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A recepção brasileira de O nascimento da tragédia nos primeiros trinta anos de sua edição * * Agradeço a Tereza Calomeni o convite para participar do “Simpósio Nacional 150 de publicação de O nascimento da tragédia ”, bem como à Fundação Biblioteca Nacional pelo acervo de periódicos disponibilizados na Biblioteca Nacional Digital. O presente artigo é dedicado a Márcio José Silveira Lima.

The Brazilian reception of The Birth of Tragedy in the first thirty years after its publication

Resumo:

O presente artigo busca mostrar que a obra O nascimento da tragédia foi recepcionada no Rio de Janeiro (a “Meca dos Nortistas”, na expressão de José Veríssimo) a partir do final do século XIX, em particular entre alguns membros da Academia Brasileira de Letras e pelo renomado crítico musical Rodrigues Barbosa (nas dezenas de artigos sobre “Tolstói e Nietzsche”, publicadas no Jornal do Commercio ). Do mesmo modo, visa-se reconstruir com precisão historiográfica o trato com as fontes e o perfil dos autores que leram e divulgaram a respectiva obra em nosso país nos trinta primeiros anos de sua edição.

Palavras-chave:
Nietzsche; recepção; Nascimento da tragédia ; inteligência brasileira

Abstract:

This article seeks to show that the work The Birth of Tragedy was received in Rio de Janeiro (the “Mecca of Northerners”, in José Veríssimo’s expression) from the end of the 19th century, in particular among some members of the Brazilian Academy of Letters and by the reputed music criticism Rodrigues Barbosa (in the dozens of articles about “Tolstoy and Nietzsche”, published in Jornal do Commercio ). In the same way, we intend to reconstruct with historiographic precision the sources and the profile of the authors who read and published the respective work in our country in the first thirty years of its publication.

Keywords:
Nietzsche; reception; Birth of tragedy ; Brazilian intelligence

Nietzsche ainda vivia na Alemanha quando O nascimento da tragédia passou a ganhar repercussão no Brasil 1 1 Sob os cuidados de sua irmã, Nietzsche é levado em oito de agosto de 1898 para a Villa Silberblick , em Weimar, mesmo dia em que falece Jacob Burckardt (Cf. JANZ, Los años de hundimiento , 1985, p. 164. . Naquele ano em que Campos Sales tornava-se o quarto Presidente de uma República proclamada há menos de uma década, é no Rio de Janeiro que as ideias fundamentais da obra inaugural do filósofo (até então existiam quatro edições em alemão) 2 2 A versão inicial Die Geburt der Tragödie aus dem Geiste der Musik (Leipzig: Fritzsch, 1872), impressa posteriormente em outra casa editorial (Verlag von Ernst Schmeitzner, 1878); e a edição com o prefácio e o subtítulo alterado para Die Geburt der Tragödie Oder: Griechenthum und Pessimismus (Leipzig: Fritzsch, 1886), reeditada na década seguinte (Leipzig: Druck und Verlag von C. G. Naumann, 1894). entrariam em circulação tanto numa solenidade que reunia um seleto grupo de intelectuais quanto nas páginas de um periódico bastante lido em nível nacional, a saber: a Academia Brasileira de Letras e o Jornal do Commercio . E isto por meio das reflexões de dois estudiosos de prestígio naquele momento – o literato e filólogo João Ribeiro, e o crítico musical José Rodrigues Barbosa.

