Efeitos de corticosteróides em recém-nascidos de muito baixo peso, dependentes de ventilação mecânica

Devido às suas ações anti-inflamatórias, os corticosteróides têm sido utilizados para prevenção de displasia broncopulmonar, sendo descrita, uma redução da incidência desta patologia. No entanto, efeitos adversos a curto e a longo prazo têm sido detectados, em recém-nascidos pré-termo. OBJETIVO: Analisar os efeitos sobre a incidência de displasia broncopulmonar, duração de ventilação mecânica e de internação, mortalidade, crescimento, além dos efeitos adversos dos corticosteróides, administrados entre 10-14 dias de vida, em recém-nascidos de muito baixo peso, dependentes de ventilação mecânica. MÉTODOS: Realizou-se estudo de coorte, incluindo-se todos os recém-nascidos com peso de nascimento < 1500 gramas dependentes de ventilação mecânica, entre 10-14 dias de vida. Foram divididos em: Grupo I - receberam dexametasona (16) e Grupo II - não receberam dexametasona (22). Administrou-se dexametasona, a partir do 10º dia de vida, dias 1 a 3 - 0,3 mg/kg/d, dias 4 a 6 - 0,2 mg/kg/d, dias 7 a 9 - 0,1 mg/kg/d. Analisou-se o desenvolvimento de displasia broncopulmonar (dependência de oxigênio aos 28 dias de vida), efeitos sobre a evolução respiratória e sobre o padrão de crescimento, além da ocorrência de efeitos adversos. RESULTADOS: A incidência de displasia broncopulmonar não diferiu entre os grupos (GI - 62,5%; GII - 22,7%;p = 0,07). Detectou-se desaceleração do crescimento no GI em relação ao GII(D P = 47g/semana, GI e 85,5g/semana, GII; p = 0,06; D PC - 0,75 cm/semana GI e 1cm/semana, no GII; p = 0,05). CONCLUSÃO: O uso de corticosteróides, em recém-nascidos pré-termo, entre 10 - 14 dias de vida não reduziu incidência de displasia broncopulmonar e causou uma desaceleração do crescimento.

Corticosteróides; Recém-nascido prematuro; Displasia broncopulmonar


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