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Valores energéticos e coeficientes de metabolizabilidade de grãos de milho com diferentes densidades específicas

Resumo

Objetivou-se avaliar a influência da densidade do grão de milho sobre características físico-químicas, valores energéticos e de metabolizabilidade aparente. Avaliou-se a correlação entre a densidade específica (kg/m3) e os parâmetros: proteína bruta (%); extrato etéreo (%); fibra bruta (%); energia bruta (%); presença de fumonisinas (ppb) e aflatoxinas (ppb); umidade (%); grãos bons, quebrados, chochos, carunchados e ardidos, em Percentagem. Um ensaio de metabolismo com dietas contendo diferentes densidades específicas do grão de milho, para frango de corte, no período de 14 a 21 dias de idade, foi conduzido para avaliar a energia metabolizável aparente (EMA) e a corrigida pelo balanço de nitrogênio (EMAn), os coeficientes de metabolizabilidade: matéria seca (CM_MS), proteína bruta (CM_PB), extrato etéreo (CM_EE), cálcio (CM_Ca) e fósforo (CM_P). O experimento foi composto por cinco tratamentos (dieta referência e dietas substituindo 40% desta com milhos de densidades específicas: 740 kg/m3, 760 kg/m3, 780 kg/m3 e 800 kg/m3), com oito repetições, totalizando 400 frangos machos. As médias foram comparadas pelo teste de Scott-knott e estimada as equações de regressão nas diferentes densidades específicas das frações de milho. As correlações entre a densidade específica e grãos bons e quebrados foram de moderada magnitude e com os parâmetros químicos foram de baixa magnitude. Com o aumento da densidade específica para EMA e EMAn na matéria natural obteve-se resposta linear decrescente, enquanto na matéria seca, foi quadrático. Para CMMS, CMPB, CMCA e CMP a densidade de 780 kg/m3 apresentou os menores valores, enquanto para CMEE, o menor valor foi para a menor densidade específica. Não foi possível determinar a fração de milho com melhor composição nutricional e melhores coeficientes de metabolizabilidade.

Palavras-chave:
análise bromatológica; correlação; energia metabolizável aparente; regressão

Abstract

The aim of this study was to examine the influence of the specific gravity of maize kernels on physicochemical traits, energy values, and metabolizability coefficients. Pearson’s correlations were evaluated between specific gravity (kg/m3) and crude protein (%); ether extract (%); crude fiber (%); gross energy (%); presence of fumonisins (ppb) and aflatoxins (ppb); and kernel quality (good, rotten, weevil-damaged, broken, and shriveled kernels, %). A metabolism trial was conducted with diets containing maize fractions of different specific gravities for male broilers from 14 to 21 days of age. Apparent metabolizable energy (AME), nitrogen-corrected AME (AMEn), and the metabolizability coefficients of dry matter (MCDM), crude protein (MCCP), ether extract (MCEE), calcium (MCCa), and phosphorus (MCP) were evaluated. The experiment consisted of five treatments (reference diet and diets with 40% replaced with maize at five specific gravities (740, 740, 760, or 800 kg/m3). Eight replications were used, totaling 400 broilers chickens. The Scott-Knott test was applied and regression equations were fitted to compare the treatments. Specific gravity had moderate correlations with good and broken kernels and low-magnitude correlations with chemical parameters. Increasing specific gravities caused AME and AMEn to increase linearly when analyzed on an as-is basis; and to respond quadratically when expressed on a dry-matter basis. The specific gravity of 780 kg/m3 provided the lowest MCDM, MCCP, MCCa, and MCP values, whereas the lowest MCEE, was found at the lowest density. It was not possible to determine the best nutritional composition or the best metabolizability coefficients.

Keywords:
apparent metabolizable energy; chemical analysis; correlation; regression

1. Introdução

O milho é o cereal mais produzido no mundo e participa em grande potencial nas rações animais na maioria dos países, podendo representar entre 50 a 80% da composição alimentar das rações animais. Nutricionalmente, o milho fornece, em média, 65% da energia metabolizável e 20% da proteína nas dietas de frango de corte(11 Cowieson AJ. Factors that affect the nutritional value of maize for broilers. Animal Feed Science Technology. 2005; 119:293–305. https://doi.org/10.1016/j.anifeedsci.2004.12.017
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). Dada a importância deste grão nos diversos sistemas de produção animal, a qualidade do milho deve ser conhecida e definida pelas indústrias de acordo com a finalidade de sua utilização(22 Ascheri JLR, Germani R. Protocolo de qualidade do milho. [Internet]. 1st ed. Rio de Janeiro: EMBRAPA; 2004 [cited 2021 Nov 22]. Available from: http://www.ctaa.embrapa.br
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). Existe grande variabilidade de fatores que afetam a qualidade do milho, que pode variar conforme a cultivar do milho, além das diversas condições climáticas, de fertilidade do solo e dos processos envolvidos, desde o plantio até a colheita, transporte e armazenamento(22 Ascheri JLR, Germani R. Protocolo de qualidade do milho. [Internet]. 1st ed. Rio de Janeiro: EMBRAPA; 2004 [cited 2021 Nov 22]. Available from: http://www.ctaa.embrapa.br
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,33 Carvalho DCDO, Albino LFT, Rostagno HS, Oliveira JE de, Vargas JG de, Toledo RS, Costa CHR, Freitas SR, Pinheiro, SRF, Souza RM. Composição química e energética de amostras de milho submetidas a diferentes temperaturas de secagem e períodos de armazenamento. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2004 [cited 2021 Nov 22]; 33:358–64. Available from: https://doi.org/10.1590/S1516-35982004000200012
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). A qualidade do grão de milho pode ser avaliada considerando suas características físicas, químicas e nutricionais. Em termos produtivos, a qualidade dos grãos está relacionada à sua integridade, como a presença de trincas, fissuras impurezas, micotoxinas, além dos teores de umidade, grãos ardidos e a densidade específica(22 Ascheri JLR, Germani R. Protocolo de qualidade do milho. [Internet]. 1st ed. Rio de Janeiro: EMBRAPA; 2004 [cited 2021 Nov 22]. Available from: http://www.ctaa.embrapa.br
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). Estas variáveis podem implicar em alterações nas características nutricionais, e energéticas as quais impactam na formulação da dieta e consequentemente nos custos de produção, como por exemplo, das rações para frangos de corte(44 Rodrigues SIFC, Stringhini JH, Ribeiro AML, Pontalti GC, McManus CM. Quality Assessment of Corn Batches Received at a Feed Mill in the Brazilian Cerrado. Brazilian Journal of Poultry Science [Internet]. 2014 [cited 2021 Nov 22]; 16:233– 40. Available from: https://doi.org/10.1590/1516635x1603233-240
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).

