TÉCNICA E NATUREZA NO DESENVOLVIMENTO DO “AGRONEGÓCIO”1 1 Este artigo foi desenvolvido a partir de pesquisa financiada com recursos do CNPq e a partir do convênio CAPES-COFECUB.

TECHNIQUE AND NATURE IN THE DEVELOPMENT OF “AGRIBUSINESS”

TECHNIQUE ET NATURE DANS LE DÉVELOPPEMENT DE “L’AGRIBUSINESS”

Valter Lúcio de Oliveira Ève Anne Bühler Sobre os autores

Se, em diversos setores da economia, a lógica de acumulação capitalista se efetivou sem enfrentar maiores obstáculos, na agricultura, ao contrário, importantes aspectos relacionados a seu caráter natural lhe impuseram significativas limitações. Até a década de 1970, por exemplo, o cerrado não era considerado apto para a prática da agricultura do tipo que hoje é ali praticada. Da mesma forma, o avanço no campo das biotecnologias já superou e tem prometido a superação de algumas das limitações que ainda persistem. A partir de tais considerações, pretendemos caracterizar a agricultura desenvolvida nos cerrados nordestinos e analisar a relação que ela estabelece com a natureza a partir da técnica e da acumulação capitalista. Percebe-se, nessas regiões, a consolidação de uma agricultura neoliberal em que a comodificação da natureza é uma dimensão saliente no processo de incorporação de novas fronteiras agrícolas. Ela se apoia sobre o discurso e a prática tecnicista dos agentes do setor, que visam a um maior domínio dos processos produtivos. Nessa dinâmica, o desprezo pelos ecossistemas nativos e o controle da natureza a partir da técnica são, ainda, elementos fundamentais no discurso de atração de colonos e investidores no setor. Esses aspectos serão tratados tomando-se como base pesquisa empírica desenvolvida desde 2011 na região conhecida como MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

Agronegócio; Cerrados Nordestinos; Commodificação da Natureza; Agricultura Empresarial


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