica coletados. Fonte: Sakai, ([s. d.])SAKAI, Kiju. Diário de campo. In: COLEÇÃO Arqueológica Kiju Sakai [s. d.]..
Figura 12
Pote cerâmico coletado por Kiju Sakai. Fonte: Sakai, ([s. d.])SAKAI, Kiju. Diário de campo. In: COLEÇÃO Arqueológica Kiju Sakai [s. d.]..
Figura 13
Pontas de metal encontradas por Sakai durante escavação dos montículos de terra, sepultamentos relacionados aos Kaingang. Fonte: Sakai, ([s. d.])SAKAI, Kiju. Diário de campo. In: COLEÇÃO Arqueológica Kiju Sakai [s. d.]..

A curadoria dos remanescentes humanos, exumados durante as pesquisas arqueológicas empreendidas por Sakai, soma o total de 1916 fragmentos ósseos relativos a, pelo menos, 30 sepultamentos humanos. Os remanescentes arqueológicos não esqueléticos somam 6924 itens catalogados.

O material etnográfico é, majoritariamente, oriundo do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, é, possivelmente, relacionado às pesquisas empreendidas por Osamu Sato. A seção da biblioteca do Instituto Kurihara com os livros sobre Arqueologia e Antropologia também ficou sob a guarda de Kiju Sakai. Obras de Angyone Costa, Rudolf von Ihering, Estevão Pinto, Raymundo Panafort, Roquete Pinto, Teodoro Sampaio, Hans Staden, Jean de Lery, Visconde de Taunay, General Couto de Magalhães, Aníbal Mattos, Benedito Calixto, Raymundo Lopes e João Barbosa Rodrigues compunham o acervo de 119 livros que acompanhou a coleção arqueológica. O restante da documentação e acervo do Instituto Kurihara está, atualmente, em um centro de pesquisas na região de Itaquera, no município de São Paulo.

Da documentação primária associada a Sakai constam 131 textos, entre publicações, cadernos de campo, jornais, panfletos, pasta com desenhos das cerâmicas Kadiwéu, relatórios, entre outros.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As etapas de escavação realizadas nas colônias japonesas do Vale do Ribeira e do Noroeste Paulista, muito mais do que achados fortuitos, se delineavam como verdadeiras investigações científicas, com pesquisadores de diferentes áreas: Agronomia, Paleontologia, Astronomia e Arqueologia. Durante seu primeiro período no Brasil, Sakai dedicou-se às pesquisas de maneira quase sistemática, nos anos de 1937, 1938, 1939, 1940 e 1941 (Sakai, 1940aSAKAI, Kiju. Notas e informações sobre objetos indígenas achados em escavações efetuadas em Jypubura, Alecrim e Fazenda Aliança. In: COLEÇÃO Arqueológica Kiju Sakai: inventário da documentação. [S. l.]: SABA, 1940a. p. 1-40., 1940bSAKAI, Kiju. Estudo das representações encontradas nos artefatos dos guaranis em Itariry. Revista Natura, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 99-114, 1940b. Expedição ao Rio Preto e Itariry., 1979SAKAI, Kiju. Archaeological investigations in São Paulo, Brazil. Anthropological papers of the Anthropological Society of Tokyo, v. 87, n. 4, p. 25-52, 1979., 1981SAKAI, Kiju. Notas Arqueológicas do Estado de São Paulo. São Paulo: Instituto Paulista de Arqueologia, 1981.), quando viaja ao Japão. O contexto histórico, a Segunda Guerra Mundial e o envolvimento do Japão e do Brasil no conflito acabam por interromper, de maneira decisiva, as pesquisas científicas desenvolvidas pelos imigrantes japoneses.

A curadoria do acervo Kiju Sakai possibilitou construir uma nova narrativa sobre um momento da história da Arqueologia brasileira pouco abordado, que antecede a institucionalização da Arqueologia como ciência, somado a uma desconstrução da figura de Sakai como mero colecionador. Sua preocupação na divulgação das pesquisas que desenvolveu, seu retorno ao Brasil e encontro com a coleção arqueológica e a documentação relacionada nos mostram o pesquisador engajado (a seu tempo). Igualmente, os artefatos reunidos por Sakai, doados a ele por diferentes imigrantes japoneses que encontravam essas peças no manejo com a terra, apontam também para outra relação, que possibilita repensar o que é valorização do patrimônio, conforme salienta Bezerra (2011)BEZERRA, Márcia. “As moedas dos índios”: um estudo de caso sobre os significados do patrimônio arqueológico para os moradores da Vila de Joanes, ilha de Marajó, Brasil. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, Belém, v. 6, n. 1, p. 57-70, jan.-abr. 2011., quando refletimos sobre a relação das populações com os ‘lugares e coisas’. O exemplo, apresentado por Alfonso e Hattori (2012)ALFONSO, Louise Prado; HATTORI, Márcia Lika. Território e apropriação no Noroeste Paulista: educação e implantação do Museu Histórico e Arqueológico de Lins. In: CURY, Marília Xavier; VASCONCELLOS, Camilo de Mello; ORTIZ, Joana Monteiro (Coord.). Questões indígenas e museus: debates e possibilidades. São Paulo: Secretaria de Estado de Cultura, 2012. p. 151-162. (Coleção Museu Aberto). Trabalhos apresentados no Encontro Paulista de Questões Indígenas e Museus, 1., e no Seminário Museus, Identidades e Patrimônio Cultural, 3., sobre a construção do tori (templo japonês) ao lado do sepultamento Kaingang e a reverência dos imigrantes japoneses aos indígenas ali sepultados, nos possibilita repensar outras relações de pertencimento.