Os valores nutricionais e energéticos dos alimentos podem ser mensurados por métodos diretos e indiretos. Nos métodos diretos são analisadas em laboratório a composição química, com relação ao conteúdo de proteína, de extrato etéreo e de fibra bruta, bem como a presença de contaminantes, como as micotoxina podendo ser determinado por métodos tradicionais por via úmida ou por meio da utilização da espectrometria próxima ao infravermelho (NIRS). Pode ocorrer também a avaliação in vivo, por meio de ensaios de metabolismo com animais, pelo qual consegue mensurar a digestibilidade dos alimentos. Estes métodos são precisos, mas demandam tempo e custo de análise(55 Rostagno HS, Bünzen S, Sakomura NK, Luiz E, Albino FT. Avanços metodológicos na avaliação de alimentose de exigências nutricionais para aves e suínos. Revista Brasileira Zootecnia [Internet]. 2007 [cited 2022 Jun 5]; 36:295–304. Available from: https://doi.org/10.1590/S1516-35982007001000027.
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,66 Sakomura NK, Rostagno HS. Métodos de Pesquisa em Nutrição de Monogástricos - 2 Edição. 1st ed. FUNEP; 2016. 262.). Já os métodos indiretos utilizam os valores disponíveis em tabelas de composição dos alimentos, como no caso das Tabelas Brasileiras para Aves e Suínos(77 Rostagno H S, Albino LFT, Donzele JL, Gomes PC, Oliveira RF, Lopes DC, Ferreira AS, Barreto SLT. Tabelas brasileiras para aves e suínos: composição de alimentos e exigências nutricionais de aves e suínos. 2ª edição, Viçosa, MG: UFV, 186 p., 2005.). Com base nestes valores, pode-se melhorar a eficiência nas formulações de rações. No entanto, apesar das atualizações, sabe-se que a composição química e energética de um mesmo ingrediente sofre variações em decorrência de diversos fatores, ligados ao plantio e especialmente em decorrência da seleção e desenvolvimento de novas variedades de milho. Em outros métodos indiretos, pode-se destacar as equações de predição de valores nutricionais e energéticos dos ingredientes(77 Rostagno H S, Albino LFT, Donzele JL, Gomes PC, Oliveira RF, Lopes DC, Ferreira AS, Barreto SLT. Tabelas brasileiras para aves e suínos: composição de alimentos e exigências nutricionais de aves e suínos. 2ª edição, Viçosa, MG: UFV, 186 p., 2005.,88 Rodrigues SIFC, Stringhini JH, Tanure CB, Peripolli V, Seixas L, McManus C. Prediction of apparent metabolizable energy and metabolizable energy corrected for nitrogen of corn according to physical classification of the grain. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2018 [cited 2022 Jun 5];47. Available from: https://doi.org/10.1590/rbz4720170153
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), em que os valores são estimados, auxiliando na precisão das formulações de rações. Estas equações consideram principalmente as características de qualidade físicas e químicas dos grãos, sendo uma importante ferramenta prática para as correções das matrizes nutricionais dos ingredientes utilizados localmente nas fábricas de rações(99 Barbarino Junior P. Avaliação da qualidade nutricional do milho pela utilização de técnicas de análise uni e multivariadas [Internet]. 2001 [cited 2021 Nov 22]. Available from: https://www.locus.ufv.br/bitstream/123456789/11379/1/texto%20-completo.PDF
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).

Uma vez que, na rotina das fábricas de ração, as cargas de milho são recebidas e classificadas primordialmente pelo aspecto visual, visando a avaliação da integridade física do grão e pela medida da densidade, que pode ser realizada pelo peso específico aparente ou pelo peso hectolítrico(1010 Silva CS, Couto HP, Ferreira RA, Fonseca JB, Gomes AV da C, Soares RTRN. Valores nutricionais de milhos de diferentes qualidades para frangos de corte. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2008 [cited 2022 Jun 5]; 37:883–9. Available from: https://doi.org/10.1590/S1516-35982008000500016
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). A densidade pode ser influenciada por fatores como época de plantio, incidência de luz solar ou sombreamento excessivo, temperatura, densidade de plantio, época de colheita, transporte, secagem e armazenamento(1111 Mazzuco H, Lorini I, Rabenschlag De Brum PA, Zanotto DL, Barioni W, de Avila VS. Composição química e energética do milho com diversos níveis de umidade na colheita e diferentes temperaturas de secagem para frangos de corte. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2002 [cited 2021 Nov 22]; 31:2216–20. Available from: https://doi.org/10.1590/S151635982002000900009
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,1212 Pereira CE, Tyska D, Martins AC, Butzen FM, Mallmann AO, Mallmann CA. Peso específico do milho e sua relação com ergosterol, micotoxinas e energia. Revista Ciências da Vida. 2008; 28:186–8.) Diversos autores têm buscado melhor compreender a influência da densidade dos grãos em relação ao seu teor energético e nutricional(88 Rodrigues SIFC, Stringhini JH, Tanure CB, Peripolli V, Seixas L, McManus C. Prediction of apparent metabolizable energy and metabolizable energy corrected for nitrogen of corn according to physical classification of the grain. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2018 [cited 2022 Jun 5];47. Available from: https://doi.org/10.1590/rbz4720170153
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,1010 Silva CS, Couto HP, Ferreira RA, Fonseca JB, Gomes AV da C, Soares RTRN. Valores nutricionais de milhos de diferentes qualidades para frangos de corte. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2008 [cited 2022 Jun 5]; 37:883–9. Available from: https://doi.org/10.1590/S1516-35982008000500016
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,1313 Corte Real GSCP, Couto HP, Matos MB, Lyra MS, Gomes AVC, Ferreira SRR. Valores nutricionais do milho de diferentes qualidades para frangas de reposição na fase de recria. Arquivo Brasileiro Medicina Veterinária e Zootecnia [Internet]. 2014 [cited 2022 Jun 5];; 66:546–54. Available from: https://doi.org/10.1590/1678-41625929
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,1414 Silva CS, Fernando J, Menten M, Traldi AB, Santarosa J, Watanabe P, et al. Avaliação de milhos de diferentes densidades para frangos de corte. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2011 [cited 2022 Jun 5]; 40:1554–61. Available from: https://doi.org/10.1590/S1516-35982011000700022
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) As variações na composição nutricional dos grãos podem impactar o potencial de produção dos frangos, como por exemplo, nos índices de conversão alimentar(1515 Gehring CK, Bedford MR, Cowieson AJ, Dozier WA. Effects of corn source on the relationship between in vitro assays and ileal nutrient digestibility. Poultry Science [Internet]. 2012 [cited 2022 Jun 5]; 91:1908–14. https://doi.org/10.3382/ps.2012-02175
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). As metodologias de classificação são baseadas em aspectos físicos do milho, e que não relacionam a composição química e a digestibilidade do alimento(11 Cowieson AJ. Factors that affect the nutritional value of maize for broilers. Animal Feed Science Technology. 2005; 119:293–305. https://doi.org/10.1016/j.anifeedsci.2004.12.017
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). Assim, a avaliação da correlação entre as variáveis químicas e físicas do milho permite mensurar o impacto nutricional dessas medidas, tornando o trabalho dos nutricionistas e gerentes de fábrica de ração mais eficiente.

