Open-access A ultrassonografia à beira do leito pode tornar a intubação pediátrica mais segura?

RESUMO

Introdução:  A confirmação rápida e precisa do posicionamento e do calibre do tubo endotraqueal é fundamental na prática pediátrica. Métodos tradicionais, como radiografia e capnografia, apresentam limitações relacionadas ao tempo, à exposição à radiação e à incapacidade de avaliar profundidade ou seletividade.

Objetivo:  Mapear e sintetizar as evidências sobre o uso da ultrassonografia (US) para confirmar o posicionamento, a profundidade e o calibre do tubo endotraqueal em populações pediátricas.

Método:  Revisão de escopo conduzida conforme as diretrizes PRISMA-ScR. Foram pesquisadas as bases PubMed, Embase e Cochrane Library em setembro de 2025, sem restrição de idioma. Incluíram-se estudos clínicos que compararam US com radiografia, capnografia, broncoscopia ou fórmulas anatômicas. Excluíram-se aqueles com amostras menores que dez participantes, populações exclusivamente adultas ou simulações sem dados clínicos. Dois revisores independentes realizaram a triagem e a extração dos dados. Os achados foram sintetizados narrativamente em cinco domínios: distinção traqueal versus esofágica, profundidade e seletividade, estimativa de calibre, tempo de confirmação e reprodutibilidade.

Resultados:  Foram incluídos 23 estudos publicados entre 2010 e 2025, abrangendo cenários de emergência, centro cirúrgico e terapia intensiva pediátrica. A ultrassonografia apresentou sensibilidade geralmente ≥ 90% e tempos de confirmação inferiores a um minuto.

Conclusão:  A US à beira do leito é método eficaz, rápido e reprodutível para confirmar o posicionamento e estimar o calibre do tubo endotraqueal em pediatria. A implementação em larga escala requer padronização de protocolos e capacitação estruturada.

PALAVRAS-CHAVE:
Ultrassonografia de vias aéreas; Pediatria; Intubação endotraqueal

RESUMO VISUAL

ABSTRACT

Introduction:  Rapid and accurate confirmation of endotracheal tube positioning and caliber is critical in pediatric practice. Traditional methods, such as radiography and capnography, have limitations related to time, radiation exposure, and the inability to assess depth or selectivity.

Objective:  To map and synthesize the evidence on the use of ultrasonography (US) to confirm the positioning, depth, and caliber of the endotracheal tube in pediatric populations.

Method:  Scoping review conducted according to the PRISMA-ScR guidelines. The PubMed, Embase, and Cochrane Library databases were searched in September 2025, with no language restriction. Clinical studies comparing US with radiography, capnography, bronchoscopy, or anatomical formulas were included. Those with samples smaller than ten participants, exclusively adult populations, or simulations without clinical data were excluded. Two independent reviewers screened and extracted the data. The findings were narratively synthesized in five domains: tracheal versus esophageal distinction, depth and selectivity, caliber estimation, time to confirmation, and reproducibility.

Results:  Were included 23 studies published between 2010 and 2025, covering emergency, operating room, and pediatric intensive care settings. Ultrasonography generally showed sensitivity ≥ 90% and confirmation times of less than one minute.

Conclusion:  Bedside ultrasound is an effective, rapid, and reproducible method for confirming the positioning and estimating the caliber of the endotracheal tube in pediatrics. Large-scale implementation requires standardization of protocols and structured training.

KEYWORDS:
Airway ultrasonography; Pediatrics; Endotracheal intubation

VISUAL ABSTRACT

INTRODUÇÃO

A confirmação rápida e precisa do posicionamento do tubo endotraqueal (TET) é essencial para a segurança da via aérea em pediatria. Métodos convencionais, como ausculta, observação de embaçamento e radiografia, podem apresentar limitações relacionadas à demora e à acurácia operacional. A capnografia é útil para avaliar a ventilação, mas não fornece informações sobre a profundidade ou a seletividade do TET. A ultrassonografia (US) à beira do leito, por sua vez, evita exposição à radiação e tem demonstrado ser consistentemente mais rápida que a radiografia, embora possa, em alguns relatos, ser discretamente mais lenta que a capnografia.1-3