A solenidade na Academia Brasileira de Letras teve lugar na noite de 17 de dezembro de 1898. Como bem informava já pela manhã um jornal no Rio de Janeiro, havia grande expectativa em torno do acontecimento: “Tem despertado vivo interesse nas rodas intelectuais e propriamente literárias desta cidade a sessão solene da Academia Brasileira que hoje se realiza no salão de honra do ministério do interior, para recepção do Dr. João Ribeiro, ilustre poeta, prosador e filólogo que foi recentemente eleito para a douta corporação (...). A sessão será presidida pelo Sr. Machado de Assis (...) à qual prometeram comparecer os Srs. Presidente da República e Ministro do Interior” 3 3 “ Academia Brazileira de Lettras ”, A notícia , RJ, 17/12/1898, p. 2. A presença do Presidente da República já vinha sendo divulgada alguns dias antes: “Na noite 17 do corrente, realiza a Academia Brazileira de Letras , no salão principal do Ministério do Interior, a sessão solene para recepção do sr. João Ribeiro (...). O Sr. Campos Salles, presidente da República, comparecerá ao ato” (“ Vida Nacional ”, Gazeta de Petrópolis , RJ, 13/12/1898, capa). . De fato, João Ribeiro havia sido eleito em 8 de agosto em Sessão também presidida pelo autor das Memórias póstumas de Brás Cubas e na presença da quase totalidade de seus membros, entre os quais Araripe Junior, José Veríssimo e Silvio Romero 4 4 Cf. “ Academia Brasileira ”, Gazeta de Notícias , RJ, 09/08/1898, capa. . Tratava-se de um momento importante, pois seria a primeira vez que a Academia Brasileira de Letras, após sua fundação no ano anterior 5 5 Os discursos da “Sessão Inaugural” realizada em 20 de Julho de 1887, a começar pelo de Machado de Assis, e a “lista dos primeiros membros da Academia com os seus respectivos patronos”, pode ser conferida em: “ Academia Brazileira de Letras ”, Revista Brasileira , RJ, Tomo XI, Julho a Setembro de 1897, p. 129-142. , daria posse a um novo membro, em decorrência da “vaga aberta pelo falecimento de Luiz Guimarães, o notável poeta dos Sonetos e rimas6 6 “ Academia Brazileira de Lettras ”, A notícia , RJ, 17/12/1898, p. 2. .

Naquela noite de calor no Rio de Janeiro, pouco depois das 20h, após a abertura da Sessão pelo Presidente da Academia Brasileira de Letras, diante de uma plateia constituída por diversos de seus membros efetivos, e na presença de Epitácio Pessoa (que recentemente havia se tornado Ministro do Interior) 7 7 O fato ocorrera em 15 de Novembro: “O novo Ministro do Interior e Justiça é o Sr. Epitácio Pessoa, professor da Faculdade de Direito de Pernambuco e muito conhecido e respeitado como excelente orador parlamentar” (“ Telegramas ”, Jornal do Commercio , RJ, 17/11/1898, capa). , de Thomaz Wallace da Gama Cochrane (secretário da Presidência da República), de um grupo seleto de pessoas que recebera o convite oficial (entre os quais estavam os filhos do poeta recentemente falecido) 8 8 Cf. “ O Distrito Federal ”, O Paiz , RJ, 18/12/1898, capa. e do público em geral que se interessara em prestigiar o evento 9 9 “A academia distribuiu um número muito limitado de convites oficiais. Terão ingresso na sessão, porém, todas as pessoas que possa interessar essa festividade literária” (“ Academia Brazileira de Lettras ”, A notícia , RJ, 17/12/1898, p. 2). , João Ribeiro finalmente toma a palavra. Dirigindo-se inicialmente aos membros da Academia, ele faz então dois movimentos: por um lado agradece a distinção que lhe foi concedida e mostra a mudança interior que a mesma lhe proporcionou, mencionando que tal honraria “alterou-me por assim dizer as forças mesmas do meu espírito. Enobrecido e exaltado por ela, sinto que se apagou de mim o pessimismo”. E, em paralelo a esta alegria, demonstra também sua tristeza, pois, para ele, a vaga deixada pela morte de Luiz Guimarães Junior não deveria ser ocupada “por um estudioso nem por um espírito voluntarioso”, mas sim “por um outro grande poeta como ele o foi, por outra grande estrela capaz de salvar do caos o seu sistema agora abismado na inércia insondável” 10 10 “ Academia Brasileira – recepção do Sr. João Ribeiro. Discurso do Sr. João Ribeiro ”, Revista Brasileira , Tomo XVI, Outubro-Dezembro de 1898, p. 270-272. . Sergipano que tinha então trinta e oito anos e destacava-se por ser “autor de três gramáticas portuguesas, um dicionário gramatical, e um volume de Estudos Filológicos” 11 11 “ Livros escolares ”, A Notícia , RJ, 26/11/1896, p. 2. , João Ribeiro não se sentia à altura da homenagem, embora há quase dez anos houvesse publicado um livro como poeta 12 12 Trata-se da seguinte obra: Versos . Rio de Janeiro: Centro Bibliographico, 1889 (Cf. “ Livro da porta ”, Revista Illustrada , RJ, 14/12/1889, p. 7). . Diante de uma plateia atenta ele então revela que no seu entendimento “a grandeza e a sublimidade da poesia está em que ela repele o concurso árido e esterilizante das coisas”, pois sendo ela “sonho e emoção”, o poeta é “o grande Intérprete, o grande Explicador do mundo”, confessando por fim que, por tais razões, “a poesia é uma dimensão nova que está talvez oculta à minha perspectiva do mundo” 13 13 “ Academia Brasileira – recepção do Sr. João Ribeiro. Discurso do Sr. João Ribeiro ”, Revista Brasileira , Tomo XVI, Outubro-Dezembro de 1898, p. 272-273. . Tratando a poesia como um modo de visão particular acerca das coisas, acessível somente pelos verdadeiros poetas, ele faz então breves alusões em seu discurso a “João Paulo Richter” (Johann Paul Friedrich Richter), Ésquilo, Schiller, Steiner e Homero. E, em seguida, na tentativa de buscar uma explicação para o que seja a poesia, ele recorre a Nietzsche, fazendo primeiramente uma tentativa de síntese das três primeiras seções de Die Geburt der Tragödie (que ele traduz como Origem da tragédia ):