Com base nessas premissas, objetivou-se com o presente trabalho, correlacionar as variáveis físicas e químicas do milho e assim, avaliar a influência da densidade de diferentes frações de milho, em rações de frango de corte, sobre os valores de energia metabolizável aparente (EMA), energia metabolizável aparente corrigida pelo balanço de nitrogênio (EMAn), e os coeficientes de metabolizabilidade: de matéria seca (CM_MS), da proteína bruta (CM_PB), do Extrato Etéreo (CM_EE), do Cálcio (CM_Ca) e do Fósforo (CM_P).

2. Material e métodos

O ensaio de metabolismo foi conduzido nas instalações do aviário experimental da Escola de Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal de Goiás – UFG, Campus Samambaia. O projeto de pesquisa foi aprovado pela Comissão de Ética no Uso de Animais (CEUA) da Universidade Federal de Goiás (protocolo Nº 019/16). As amostras de milho foram coletadas em empresa comercial, localizada no Sudeste do estado de Goiás, por três anos, na época da colheita e no período de entressafra. A amostragem foi realizada de acordo com a Instrução Normativa n. 60, de 22 de dezembro de 2011(1616 Brasil. Instrução normativa no 61, de 22 de dezembro de 2011 [Internet]. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. 2011 [cited 2021 Nov 22]. Available from: http://www.cidasc.sc.gov.br/classificacao/files/2012/08/INM00000061-1.pdf
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).

As características físicas dos grãos avaliadas foram: teor de umidade (UMD), porcentagens de grãos bons (BOM), de grãos ardidos (ARD), de grãos carunchados (CAR), de grãos chochos (CHO), de grãos quebrados (QUE), impurezas (IMP) e a densidade específica (DEN), em kg/m3. As características químicas foram: Extrato Etéreo (EE), Proteína Bruta (PB), Fibra Bruta (FB) e o grau de contaminação por Aflatoxina (AFLA) e Fumonisina (FUMO), ambas em partes por bilhão (ppb).

A partir dos dados obtidos foram realizadas as análises de consistências dos dados obtidos, com a remoção de valores inferiores e superiores a três desvios padrões da média. A seguir, foram realizadas análises de correlação de Pearson entre as variáveis físicas e químicas dos grãos de milho para verificar o grau de relacionamento destas variáveis. A classificação dos coeficientes de correlação foi dividida em: perfeita (r=1), alta (r>0,75 e <0,99), moderada (r>0,5 e <0,74), baixa (r<0,5) e inexistente (r=0). O nível de significância (valor de p) foi considerado como alto para valores de p<0,01, moderada com valores de p<0,05 e sem significância as correlações com valores de p>0,05.

As amostras de milho foram cedidas por uma empresa fabricante de ração localizada no estado de Goiás. As amostragens foram obtidas a partir das coletas de rotina realizadas a cada carga a granel recebida, conforme regulamentação em vigor(1616 Brasil. Instrução normativa no 61, de 22 de dezembro de 2011 [Internet]. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. 2011 [cited 2021 Nov 22]. Available from: http://www.cidasc.sc.gov.br/classificacao/files/2012/08/INM00000061-1.pdf
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), sendo estas amostras classificadas manualmente em quatro tipos, baseando-se pela densidade específica dos grãos de milho (740, 760, 780 e 800 kg/m3), sendo estas frações dos grãos caracterizando os tratamentos.

Primeiramente, foram realizadas análises químicas para determinar os valores de proteína bruta (PB), extrato etéreo (EE), fibra bruta (FB) e presença de micotoxinas como fumonisinas (ppb) e aflatoxinas (ppb) e as análises físicas: densidade (kg/m3), umidade dos grãos, percentagem de grãos quebrados, percentagem de grãos carunchados, percentagem de grãos ardidos, percentagem de grãos chochos e percentagem de grãos bons.

Após realização de análises químicas e físicas, as amostras foram classificadas e separadas, conforme a sua densidade específica (kg/m3), em quatro frações de milho: 740 kg/ m3; 760 kg/ m3; 780 kg/ m3; e 800 kg/m3 e foram armazenadas para serem posteriormente utilizada na produção das rações testes do ensaio de metabolismo, sendo novamente realizadas as análises químicas e físicas dos grãos. As análises de energia bruta das frações de milho utilizadas nas rações testes foram analisadas por meio de bomba calorimétrica padrão, do laboratório de Nutrição Animal, do Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal de Goiás.

O experimento foi composto por cinco tratamentos e oito repetições, utilizando 400 frangos de corte, machos, da linhagem Cobb 500®, com 14 dias de idade, com média de peso vivo inicial esperado de 459 g. Foram considerados três dias de adaptação das aves às dietas e quatro dias de coleta total de excretas, totalizando sete dias de experimento. Os tratamentos avaliados foram originados pelas substituições de 40% da ração-referência (Tabela 1) pelas frações especificadas do milho, conforme metodologia padrão(1717 Matterson LD, Potter LM, Stutz MW, Singsen EP. The metabolizable energy of feed ingredients for chickens Hartford, CT: Agricultural Experiment Station, The University of Connecticut Storrs. 1965. 11 p. [cited 2021 Nov 22]. Available from: https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwiyh8TeLX-AhV6rpUCHWhRC-QQFnoECA8QAQ&url=https%3A%2F%2Fwww.uel.br%2Frevistas%2Fuel%2Findex.php%2Fsemagrarias%2Farticle%2Fdownload%2F36543%2F26872&usg=AOvVaw0b8cv8lV3Eb9jI5SHAjOue
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), constituindo os seguintes tratamentos:

Tabela 1
Dieta referência utilizada no experimento de metabolismo
  • T1 = Dieta referência

  • T2 = 60% dieta referência + 40% de milho densidade 740 kg/m3.

  • T3 = 60% dieta referência + 40% de milho densidade 760 kg/m3.

  • T4 = 60% dieta referência + 40% de milho densidade 780 kg/m3.

  • T5 = 60% dieta referência + 40% de milho densidade 800 kg/m3.

O ensaio de metabolismo foi realizado em baterias localizadas no aviário experimental do Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária e Zootecnia, da Universidade Federal de Goiás. Primeiramente, os pintos foram alojados ao 1 dia de idade, com peso médio de 40 g, em bateria, recebendo dieta comercial padrão para frangos de corte. Aos 14 dias, com o início do ensaio de metabolismo, as aves foram distribuídas em delineamento inteiramente casualizado, em baterias com quatro andares, contendo cinco gaiolas por fileira e oito animais por unidade experimental (gaiola).