A US point-of-care (POCUS) permite a visualização direta das estruturas traqueais e a avaliação pleurodiafragmática. Em populações pediátricas, estudos conduzidos em pronto-socorro, unidade de terapia intensiva e centro cirúrgico relatam sensibilidade frequentemente ≥ 90%, especificidade variável e tempo de confirmação inferior a um minuto, com alta concordância interobservador (κ ≈ 0,87-0,93).1,3 As principais abordagens técnicas incluem varreduras suprasternal e traqueais, avaliação do deslizamento pleural e do movimento diafragmático, além da visualização direta da ponta do tubo e do uso de cuff preenchido com solução salina. Os padrões de referência mais utilizados são a radiografia, a capnografia e, em menor escala, a broncoscopia. Esse conjunto de métodos reforça o papel da US como ferramenta multimodal, que agrega avaliação anatômica - inclusive de profundidade - à vigilância funcional fornecida pela capnografia.2,4

Sínteses recentes de literatura indicam desempenho elevado da US para confirmar a intubação e avaliar a profundidade do TET em diferentes faixas etárias pediátricas, embora ainda exista heterogeneidade entre técnicas, protocolos e padrões de comparação.5,6 Persistem lacunas quanto à padronização de procedimentos e ao relato metodológico, com predominância de estudos unicêntricos e variação significativa na experiência dos operadores.

O objetivo desta revisão de escopo foi mapear e sintetizar as evidências sobre o uso da US na confirmação do posicionamento e na avaliação da profundidade do TET em populações pediátricas, descrevendo as técnicas empregadas, os padrões de referência, o desempenho diagnóstico, os tempos de execução e a reprodutibilidade, de modo a subsidiar protocolos clínicos integrados e orientar futuras pesquisas multicêntricas.

MÉTODO

Esta revisão de escopo foi conduzida de acordo com as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses Extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR). O objetivo foi identificar e sintetizar as evidências sobre o uso da US para confirmar o posicionamento e estimar o calibre do TET em populações pediátricas. Foram realizadas buscas abrangentes nas bases PubMed/MEDLINE, Embase e Cochrane Library em setembro de 2025, sem restrição de idioma. A estratégia de busca combinou vocabulário controlado (MeSH/Emtree) e termos livres relacionados a ultrasonography, endotracheal intubation e pediatric population, conectados por operadores booleanos (AND/OR). As referências de revisões relevantes também foram examinadas manualmente para identificar estudos adicionais. Foram incluídos estudos clínicos que avaliaram a US para confirmação do TET ou estimativa de calibre, comparados a padrões de referência como radiografia, capnografia, broncoscopia ou fórmulas anatômicas. Foram considerados elegíveis delineamentos prospectivos e retrospectivos, estudos de acurácia diagnóstica e revisões sistemáticas. Foram também excluídas séries com menos de 10 participantes, estudos exclusivamente em adultos e investigações baseadas apenas em simulações sem dados clínicos. Dois revisores independentes realizaram a triagem de títulos, resumos e textos completos, resolvendo discordâncias por consenso. Os dados extraídos incluíram cenário clínico, técnica ultrassonográfica, padrão de referência, métricas diagnósticas (sensibilidade, especificidade, acurácia e valores preditivos), tempo de confirmação e concordância interobservador (κ). Devido à heterogeneidade metodológica entre os estudos, os resultados foram sintetizados de forma narrativa e organizados em cinco domínios: distinção traqueal versus esofágica, profundidade e intubação seletiva, estimativa do calibre, tempo de confirmação e reprodutibilidade. Não foi realizada metanálise nem avaliação formal de risco de viés, em conformidade com o escopo do PRISMA-ScR. Este estudo utilizou exclusivamente dados secundários de domínio público; portanto, não houve necessidade de aprovação por Comitê de Ética em Pesquisa nem de obtenção de consentimento informado.

RESULTADOS

A busca incluiu 23 artigos diretamente relacionados ao tema que foram compilados nesta revisão (Tabela).

TABELA
Síntese das referências diretamente relacionadas ao tema (23 artigos).1-23

DISCUSSÃO

A busca identificou 76 registros nas bases PubMed, Embase e Cochrane Library. Após a remoção de duplicatas, 55 títulos e resumos foram triados e 31 textos completos avaliados. Oito estudos foram excluídos por se basearem em simulações sem desfechos clínicos ou por não apresentarem dados diagnósticos relevantes. No total, 23 estudos clínicos foram incluídos nesta revisão de escopo (Tabela).

