Aspectos da ecologia do mico-estrela (Callithrix penicillata) em cerradão e cerrado denso no Planalto Central brasileiro

Entre março e dezembro de 1996 foi observada a ecologia de três grupos naturais de C. penicillata: em uma mancha de cerradão (na Reserva Ecológica do IBGE, RECOR) e em duas manchas de cerrado denso (uma na Recor e outra no Jardim Botânico de Brasília, JBB), no Distrito Federal. Cada área foi visitada semanalmente, por três períodos bimestrais -- final da estação chuvosa 1 (01/04 a 31/05), estação seca (16/06 a 15/08) e início da estação chuvosa 2 (14/10 a 15/12). Foram feitos registros de varredura instantânea a cada 15 minutos ao longo do dia para as posições vertical e horizontal de todos os animais visíveis do grupo-alvo. O tamanho dos grupos variou entre 4 e 11 membros. Em setembro, ocorreu o nascimento de gêmeos nos dois grupos da RECOR. A área domiciliar esteve entre 8,25 e 18,5 hectares e a densidade, entre 0,40 e 0,82 ind/ha. Foram identificadas 22 espécies arbóreas de 9 famílias como fontes de exsudato, das quais se destacam: Qualea grandiflora (Vochysiaceae), Vochysia thyrsoidea (Vochysiaceae), Scheflera macrocarpum (Araliaceae) e Qualea parviflora (Vochysiaceae). A dieta foi complementada por frutos de 14 espécies, néctar, mel, artrópodos (principalmente ortópteros) e ovos de aves. A principal espécie usada como árvore de pouso foi Emmotum nitens (Icacinaceae). Comparando com os dados desta espécie de primata em matas ciliares, não houve diferença quanto ao tamanho de grupo, já as áreas domiciliares foram maiores e as densidades, menores que as de matas ciliares.

ecologia; cerrado; mico-estrela; Primatas; calitriquídeos


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