Para determinação dos valores de Energia Metabolizável Aparente e Energia Metabolizável Aparente corrigida pelo Balanço de nitrogênio (EMAn) foi utilizado o método de coleta total de excretas(66 Sakomura NK, Rostagno HS. Métodos de Pesquisa em Nutrição de Monogástricos - 2 Edição. 1st ed. FUNEP; 2016. 262.) e os valores de energia metabolizável dos ingredientes foram obtidos utilizando a fórmula e equações-padrão(1717 Matterson LD, Potter LM, Stutz MW, Singsen EP. The metabolizable energy of feed ingredients for chickens Hartford, CT: Agricultural Experiment Station, The University of Connecticut Storrs. 1965. 11 p. [cited 2021 Nov 22]. Available from: https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwiyh8TeLX-AhV6rpUCHWhRC-QQFnoECA8QAQ&url=https%3A%2F%2Fwww.uel.br%2Frevistas%2Fuel%2Findex.php%2Fsemagrarias%2Farticle%2Fdownload%2F36543%2F26872&usg=AOvVaw0b8cv8lV3Eb9jI5SHAjOue
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), ajustadas com base na retenção de nitrogênio. As coletas de excretas foram realizadas duas vezes ao dia, as 8:00 e as 16:00 horas, em que foram pesadas e armazenadas em embalagens plásticas, mantidas sob refrigeração (-5°C) em todo o período experimental. As rações fornecidas as aves, assim como as suas respectivas sobras, foram pesadas e registradas por gaiola, no início e no final do período experimental.

Ao final das coletas, as amostras foram descongeladas, pesadas e homogeneizadas, sendo retiradas alíquotas referentes a cada unidade experimental e submetidas à pré-secagem em estufa de ventilação forçada, à 55°C por 72 horas. Após a secagem, as amostras individuais foram pesadas e moídas em moinho “tipo martelo”, com peneiras de 1 mm, para determinação da matéria seca (MS) à 55°C, e divididas três alíquotas para cada unidade experimental.

As análises de Energia Bruta (EB) das amostras de excretas pré-secadas e de ração foram realizadas por meio de bomba calorimétrica adiabática tipo Parr, no Laboratório de Nutrição Animal do Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal de Goiás. As amostras de excretas e ração foram analisadas para níveis de Nitrogênio, Extrato Etéreo, Fibra Bruta, Cálcio, Fósforo e Matéria Seca à 105°C, de acordo com metodologia descrita por Silva e Queiroz(1818 Silva DJ, Queiros AC. Análises de alimentos: Métodos químicos e biológicos.. 3rd ed. Viçosa: Editora UFV; 2006. 235 p.), no Laboratório Especializado de Nutrição Animal, da empesa Nutron Alimentos (LABTRON,) localizado em Campinas, SP.

A partir dos resultados laboratoriais obtidos, foram calculados os valores de energia metabolizável aparente na matéria natural e seca (EMAMS e EMAJVIN, respectivamente) e a energia metabolizável aparente corrigida pelo balanço de nitrogênio, na matéria natural e seca (EMAn_JVIN e EMAn_MS, respectivamente), conforme as equações(1717 Matterson LD, Potter LM, Stutz MW, Singsen EP. The metabolizable energy of feed ingredients for chickens Hartford, CT: Agricultural Experiment Station, The University of Connecticut Storrs. 1965. 11 p. [cited 2021 Nov 22]. Available from: https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwiyh8TeLX-AhV6rpUCHWhRC-QQFnoECA8QAQ&url=https%3A%2F%2Fwww.uel.br%2Frevistas%2Fuel%2Findex.php%2Fsemagrarias%2Farticle%2Fdownload%2F36543%2F26872&usg=AOvVaw0b8cv8lV3Eb9jI5SHAjOue
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):

(Eq. 1) EMA da ( RT ) ou ( RR ) ( kcal/kg MC ) = ( EB ing EB exc ) / MS ing

(Eq. 2) EMA ( M ) ( kcal/kg MC ) = EMA RR + ( EMA RT EMA RR ) / ( % de inclusão M / 100 )

(Eq. 3) EMAn da ( RT ) ou ( RR ) ( kcal/kg MC ) = ( EB ing EB exc ) ± 8 , 22 * BN/MS ing

(Eq. 4) EMAn do ingrediente teste ( M ) ( kcal/kg MC ) = ( EMAn RR + ( EMAn RT EMAn RR ) / ( % de inclusão do M / 100 )

Em que:

EB ing = Ennergia Bruta ingerida

EB exc = Energia Bruta excretada

MS ing = Matéria Seca ingerida

BN = Balanço de nitrogênio (N ingerido – N excretado)

M = Milho

RT = Ração teste

RR = Ração referência

Os coeficientes de metabolizabilidade aparente da matéria seca (CM_MS), coeficiente de metabolizabilidade da proteína bruta (CM_PB), coeficiente de metabolizabilidade do Extrato Etéreo (CM_EE), coeficiente de metabolizabilidade do Cálcio (CM_Ca) e coeficiente de metabolizabilidade do Fósforo (CM_P) foram obtidos pelo cálculo: CM_(MS) (%) = (Consumo (MS) – Excreta (MS)) / (Consumo de (MS)), em que CM (MS): coeficiente de metabolizabilidade da matéria seca. A mesma fórmula foi utilizada para se obter os demais valores de coeficiente de metabolizabilidade, substituindo apenas a variável matéria seca, pelas variáveis como proteína bruta, extrato etéreo, cálcio e fósforo.

As análises de correlação de Pearson foram realizadas entre os parâmetros físicos e químicos de qualidade dos grãos de milho. Para comparar os tratamentos, com base na densidade específica, foi realizado a análise de variância, e as médias comparadas pelo teste de Scott-Knott e estimada os valores da regressão dos milhos separados na diferentes categorias de densidade, e os gráficos, no caso da regressão ser significativa, para as variáveis energia metabolizável aparente, energia metabolizável aparente corrigida pelo balanço de nitrogênio, expressos tanto na base da matéria seca como da matéria natural, e os coeficientes de metabolizabilidade aparente da matéria seca, extrato etéreo, cálcio e fósforo. Todas as análises estatísticas foram realizadas no software estatístico R(1919 R Core Team. R:Alanguage and environment for statistical computing. Viena: R Foundation for Statistical Computing; 2013.).

3. Resultados e discussão

Para as características físicas e químicas dos grãos, presentes na Tabela 2, observou-se que as amostras coletadas estão dentro do padrão de qualidade estabelecido pela Normativa 61(1616 Brasil. Instrução normativa no 61, de 22 de dezembro de 2011 [Internet]. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. 2011 [cited 2021 Nov 22]. Available from: http://www.cidasc.sc.gov.br/classificacao/files/2012/08/INM00000061-1.pdf
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) tanto para umidade, abaixo de 14 %, quanto para integridade dos grãos, sendo classificado de um modo geral como Tipo 1.

Tabela 2
Valores de média, mínimo, máximo e desvio padrão das variáveis físico-químicas das amostras de grãos de milho utilizadas para a análise de correlação

Ao avaliar a correlação para os parâmetros estudados (Tabela 3), observa-se que, de modo geral, as correlações obtidas entre as características físicas e químicas foram de baixa magnitude (0,19 a 0,4) ou não significativas. Desta forma, é de suma importância avaliar tanto a qualidade física, quanto química dos grãos de milho, a cada carga recebida.

