Apresentação

Apresentação

Por muito tempo, a Dança e a Educação mostraram-se pertencentes a universos antagônicos, diferentes, distantes e isolados, a ponto de Fontanella1 (1985) afirmar que uma nega a outra, não podendo estar aliadas porque (...) a dança unifica o homem, a educação precisa dividi-lo; a dança une os homens, a educação os separa; a dança não visa à produção, a educação visa primeiramente e fundamentalmente à produção; etc. Já é chegada a hora da desmitificação de tal concepção e apresentar o elo Dança-Educação, diante das contribuições que traz para a formação crítica e para o desenvolvimento integral do ser humano.

A organização deste Caderno apresenta uma área ainda incipiente no Brasil – apesar da luta antiga de pesquisadores e professores da Arte do Movimento, que acreditam e vêem a dança como forma de educar um cidadão –, mas que paulatinamente está conquistando espaço na educação, na academia e, principalmente, nas escolas.

A Dança-Educação é um referencial para as questões que permeiam a educação de nossos tempos, apresenta novos olhares para o ser humano, mostra o quanto ele pode criar, expressar, aprender, socializar e cooperar, se educado também pela dança, deixando para trás a "velha" concepção de que o aluno deve estar sempre sentado, calado, ouvindo o professor.

O texto de Ciane Fernandes apresenta Rudolf Laban, o "pai" da Dança-Educação e seu Sistema de Análise de Movimento. Expõe as fases do desenvolvimento da criança ressaltadas nos fatores de movimento: espaço, peso, tempo e fluência e as possíveis relações com o processo de aprendizagem.

O segundo texto, de Ida Mara Freire, relata o ensino de Dança-Educação em escolas públicas inglesas e a formação do professor especialista, indagando o porquê da criança brasileira não aprender dança na escola. A autora apresenta tanto práticas corporais que possam servir de apoio ao ensino de Dança-Educação, quanto a sua aplicabilidade a pessoas portadoras de deficiências.

O próximo artigo refere-se à proposta de Dança Educativa, que desenvolvo em escolas particulares da cidade de São Paulo, remetendo a questionamentos sobre qual o estilo de dança mais apropriado para o contexto escolar. Saliento a urgência e a necessidade de formação de professores especialistas para atuarem na área.

No último artigo, Marcia Strazzacappa afirma que toda educação é educação do corpo, chamando a atenção para a imobilidade a que a prática escolar sujeita o aluno. Expõe a compreensão que crianças e jovens contemporâneos fazem da dança e, finalmente, ressalta a necessidade, não só do aluno, de vivenciar a dança, mas principalmente por parte do professor, para sentir, perceber e compreender a importância desta atividade na educação.

Ao apresentar este Caderno temático, solicitado pela professora Aparecida Neri de Souza, cujo título é inédito e importantíssimo na área da educação brasileira, faço votos de que o mesmo se torne mais um documento de apoio e reflexão crítica – dentre as pouquíssimas bibliografias existentes em português – sobre o movimento dançante na escola.

Marta Scarpato *

1 Fontanella, F.C. O corpo no limiar da subjetividade. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Educação da Unicamp. Campinas, 1985.

* Coordenadora do Curso de Dança da Faculdade Paulista de Artes (SP), mestra em Educação Física pela Unicamp, pedagoga pela PUC-SP e professora de Dança Educativa no Colégio Assunção e Instituto Madre Mazzarello.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    16 Maio 2001
  • Data do Fascículo
    Abr 2001
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