Resumo
Neste estudo, são elencadas as plantas úteis nativas do Brasil, registradas pelo botânico mineiro do século XVIII, Frei Mariano da Conceição Veloso, na obra “Flora Fluminensis”. Esta divulgação sobre o pretérito da sociobiodiversidade brasileira potencializa o desenvolvimento de uma bioeconomia, fato este já deslumbrado pelo autor em sua obra, organizada em 1790. Os textos referentes aos usos tradicionais, ou características das plantas, foram integralmente traduzidos do latim. A nomenclatura botânica foi atualizada e os usos tradicionais foram confrontados com registros feitos por outros autores dos séculos passados. De um total de 1.639 espécies, informações associadas a 153 delas foram recuperadas e seus usos tradicionais/potencial econômico, discutidos. Dentre elas, 48 são medicinais e usadas como catártico, vomitivo, no tratamento de doenças sexualmente transmissíveis, dermatológicas, inflamações e febres. A presença de substâncias adstringentes, amargas, aromáticas, além de plantas alimentícias, que fornecem madeiras, fibras e pigmentos, é também destacada. Registros sobre os nomes indígenas das plantas, bem como seus usos como sucedâneos de espécies introduzidas ou importadas, foram ressaltados. O estudo mostra que a “Flora Fluminensis”, de Frei Veloso, é um importante repositório de informações estratégicas sobre as plantas brasileiras, e precisa ser mais bem conhecida e valorizada.
Palavras-chave
Usos tradicionais; Plantas medicinais; Plantas úteis; Plantas nativas; Século XVIII
Abstract
This study inventories useful plants species native to Brazil, recorded by the 18th century botanist Frei Mariano da Conceição Veloso, in his “Flora Fluminensis.” By disseminating information about the historical uses of Brazilian sociobiodiversity, the study contributes to contemporary discussions on bioeconomy, a fact already envisioned by the author in his work, organized in 1790. The texts referring to the traditional uses or characteristics of the plants were fully translated from Latin. The botanical nomenclature was updated, and the recorded uses were compared with accounts provided by other authors from past centuries. Of a total of 1,639 species, information from 153 species was recovered and their economic potential discussed. Of these, 48 are medicinal plants used as cathartics, emetics, and in the treatment of sexually transmitted diseases, dermatological conditions, inflammatory disorders, and fevers. The presence of astringent, bitter and aromatic substances, as well as food plants that provide wood, fibers and pigments, are also highlighted. Records of the indigenous plant names of the plants, as well as their use as substitutes for introduced or imported species, were highlighted. The study shows that Frei Veloso’s “Flora Fluminensis” is rich in strategic information about Brazilian plants and needs to be better known and valued.
Keywords
Traditional uses; Medicinal plants; Useful plants; Native plants; XVIII century
INTRODUÇÃO
Pesquisas arqueológicas recentes vêm mostrando que a floresta amazônica, como a conhecemos hoje, foi composta de jardins bem organizados e administrados pelos ancestrais ameríndios (Schmidt et al., 2023). Milhões de pessoas viveram ali e cultivaram centenas de espécies de plantas – estudos apontam que a hiperdominância de 227 espécies arbóreas na Amazônia pode ser explicada por um processo de domesticação humana (Maezumi et al., 2018; Ter Steege et al., 2013), que envolveu uma enorme diversidade de plantas alimentícias ou, de alguma outra forma, úteis.
Registros escritos sobre o uso de plantas pelos ameríndios começaram a ser feitos apenas a partir da colonização das Américas. Um exemplo importante é a casca de espécies peruanas de Cinchona (quina), que produz o antimalárico quinino. Essas plantas são cultivadas hoje na Ásia para obtenção dessa substância para o preparo de medicamentos e como ingrediente amargo em refrigerantes tônicos (Cosenza et al., 2013).
No Brasil, um dos mais importantes remédios ameríndios registrados foi um emético e amebicida preparado com as raízes da Carapichea ipecacuanha (Brot.) L. Andersson (ipecacuanha ou poaia). Devido à sua importância, esta espécie está incluída atualmente em várias farmacopeias do mundo (Brandão et al., 2009). Muitos esforços têm sido feitos para o desenvolvimento de bioprodutos da sociobiodiversidade, visando estimular o florescente mercado baseado em produtos da natureza – a bioeconomia (Lindberg et al., 2023).
Neste contexto, recuperar os registros históricos sobre os usos das plantas é importante e estratégico, e vem sendo há décadas foco dos nossos estudos (Palhares et al., 2021; Brandão et al., 2008, 2012). Desse modo, este estudo contém informações sobre usos tradicionais das plantas nativas do Brasil, presentes na obra “Flora Fluminensis”, organizada em 1790 pelo botânico Frei Mariano da Conceição Veloso1 (Vellozo, 1881).
