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Lipoma intraoral: um caso atípico

RELATO DO CASO

IDoutor em Estomatologia, Professor Adjunto de Estomatologia - UFAL

IIMestre em Cirurgia Buco-Maxilo-Facial, Professora Assistente em Cirurgia Buco-Maxilo-Facial

IIIGraduanda em Odontologia - UFAL, Discente

IVGraduanda em Odontologia - UFAL, Discente

VGraduado em Odontologia, Cirurgião-Dentista

Endereço para correspondência

Palavras-chave: boca, lipoma, neoplasias bucais.

INTRODUÇÃO

O lipoma da cavidade oral é um tumor benigno, composto de tecido adiposo, com origem mesenquimal, de crescimento lento, assintomático¹. Apresenta-se de diversas formas, como base séssil ou pediculada, única ou lobulada, geralmente circundado por uma cápsula fibrosa. Pode apresentar dimensões variáveis, mas na maioria das vezes tem menos de 3cm de tamanho.

Estas lesões apresentam consistência mole, sendo raros os casos de desenvolvimento na boca e, quando encontrados, em 50% dos casos estão presentes na mucosa jugal e no vestíbulo bucal¹.

A etiologia do lipoma permanece incerta, porém possíveis alterações endócrinas, traumatismo e causas hereditárias podem ser considerados como fatores causais por alguns autores¹.

O diagnóstico final é conseguido por meio de biópsia incisional ou excisional. Uma característica importante é que ele tende a flutuar quando colocado na solução de formol a 10%2. O lipoma é tratado pela excisão cirúrgica local conservadora e as recidivas são raras.

O presente trabalho tem como objetivo relatar o caso de um paciente portador de lipoma na cavidade oral de grande dimensão, que foi submetido à biópsia excisional da lesão. O estudo consiste em uma revisão de literatura e relato de caso.

APRESENTAÇÃO DO CASO

Paciente J.B.V, gênero masculino, 58 anos, leucoderma, natural de Maceió, AL, foi encaminhado ao setor de Estomatologia de uma faculdade de odontologia de Alagoas com queixa de um nódulo do lado direito da boca. Durante a anamnese, o paciente relatou que a lesão possuía seis meses de evolução e esta o impossibilitava de adaptar a prótese total inferior, interferindo, portanto, na fala e na mastigação. Não foi relatada sintomatologia dolorosa associada à lesão. Intraoralmente foi observada uma lesão nodular extensa, na região de mucosa jugal, um pouco acima do rebordo alveolar e do forame mentoniano, medindo aproximadamente 5 cm no seu maior diâmetro, de superfície lisa, base séssil, limites nítidos e de coloração semelhante à mucosa circunvizinha. Ao exame radiográfico, não foi identificado comprometimento ósseo. Ante o quadro clínico, optou-se por realizar biópsia excisional; após a remoção (Figura 1), o espécime foi colocado em uma cubeta com formol 10% e notou-se que o material flutuou, sugerindo presença de células adiposas. Em seguida, o material foi encaminhado para exame histopatológico, o qual confirmou a hipótese de lipoma. O paciente encontra-se atualmente em proservação, sem qualquer evidência de recidiva.


DISCUSSÃO

Os lipomas de cavidade oral são tumores benignos, o que se traduz em crescimento lento, ausência de infiltração, dor e ulceração. São relativamente raros na cavidade oral e na região maxilo-facial3,4. Em vista desses critérios, o caso clínico apresentado corresponde ao que é relatado na literatura específica, porém, destoando desta por seu tamanho atípico, medindo 5,0cm.

Conforme a literatura, a distribuição dos lipomas bucais é equilibrada entre os gêneros, apresentando a maioria dos pacientes com idade acima dos 40 anos5. O caso está de acordo com a literatura, já que o paciente é do gênero masculino, com 57 anos de idade.

O diagnóstico é obtido por meio de exame clínico e histopatológico. O diagnóstico diferencial inclui rânulas, cistos epidermoides, adenomas pleomórficos e fibromas1.

O tratamento do lipoma é, independente de variação histológica, exclusivamente cirúrgico3 e foi o método escolhido pelos autores.

COMENTÁRIOS FINAIS

No caso relatado, optou-se por realizar um tratamento conservador, o qual até o momento mostra-se efetivo.

Torna-se importante, então, o correto diagnóstico da lesão por meio de exame físico e o histopatológico para que o prognóstico seja estabelecido. Dessa forma, é de grande valia que o profissional da área de saúde conheça essa patologia para que esta seja tratada de forma adequada.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • 1. Capelari MM, Marzola C, Toledo Filho JL, Azenha MR, Pereira LC, Alonso de Moura L. Extenso lipoma da cavidade bucal, associado ao plexo vásculo-nervoso mentual. Rev ATO. 2008;8(3):155-64.
  • 2. Fregnani ER, Pires FR, Falzoni R, Lopes MA, Vargas PA. Lipomas of the oral cavity: clinical findings, histological classification and proliferative activity of 46 cases. Int J Oral Maxillofac Surg. 2003;32(1):49-53.
  • 3. Aniballi S, Cristalli MP, La Monaca G, Giannone N, Testa NF, Lo Russo L, et al. Lipoma in the soft tissues of the floor of the mouth: A case report. Open Otorhinolaryngol J. 2009;3:11-3.
  • 4. Esmeili T, Lozada-Nur F, Epstein L. Common benign oral soft tissue masses. Dent Clin North Am. 2005;49(1):223-40.
  • 5. Furlong MA, Fanburg-Smith JC, Childers EL. Lipoma of the oral and maxillofacial region: Site and subclassification of 125 cases. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod. 2004;98(4):441-50.
  • Lipoma intraoral: um caso atípico

    Luiz Carlos Oliveira dos SantosI; Stela Maris Wanderley RochaII; Camila Nunes CarvalhoIII; Ericka Porangaba Accioly de OliveiraIV; Davi Felipe Costa NevesV
  • Datas de Publicação

    • Publicação nesta coleção
      17 Out 2011
    • Data do Fascículo
      Out 2011
    Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial. Sede da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial, Av. Indianópolia, 1287, 04063-002 São Paulo/SP Brasil, Tel.: (0xx11) 5053-7500, Fax: (0xx11) 5053-7512 - São Paulo - SP - Brazil
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