Contribuição ao conhecimento de Nyctiborinae (Blattellidae) do Brasil, com a descrição de novos táxons

Contribution to our knowledge of Brazilian Nyctiborinae (Blatellidae) with descriptions of new taxa

Sonia Maria Lopes Edivar Heeren de Oliveira Sobre os autores

Resumos

Neste trabalho descreve-se um novo gênero (Eushelfordiella) com uma espécie nova (Eushelfordiella paraense), designada como espécie-tipo, do Estado do Pará, Brasil. Uma nova combinação é proposta, com a transferência de Paratropes amazonensis Rocha e Silva-Albuquerque (1957) para o gênero Eushelfordia Hebard, 1926.

Eushelfordiella; gênero novo; espécie nova; Blattaria; Taxonomia; Pará


In this paper one new genus (Eushelfordiella) with one new species (Eushelfordiella paraense) are described. A designation of the material type from Para State, Brazil is made. A new combination is proposed by transferring Paratropes amazonensis Rocha e Silva-Albuquerque (1957) to Eushelfordia Hebard, 1926.

Eushelfordiella; new genus; new species; Blattaria; Taxonomy; Pará State


ARTIGOS

Contribuição ao conhecimento de Nyctiborinae (Blattellidae) do Brasil, com a descrição de novos táxons

Contribution to our knowledge of Brazilian Nyctiborinae (Blatellidae) with descriptions of new taxa

Sonia Maria Lopes1 1 Autor para correspondência: Sonia Maria Lopes, e-mail: sonialf@acd.ufrj.br ; Edivar Heeren de Oliveira

Departamento de Entomologia, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Quinta da Boa Vista, CEP 20940-040, São Cristóvão, Rio de Janeiro, Brasil

RESUMO

Neste trabalho descreve-se um novo gênero (Eushelfordiella) com uma espécie nova (Eushelfordiella paraense), designada como espécie-tipo, do Estado do Pará, Brasil. Uma nova combinação é proposta, com a transferência de Paratropes amazonensis Rocha e Silva-Albuquerque (1957) para o gênero Eushelfordia Hebard, 1926.

Palavras-chave: Eushelfordiella, gênero novo, espécie nova, Blattaria, Taxonomia, Pará.

ABSTRACT

In this paper one new genus (Eushelfordiella) with one new species (Eushelfordiella paraense) are described. A designation of the material type from Para State, Brazil is made. A new combination is proposed by transferring Paratropes amazonensis Rocha e Silva-Albuquerque (1957) to Eushelfordia Hebard, 1926.

Keywords: Eushelfordiella, new genus, new species, Blattaria, Taxonomy, Pará State.

Introdução

Eushelfordiella gen. nov. foi incluído entre os gêneros que atualmente pertencem a Nyctiborinae com base na disposição dos espinhos nas pernas e a tomentosidade geral do corpo (Burmeister 1838).

Neste trabalho são feitas as descrições de um gênero e uma espécie nova com base em um único exemplar (fêmea) coletado no estado do Pará, sendo esta espécie designada como tipo para o gênero. São apresentadas ilustrações do habitus e detalhes do exemplar descrito.

Material e Métodos

Com objetivo de comparação, foram examinados indivíduos de espécies com atributos similares à espécie aqui descrita. Para isso oito exemplares de Eushelfordia pica (Walker 1868) e três de P-aratropes amazonensis Rocha e Silva-Albuquerque (1957) depositados na coleção de Blattaria do Departamento de Entomologia do Museu Nacional foram examinados.

Resultados

1. Eushelfordiella gen. nov.

Diagnose: Coloração geral de fundo amarela com manchas negras bem definidas dispostas no pronoto, pernas e tégminas mediana e apicalmente. Cabeça com artículos antenais tomentosos, gradativamente dilatados, tornando-se filiformes no ápice. Tórax com pronoto pequeno, elíptico triangulóide, com as abas laterais amplas com contorno arredondado; fêmur anterior na face ântero-ventral com uma série cerrada de espinhos pequenos e ciliformes até o ápice, terminando em um espinho apical desenvolvido; face póstero-ventral com espinhos ciliformes; fêmur II e III com uma série de espinhos ciliformes, sem espinho apical.

Etimologia: O nome do gênero deve-se à similaridade no aspecto geral com Eushelfordia Hebard, 1926.

Espécie-tipo:Eushelfordiella paraense sp. nov.

2. Eushelfordiella paraense sp. nov.

Material examinado: Holótipo fêmea. BRASIL, Pará: Melgaço, Caxiuanã, ECFPn, 14/VII/1995, R. M. Valente col. (copa 15 m de altura).

Coloração geral: Amarelo-brilhante com manchas negras bem evidenciadas (Figuras 1 e 3), com intensa tomentosidade dourada nas áreas claras e castanho-escura em outras áreas em todo o corpo. Cabeça castanho-clara amarelada com palpos negros (Figura 5); antenas com os três artículos imediatamente localizados após a dilatação castanho-claros (Figura 4). Asas bicoloridas. Pernas, com as bases das coxas e dos fêmures, ápice das tíbias e artículos tarsais castanho escuros quase negros. Abdome com área central castanho-escurecida, região apical e látero-basal castanho-amarelada (Figuras 1, 2).