Os estudos abrangeram o período de 2010 a 2025 e foram conduzidos em diversos países da Ásia, Europa e América do Norte, contemplando ampla variedade de cenários, salas cirúrgicas, serviços de emergência e UTI pediátricas. Foram identificados diferentes delineamentos metodológicos, incluindo coortes prospectivas, estudos de acurácia diagnóstica e revisões sistemáticas.1,5,6 As populações avaliadas incluíram neonatos, lactentes, crianças e adolescentes até 17 anos, com tamanhos amostrais variando entre 42 e 155 participantes por estudo.1,3

As abordagens ultrassonográficas agruparam-se em quatro categorias principais: 1) protocolos integrados de via aérea e pulmões, como TRUCE e 5-AIR;2,3 2) visualização do cuff preenchido com solução salina no entalhe suprasternal ou entre os anéis traqueais, como no protocolo TR.U.S.T.;4 3) avaliações pleurais e/ou diafragmáticas isoladas;6,7 e 4) medições subglóticas para predição do calibre do tubo.17,18 Radiografia de tórax e capnografia foram os padrões de referência mais frequentemente utilizados, seguidas por broncoscopia, fluoroscopia ou comparação com fórmulas anatômicas tradicionais.1,9

No conjunto dos estudos pediátricos, a acurácia diagnóstica da US para confirmação da intubação e estimativa de profundidade variou conforme a técnica e o nível de experiência dos operadores.1,5 A revisão sistemática mais abrangente, composta por 33 estudos e 1.934 exames, relatou acurácia entre 90,6% e 100% para a confirmação da intubação e entre 66,7% e 100% para a avaliação da profundidade, demonstrando desempenho superior das abordagens ultrassonográficas em comparação às fórmulas anatômicas tradicionais para escolha do calibre do TET.5,10

Entre os protocolos integrados, o TRUCE (com janelas suprasternal e pleurais bilaterais) apresentou identificação correta do TET em 97,4% dos casos, em comparação a 83,2% na radiografia, com sensibilidade de 98% e concordância interobservador de 96,8% (κ = 0,53).1 O protocolo 5-AIR, que combina US traqueal em tempo real e avaliação pleurodiafragmática, atingiu sensibilidade de 100% para detecção de intubação seletiva, acurácia global de 96% e maior rapidez que capnografia e ausculta - com mediana de seis segundos para confirmação da posição traqueal versus 15 segundos (capnografia) e 12 segundos (ausculta).2

Entre as técnicas baseadas em cuff salinizado, o protocolo TR.U.S.T. apresentou sensibilidade de 98,8%, especificidade de 96,4%, valor preditivo positivo de 96,5% e valor preditivo negativo de 98,8%, com tempo médio de exame de quatro segundos e excelente reprodutibilidade (κ = 0,93).4 Em contextos com menor treinamento, o desempenho foi reduzido: em UTI pediátrica, um protocolo pleural simplificado demonstrou sensibilidade de 77% e especificidade de 68% em comparação à radiografia, embora com confirmação mais rápida (POCUS: dois minutos; radiografia: 10 minutos).6

A avaliação da profundidade do TET também apresentou desempenho consistente. Estudos comparando US diafragmática à radiografia mostraram sensibilidade de 0,91 para detecção de posição traqueal e especificidade de 0,50 para intubação seletiva em brônquio fonte, com tempo médio de confirmação oito minutos menor que a radiografia.8 Em crianças criticamente enfermas, a US demonstrou confiabilidade elevada para estimar profundidade, sendo o método dos anéis traqueais (“tracheal ring method”) o mais acurado entre as técnicas avaliadas.4,9 Em ambiente eletivo, o uso do deslizamento pleural guiado por US superou a ausculta na identificação de posicionamento subótimo do tubo.3,8

Para a escolha do calibre do TET, a medida do diâmetro subglótico por US apresentou desempenho superior às fórmulas baseadas em idade. Em coorte de 118 crianças de 1-5 anos com tubos microcuff, a concordância entre o diâmetro estimado pela US e o melhor ajuste clínico foi de 99,2%, em comparação a 77,1% pela fórmula etária, com correlação r = 0,994 e κ = 0,986. O uso primário da US poderia ter evitado aproximadamente 22% das trocas de tubo.17 Resultados adicionais confirmaram que o diâmetro mínimo transverso subglótico medido por US guia de forma mais precisa a seleção do TET do que métodos tradicionais, inclusive em pacientes com tubos reforçados.18 Uma síntese quantitativa de 33 estudos relatou acurácia da US entre 23,3% e 100%, dependendo do desfecho e do protocolo empregado.10