Frei Veloso era nativo de Tiradentes, Minas Gerais (1741), tendo iniciado sua vida religiosa no Rio de Janeiro, em 1755, onde faleceu em 1811. Em 1786, transferiu-se para São Paulo, onde lecionou História Natural e incrementou suas coletas nos arredores da Vila de São Paulo (M. Pereira & DeNipoti, 2016). Esta atividade despertou o interesse do Vice-Rei do Brasil que, então, determinou, em 1789, que ele estendesse os trabalhos para a capitania do Rio de Janeiro. Foi assim que Frei Veloso iniciou as coletas naquela região, a serem incluídas na obra “Flora Fluminensis” e enviadas ao Museu Real, em Lisboa (Bediaga & Lima, 2015; Gama, 1869).
A “Flora Fluminensis” foi uma obra científica pioneira no Brasil, com um volume reunindo descrições morfológicas e comentários para 1.639 espécies de plantas (nativas e exóticas), e outros onze volumes com as suas respectivas pranchas de ilustrações botânicas. A organização da obra foi finalizada em 1790, e levada pelo autor para Lisboa, onde acreditava que seria publicada. No entanto, as promessas oficiais de publicação não foram cumpridas, tendo Frei Veloso retornado com os manuscritos para o Brasil em 1808. Tais manuscritos ficaram desaparecidos até 1824, quando passaram a ser valorizados pelo então Imperador Pedro I, que considerou o trabalho científico desenvolvido por um naturalista brasileiro uma oportunidade de confirmar o potencial do Brasil como uma nação independente de Portugal (Bediaga et al., 2018). Sua genialidade continua surpreendendo, como é o caso das “exsicatas de peixe” desenvolvidas por ele e descobertas recentemente (Ceríaco et al., 2023).
A sociobiodiversidade é definida pelo governo brasileiro como a inter-relação entre a diversidade biológica e a diversidade de sistemas socioculturais, reconhecendo o valor econômico, cultural e ambiental dessa interação (Brasil, 2025). Da mesma forma, a bioeconomia representa um conjunto de atividades econômicas que utilizam recursos biológicos na produção de bens, serviços, energia e processos, com foco na sustentabilidade, na proteção ambiental e na inovação tecnológica (Brasil, 2025). Assim, o objetivo deste estudo é recuperar informações essenciais sobre as plantas da sociobiodiversidade brasileira, que possam contribuir para o desenvolvimento da florescente bioeconomia, o que já era vislumbrado por Frei Veloso.
MÉTODOS
Neste estudo, são apresentados os resultados de uma extensa revisão dos usos tradicionais e das características das plantas citadas na obra “Flora Fluminensis” (doravante chamada de “Flora”). Os textos desta obra foram traduzidos integralmente do latim para o português. A Tabela 1 apresenta uma síntese das informações sobre as espécies nativas, na qual cada planta citada por Veloso é precedida do número da página da obra onde está descrita, seguida de um código referente à localização das ilustrações [TL (= tomo)/número]. Os passos seguintes consistiram em quatro etapas:
Plantas com alguma característica própria e/ou uso tradicional citadas por Frei Veloso na “Flora Fluminensis”. Legendas: entre chaves = páginas do tomo onde constam as descrições de uso e/ou característica da planta; / = denominação científica dada por Veloso, quando diferente da nomenclatura atual; TL = número do tomo do livro; / = número da prancha com a ilustração da planta; * = usos correspondentes.