Frederico Nietzsche via na tragédia grega a forma mais veemente e máscula da poesia clássica e a tragédia era o consórcio do elemento épico e do lírico, da ação e do côro: era a identificação do elemento apolíneo plástico, sereno e escultural com o elemento dionisíaco, feito de dor, de subjetivismo e de música. Em suma era a conjugação da palavra à música, a subordinação da narrativa ao ritmo.

E, na sequência do mesmo raciocínio, ele busca também extrair da reflexão nietzschiana algo que lhe permita explicar aquilo que constitui o ser-próprio de um poeta:

Supunha assim o filósofo achar a misteriosa correlação orgânica que há entre as emoções e as ondas sanguíneas do coração; e pois que a continuidade da paixão produziria a diástole ininterrupta daquele músculo, a necessidade de respirar, salvando a vida, criou o instinto do ritmo 14 14 Conforme Fernando de Moraes Barros, Nietzsche realizou no inverno de 1870-71 um ciclo de conferências intitulado “O ritmo grego”, do qual ele traduz a seguinte passagem (KGW III, 2, p. 322): “A força do ritmo. Eu suponho que o poder físico do ritmo reside em dois ritmos que, operando entre si, visam a determinar um ao outro, de sorte que o ritmo mais amplo termina por cortar o passo do mais curto. O movimento rítmico do pulso, etc. (do caminhar) seria provavelmente redimensionado por meio de uma marcha musical, bem como o passo se acomodaria à pulsação. Quando o batimento da pulsação é, por exemplo, da ordem do 1’ 2 3 4’ 5 6 7’ 8, então o batimento será escutado a cada 1’ 4’ 7’: e assim por diante. Creio que o movimento sanguíneo em 1’ 4’ 7’ se torna gradativamente mais intenso que em 2 3 5 6 8. E, já que o corpo inteiro detém um sem-número de ritmos, então se pode dizer que, por meio do ritmo, uma intervenção direta sobre o corpo é realmente efetivada” BARROS, O pensamento musical de Nietzsche , 2005, p. 126 . . O verso é a emoção pontuada, o regímen vital da emoção, sem o qual uma asfixia passional seria inevitável. Numerus regit orbem . Em Luiz Guimarães Junior, desde cedo revelou-se esse grande segredo rítmico das emoções

15 15 “ Academia Brasileira – recepção do Sr. João Ribeiro. Discurso do Sr. João Ribeiro ”, Revista Brasileira , Tomo XVI, Outubro-Dezembro de 1898, p. 274-275. Exceto pela frase final em que menciona Luiz Guimarães Junior, esse texto no qual João Ribeiro trata de Nietzsche seria publicado alguns anos depois sob o título “ O verso ”. Primeiramente na revista Fon-Fon , RJ, Natal de 1923, p. 177 (a revista indica a fonte: “João Ribeiro – Discurso de Recepção”) e mais tarde em: A Federação , RS, 10/05/1928, p. 3. .

Diante de uma audiência qualificada constituída por muitos poetas (em seu próprio discurso ele dirá, logo em seguida, que “os maiores de nossos poetas estão entre vós”), é significativo, portanto, que João Ribeiro tenha recorrido a Nietzsche para sustentar filosoficamente o fenômeno daquilo que constitui a poesia e o poeta. E se até o final de seu discurso ele fará uma breve citação de uma frase de Tolstói e reproduzirá um trecho mais longo de uma obra de Goethe, é interessante notar que João Ribeiro também recorre a Nietzsche para justificar que os poetas são mal compreendidos pela imensa massa daqueles que constituem o mundo, ou seja, pelos juízos dos “animais domésticos” 16 16 Idem , ibidem , p. 275. João Ribeiro indica, em nota de rodapé, a fonte desta expressão: “Fred. Nietzsche”. .