Algumas questões permanecem abertas: por que havia o interesse do governo japonês em financiar as pesquisas no território brasileiro? Seria apenas um elemento da estratégia colonialista? De alguma maneira, o diálogo entre as pesquisas (ao menos as arqueológicas) do Brasil e do Japão certamente fora muito mais estreito no início do século XX e foi profundamente afetado pela Segunda Guerra Mundial. Arqueólogos como Ryujiro e Ryuzo Torii5 5 Ryuzo Torii (1870-1953) era antropólogo, etnólogo e arqueólogo. É considerado o pai da Antropologia no Japão. Desenvolveu pesquisas na China, Taiwan, Coreia, Rússia e na América do Sul. Segundo pesquisadores, seus trabalhos de campo ascendem e decaem paralelamente ao imperialismo japonês. , da Universidade de Sophia, estiveram no Brasil e participaram de escavações no Vale do Ribeira (SP), em diálogo com as instituições em parte financiadas pelo governo japonês, o Instituto Kurihara e a Sociedade Archaeologica Brasileira de Amadores (SABA). Ichiro Yawata, da Universidade de Tóquio, veio em outro momento, no ano de 1954, para o primeiro Congresso Internacional de Americanistas, realizado em São Paulo, e explorou sambaquis no município de Cananeia, litoral do estado. Segundo Sakai (1981)SAKAI, Kiju. Notas Arqueológicas do Estado de São Paulo. São Paulo: Instituto Paulista de Arqueologia, 1981., o arqueólogo japonês descreveu essa pesquisa em um artigo à ‘Correspondência Arqueológica’, da Universidade de Nippon, sob o título ‘Notícias da América do Sul’ (Yawata, 1955YAWATA, Ichiro. Notícias da América do Sul. Correspondência Arqueológica, n. 3, não paginado, maio 1955.).

Por fim, é fundamental salientar que a história da arqueologia no país ainda trata esse período de atuação do antropólogo Kiju Sakai (período do entreguerras) como época dos amadores ou de poucas pesquisas arqueológicas e de falta de recursos para manter a efervescência da produção do século anterior (Barreto, 1999-2000BARRETO, Cristiana. A construção de um passado pré-colonial: uma breve história da Arqueologia no Brasil. Revista USP, São Paulo, n. 44, p. 32-51, dez.-fev. 1999-2000.). Retomar o histórico desses trabalhos, bem como realizar novas pesquisas com essa coleção, certamente trará à tona outros olhares para a história da constituição da Arqueologia no Brasil.

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    Sakai (1981)SAKAI, Kiju. Notas Arqueológicas do Estado de São Paulo. São Paulo: Instituto Paulista de Arqueologia, 1981. cita também um convênio firmado com o Observatório Astronômico Hanayama, de Kioto, Japão, para o intercâmbio de literatura científica e dados de pesquisa.
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    Comunicação pessoal do pesquisador Kenji Matsuzaka, do Centro de Estudos Nipo-Brasileiros.
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    Termo utilizado por Sakai.
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    A Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha, empresa de desenvolvimento industrial e rural de apoio aos imigrantes japoneses implantada em Registro, em 1912, à época um bairro pertencente ao município de Iguape. A KKKK, como ficou conhecida, funcionava como beneficiadora de arroz e como entreposto cooperativo. Em 1937, a empresa foi dissolvida e os seus bens vendidos a diversos proprietários. O conjunto é formado por amplos galpões em tijolos aparentes, com arcadas nas elevações principais, envolvendo janelas e portas. As coberturas são em duas águas, apoiadas sobre estruturas de tesouras metálicas. Em 2000, o Governo Estadual iniciou a restauração do edifício que atualmente abriga o Centro de Formação Continuada de Gestores da Secretaria de Estado da Educação e o Memorial da Imigração Japonesa. Fonte: http://www.cultura.sp.gov.br/portal/site/SEC/menuitem.bb3205c597b9e36c3664eb10e2308ca0/?vgnextoid=91b6ffbae7ac1210VgnVCM1000002e03c80aRCRD&Id=f4031aa56faac010VgnVCM2000000301a8c0____
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    Ryuzo Torii (1870-1953) era antropólogo, etnólogo e arqueólogo. É considerado o pai da Antropologia no Japão. Desenvolveu pesquisas na China, Taiwan, Coreia, Rússia e na América do Sul. Segundo pesquisadores, seus trabalhos de campo ascendem e decaem paralelamente ao imperialismo japonês.