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Atualização da nomenclatura botânica de cada espécie: realizada a partir de consultas às bases validadoras: Flora e Funga do Brasil (JBRJ, s.d.), International Plant Names Index (IPNI, s.d.), W3Tropicos (Missouri Botanical Garden, s.d.) e World Flora Online (WFO, s.d.). O objetivo foi buscar nomes aceitos para os termos referidos por Frei Veloso que atualmente sejam considerados sinônimos, apresentados na Tabela 1 entre colchetes. É importante ressaltar que os binômios listados na “Flora” constituem um tema complexo e um amplo campo de estudos nomenclaturais e tipológicos, com numerosas questões ainda não solucionadas. Por esse motivo, é natural que existam conflitos de identificação entre os bancos de dados das bases consultadas. Assim, este estudo não objetiva apresentar uma revisão nomenclatural aprofundada ou definitiva dos nomes referidos pelo autor. Após o esgotamento das consultas às bases de dados virtuais, os nomes remanescentes foram verificados em bibliografias que abordam revisões nomenclaturais específicas relacionadas à obra de Veloso. Por fim, foram feitas análises das descrições e ilustrações da “Flora” para identificação de nomes duvidosos, e consultados taxonomistas para a confirmação deles, quando disponíveis;
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Verificação da origem de cada planta: a confirmação sobre a origem nativa foi realizada a partir de consultas às mesmas bases de dados. Os usos descritos para as espécies exóticas, bem como discussões para a correta identificação de espécies nativas sem usos tradicionais ou outras que tenham características típicas da planta serão objetos de novos estudos;
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Usos tradicionais: Estão inseridos para cada planta na Tabela 1. Para algumas plantas, Veloso não registrou usos tradicionais específicos, mas sugeriu que fossem buscadas informações nas obras de eminentes naturalistas europeus, como o holandês Guilherme Piso (1611-1678), por exemplo. Piso era médico e viajou pelo nordeste do país, colecionando plantas e animais, a partir de informações recebidas dos ameríndios. A obra “Historia Naturalis Brasiliae” (Piso & Marcgrave, 1648) foi considerada a principal referência sobre a biodiversidade brasileira até o início do século XIX, quando se iniciou um ciclo de expedições científicas pelo Brasil (Gurgel & Lewinsohn, 2009);
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Usos registrados por outros autores: foram verificadas correspondências com usos tradicionais citados por outros autores dos séculos passados. Essas informações foram consultadas na base de dados bibliográfica Dataplamt (s.d.), que transcreve usos tradicionais das plantas brasileiras a partir de obras e documentos históricos. Ela contém informações sobre 3.464 espécies nativas, recuperadas de 114 livros organizados e/ou publicados até 1950 (Tabela 1).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
FREI VELOSO E A SOCIOBIODIVERSIDADE
A Tabela 1 traz os usos tradicionais, ou as características que contribuem para este uso, de 153 espécies nativas, distribuídas entre 63 famílias botânicas. A família mais bem representada é Asteraceae, com 17 espécies, seguida de Fabaceae, com 15. Outras famílias bem representadas são Myrtaceae (nove espécies), Solanaceae (oito), Malvaceae (seis), Cucurbitaceae e Euphorbiaceae (cinco cada), Dioscoreaceae, Piperaceae e Rubiaceae (quatro), Anacardiaceae, Araceae, Bignoniaceae, Cordiaceae, Meliaceae e Passifloraceae (três). Outras 11 famílias tiveram duas espécies registradas, enquanto 38 são representadas por apenas uma espécie. É importante observar que, diferentemente de hoje, na época em que Frei Veloso fez seus trabalhos de campo, a população do Brasil, especialmente os povos indígenas, faziam uso prioritariamente das plantas nativas (Brandão et al., 2008).
É possível que Frei Veloso tenha observado os usos de algumas plantas citadas na “Flora”, como Anacardium humile A.St.-Hil. (Anacardiaceae), Vernonanthura cymosa (Vell.) H.Rob. (Asteraceae) e Stryphnodendron adstringens (Mart.) Coville (Fabaceae), que ocorrem no Cerrado (Pastore & Pirani, 2020), durante sua juventude em Tiradentes (Brandão, 2019). Outra fonte de informação pode ter sido os indígenas da aldeia de São Miguel, atual distrito de São Miguel Paulista, onde exerceu a catequese (Stellfeld, 1952).
Um aspecto diferente de Frei Veloso em relação a outros autores de sua época é o registro de nomes populares das plantas segundo suas origens indígena, brasileira ou portuguesa (Fonseca, 2010; Stellfeld, 1944). A associação dos nomes indígenas ao uso tradicional de uma planta é importante, pois possibilita a identificação das etnias responsáveis pelo uso dos remédios, para, assim, repartir os benefícios da comercialização de produtos (Brasil, 2015).
Na época de Frei Veloso, os Tupinambás eram o povo predominante (Cordeiro & Lima, 2025). Assim, preservar os nomes originais das plantas representa também uma forma de inibir a erosão cultural que vem sendo sofrida pelos povos indígenas ao longo do tempo. Atualmente, a população brasileira vem, por exemplo, atribuindo nomes de medicamentos industrializados e comercializados nas farmácias a várias plantas. Não é difícil encontrar em uma simples horta plantas chamadas de Doril, Novalgina ou Terramicina, entre outros nomes de produtos comerciais. Esse procedimento acelera a erosão cultural em curso e precisa ser combatido. Diversos nomes originais indígenas foram citados por Veloso na “Flora” e estão disponíveis, juntamente com nomes citados por outros autores, em Dataplamt (s.d.).
USOS MEDICINAIS
Se eu tivesse uma voz de trovão eu exaltaria a virtude desta planta. Pela divina providencia a nenhum povo da América faltará esta planta e por isto ela, entre outras, deve ser enaltecida pela sua natureza e arte6
(Vellozo, 1881, pp. 347-348).
