Introdução: Entre as complicações mais debilitantes da doença de Chron encontram-se as manifestações perianais, incluindo abscessos anorretais e fístulas ao longo da evolução e estão associadas a morbidade significativa, comprometimento da qualidade de vida e intervenções cirúrgicas.
Objetivo: Descrever a epidemiologia e as tendências temporais das internações por abscessos anorretais, fístulas e fissuras anais e doença de Crohn no Sistema Único de Saúde das regiões Sul e Sudeste do Brasil entre 2012 e 2024.
Método: Estudo ecológico retrospectivo de série temporal utilizando dados administrativos de internações hospitalares públicas das regiões Sul e Sudeste entre 2012 e 2024. As internações foram identificadas pelos códigos da Classificação Internacional de Doenças, décima revisão, correspondentes à doença de Crohn, abscessos anorretais e fístulas anais. Foram analisados volume de internações, mortalidade hospitalar, tempo de permanência e custos. As tendências temporais foram avaliadas por regressão linear e variação percentual anual média.
Resultados: Foram analisadas 211.086 internações. Aquelas por doença de Crohn aumentaram 128,9%, enquanto os abscessos anorretais cresceram 45,6%. A mortalidade hospitalar foi maior na doença de Crohn, seguida pelos abscessos e pelas fístulas, apresentou maior tempo médio de internação e custo médio. Abscessos e fístulas demonstraram forte predominância masculina. A região Sudeste concentrou aproximadamente 75% das internações.
Conclusão: As internações por doença de Crohn e abscessos anorretais aumentaram substancialmente nas regiões mais desenvolvidas do Brasil, representando carga crescente para o sistema público de saúde. Os achados reforçam a necessidade de melhor alocação de recursos, diagnóstico precoce e estratégias de manejo multidisciplinar da doença perianal complexa.
PALAVRAS-CHAVE:
Doenças inflamatórias intestinais; Doença perianal; Hospitalização; Estudos de séries temporais; Estudos ecológicos; Sistema Único de S aúde

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