De modo geral, a confirmação do posicionamento por US foi mais rápida que a radiografia: de 4-6 segundos em protocolos integrados (TR.U.S.T. e 5-AIR) e alguns minutos nas abordagens pleurais isoladas.2,4,6 Estudos comparativos registraram redução média de 8-10 minutos no tempo de confirmação em relação à radiografia.8,13 A reprodutibilidade foi elevada quando os operadores possuíam treinamento formal, com concordâncias interobservador frequentemente superiores a κ = 0,9.3,4

Em síntese, os 23 estudos clínicos incluídos corroboram a eficácia diagnóstica e a aplicabilidade operacional da US à beira do leito para: 1) confirmar a intubação traqueal; 2) detectar profundidade inadequada ou intubação seletiva e 3) estimar o calibre ideal do TET em pediatria.10,17,18 A variação metodológica observada reflete tanto a versatilidade da técnica quanto a necessidade de padronização e capacitação. O desempenho é maximizado quando se combinam janelas traqueais, pleurais e diafragmáticas em protocolos integrados e quando a medida subglótica é utilizada para orientar a escolha do tubo.3,5,17

Esta revisão de escopo demonstra que a US à beira do leito é método acurado, rápido e reprodutível para confirmar o posicionamento do TET em pacientes pediátricos. A sensibilidade reportada é frequentemente ≥ 90%, enquanto a especificidade varia conforme a técnica e o padrão de referência utilizados.1,3,5 Os tempos de confirmação situam-se majoritariamente abaixo de um minuto, e a concordância interobservador permanece elevada (κ ≈ 0,87 - 0,93).3,4

Protocolos integrados que combinam janelas traqueais e pulmonares tendem a apresentar desempenho superior, ao passo que abordagens isoladas - como a avaliação exclusivamente pleural - demonstram maior variabilidade na especificidade.2,6 A análise dos estudos evidencia sensibilidade consistentemente alta e especificidade mais heterogênea, reforçando o papel da US como ferramenta de verificação multimodal, complementar a outros métodos diagnósticos, em vez de teste isolado.1,5

Sob a perspectiva operacional, a US supera a radiografia em tempo de confirmação e, em algumas séries, mostrou-se mais rápida também que a ausculta. Embora a capnografia possa ser pontualmente mais veloz, esta não fornece informação sobre profundidade ou seletividade do TET com a mesma resolução anatômica.3,8,21 Em termos comparativos, tempos típicos variam entre 4-17 segundos para a US, aproximadamente 14-20 minutos para a radiografia e cerca de seis segundos para a capnografia em um estudo específico.2,4 Esses achados sustentam o papel da US como ferramenta de decisão imediata, capaz de reduzir atrasos e exposição desnecessária à radiação.2,8

Os valores preditivos relatados, quando disponíveis, foram elevados, com valores preditivos positivos na faixa de 90% e variação do valor preditivo negativo conforme o cenário e a técnica empregada. Razões de verossimilhança descritas em alguns estudos reforçam a robustez clínica da US dentro de protocolos bem definidos.4,5 A alta reprodutibilidade (κ até 0,93) observada em diferentes contextos confirma a consistência interobservador e apoia a incorporação da US em fluxos assistenciais pediátricos conduzidos por operadores treinados.3,4,16

As principais limitações do corpo de evidências incluem amostras reduzidas, predominância de estudos unicêntricos, heterogeneidade nos protocolos e nos padrões de referência, além de cegamento incompleto entre operadores e avaliadores, o que aumenta o risco de viés de aferição.1,5,6 Observa-se também escassez de dados provenientes de contextos pré-hospitalares e sub-relato de desfechos clínicos relevantes, como dessaturação grave, necessidade de reintubação e complicações pulmonares.5,6,13 Tais limitações restringem a generalização dos resultados e dificultam a realização de metanálises comparáveis entre técnicas.5,10,23