Tabela 3
Correlação de Pearson entre as variáveis físicas e químicas dos grãos de milho

A maior correlação obtida foi para as variáveis de grãos carunchados e presença de fumonisina, com correlação positiva, de 0,81 (P<0,01), mostrando piora na qualidade com aumento da quantidade de carunchos no milho. Ao avaliar a qualidade de híbridos de milho para frangos, Mailmann et al.(2020 Mallmann AO, Dilkin P, Vidal JK, Meinerz GR, Oliveira MS, Mallmann CA. Influência da qualidade micotoxicológica e nutricional de híbridos de milho no custo da ração de frangos de corte. Arquivo Brasileiro Medicina Veterinária e Zootecnia [Internet]. 2019 [cited 2021 Nov 22];1659–68. Available from: http://dx.doi.org/10.1590/1678-4162-10675
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) encontraram correlação entre grãos avariados e micotoxinas de fraca magnitude. A importância de avaliar as micotoxinas, além da ação de toxicidade em aves que podem resultar em acometimento de lesões hepáticas e no aparelho locomotor das aves(2121 Stringhini JH, Mogyca NS, Andrade MA, Fleury Orsine G, Café MB, Borges SA. Efeito da qualidade do milho no desempenho de frangos de corte. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2000 [cited 2021 Nov 22];29:191–8. Available from: https://doi.org/10.1590/S1516-35982000000100026
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), está no direcionamento da ração produzida conforme a intensidade da presença de Aflatoxina e Fumonisina, com a necessidade da inclusão de aditivos adsorventes, impactando no custo da ração2020 Mallmann AO, Dilkin P, Vidal JK, Meinerz GR, Oliveira MS, Mallmann CA. Influência da qualidade micotoxicológica e nutricional de híbridos de milho no custo da ração de frangos de corte. Arquivo Brasileiro Medicina Veterinária e Zootecnia [Internet]. 2019 [cited 2021 Nov 22];1659–68. Available from: http://dx.doi.org/10.1590/1678-4162-10675
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.

A presença de fumonisinas pode afetar moderadamente a quantidade de proteína bruta (r= 0,63; p<00,l) e a densidade do grão (r=0,43; p<00,l) resultado da perda de peso e redução da proporção peso/volume, com consequente aumento do teor proteico dos grãos de milho(2222 Lopes DC., Fontes RA, Donzele JL, Alvarenga JC. Perda de peso e mudanças na composição química do milho (Zea Mays, L.) devido ao carunchamento. Revista da Sociedade Brasileira de Zootecnia. 1988;17:367–71.). A presença de Aflatoxinas (ppb) obteve baixas correlações (p< 0,01) com densidade (0,28) e umidade (-0,30). No trabalho de HESS et al.(2323 Hess JB, Moran ET, Mask PL, Shelby RA, Giesen AF, Dale NM. Nutrient density and mycotoxin contamination in corn screenings of different bushel weights. Journal of Applied Poultry Research [Internet]. 1999 [cited 2021 Nov 22];8:288–91. Available from: https://doi.org/10.1093/japr/8.3.288
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), os autores também verificaram que os grãos inteiros ou quebrados de mais baixa densidade impactaram no valor nutricional e energético dos ingredientes. Os autores reiteraram que 74% das amostras foram positivas para Fumonisinas, o que mostra o potencial de prejuízo que pode estar associado a grãos de baixa qualidade.

A variáveis densidade e umidade apresentaram correlação antagônica, de alta magnitude (r= -0,76, p<0,01). Stringhini et al.(1919 R Core Team. R:Alanguage and environment for statistical computing. Viena: R Foundation for Statistical Computing; 2013.) e Lopes et al.(2020 Mallmann AO, Dilkin P, Vidal JK, Meinerz GR, Oliveira MS, Mallmann CA. Influência da qualidade micotoxicológica e nutricional de híbridos de milho no custo da ração de frangos de corte. Arquivo Brasileiro Medicina Veterinária e Zootecnia [Internet]. 2019 [cited 2021 Nov 22];1659–68. Available from: http://dx.doi.org/10.1590/1678-4162-10675
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) verificaram que para cargas com armazenamento superior a 60 dias, aliado a alta temperatura e umidade relativa do ar, pode ocorrer a proliferação de fungos, consumo de nutrientes na massa de grãos e consequente redução na sua densidade.

Correlacionando-se a densidade com as características físicas também se obteve correlações baixas com os grãos bons e grãos quebrados, de 0,33, -0,41, respectivamente (p<0,01). De modo geral, grãos com maior densidade específica apresentam melhor qualidade(1010 Silva CS, Couto HP, Ferreira RA, Fonseca JB, Gomes AV da C, Soares RTRN. Valores nutricionais de milhos de diferentes qualidades para frangos de corte. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2008 [cited 2022 Jun 5]; 37:883–9. Available from: https://doi.org/10.1590/S1516-35982008000500016
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). A correlação de densidade com a variável extrato etéreo foi baixa e negativa (-0,15) o que está similar ao reportado por Silva et al.(1414 Silva CS, Fernando J, Menten M, Traldi AB, Santarosa J, Watanabe P, et al. Avaliação de milhos de diferentes densidades para frangos de corte. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2011 [cited 2022 Jun 5]; 40:1554–61. Available from: https://doi.org/10.1590/S1516-35982011000700022
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) que a avaliação da densidade do milho não levou a variações importantes no conteúdo de extrato etéreo dos grãos. Em outra avaliação, foi observada correlação positiva com a variável presença de aflatoxina, 0,28 (P<0,01), mostrando baixa influência da densidade sobre estas variáveis, semelhante ao verificado por Hess et al.(2323 Hess JB, Moran ET, Mask PL, Shelby RA, Giesen AF, Dale NM. Nutrient density and mycotoxin contamination in corn screenings of different bushel weights. Journal of Applied Poultry Research [Internet]. 1999 [cited 2021 Nov 22];8:288–91. Available from: https://doi.org/10.1093/japr/8.3.288
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) que não constataram a presença dessa toxina em níveis importantes que pudessem indicar efeitos deletérios na saúde ou nos efeitos nutricionais para frangos. Para as demais variáveis correlacionadas com a densidade dos grãos, não foram obtidas correlações significativas (P<0,05). De acordo com Rodrigues et al.(44 Rodrigues SIFC, Stringhini JH, Ribeiro AML, Pontalti GC, McManus CM. Quality Assessment of Corn Batches Received at a Feed Mill in the Brazilian Cerrado. Brazilian Journal of Poultry Science [Internet]. 2014 [cited 2021 Nov 22]; 16:233– 40. Available from: https://doi.org/10.1590/1516635x1603233-240
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), a simples variação na densidade não necessariamente resulta em variações na composição química dos grãos, fato este também elucidado no presente estudo. Mas, conforme relatado por Silva et al.(1414 Silva CS, Fernando J, Menten M, Traldi AB, Santarosa J, Watanabe P, et al. Avaliação de milhos de diferentes densidades para frangos de corte. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2011 [cited 2022 Jun 5]; 40:1554–61. Available from: https://doi.org/10.1590/S1516-35982011000700022
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), a densidade dos grãos de milho pode resultar em importantes variações no conteúdo energético dos grãos de milho.

