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Padrões de malária aviária em região tropical e temperada: testando a "hipótese da liberação do inimigo"

Resumo:

De acordo com a hipótese da liberação do inimigo (HLI), a disseminação de espécies invasoras será facilitada pela liberação de seus inimigos ao ocuparem novas áreas. No entanto, a HLI raramente é testada comparando-se as populações de espécies nativas (não invasivas, estabelecidas há muito tempo) que apresentam expansão ou alteração de habitats, com populações das mesmas espécies em habitats que foram invadidos. Testamos a HLI com relação aos níveis de parasitas no sangue (prevalência e intensidade de Plasmodium spp. e Haemoproteus spp.). De (a) duas espécies estreitamente relacionadas e amplamente distribuídas de Turdus (Turdus leucomelas e T. merula), e (b) um pardal invasor (Passer domesticus) cujo alcance se expandiu do Velho Mundo para o Novo Mundo desde o século 18. Um total de 158 aves foram amostradas em Portugal e 99 no Brasil. Todas as espécies foram parasitadas e 55% dos indivíduos foram parasitados, sendo que a intensidade média da infecção foi de 28 parasitas por 10.000 eritrócitos. Avaliamos se as diferenças nos níveis de infecção (prevalência e intensidade) foram devidas ao local (tropical/Novo Mundo e temperado/Velho Mundo) ou espécies hospedeiras. A HLI foi corroborada: Passer domesticus e Turdus merula apresentaram valores mais elevados de parasitismo no Velho Mundo do que no Novo Mundo. Assim, P. domesticus parece estar se beneficiando de sua expansão "recente" em comparação com T. leucomelas, através da liberação ecológica de seus parasitas nativos porque os parasitas da área recentemente invadida parecem infestar espécies nativas.

Palavras-chave:
Portugal; Brasil; Turdus; pardal; ave invasora; expansão de habitat

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