Editorial

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É cada vez mais presente, nas publicações em periódicos científicos e tecnológicos da área de materiais, os trabalhos de pesquisa e desenvolvimento de nanomateriais. Nanomateriais cobrem uma ampla faixa de materiais: cerâmicas, metais e polímeros. Ainda não há um consenso sobre a definição apropriada para nanomateriais. Algo em torno de 100-200 nanômetros é o limite superior para a dimensão de um material nanométrico. Há definições mais abrangentes (http://www.royalsoc.ac.uk/): nanociência é o estudo de fenômenos e a manipulação de materiais em escalas atômica, molecular e macromolecular, cujas propriedades são significativamente diferentes daquelas observadas em escalas de maior dimensão; nanotecnologias são o projeto, a caracterização, a produção e a aplicação de estruturas, dispositivos, e sistemas por meio de controle de forma e tamanho na escala nanométrica. O potencial para aplicações de materiais nanométricos é enorme, tendo sido estimado um gasto em P&D de US$8,6 bilhões em 2004 em todo o mundo, metade por parte de indústrias, metade por órgãos governamentais. Em dezembro de 2004, por exemplo, o governo francês anunciou o financiamento de parcerias entre instituições públicas e empresas privadas com investimento de 210 milhões de euros nos próximos três anos (Le Monde, 18/12/2004). Porquê todo este investimento? Porque materiais nanométricos têm apresentado propriedades novas, diferentes das apresentadas por materiais convencionais. Nanopartículas de materiais cerâmicos têm sido propostas para aplicações em várias áreas como materiais para catálise, cerâmicas estruturais, cerâmicas para sensores, filtros cerâmicos, cerâmicas para dispositivos para produção de energia limpa, pigmentos, etc.. É intenso o trabalho tanto de pesquisa básica, envolvendo síntese, conformação, microestrutura, propriedades, quanto de pesquisa tecnológica por meio de projeto, construção e testes de dispositivos. Mais recentemente, foi também lançada a preocupação com possíveis implicações que o trabalho em nanomateriais possa acarretar para a saúde, a segurança e o meio ambiente.

No Brasil já há vários grupos em universidades e centros de pesquisa trabalhando em nanomateriais e nanotecnologias com materiais cerâmicos, havendo mesmo financiamento específico de órgãos de fomento.

É uma área de pesquisa científica e tecnológica altamente desafiadora e competitiva em que o Brasil tem amplas condições de participar com sucesso, contribuindo para o desenvolvimento da área de cerâmica no país.

O Editor

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    15 Fev 2005
  • Data do Fascículo
    Dez 2004
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