Em termos práticos, a integração da US a algoritmos de confirmação do TET imediatamente após a intubação deve ser priorizada, com uso de sequências padronizadas que combinem janela suprasternal ou traqueal e avaliação pleural bilateral, além da observação de movimentos diafragmáticos quando necessário.2,3,6,22 Em ambientes com radiografia lenta ou indisponível, a US permite confirmação em poucos segundos e pode reduzir a ocorrência de posicionamentos inadequados.2,8 A capnografia deve permanecer como método complementar para monitorar ventilação contínua, enquanto a US fornece informações anatômicas sobre profundidade e seletividade que a capnografia isoladamente não é capaz de oferecer.1,4,21

Quanto à agenda de pesquisa, destacam-se a necessidade de padronização dos protocolos (com definição de marcos anatômicos, pontos de corte e sequência de janelas), o estabelecimento de currículos mínimos de treinamento e a validação multicêntrica com cegamento adequado.5,6,19 Ensaios pragmáticos comparando rotas diagnósticas integradas (US + capnografia) com práticas habituais são essenciais para avaliar impacto em desfechos clínicos, tempos de processo e custos.5,10 Estudos em cenários pré-hospitalares e análises de custo-efetividade são prioritários para ampliar a adoção segura da US em sistemas com diferentes níveis de recursos.5,20

Em síntese, a US de via aérea em pediatria configura-se como método rápido, sensível e altamente reprodutível para confirmação do posicionamento do TET, com potencial para reduzir atrasos e exposição à radiação.3,4,16 Considerando a variabilidade de especificidade entre técnicas, seu uso ideal ocorre dentro de protocolos integrados, aplicados por profissionais treinados e em complementaridade à capnografia, até que estudos multicêntricos padronizados estabeleçam parâmetros definitivos orientados por desfechos clínicos robustos.5,6,23

A técnica demonstrou aplicabilidade consistente em diferentes contextos clínicos, emergência, centro cirúrgico e terapia intensiva, quando executada por operadores adequadamente treinados.3,6 Apesar do crescimento do corpo de evidências, persistem heterogeneidades metodológicas, ausência de padronização de protocolos e escassez de estudos multicêntricos com desfechos clínicos objetivos.5,6,10 A consolidação da US como padrão de verificação em pediatria requer validação em larga escala, definição de marcos anatômicos consensuais e incorporação estruturada ao treinamento em anestesiologia, terapia intensiva e medicina de emergência pediátrica.5,10

CONCLUSÃO

A US à beira do leito demonstrou alto desempenho diagnóstico, rapidez e reprodutibilidade na confirmação do posicionamento do TET em crianças e neonatos. Protocolos integrados que combinam janelas traqueais, pleurais e diafragmáticas alcançam sensibilidades próximas de 100% e tempos de confirmação de poucos segundos. Além da confirmação da posição, a mensuração subglótica por US mostrou-se superior às fórmulas baseadas em idade na determinação do calibre ideal do tubo, reduzindo trocas e potencialmente o risco de lesão de mucosa.

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    A confirmação rápida e precisa do posicionamento e do calibre do tubo endotraqueal é fundamental na prática pediátrica. Métodos tradicionais, como radiografia e capnografia, apresentam limitações relacionadas ao tempo, à exposição à radiação e à incapacidade de avaliar profundidade ou seletividade. Assim, mapear e sintetizar as evidências sobre o uso da ultrassonografia para confirmar o posicionamento, profundidade e calibre do tubo endotraqueal em populações pediátricas é interessante no atendimento às crianças
  • Perspectiva
    A ultrassonografia à beira do leito é método eficaz, rápido e reprodutível para confirmar o posicionamento e estimar o calibre do tubo endotraqueal em pediatria. Ela pode auxiliar o atendimento; contudo, a implementação em larga escala requer padronização de protocolos e capacitação estruturada.
  • Como citar este artigo
    Farias LGM, Siqueira ACC, Santos KFA, Ribas FM, Serra EE, Robles VD. A ultrassonografia à beira do leito pode tornar a intubação pediátrica mais segura? BioSCIENCE. 2026;84:e00005. https://doi.org/10.55684/2026.84.pt.e00005
  • Financiamento:
    Nenhum
  • Disponibilidade de dados:
    Dados disponíveis junto ao autor correspondente, mediante solicitação fundamentada

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    21 Ago 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    05 Jan 2026
  • Aceito
    18 Fev 2026
  • Publicado
    06 Mar 2026
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