Quarenta e oito espécies nativas foram registradas como medicinais por Frei Veloso. O uso como catártico foi o mais frequente (sete) e, entre as espécies que o apresentam, são mencionadas Ipomoea pes-caprae (L.) R.Br. (Convolvulaceae), Fevillea trilobata L. (Cucurbitaceae) e Anchietea pyrifolia (Mart.) G.Don (Violaceae). Para quatro outras espécies, a indicação de catártico é acompanhada do uso como emético, conforme observado para a Cayaponia cabocla (Vell.) Mart. (Cucurbitaceae), Joannesia princeps Vell. (Euphorbiaceae), Trimezia martinicensis (Jacq.) Herb. (Iridaceae) e Guarea macrophylla subsp. tuberculata (Vell.) T.D.Penn. (Meliaceae). Esses usos tradicionais foram bastante adotados até o final do século XIX, devido à crença, corrente naquela época, de que as doenças eram consequência de um ‘corpo sujo’. Assim, os tratamentos consistiam em aplicar remédios que ‘depurassem’ o organismo, ou seja, provocassem um ‘expurgo’ (Brandão et al., 2008, 2012).
Outro uso medicinal frequente citado por Veloso foi o tratamento de doenças de pele e mucosas. Impingens podem ser tratadas com Xyris macrocephala Vahl (Xyridaceae, erva-de-impingem), enquanto queimaduras podem ser medicadas com Piper divaricatum G.Mey. (Piperaceae). Plantas adstringentes são também importantes no tratamento de problemas de pele e mucosas, sendo indicadas quatro: Schinus terebinthifolia Raddi (Anacardiaceae), Stryphnodendron adstringens, Plinia peruviana (Poir.) Govaerts (Myrtaceae) e Piper aduncum L. (Piperaceae). A adstringência ocorre devido à presença de taninos, sendo que plantas ricas dessas substâncias já foram, inclusive, usadas na indústria do curtume. Para tratar feridas, o autor registra também Caladium bicolor (Aiton) Vent. (Araceae), Costus arabicus L. e Heliotropium indicum L. (Heliotropiaceae), sendo para esta última atribuídas as ações abstergente e mundificante, essenciais para a cicatrização.
Para tratar inflamações da garganta e/ou do ânus, Frei Veloso cita Eryngium pristis Cham. & Schltdt. (Apiaceae), Capsicum baccatum L., Solanum alternapinnatum Steud. (Solanaceae) e Scoparia dulcis L. (Plantaginaceae). Plantas da família Solanaceae contêm substâncias químicas com estrutura esteroide, semelhante a alguns tipos de anti-inflamatórios (Delbrouck et al., 2023). Já Plantaginaceae é rica em mucilagem, substância com ação demulcente, que alivia a irritação das mucosas (Dybka-Stepién et al., 2021). Contra picadas de cobra, foram citadas Asterostigma luschnathianum Schott (Araceae), Mikania cordifolia (L.f.) Willd. (Asteraceae) e Dorstenia cayapia Vell. (Moraceae). Plantas dos gêneros Mikania e Dorstenia são ricas em cumarinas, substâncias anticoagulantes que interferem na distribuição do veneno pela corrente sanguínea (Pilon et al., 2024).
Doenças sexualmente transmissíveis representavam um flagelo até o início do século XX, antes do advento da penicilina (Atasanov et al., 2015). O ressurgimento dessas e de outras antigas doenças infectocontagiosas, decorrente do aquecimento global, bem como a necessidade de desenvolver novos medicamentos remontam a décadas (Arya, 1999). As plantas citadas por Frei Veloso para tratá-las pertencem a diferentes famílias botânicas, sinalizando ampla possibilidade da presença de substâncias ativas, com novas estruturas químicas, capazes de combater tais doenças (Valli et al., 2018). As ações antivenéreas das raízes de Vernonanthura cymosa foram comparadas por Frei Veloso com as de espécies de salsaparrilha, do gênero Smilax (Smilacaceae). Toneladas de salsaparrilhas foram transportadas para a Europa para tratar sífilis e outras doenças venéreas, desde o início da colonização. O comércio dessas plantas movimentou a economia da Amazônia, ao lado do cravo, do Maranhão, e do bálsamo de copaíba, as chamadas “drogas do sertão” (Emperaire, 2000).
Frei Veloso refere-se ao potencial das Smilax somente ao citar outro tipo de salsaparrilha, Herreria salsaparrilha Mart. (Asparagaceae): “as raízes desta espécie substituem a salsaparrilha oficial” (Vellozo, 1881). Espécies de Herreria e Smilax são ricas em saponinas, substâncias com ação hipocolesterolêmica e hipolipidêmica, sendo comumente usadas na medicina tradicional como “depurativas do sangue” (F. Pereira et al., 2015). Quatro espécies são citadas por Frei Veloso para tratar doenças venéreas: Jacaranda caroba (Vell.) DC. (Bignoniaceae), Costus arabicus (Costaceae), Desmodium axillare (Sw.) DC. (Fabaceae) e Solanum cordifolium Dunal (Solanaceae).