Embora as correlações da densidade específica e dos parâmetros químicos terem sido apresentadas baixas ou não significativas (Tabela 3), diferentes autores relataram a diferença na composição bromatológica em grãos de milho com diferentes densidades(88 Rodrigues SIFC, Stringhini JH, Tanure CB, Peripolli V, Seixas L, McManus C. Prediction of apparent metabolizable energy and metabolizable energy corrected for nitrogen of corn according to physical classification of the grain. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2018 [cited 2022 Jun 5];47. Available from: https://doi.org/10.1590/rbz4720170153
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,1313 Corte Real GSCP, Couto HP, Matos MB, Lyra MS, Gomes AVC, Ferreira SRR. Valores nutricionais do milho de diferentes qualidades para frangas de reposição na fase de recria. Arquivo Brasileiro Medicina Veterinária e Zootecnia [Internet]. 2014 [cited 2022 Jun 5];; 66:546–54. Available from: https://doi.org/10.1590/1678-41625929
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,1414 Silva CS, Fernando J, Menten M, Traldi AB, Santarosa J, Watanabe P, et al. Avaliação de milhos de diferentes densidades para frangos de corte. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2011 [cited 2022 Jun 5]; 40:1554–61. Available from: https://doi.org/10.1590/S1516-35982011000700022
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). Desta forma, para avaliar o impacto da densidade do milho e da qualidade dos grãos nos valores nutricionais e energéticos, foi conduzido um ensaio de metabolismo. Antes da produção das rações os grãos foram divididos em quatro frações, conforme a sua densidade: 740 kg/ m3; 760 kg/ m3; 780 kg/ m3; e 800 kg/m3, e foi realizada a avaliação da composição química, energética, física e conteúdo de micotoxinas, conforme apresentado na Tabela 4.

Tabela 4
Análises bromatológicas, por via úmida, dos grãos de milhos utilizados nos tratamentos do ensaio de metabolismo

De acordo com a análise exploratória da qualidade dos grãos de milhos utilizados na ração elaborada para o experimento, observou-se que a densidade obtida nas frações foi próxima à esperada, sendo que na dieta referência, este valor foi de 761 kg/m3. A composição da química e a qualidade física não alteraram de forma linear entre as frações utilizadas, exceto para a matéria seca (MS) diminuiu linearmente com o aumento da densidade e a energia bruta (EB) que aumentou à medida que a densidade do milho também aumentou (Tabela 4). Esta relação linear e diretamente proporcional entre as duas variáveis era esperada, pois à medida que aumenta a densidade, reduz a nível de MS, contrapondo ao nível de EB(44 Rodrigues SIFC, Stringhini JH, Ribeiro AML, Pontalti GC, McManus CM. Quality Assessment of Corn Batches Received at a Feed Mill in the Brazilian Cerrado. Brazilian Journal of Poultry Science [Internet]. 2014 [cited 2021 Nov 22]; 16:233– 40. Available from: https://doi.org/10.1590/1516635x1603233-240
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,2424 Baidoo SK, Shires A, Robblee AR. Effect of kernel density on the apparent and true metabolizable energy value of corn for chickens. Poultry Science [Internet]. 1991 [cited 2021 Nov 22];70:2102–7. Available from: https://doi.org/10.3382/ps.0702102
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).

Os níveis de proteína bruta (PB) para as diferentes frações de milho foram inferiores aos estipulados por Rostagno et al.(77 Rostagno H S, Albino LFT, Donzele JL, Gomes PC, Oliveira RF, Lopes DC, Ferreira AS, Barreto SLT. Tabelas brasileiras para aves e suínos: composição de alimentos e exigências nutricionais de aves e suínos. 2ª edição, Viçosa, MG: UFV, 186 p., 2005.), sendo que o maior valor foi obtido para a fração com maior densidade (Tabela 4). O nível de proteína bruta pode ser influenciado por fatores regionais, principalmente, pelo tipo de adubação nitrogenada adotada durante o cultivo dos grãos. Não há linearidade na relação da PB com as diferentes frações, conforme relatado na literatura, como linear e inversamente proporcional(1010 Silva CS, Couto HP, Ferreira RA, Fonseca JB, Gomes AV da C, Soares RTRN. Valores nutricionais de milhos de diferentes qualidades para frangos de corte. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2008 [cited 2022 Jun 5]; 37:883–9. Available from: https://doi.org/10.1590/S1516-35982008000500016
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,1313 Corte Real GSCP, Couto HP, Matos MB, Lyra MS, Gomes AVC, Ferreira SRR. Valores nutricionais do milho de diferentes qualidades para frangas de reposição na fase de recria. Arquivo Brasileiro Medicina Veterinária e Zootecnia [Internet]. 2014 [cited 2022 Jun 5];; 66:546–54. Available from: https://doi.org/10.1590/1678-41625929
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). Este fator era esperado em razão da menor concentração de amido nos grãos de menor peso específico, gerando maior concentração de outros nutrientes(1414 Silva CS, Fernando J, Menten M, Traldi AB, Santarosa J, Watanabe P, et al. Avaliação de milhos de diferentes densidades para frangos de corte. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2011 [cited 2022 Jun 5]; 40:1554–61. Available from: https://doi.org/10.1590/S1516-35982011000700022
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).

Para os valores de fibra bruta e extrato etéreo, os dados dos milhos com diferentes densidades apresentaram pequenas variações que não refletiram explicações possíveis dentro das densidades dos grãos selecionados. Com relação aos valores de EMAMS houve diferença significativa, porém não seguiram tendência esperada de aumento linear conforme as diferentes densidades específicas (Tabela 5). Para EMA_MS obteve-se relação quadrática, com menor nível estimado na densidade específica de 769 kg/m3 (Tabela 4, Figura 1). Na literatura, os trabalhos encontrados descreveram aumento nos valores de EMA diretamente proporcional à densidade específica dos grãos(1010 Silva CS, Couto HP, Ferreira RA, Fonseca JB, Gomes AV da C, Soares RTRN. Valores nutricionais de milhos de diferentes qualidades para frangos de corte. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2008 [cited 2022 Jun 5]; 37:883–9. Available from: https://doi.org/10.1590/S1516-35982008000500016
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,1313 Corte Real GSCP, Couto HP, Matos MB, Lyra MS, Gomes AVC, Ferreira SRR. Valores nutricionais do milho de diferentes qualidades para frangas de reposição na fase de recria. Arquivo Brasileiro Medicina Veterinária e Zootecnia [Internet]. 2014 [cited 2022 Jun 5];; 66:546–54. Available from: https://doi.org/10.1590/1678-41625929
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,1414 Silva CS, Fernando J, Menten M, Traldi AB, Santarosa J, Watanabe P, et al. Avaliação de milhos de diferentes densidades para frangos de corte. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2011 [cited 2022 Jun 5]; 40:1554–61. Available from: https://doi.org/10.1590/S1516-35982011000700022
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). O maior valor de energia bruta, nos grãos de maior densidade específica (Tabela 5), não se converteu em maiores valores de EMA quando a densidade específica das frações de milho aumentou.

