Objetivo: Explorar as percepções dos profissionais de saúde que trabalham na unidade de terapia intensiva quanto às políticas de visitação familiar e examinar sua influência no sofrimento psicológico desses profissionais de saúde.
Métodos: Divulgamos um inquérito eletrônico para profissionais de saúde interdisciplinares por meio da Associação de Medicina Intensiva Brasileira durante o pico mais grave da COVID-19 no Brasil (março de 2021). Avaliamos as percepções e as preferências das políticas de visitação familiar e medimos o sofrimento dos profissionais de saúde, incluindo esgotamento, depressão, ansiedade, irritabilidade e pensamentos suicidas, usando escalas validadas. Realizamos regressões multivariáveis para avaliar os fatores associados ao sofrimento dos profissionais de saúde, incluindo políticas de visitação familiar e preocupações dos profissionais de saúde.
Resultados: Incluímos respostas de 903 profissionais de saúde: 67% médicos, 10% enfermeiros, 10% fisioterapeutas e 13% outros. A maioria (55%) dos profissionais de saúde relatou que seus hospitais não permitiam visitação familiar ou permitiam visitação restrita (43%); apenas 2% relataram permitir visitação sem restrições. A maioria (78%) acreditava que restringir a visitação afetava negativamente a assistência ao paciente, e 46% preferiam permitir mais visitação (menor nos enfermeiros [44%] do que nos médicos [50%]; p < 0,01). Aproximadamente metade (49%) dos profissionais de saúde relatou que a visitação restrita contribuiu para seu esgotamento, sendo menor nos enfermeiros (43%) do que nos médicos (52%), p = 0,08. No geral, 62% dos profissionais de saúde relataram esgotamento, 24% relataram sintomas de depressão maior, 37% relataram sintomas de ansiedade, 11% relataram consumo excessivo de álcool ou drogas e 14% relataram pensamentos de automutilação. Na análise multivariada, as políticas de visitação familiar (visitação restrita versus nenhuma visitação) e as preferências por políticas (mais visitação versus a mesma ou menos) não foram associadas ao sofrimento psicológico. Em vez disso, as preocupações financeiras e o relato de má comunicação com os supervisores estavam mais profundamente associados ao esgotamento, à depressão e à ansiedade.
Conclusão: Metade dos profissionais de saúde relatou que as restrições à visitação familiar contribuíram para seu esgotamento, e a maioria sentiu que isso afetou negativamente a assistência ao paciente. Entretanto, as preferências de visitação familiar não foram associadas ao sofrimento do profissional de saúde nas regressões multivariáveis. Mais médicos do que enfermeiros indicaram preferir políticas de visitação mais flexíveis.
Descritores:
Autorrelato; Transtorno depressivo maior; Ansiedade; Ideação suicida; Esgotamento psicológico; Sofrimento psicológico; Pessoal de saúde; Médicos; Depressão; COVID-19; Pandemias; Brasil
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