AGRADECIMENTOS

Nossos agradecimentos às pessoas que contribuíram para a preservação deste acervo: Astolfo Araújo, Walter Neves, Robson Rodrigues, Louise Alfonso, Camila Wichers, Tiago Hermenegildo, Camila Zanini, Francisco Pugliese, Rafael Santos, Marisa Afonso, Pedro Damin, Sara Herter, Michele Tizuka e Leticia Ribeiro. Às instituições LEEH-IB-USP, Fundação Araporã, Secretaria de Desenvolvimento Sustentável de Lins (SP) e Centro de Estudos Nipo-Brasileiros, na pessoa de Kenji Matsuzaka, por todo o apoio.

REFERÊNCIAS

  • ALFONSO, Louise Prado; HATTORI, Márcia Lika. Território e apropriação no Noroeste Paulista: educação e implantação do Museu Histórico e Arqueológico de Lins. In: CURY, Marília Xavier; VASCONCELLOS, Camilo de Mello; ORTIZ, Joana Monteiro (Coord.). Questões indígenas e museus: debates e possibilidades. São Paulo: Secretaria de Estado de Cultura, 2012. p. 151-162. (Coleção Museu Aberto). Trabalhos apresentados no Encontro Paulista de Questões Indígenas e Museus, 1., e no Seminário Museus, Identidades e Patrimônio Cultural, 3.
  • BARRETO, Cristiana. A construção de um passado pré-colonial: uma breve história da Arqueologia no Brasil. Revista USP, São Paulo, n. 44, p. 32-51, dez.-fev. 1999-2000.
  • BEZERRA, Márcia. “As moedas dos índios”: um estudo de caso sobre os significados do patrimônio arqueológico para os moradores da Vila de Joanes, ilha de Marajó, Brasil. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, Belém, v. 6, n. 1, p. 57-70, jan.-abr. 2011.
  • HAAG, Carlos. A terra da ciência nascente: a contribuição nipônica para a pesquisa brasileira. Revista Pesquisa FAPESP, n. 151, p. 86-89, set. 2008.
  • NATURA. São Paulo: Instituto Kurihara da Ciência Natural Brasileira, 1940-.
  • SAKAI, Kiju. Notas Arqueológicas do Estado de São Paulo São Paulo: Instituto Paulista de Arqueologia, 1981.
  • SAKAI, Kiju. Archaeological investigations in São Paulo, Brazil. Anthropological papers of the Anthropological Society of Tokyo, v. 87, n. 4, p. 25-52, 1979.
  • SAKAI, Kiju. Notas e informações sobre objetos indígenas achados em escavações efetuadas em Jypubura, Alecrim e Fazenda Aliança. In: COLEÇÃO Arqueológica Kiju Sakai: inventário da documentação. [S. l.]: SABA, 1940a. p. 1-40.
  • SAKAI, Kiju. Estudo das representações encontradas nos artefatos dos guaranis em Itariry. Revista Natura, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 99-114, 1940b. Expedição ao Rio Preto e Itariry.
  • SAKAI, Kiju. Diário de campo. In: COLEÇÃO Arqueológica Kiju Sakai [s. d.].
  • SÃO PAULO (Estado). Sociedade Archaeologica Brasileira de Amadores. Diario Oficial [do] Estado de São Paulo São Paulo, n. 57, p. 59, 13 mar. 1937.
  • WICHERS, Camila Azevedo de Moraes. Patrimônio arqueológico paulista: proposições e provocações museológicas. 2012. 382 f. Tese (Doutorado em Arqueologia) - Museu de Arqueologia e Etnologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012. 2 v.
  • YAWATA, Ichiro. Notícias da América do Sul. Correspondência Arqueológica, n. 3, não paginado, maio 1955.
  • YOSHIOKA, Reimei. Por que migramos do e para o Japão São Paulo: Massao Ohno Editor, 1995.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Sep-Dec 2016

Histórico

  • Recebido
    18 Jun 2015
  • Aceito
    18 Jul 2016
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