Tabela 5
Energia metabolizável aparente (EMA) e aparente corrigida pelo balanço de nitrogênio (EMAn) na matéria seca (MS) e matéria natural (MN), em Kcal/kg, considerando os tratamentos a partir das densidades (kg/m3). Valores de Coeficiente de Metabolizabilidade Aparente: da Matéria Seca (CM_MS), da Proteína Bruta (CM_PB), do Extrato Etéreo (CM_EE), do cálcio (CM_CA) e do Fósforo (CM_P), em % dos tratamentos utilizados, considerando os valores de duas densidades (kg/m3)

Figura 1
Gráfico das análises de regressões para as variáveis significativas (p<0,05), Energia Metabolizável Aparente (EMA) e aparente corrigida pelo balanço de nitrogênio (EMAN), na matéria seca e natural, em kcal/kg, considerando os tratamentos a partir das densidades (kg/m3).

Porém, Baidoo et al.(2424 Baidoo SK, Shires A, Robblee AR. Effect of kernel density on the apparent and true metabolizable energy value of corn for chickens. Poultry Science [Internet]. 1991 [cited 2021 Nov 22];70:2102–7. Available from: https://doi.org/10.3382/ps.0702102
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) relataram que grandes reduções na densidade específica dos grãos (-20%) poderiam resultar em pequenas reduções nos valores energéticos dos grãos (-4,3%). No presente estudo, foi encontrada pequena variação (-8,1%), na densidade específica dos grãos que poderia não ter sido suficiente para reproduzir outros resultados encontrados na literatura. Esta pequena redução nos valores energéticos dos grãos de milho influenciou diretamente os valores de EMA expresso na base da matéria natural, quando se ajustou o teor de matéria seca para as diferentes frações de milho. Esperava-se que a maior densidade obtivesse os maiores valores de EMA_MN, mas o valor foi inferior ao obtido pelo tratamento de menor densidade.

Os valores de EMA_MN obtidos não resultaram em proporcionalidade encontrada em outros estudos (1010 Silva CS, Couto HP, Ferreira RA, Fonseca JB, Gomes AV da C, Soares RTRN. Valores nutricionais de milhos de diferentes qualidades para frangos de corte. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2008 [cited 2022 Jun 5]; 37:883–9. Available from: https://doi.org/10.1590/S1516-35982008000500016
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,1313 Corte Real GSCP, Couto HP, Matos MB, Lyra MS, Gomes AVC, Ferreira SRR. Valores nutricionais do milho de diferentes qualidades para frangas de reposição na fase de recria. Arquivo Brasileiro Medicina Veterinária e Zootecnia [Internet]. 2014 [cited 2022 Jun 5];; 66:546–54. Available from: https://doi.org/10.1590/1678-41625929
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,1414 Silva CS, Fernando J, Menten M, Traldi AB, Santarosa J, Watanabe P, et al. Avaliação de milhos de diferentes densidades para frangos de corte. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2011 [cited 2022 Jun 5]; 40:1554–61. Available from: https://doi.org/10.1590/S1516-35982011000700022
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), variando significativamente entre as diferentes densidades, com resposta inversamente proporcional ao aumento da densidade específica dos grãos (Figura 1). Este fato pode ser explicado pela variação no teor de matéria seca das diferentes frações de milho (Tabela 3), que decresceu conforme a densidade específica aumentou.

Os valores de EMA em todos os tratamentos foram superiores aos de EMAn, tanto na matéria seca quanto na matéria natural (Tabela 5). Quando o balanço de nitrogênio é positivo os valores de EMA são superiores aos valores de EMAn, indicando que a retenção de nitrogênio, quando o balanço de nitrogênio é negativo, os valores de EMA são inferiores aos valores de EMAn, indicando degradação do tecido muscular. Em aves em crescimento ocorre maior retenção de nitrogênio pela deposição de tecido proteico Nery et al.(2525 Nery LR, Albino LFT, Rostagno HS, Campos AM de A, Silva CR da. Valores de energia metabolizável de alimentos determinados com frangos de corte. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2007 [cited 2021 Nov 22];36:1354–8. Available from: https://doi.org/10.1590/S1516-35982007000600018
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). É sempre importante realizar a correção do balanço de nitrogênio para verificar a variação que pode ocorrer entre os valores de EMA do alimento. Estes valores podem alterar em função da espécie, linhagem e idade, pois aves com diferentes graus de retenção de nitrogênio têm diferentes valores de energia excretada para um mesmo alimento.

Os valores de EMAnMS apresentaram variações significativas e quadrática positiva ao aumento na densidade específica dos grãos (Figura 1), atingindo o menor nível na densidade de 769 kg/m3. Vieira et al.(2626 Vieira R de O, Rodrigues PB, Freitas RTF de, Nascimento GAJ do, Silva EL da, Hespanhol R. Composição química e energia metabolizável de híbridos de milho para frangos de corte. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2007 [cited 2021 Nov 22];36:832–8. Available from: https://doi.org/10.1590/S151635982007000400012
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) avaliaram 45 variedades de híbridos de milho e obtiveram valores de EMAnMS de 3563 a 4013 kcal/kg, superiores aos valores do presente estudo (Tabela 5).

Para os valores de EMAnJVIN ocorreu o mesmo comportamento de inversão linear significativa de proporcionalidade (P<0,05) que os valores de EMA_MN (Tabela 4, Figura 2), devido às reduções na matéria seca dos grãos à medida em que a densidade específica dos grãos aumentou. Comparando os resultados obtidos de EMAn_MN com outros autores, os valores encontrados no presente trabalho, foram inferiores aos citados na literatura(44 Rodrigues SIFC, Stringhini JH, Ribeiro AML, Pontalti GC, McManus CM. Quality Assessment of Corn Batches Received at a Feed Mill in the Brazilian Cerrado. Brazilian Journal of Poultry Science [Internet]. 2014 [cited 2021 Nov 22]; 16:233– 40. Available from: https://doi.org/10.1590/1516635x1603233-240
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,88 Rodrigues SIFC, Stringhini JH, Tanure CB, Peripolli V, Seixas L, McManus C. Prediction of apparent metabolizable energy and metabolizable energy corrected for nitrogen of corn according to physical classification of the grain. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2018 [cited 2022 Jun 5];47. Available from: https://doi.org/10.1590/rbz4720170153
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,1414 Silva CS, Fernando J, Menten M, Traldi AB, Santarosa J, Watanabe P, et al. Avaliação de milhos de diferentes densidades para frangos de corte. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2011 [cited 2022 Jun 5]; 40:1554–61. Available from: https://doi.org/10.1590/S1516-35982011000700022
https://doi.org/10.1590/S1516-3598201100...
), de 3247 a 3562 kcal/kg, contudo foram superiores aos valores encontrados por Silva et al.(1414 Silva CS, Fernando J, Menten M, Traldi AB, Santarosa J, Watanabe P, et al. Avaliação de milhos de diferentes densidades para frangos de corte. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2011 [cited 2022 Jun 5]; 40:1554–61. Available from: https://doi.org/10.1590/S1516-35982011000700022
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) com valor de 2937kcal/kg, em frações de milho de baixa densidade específica.