É curioso que, para o tratamento de febres, a única indicação foi para Elephantopus mollis Kunth (Asteraceae). Elas eram um problema de saúde grave na época de Veloso, sendo as intermitentes uma das mais temidas, por ser sintoma da malária. A cura da malária foi copiada dos ameríndios no século XVII pelos espanhóis, a partir das cascas de espécies de Cinchona, chamadas quinas, que contêm quinino. Por outro lado, Frei Veloso descreve, no seu livro “Quinografia Portuguesa”, publicado em Lisboa em 1799 (Vellozo, 1799), informações sobre quatro espécies de falsas-quinas brasileiras: Baccharis crispa Spreng. (Asteraceae), Solanum pseudoquina A.St.-Hil. (Solanaceae), Coutarea hexandra (Jacq.) K.Schum. (Rubiaceae) e Aspidosperma illustre (Vell.) Kuhlm. & Pirajá (Apocynaceae). Apesar de todas ocorrerem na região estudada por Frei Veloso, apenas B. crispa é citada na “Flora”, a qual é conhecida comumente como carqueja e tem sabor amargo (Vellozo, 1799).
É curioso também verificar que Frei Veloso tenha citado como planta de ‘grande virtude’ Psychotria emetica L.f. (atual Ronabea emetica (L.f.) A.Rich.), e não Psychotria ipecacuanha (atual Carapichea ipecacuanha), cujos efeitos medicinais já eram amplamente conhecidos desde os primórdios da colonização. Na época de Veloso, a ipecacuanha era um dos produtos mais importantes, com cerca de quatro toneladas das raízes transportadas anualmente do Rio de Janeiro para Portugal, nos séculos XVIII e XIX (Dean, 1996). Segundo o próprio Frei Veloso, a planta era manipulada pelos farmacêuticos, ou seja, tinha eficácia reconhecida também na medicina convencional. Os efeitos medicinais da ipecacuanha foram minuciosamente descritos por Guilherme Piso, autor indicado para consulta pelo próprio Frei Veloso.
Várias plantas contêm substâncias aromáticas com propriedades medicinais, por exemplo, Piper aduncum L., que é antisséptico das mucosas, Baccharis dracunculifolia DC. (Asteraceae), utilizada pelas abelhas para a preparação de própolis, e Varronia curassavica Jacq. (Cordiaceae), que “tem aroma forte” (Vellozo, 1881). Com o óleo essencial desta última, pesquisadores brasileiros desenvolveram recentemente um produto anti-inflamatório tópico (Acheflan) que vem ganhando o mercado farmacêutico nacional (Dutra et al., 2016). Outros exemplos de plantas aromáticas citadas por Frei Veloso são Hypericum brasiliense Choisy (Hypericaceae) – “tem odor forte” –, Tripodanthus acutifolius (Ruiz & Pav.) Tiegh. (Loranthaceae) – “é bastante odorífera” –, Aristolochia cymbifera Mart. & Zucc., A. odoratissima L. (Aristolochiaceae) – “odor fétido” – e Senecio brasiliensis (Spreng.) Less. (Asteraceae) – “é uma planta com cheiro forte” (Vellozo, 1881). Aromas intensos revelam a presença de substâncias voláteis de interesse farmacêutico nas plantas citadas por Frei Veloso, as quais precisam ser estudadas.
Neste estudo, buscou-se conhecer quais espécies citadas na “Flora” também foram citados por outros autores dos séculos passados, e se os usos foram correspondentes (marcadas com asterisco na Tabela 1). Entre os 69 autores cujas obras integram a base de dados do Dataplamt (s.d.), 60 citaram alguma das plantas aqui tratadas (Tabela 1). Os usos como emético e purgativo de Joannesia princeps foram citados por 17 autores. Como adstringente, Schinus terebinthifolia, Stryphnodendron adstringens e Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan (Fabaceae) foram citadas por 17, 11 e dez autores, respectivamente. As duas últimas espécies têm grande importância na medicina oficial de hoje e contam, inclusive, com monografias publicadas na última edição da “Farmacopeia brasileira” (Anvisa, 2024). Os usos de Herreria salsaparrilha e Trimezia martinicensis como depurativo e emético foram citados por oito autores. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um uso igual e constante durante longo período pode atestar a efetividade de um remédio preparado com uma planta medicinal (Ricardo et al., 2018). Para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), tais produtos podem obter licença para registro como produtos tradicionais fitoterápicos (PTF) (Carvalho et al., 2025; WHO, 2013).
FREI VELOSO E A BIOECONOMIA
Talvez seja a mesma dos tintureiros europeus que chamam de Rubia. Se é a mesma europeia é aperitiva ou não? Os médicos dizem que sim, mas os farmacêuticos não dão o mesmo valor. Se estas comparações fossem aplicadas às nossas plantas, poderia descobrir o poder curativo de muitas delas, não digo mais porque pode parecer que estou cantando fora do coro7
(Vellozo, 1881, pp. 43-44).
