Flora de macroalgas de riachos da Bacia Hidrográfica do Rio Parnaíba, Brasil: reduzindo o déficit Wallaceano

Marina Ramos Auricchio Richard Wilander Lambrecht Cleto Kaveski Peres Sobre os autores

Resumo:

A perda de biodiversidade é um consenso. Os déficits de conservação tornam a conservação da diversidade biológica ainda mais desafiadora. Para muitos táxons, o conhecimento sobre suas distribuições é escasso, o que é chamado de Déficit Wallaceano. Essa situação não é diferente quando tratamos da biodiversidade de algas, especialmente no Brasil. Ainda há uma enorme desigualdade no esforço amostral, como é o caso da Bacia Hidrográfica do Rio Parnaíba (região Nordeste), a qual possui apenas 10 espécies de algas (o menor número de espécies de algas dentre as principais bacias brasileiras). O presente trabalho teve como objetivo aumentar o conhecimento da flora algal no Brasil, através da realização de um estudo taxonômico das espécies de macroalgas de riachos da Bacia do Rio Parnaíba. A amostragem das macroalgas foi realizada em 21 segmentos de riachos das Bacias do Médio e Baixo Parnaíba, nos estados do Piauí e Maranhão. As macroalgas foram removidas manualmente e preservadas em formaldeído 4%. Características ambientais de cada segmento foram tomadas com o intuito de descrever a área de estudo. A pesquisa taxonômica das comunidades de macroalgas resultou na identificação de 38 táxons no total, nos quais 32 em nível específico; três grupos vegetativos; dois estágios esporofíticos de algas vermelhas e uma espécie não identificada. Dentre as 38 espécies, 37 delas são novos registros para a Bacia do Rio Parnaíba. Seguindo o mesmo padrão, 23 espécies são novos registros para a região Nordeste, e Microcoleus lacustris representou o primeiro registro para o Brasil. Apesar do fato de permanecer como a bacia brasileira com o menor número de espécies de algas documentadas, este trabalho contribuiu para o aumento de quase cinco vezes o número de espécies amostradas na Bacia do Rio Parnaíba (de apenas 10 para 47 espécies). Estes dados reforçam que as diferenças apresentadas na diversidade algal nas regiões brasileiras estão mais relacionadas com o esforço amostral do que com outros fatores (e.g. características ambientais, distribuição geográfica, biomas, entre outros). Além disso, este trabalho ilustra não só a falta de informação do grupo na região, mas também mostra a importância deste tipo de estudo como ferramenta para expandir o conhecimento sobre a biodiversidade e conservação.

Palavras-chave:
região Nordeste; Piauí; Maranhão; algas filamentosas; taxonomia

Instituto Virtual da Biodiversidade | BIOTA - FAPESP Departamento de Biologia Vegetal - Instituto de Biologia, UNICAMP CP 6109, 13083-970 - Campinas/SP, Tel.: (+55 19) 3521-6166, Fax: (+55 19) 3521-6168 - Campinas - SP - Brazil
E-mail: contato@biotaneotropica.org.br