Introdução A doença celíaca exige adesão vitalícia a uma dieta sem glúten, o que pode afetar ocupações diárias além dos hábitos alimentares. Esses desafios envolvem tanto o desempenho ocupacional (execução de tarefas) quanto a participação ocupacional (envolvimento em situações de vida), especialmente em contextos sociais. Apesar disso, as experiências de desempenho ocupacional e participação de estudantes universitários com doença celíaca estão subrrepresentadas na literatura em terapia ocupacional.
Objetivos Explorar os desafios de desempenho ocupacional e participação vivenciados por estudantes universitários com doença celíaca, com foco na relação entre desempenho, satisfação e restrições de participação.
Método Nove estudantes universitários diagnosticados com doença celíaca e sem outras condições crônicas relacionadas à nutrição participaram voluntariamente. A Medida Canadense de Desempenho Ocupacional (COPM) foi utilizada para identificar dificuldades percebidas em autocuidado, produtividade e lazer. Os participantes avaliaram seu desempenho e satisfação com suas atividades mais prioritárias.
Resultados Os achados revelaram desafios ocupacionais em todos os domínios, sendo o lazer o mais afetado em termos de restrições de participação, especialmente em atividades sociais como comer fora e participar de eventos. A produtividade apresentou a maior discrepância entre desempenho e satisfação, indicando expectativas não atendidas nas demandas acadêmicas e de papel diário. Problemas em autocuidado, como gerenciar finanças e transportar alimentos sem glúten, também foram identificados, com discrepâncias relativamente menores. Embora os indivíduos consigam manter o desempenho em algumas tarefas, a participação é mais limitada por fatores ambientais e sociais.
Conclusão Apoiar estudantes universitários com doença celíaca por meio de ações em terapia ocupacional personalizada pode melhorar seu funcionamento diário e participação.
Palavras-chave:
Doença Celíaca; Estudantes Universitários; Participação Social