Além das plantas com uso medicinal, a “Flora” traz outras espécies com substâncias químicas e/ou propriedades importantes que podem ser aproveitadas economicamente. Frei Veloso descreveu diferentes aromas de 20 plantas, que poderiam ser comercialmente aproveitadas na elaboração de condimentos para a área da gastronomia (Garcia-Casal et al., 2016). Exemplos são Xylopia frutescens Aubl. (Annonaceae), cujo fruto “lembra o cravo e a pimenta indiana”; Hyptis radicans (Pohl) Harley & J.F.B.Pastore (Lamiaceae), que “tem aroma de menta”; a madeira de Ocotea odorifera (Vell.) Rohwer (Lauraceae), que pode ser usada como canela; Gallesia integrifolia (Spreng.) Harms (Phytolaccaceae) e Crateva tapia L. (Capparaceae), que têm aroma de alho; enquanto Porophyllum ruderale (Jacq.) Cass. (Asteraceae) “tem odor forte, semelhante à Brassica” (Vellozo, 1881).
Vários frutos comestíveis foram indicados por Veloso, entre eles alguns muito conhecidos, como os de Anacardium humile (cajuzinho-do-campo), Campomanesia guavirova (DC.) Kiaersk. (guabiroba), Eugenia brasiliensis Lam. (grumixama), E. uniflora L. (pitanga), Plinia edulis (Vell.) Sobral (cambucá), P. peruviana (Poir.) Govaerts (jabuticaba), Psidium cattleyanum Sabine (araçá) (Myrtaceae), Passiflora alata Curtis e P. edulis Sims (maracujás) (Passifloraceae). Outros frutos de espécies de Myrtaceae e Solanaceae listados na Tabela 1 são menos conhecidos: Campomanesia transalpina (Vell.) O.Berg (também chamado de guabiroba), Myrcia vellozoi Mazine (uaepuruna) e Solanum cordifolium Dunal (juripeba).
Em estudo recente, Teixeira et al. (2019) recuperaram informações de mais de 500 espécies de frutos comestíveis nativos do Brasil da obra do botânico Manoel Pio Correa (1844-1934). Contudo, as três últimas espécies citadas acima não constam no referido estudo e nem em outras obras presentes no Dataplamt (s.d.). Portanto, resultados como esses mostram o quanto os registros feitos por Frei Veloso trazem informações ainda inéditas e que precisam ser melhor consideradas.
Outras plantas nativas citadas na “Flora” como alimento são Pereskia aculeta Mill. (Cactaceae) e Solanum alternatopinnatum Steud. (Solanaceae). Para a primeira, Frei Veloso revela que era “comumente conhecida como ora-pro-nobis” e que “Africanos usam como comida no lugar do hibisco” (Vellozo, 1881). A ora-pro-nobis é uma planta muito valorizada hoje, movimentando toda uma cultura gastronômica. A partir da citação de Frei Veloso, é interessante notar que o uso culinário da planta teve início com os negros escravizados, indicação que certamente contribui para a valorização da cultura africana no Brasil. Felizmente, o emprego dos frutos e de outros alimentos vegetais nativos vem sendo atualmente impulsionado pelo movimento de consumo de produtos conhecidos como plantas alimentícias não convencionais (PANC) (Kinupp & Lorenzi, 2015).
Outro grupo de plantas com potencial econômico e valorizadas por Frei Veloso são as que contêm pigmentos. Na “Flora”, são citadas as Rubiaceae Galium noxium, para “colorir o couro de vermelho”, e Genipa americana L., sobre a qual menciona que “os índios usam a tinta que pintam as roupas e os corpos” (Vellozo, 1881). A Cayaponia tayuya (Vell.) Cogn. (Cucurbitaceae) é indicada “para colorir o algodão de amarelo”, enquanto Pleroma mutabile (Vell.) Triana (Melastomataceae) teria “uma tinta útil para o curtume” e Indigofera suffruticosa Mill. (Fabaceae) era “bastante cultivada devido a fécula tintorial com nome de anil. A cada dia navios carregados levam a planta para Portugal” (Vellozo, 1881). Outras plantas são ricas em resinas, como Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze (Araucariaceae), Mikania glomerata Spreng. (Asteraceae) e Protium heptaphyllum (Aubl.) Marchand (Burseraceae). Além dos empregos medicinais, as resinas têm várias aplicações em cosméticos, adesivos, isolantes, sendo utilizadas até para a impressão em 3D (Horst & Tebcherani, 2017). Catasetum socco (Vell.) Hoehne (Orchidaceae), Sapium glandulosum (L.) Morong (Euphorbiaceae) e Spondias purpurea L. (Anacardiaceae) produzem uma ‘goma’. Essa substância vem sendo objeto de estudos que buscam usá-la em substituição a gelatina e outros produtos de origem animal (Haddadi et al., 2024).
