| Representação humana |
A pessoa é sistema autopoiético e autorreferencial representada pela sistema psíquico. Rejeita essencializações e acentua a individualidade como contingente. |
Sujeito constituído por práticas reguladoras. Rejeição da ideia do sujeito definido em uma ontologia preexistente. Recusa de universalidades. |
O ser humano não pode ser observado a partir de universalidades e essencialismos, sendo sempre contingente a sua representação nas normas organizacionais, que (re)produzem o gênero nas organizações. |
| Gênero |
Sem formulação teórica específica - Crítico ao binarismo de gênero, proposta interdisciplinar que permita uma formulação teórica capaz de incluir outras formas de viver o gênero para além da concepção binarista dos sujeitos em homem/mulher. |
É produzido e reificado pelo sujeito na vida cotidiana conforme a repetição de atos, gestos corporais, movimentos e encenações de toda ordem que permitem a estilização generificada do eu em conformidade com uma concepção sociocultural temporalmente situada e prevista em normas sociais. |
Sugere-se elaborar gênero como um tipo de comunicação, sendo um processo por meio do qual as informações pertinentes a gênero são selecionadas, sendo demarcadas por codificações específicas que estabelecem as expectativas (normativas e cognitivas) e o entendimento nos mais diversos níveis (entendimento, não entendimento e mal-entendimento). |
| Corpo |
Vinculado à formação de expectativas nas comunicações e, inevitavelmente, na interpenetração entre o sistema pessoal e os sistemas sociais por meio da dupla contingência. |
Meio ativo da performatividade de gênero, que é forjada por atos corporais estilizados que se repetem recursivamente para performar o gênero que o sujeito se acredita investido em conformidade com as normas sociais dominantes. |
Afeta as comunicações organizacionais, potencializando ou não o entendimento comunicacional a depender das expectativas normativas e cognitivas que pertencem ao seu contexto sociocultural. Os atos corporais devem observados dentro da matriz de normas de gênero de determinada organização. |
| Organização |
Sistema autopoiético e autorreferencial com capacidade de auto-organização a partir da tomada de decisão. |
Sem formulação teórica específica - conceito correlacionado com as regulações de gênero que constituem leis, regras e políticas que regulam o gênero nas instâncias empíricas. |
Os sistemas organizacionais operam por meio de comunicações e se estruturam a partir de decisões, que podem ou não restringir os gêneros nas suas operações. |
| Regulação/ normas |
Tipos de comunicação autorreferenciada que retroalimenta e sustenta o funcionamento do sistema e sua interação com o entorno a partir de expectativas cognitivas e comportamentais. |
As normas regulatórias, prescritivas e punitivas forjam um conjunto organizado de restrições que normaliza o gênero em um contexto sociocultural. As normas, portanto, não representam a subjetividade, produzem-na nos sujeitos. |
Propõe-se a noção dos regulamentos de gênero como comunicações que se destinam à estabilização do sistema por meio de expectativas normativas generalizantes acerca de gênero, promovendo a redução da complexidade das identidades e, paradoxalmente, restringindo o exercício da individualidade dos sujeitos. |
| Codificação |
São formas de comunicação próprias de cada sistema e que oscilam entre um valor positivo e negativo (legal/ilegal, certo/errado etc.), possibilitando a diferenciação sistêmica e a redução da complexidade. |
Sem formulação teórica específica - conceito correlacionado com a matriz de normas de gênero (sexo-gênero-desejo) que conforma as práticas legitimadoras/significantes de identidades e classifica os gêneros em inteligíveis/coerentes ou ininteligíveis/incoerentes, em um dado espaço social cultural e temporalmente situado. |
Propõe-se a adoção de um código-binário gênero inteligível/ininteligível, sendo o primeiro a representação do padrão de gênero hegemonicamente definido dentro da organização, elevando a sensibilidade e potencializando a comunicação entre sistemas, ao passo que o segundo escapa ao tratamento comunicativo, gerando tão somente ruído nas comunicações organizacionais. |
| Poder |
Tipo especial de comunicação que permite a coordenação entre ações, comunicações e decisões para solucionar determinado problema social, atuando na restrição das seleções possíveis pelo sistema |
Atua na produção das subjetividades de forma restritiva e, com apoio das normas, reifica e cristaliza os gêneros socialmente admitidos dentro de uma matriz previamente definida. |
A definição dos gêneros dentro do sistema organizacional é atravessada pelo poder, inerente a toda comunicação, que restringe as seleções possíveis e produz a matriz que regula corpos e subjetividades. |
| Relação sujeito - organização |
Possível pela interpenetração que gera a coevolução do sistema organizacional com o sistema pessoal. |
Mediada pelas normas que determinam as condições de inteligibilidade e pertencimento social, que podem assegurar ou negar direitos aos sujeitos. |
Impactam na produção e reprodução do gênero nos sistemas pessoais (a partir da sujeição) e sistemas organizacionais, possibilitando a coevolução de ambos a partir da adoção de normas não restritivas da vida generificada. |