Este ensaio apresenta as “atividades socioculturais complexas” como metodologia de intervenção no campo da terapia ocupacional na cultura, orientada ao fortalecimento do protagonismo das pessoas idosas. A proposta organiza-se em um processo sistematizado, composto por etapas interdependentes: a) planejamento participativo; b) registro e documentação dos percursos criativos e c) culminância em eventos abertos à comunidade. A metodologia difere das oficinas tradicionais por priorizar engajamento continuado, construção de vínculos, circulação nos territórios e reconhecimento das pessoas idosas como produtoras de cultura. Ao compreender a cultura como direito e oportunidade de participação social, essa abordagem desloca a terapia ocupacional de uma lógica centrada no binômio saúde-doença para uma lógica sociocultural e comunitária, na qual equipamentos culturais se tornam espaços legítimos de cuidado, criação e cidadania. As experiências analisadas, desenvolvidas em um projeto de extensão universitária, incluíram desfiles de moda, teatro, fotonovela e eventos culturais intergeracionais, com participação ativa das pessoas idosas em todas as etapas. Os resultados indicam que a efetividade da metodologia, entendida como capacidade de promover agência cultural, ampliar pertencimento, fortalecer autoestima e ressignificar trajetórias de vida, depende da integralidade do processo, caracterizada pela coerência ética, estética, política e pedagógica entre todas as etapas, bem como pela corresponsabilidade e participação ativa das pessoas envolvidas. Conclui-se que as atividades socioculturais complexas configuram uma metodologia reprodutível em diferentes contextos, contribuindo para práticas inovadoras e transformadoras no campo da terapia ocupacional na cultura e do envelhecimento.
Palavras-chave:
Terapia Ocupacional; Arte; Atividades Humanas; Envelhecimento; Participação Social