Cabeça: Pequena e triangular, vértice pouco exposto, apresentando cerdas desenvolvidas; espaço interocular amplo medindo três quartos da área que separa as bases das inserções antenais; olhos pequenos e levemente projetados; antenas longas atingindo o ápice do abdome; artículos antenais tomentosos gradativamente dilatados, da base até o terço apical onde diminui abruptamente em direção ao ápice. Palpos maxilares com primeiro, segundo e quarto artículos pequenos; terceiro artículo desenvolvido e quinto artículo maior, bastante dilatado e tomentoso.

Tórax: Pronoto pequeno, elíptico e triangulóide, transverso, medianamente convexo e levemente côncavo médio-lateralmente; ápice com tênue sinuosidade, abas laterais amplas com contorno arredondado e base angular projetada (Figuras 1, 2). Tégminas com intensa tomentosidade, longas e alargadas, ultrapassando em muito o ápice dos cercos. Campo marginal defletido, côncavo, alargado e bem marcado; campo escapular amplo com ramos oblíquos, campo discoidal longitudinal e campo anal bem marcado e levemente convexo. Asas posteriores longas e quando em repouso e em vista dorsal, mostram seu ápice levemente projetado sob as tégminas. Pernas com fêmures desenvolvidos, com espinhos muito finos e ciliformes; tíbias com espinhos fortes. Fêmur anterior apresentando na face ântero-ventral uma série cerrada de espinhos ciliformes até o ápice e um espinho apical grande e desenvolvido; face póstero-ventral com espinhos ciliformes, pouco maiores e pouco mais espaçados que a face ântero-ventral. Fêmures médio e posterior com uma série de espinhos ciliformes, semelhante na ântero e na póstero-ventral, sem espinhos apicais; presença de espinhos geniculares robustos. Tarsos robustos; pulvilos desenvolvidos em todos os quatro artículos tarsais; arólio grande semelhante em tamanho à unha menor; unhas assimétricas e não especializadas.

Abdome: Ápice do abdome com placa supra-anal projetada entre os cercos, com ápice arredondado e com reentrância pouco acentuada; cercos pequenos e de ápice arredondado, ambos bastante tomentosos. Placa subgenital ampla e globosa, com margem apical arredondada.

Dimensões (mm): Holótipo . Comprimento total: 20,0; comprimento do pronoto: 4,0; largura do pronoto: 6,5; comprimento da tégmina: 17,0; largura da tégmina: 6,0.

Etimologia: O nome da espécie deve-se ao local (Estado) de coleta do exemplar.

3. Eushelfordia amazonensis (Rocha e Silva-Albuquerque 1957) n. comb.

Com base na análise do material na coleção de Blattaria do Museu Nacional e em Rocha e Silva-Albuquerque (1957), o estudo comparativo realizado demonstrou que a espécie P. amazonensis se encontra incorretamente classificada no gênero Paratropes. Sendo assim, nesse trabalho P. amazonensis (Figura 6) é transferida à E-ushelfordia, ressaltando os seguintes caracteres: (1) na coloração do exemplar e (2) na configuração do fêmur anterior que apresenta na face póstero-ventral ausência de espinhos pré-apicais e apical; fêmur médio na face póstero-ventral com um espinho na região mediana, fêmur posterior, na face póstero-ventral com dois espinhos na região mediana.


Paratropes Serville, 1839 apresenta a configuração dos espinhos nas pernas diferenciada: (1) a face póstero-ventral do fêmur anterior apresenta três espinhos na metade apical e um espinho apical, (2) o fêmur médio apresenta dois espinhos no terço mediano e (3) o fêmur posterior possui três cerdas na metade apical e um espinho apical.

Referências Bibliográficas

BURMEISTER, H., 1838. Blattina, In: Handbuch der Entomologie, I.C.F. Enslin. 2(2):469-517.

ROCHA E SILVA-ALBUQUERQUE, I., 1957. Sobre o gênero Paratropes Serv., 1839, com descrição de uma espécie nova. Bol. Mus. Nac., Zool. 150: 1-14.

Recebido em 31/03/06

Versão reformulada recebida 20/11/06

Publicado em 01/01/07

ISSN 1676-0603

  • 1
    Autor para correspondência: Sonia Maria Lopes, e-mail:
    • BURMEISTER, H., 1838. Blattina, In: Handbuch der Entomologie, I.C.F.
    • Enslin. 2(2):469-517.
    • ROCHA E SILVA-ALBUQUERQUE, I., 1957. Sobre o gênero Paratropes Serv., 1839, com descrição de uma espécie nova. Bol. Mus. Nac., Zool. 150: 1-14.

    1 Autor para correspondência: Sonia Maria Lopes, e-mail: sonialf@acd.ufrj.br

    Datas de Publicação

    • Publicação nesta coleção
      21 Ago 2007
    • Data do Fascículo
      2007

    Histórico

    • Aceito
      01 Jan 2007
    • Recebido
      31 Mar 2006
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