O objetivo deste artigo é compreender o que é ser colecionador e como são construídas as identidades e identificações com essa atividade a partir das memórias de colecionadores brasileiros. Partimos de um referencial teórico que trata do alinhamento entre identidade, identificação e memórias enquanto constituintes do ser colecionador, assim como da prática colecionista para realizarmos um estudo qualitativo a partir das narrativas de 29 colecionadores brasileiros. Os dados, oriundos de entrevistas semiestruturadas, foram triangulados com nossas anotações de caderno de campo, com a observação não-participante e foram analisados a partir da Análise de Narrativas. Os dados demonstram que a construção da categoria “colecionador” é fundamentalmente relacional e pautada na tríade “sujeito colecionador”, “objeto colecionado” e “o outro que os vê”. Consideramos, portanto, que a percepção identitária de si nunca é uma produção individual e isolada no tempo/espaço, mas interage com diferentes construções coletivas sobre quem é o sujeito que coleciona. Por fim, contribuímos para os Estudos Organizacionais ao propormos olhares para modos de vida não evidenciados no mainstream da Administração, assim como, a possibilidade de ressignificação do ser colecionador e do caráter dinâmico da memória, das identidades e das identificações.
Palavras-chave:
Identidades; Identificações; Colecionismo; Histórias. Memórias