“Vão achar que é uma piada, mas, para nós, não!”: discursos de resistência em clubes brasileiros de futebol gay

“¡Pensarán que es una broma, pero no para nosotros!”: discursos de resistencia de los clubes brasileños de fútbol gay

GUSTAVO HENRIQUE CARVALHO DE CASTRO MARCUS VINICIUS SOARES SIQUEIRA Sobre os autores

Resumo

No futebol, a discriminação contra homossexuais é perpetrada pela injúria homofóbica, ato performativo de fala que silencia e afasta indivíduos gays do referido esporte, reforçando o culto à masculinidade hegemônica. Como reação, clubes de futebol gay têm emergido para proporcionar a participação dos homossexuais no esporte. Reconhecendo a relevância dessas iniciativas como práticas de resistência, neste artigo são analisados discursos de resistência à heteronormatividade sustentados por jogadores de clubes de futebol gay. Para tal, foram entrevistados 22 jogadores gays integrantes dos referidos clubes presentes em nove capitais brasileiras. Os relatos, interpretados sob a ótica da análise do discurso de Foucault, revelaram três discursos de resistência permeando tais iniciativas: ressignificação da injúria pelo humor; regras de interação; e silenciamentos e invisibilidades. Conclui-se que os discursos operam em uma lógica dual, produzindo enunciados que, embora tensionem a ordem gênero-sexualidade e o regime do armário, não impedem a persistência de enunciados que, paradoxalmente, atuam reforçando estes dispositivos heteronormativos.

Palavras-chave:
Resistência; Heteronormatividade; Futebol gay; Discurso

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