Dezessete espécies fornecem madeiras, algumas nobres, impermeáveis ou incorruptíveis, próprias para construção: Schinus terebinthifolia, Jacaranda jasminoides (Thunb.) Sandwith (Bignoniaceae), Araucaria angustifolia, Centrolobium robustum (Vell.) Mart. ex Benth., Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong, E. monjollo (Vell.) Mart., Machaerium incorruptibile (Vell.) Benth., M. legale (Vell.) Benth. (Fabaceae), Cedrela fissilis Vell. (Meliaceae), Maclura tinctoria (L.) D.Don ex Steud. (Moraceae), Euplassa legalis (Vell.) I.M.Johnst. (Proteaceae) e Genipa americana. Outras madeiras, consideradas por Frei Veloso como inferiores, também têm utilidades, como Tabebuia obtusifolia (Cham.) Bureau (Bignoniaceae) e Cordia trichotoma (Vell.) Arráb. ex Steud. (Cordiaceae), para a manufatura de sapatos e tamancos, Luehea speciosa Willd. (Malvaceae) e Cabralea canjerana (Vell.) Mart. (Meliaceae), para a produção de caixas. É curioso observar a indicação para a confecção de utensílios domésticos para a Dalbergia nigra (Vell.) Allemão ex Benth. (Fabaceae). Esta espécie já foi muito explorada na produção de móveis de alta durabilidade e a sua citação pode ser uma consequência do descrito por ele para Machaerium legale: “Se eu tivesse mais tempo para este trabalho iria descrever o peso e qualidades destas madeiras. Mas o estreito do tempo não me permitiu fazer. Não faltarão pessoas interessadas na flora do Brasil para fazer isto” (Vellozo, 1881).
Frei Veloso descreve o uso de Goeppertia tuberosa (Vell.) Borchs. & S.Suárez (Marantaceae) para a produção de tecido, mesmo que de baixa qualidade, enquanto Davilla nitida (Vahl) Kubitzki (Dilleniaceae) era usada para fazer sebes. Ele descreveu o uso da casca da ‘embira’, Daphnopsis fasciculata (Meisn.) Nevling (Thymelaeaceae), que não é muito duradoura, mas melhora ao ser misturada com o vime. É importante destacar a informação citada por Motta e Salgado (1971) sobre o documento no 409, de 22/11/1809, do Arquivo d’Eu, no qual Frei Veloso informa ao Conde de Linhares, ministro do príncipe regente D. João VI, que havia conseguido produzir um papel com a ‘embira’. Frei Veloso informa, ainda, que estava à procura de outras plantas filamentosas para a criação de uma fábrica de papel. A fábrica chamada Orianda foi instalada em Petrópolis em 1852 e, a despeito do alto índice de perfeição técnica, foi fechada em 1874, devido, entre outros fatores, à falta de matéria-prima (Motta & Salgado, 1971). A espécie D. fasciculata continua sendo objeto de estudos atualmente, com interesse no seu aproveitamento na indústria têxtil (Duarte et al., 2017). Alternativas naturais para a produção de tecido são importantes frente aos temíveis microplásticos (Olivatto et al., 2018).
Frei Veloso apresentou também informações sobre as plantas sucedâneas, espécies que recebem o nome popular de outro original, devido à sua semelhança morfológica ou ao uso tradicional. Um exemplo de sucedâneo citado por Frei Veloso é Ilex dumosa Reissek (Aquifoliaceae), sucedâneo do chá-mate oficial, I. paraguariensis A.St.-Hil. (Aquifoliaceae). Ilex dumosa era a espécie preferida durante a época colonial e vem recebendo novamente destaque por conter nove vezes menos cafeína e um bom nível de polifenois antioxidantes, benéficos à saúde (Kim et al., 2010). Outras espécies sucedâneas destacadas por Frei Veloso foram: Pereskia aculeata Mill. (ora-pro-nobis, Cactaceae), em substituição a Hibiscus sabdariffa L. (hibisco europeu, Malvaceae); Bixa orellana L. (urucu, Bixaceae), em lugar de Crocus sativus L. (açafrão europeu, Iridaceae); Periandra mediterranea (Vell.) Taub. (alcaçuz, Fabaceae), substituindo Glycyrrhyza glabra L. (alcaçuz europeu, Fabaceae); Senega lancifolia (A.St.-Hil. & Moq.) J.F.Pastore (Polygalaceae), substituindo S. officinalis Spach, de origem europeia; Varronia curassavica (erva-baleeira), que é semelhante a Salvia officinalis L. (sálvia, Lamiaceae); Sida acuta Burm. f. (Malvaceae), substituindo as espécies europeias de Malva; e Buddleja stachyoides Cham. & Schltdl. (verbasco, Scrophulariaceae), semelhante ao verbasco europeu (Verbascum spp., Scrophulariaceae). O potencial das espécies sucedâneas nacionais precisa ser melhor considerado nos estudos de agroecologia, agroflorestas e bioeconomia. Além de valorizar a biodiversidade, seus empregos inibem a introdução de espécies exóticas e gastos com a importação de matérias-primas.