Figura 2
Gráfico das análises de regressão para as variáveis significativas (p<0,05), Coeficiente de Metabolizabilidade Aparente da Matéria Seca (CM_MS), do Extrato Etéreo (CM_EE), do Cálcio (CM_CA) e do Fósforo (CM_P), em % dos tratamentos utilizados, considerando os valores de suas densidades (kg/m3).

Com relação aos coeficientes de metabolizabilidade (Tabela 5), os valores de CMMS foram influenciadas pela densidade específica dos grãos, obtendo maior valor para o tratamento de menor densidade, com relação linear decrescente de acordo com o aumento da densidade específica (Figura 2). Rodrigues et al.(44 Rodrigues SIFC, Stringhini JH, Ribeiro AML, Pontalti GC, McManus CM. Quality Assessment of Corn Batches Received at a Feed Mill in the Brazilian Cerrado. Brazilian Journal of Poultry Science [Internet]. 2014 [cited 2021 Nov 22]; 16:233– 40. Available from: https://doi.org/10.1590/1516635x1603233-240
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) encontraram valores entre 80,37 e 84,39% de CM_MS em diferentes frações de qualidade de grãos de milho e moderada correlação deste coeficiente com a densidade (0,55).

Os valores encontrados para o CM_PB não diferiram estatisticamente, nas diferentes frações de densidade específica de milho (P>0,05) (Tabela 5). Os valores de CMPB e os níveis de PB (Tabela 3) foram inferiores aos estipulados na tabela brasileira de composição dos alimentos(77 Rostagno H S, Albino LFT, Donzele JL, Gomes PC, Oliveira RF, Lopes DC, Ferreira AS, Barreto SLT. Tabelas brasileiras para aves e suínos: composição de alimentos e exigências nutricionais de aves e suínos. 2ª edição, Viçosa, MG: UFV, 186 p., 2005.), de 87% de CMPB, porém foram superiores ao valor médio de 57,3%, encontrado por Rodrigues et al.(88 Rodrigues SIFC, Stringhini JH, Tanure CB, Peripolli V, Seixas L, McManus C. Prediction of apparent metabolizable energy and metabolizable energy corrected for nitrogen of corn according to physical classification of the grain. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2018 [cited 2022 Jun 5];47. Available from: https://doi.org/10.1590/rbz4720170153
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) em diferentes frações de milho. Estes resultados sugerem que no presente estudo, o maior nível de PB encontrado na fração de menor densidade específica, em virtude da menor concentração de amido nos grãos de menor peso específico não influenciaram nos níveis de aminoácidos digestíveis nem nos níveis de proteínas do grupo Zeína de baixo valor nutricional1010 Silva CS, Couto HP, Ferreira RA, Fonseca JB, Gomes AV da C, Soares RTRN. Valores nutricionais de milhos de diferentes qualidades para frangos de corte. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2008 [cited 2022 Jun 5]; 37:883–9. Available from: https://doi.org/10.1590/S1516-35982008000500016
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.

Para a variável CM_EE, o menor valor foi para o menor nível de densidade (p<0,05). Os valores de CM_EE encontrados no presente estudo foram superiores aos encontrados por Rodrigues et al.(88 Rodrigues SIFC, Stringhini JH, Tanure CB, Peripolli V, Seixas L, McManus C. Prediction of apparent metabolizable energy and metabolizable energy corrected for nitrogen of corn according to physical classification of the grain. Revista Brasileira de Zootecnia [Internet]. 2018 [cited 2022 Jun 5];47. Available from: https://doi.org/10.1590/rbz4720170153
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), que encontraram valor médio de CM_EE de 59,8%, em diferentes frações de milho analisadas. Porém, o valor estipulado na tabela brasileira de composição de alimentos para aves e suínos(77 Rostagno H S, Albino LFT, Donzele JL, Gomes PC, Oliveira RF, Lopes DC, Ferreira AS, Barreto SLT. Tabelas brasileiras para aves e suínos: composição de alimentos e exigências nutricionais de aves e suínos. 2ª edição, Viçosa, MG: UFV, 186 p., 2005.) é superior (92%) aos resultados encontrados neste estudo. CM_EE apresentou comportamento quadrático em relação a densidade, crescente até o nível máximo estimado de 79,93%, com densidade específica de 778 kg/m3, em seguida descrendo à medida que aumentou a densidade (Tabela 5, Figura 2).

Os menores valores de CM_CA e CM_P foram encontrados nas frações de milho de densidade específica de 780 kg/m3 (Tabela 4). Os valores encontrados por Rostagno et al.(77 Rostagno H S, Albino LFT, Donzele JL, Gomes PC, Oliveira RF, Lopes DC, Ferreira AS, Barreto SLT. Tabelas brasileiras para aves e suínos: composição de alimentos e exigências nutricionais de aves e suínos. 2ª edição, Viçosa, MG: UFV, 186 p., 2005.), que encontraram 40,8% para CMCA, sendo similar e de 24% para e CMP, menor que aos encontrados neste estudo. Ambas as variáveis apresentaram comportamento quadrático com relação a densidade do milho, atingindo o seu máximo valor estimado com 776 kg/m3 (Figura 2).

De acordo com os resultados encontrados, a variação na densidade dos grãos não foi suficiente para determinar a fração de milho com melhor composição nutricional e melhores coeficientes de metabolizabilidade. Desta forma, é necessário avaliar de maneira geral todas as variáveis físicas e químicas dos grãos de milho, que podem se correlacionar entre si, influenciando fortemente a composição nutricional dos grãos, de maneira diferente, do que apenas avaliando a variável densidade específica dos grãos, isoladamente das demais características dos produtos.

4. Conclusão

As baixas correlações entre as características físicas e químicas obtidas ressaltaram a importância de se avaliar tanto física como quimicamente as amostras de milhos coletadas para que seja possível melhorar o ajuste nutricional de rações de frango de corte. Foram observadas algumas variações importantes, nas diferentes frações de densidade específica do milho analisadas, porém as variações estipuladas para a densidade específica dos grãos de milho, quando analisadas de maneira isolada, como no presente estudo, não foram suficientes para determinar qual seria a fração de milho de melhor qualidade, demonstrando a importância de analisar os grãos de milho, não só pela sua densidade, mas sim considerando todas as suas características físicas e químicas de qualidade.

Agradecimentos

Os autores agradecem à Cargil SA e Friato Alimentos pelo apoio na realização deste projeto.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    29 Maio 2023
  • Data do Fascículo
    2023

Histórico

  • Recebido
    18 Out 2022
  • Aceito
    14 Mar 2023
  • Publicado
    25 Abr 2023
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