CONCLUSÃO
Devido à falta de livros que tratem de plantas com uso medicinal americanas, não consegui compreender a visão lineana sobre esta planta, assim como muitas outras. Os sinônimos que ele citou em nada me acrescentaram. Seja o que for. Vou mostrar o que sinto8
(Vellozo, 1881, p. 285).
Mesmo isolado e afastado dos grandes centros científicos da época, Frei Veloso construiu um trabalho de envergadura: a “Flora Fluminensis”. As dificuldades enfrentadas por ele para construir esta obra, especialmente identificando taxonomicamente as espécies nativas, foram enormes, já que a florescente ciência botânica se concentrava na Europa. Frei Veloso publicou também diversos manuais técnicos, entre eles a coleção “O fazendeiro no Brasil”, na qual traz orientações para o melhor aproveitamento de plantas condimentares, têxteis e tintoriais. O conjunto dos trabalhos desenvolvidos pelos autores deste artigo confirmam o quanto Frei Veloso estava à frente do seu tempo: além de valorizar o nativo, ele buscou organizar e difundir o conhecimento sobre o rico patrimônio brasileiro, visando o progresso econômico da nação. Os trabalhos do Frei Veloso poderiam já ter gerado conhecimentos inovadores para o Brasil. Esperamos que este estudo contribua para que seu desejo seja agora realizado.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos ao Olinto Rodrigues, IPHAN/Tiradentes, pelas preciosas informações, ao Campus Cultural da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pela bolsa de professora residente no âmbito da Pró-Reitoria de Cultura (PROCULT) da UFMG, e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pelos financiamentos concedidos por meio dos processos nº 440314/2023-2 e nº 440673/2019-4.
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PREPRINT
Não foi publicado em repositório.
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AVALIAÇÃO POR PARES
Avaliação duplo-cega, fechada.
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Brandão, M. G. L., Paula-Souza, J., Filardi, F. L. R., Zheng, C., & Palú, Padre L. (2026). Sociobiodiversidade e bioeconomia nos setecentos: plantas nativas na obra “Flora Fluminensis”, de Frei Mariano da Conceição Veloso (1741-1811). Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, 21(2), e20250040. http://doi.org/10.1590/2178-2547-BGOELDI-2025-0040
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1
Neste artigo, adota-se a grafia moderna Frei Veloso para José Mariano da Conceição Veloso, enquanto, nas referências bibliográficas, mantém-se a grafia histórica Vellozo, conforme registrada nas publicações consultadas. A diferença entre José Mariano da Conceição Veloso e José Marianno da Conceição Vellozo corresponde, portanto, às formas moderna e histórica do nome do mesmo indivíduo. No período em que Frei Veloso viveu (séculos XVIII e XIX), era comum o emprego de consoantes dobradas, como em Marianno e Vellozo, em razão das convenções ortográficas e tipográficas da época. Em nomenclatura botânica, Vell. é a abreviatura de autoria utilizada para indicar José Mariano da Conceição Veloso.
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2
Essa espécie não ocorre no Brasil. O autor provavelmente se referiu a S. venulosa (Engl.) Engl. No passado, já foi considerada uma variedade de S. purpurea L. (Spondias purpurea L. var. venulosa Engl.).
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3
Trata-se de um erro de identificação do autor, essa espécie não ocorre no Brasil. A partir da prancha e da descrição fornecidas por Vellozo (1881), o nome mais apropriado para essa referência é Laguncularia racemosa (L.) C.F. Gaertn., conhecida popularmente como “mangue-branco”.
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4
Essa espécie tem distribuição na América Central, não ocorrendo no Brasil. A partir do nome popular “guaraná timbó” e descrição, provavelmente o autor se referiu a Dahlstedtia pinnata (Benth.) Malme.
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5
Este nome é duvidoso, a ilustração e descrição fornecidas por Vellozo não são suficientes para identificar adequadamente a planta. Com base nos dados disponíveis, a melhor referência para essa planta seria Hyptis sp.
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6
Trecho da “Flora” para Elephantopus mollis Kunth.
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7
Trecho da “Flora” para Galium noxium (A.St.-Hil.) Dempster.
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8
Trecho da “Flora” para Dahlstedtia pinnata (Benth.) Malme.
DADOS DA PESQUISA
Os dados não foram depositados em repositório.
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Responsabilidade editorial:
Márlia Coelho-Ferreira