Por certo, não era a primeira vez que João Ribeiro fazia menções a Friedrich Nietzsche. Tendo embarcado para a Europa em abril de 1895 17 17 “Parte hoje para a Europa no vapor alemão Santos o ilustrado escritor e filólogo João Ribeiro” (“ Estado do Rio ”, O Paiz , RJ, 06/04/1895, capa). Em tom jocoso, outro jornal anunciava que João Ribeiro “Resolveu agora ir à Europa (...) em busca de Winckelmann e outros (...) sábios alemães, versados em coisas helenas” (“ História dos sete dias ”, A Semana , RJ, 06/04/1895, capa). , já no ano seguinte, ao escrever um artigo na cidade de Hannover no dia trinta de julho (ou seja, aproximadamente três meses após estabelecer-se na Alemanha), ele mencionava “a degeneração das teorias de Nietzsche” na mão de determinados intérpretes, ao mesmo tempo em que saía em defesa do “grande filósofo e estilista” 18 18 Cf. “ Revista Allemã” (...) Hannover, 30 de Julho ”, Jornal do Commercio , 02/09/1896, capa. ; do mesmo modo, em vinte e sete de dezembro de 1896, em outro artigo enviado para o Brasil, ele informava que na Alemanha Nietzsche era “o apóstolo da mocidade incrédula”, caracterizando-o como “o mais cruel inimigo da religião cristã” 19 19 Cf. “ Revista Allemã” (...) 27 de Dezembro de 1896 ”, Jornal do Commercio , 25/01/1897, p. 2. . Por fim, em “24 de Maio” de 1897, João Ribeiro escreveu um artigo inteiramente dedicado a Nietzsche, por ocasião da morte da mãe do filósofo, Franziska Nietzsche 20 20 Cabe aqui mencionar os artigos publicados por João Ribeiro no Jornal do Commercio no ano de 1897, de modo a desfazer um mal-entendido. Inicialmente é importante observar que alguns deles surgem com a data e/ou o local em que ele redigiu os mesmos (a data de publicação indicaremos entre colchetes): “ (...) 27 de Dezembro de 1896 ” [25/01/1897]; “ Carta alemmã ” [06/02/1897]; “ Revista Alemmã (...) 24 de Janeiro de 1897 ” [20/2/1897]; “ De toda a parte (...) Milão, 15 de Fevereiro ” [15/03/1898]; “ A questão do oriente (...) 23 de Fevereiro de 1897 ” [26/03/1897]; “ Questão do Oriente (...) 3 de Março de 1897. Segundo Artigo ” [31/03/1897]; “ A questão do oriente. O phil’-helenismo (...) Milão, 22 de Março ” [15/04/1897]; “ F. Nietzche (...) 24 de Maio ” [18/06/1897]. Este último artigo (no qual há um erro de grafia no sobrenome do filósofo) é, portanto, do ano de 1897 (o que faz sentido, pois a mãe de Nietzsche falecera em 20/04/1897). Alguns anos mais tarde, este texto receberá algumas modificações e será publicado sob o título “ Frederico Nietzsche ”, (Cf. Almanaque Brasileiro Garnier para o Anno de 1904 , RJ, [1903], p. 247-250) sendo que ao final do mesmo, lê-se:”Berlim, Maio de 1896”, o que certamente constitui um erro de memória do próprio autor, pois este erro persistirá nas edições seguintes do texto (que também sofrerá revisões e acréscimos), como por exemplo em: RIBEIRO, O Fabordão , 1910, p. 17-27. . Tratava-se, aliás, do último artigo que ele enviou para publicação no Jornal do Commercio visto que, depois de permanecer mais de dois anos na Europa, João Ribeiro retornou ao Brasil em princípios de julho de 1897 (pouco antes, portanto, do momento de fundação da Academia Brasileira de Letras) 21 21 Quanto ao retorno de João Ribeiro, o próprio Jornal do Commercio noticiou: “Chegou ontem da Europa o Sr. João Ribeiro (...) fortalecido em sua saúde e mais forte em seu belo talento na rara ilustração para o exercício de seu professorado e para as letras” (“ Várias Notícias ”, Jornal do Commercio , 02/07/1897, p. 2) .

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Se naquela noite de 17 de dezembro de 1898, no Rio de Janeiro, João Ribeiro voltava a mostrar que conhecia o pensamento de Nietzsche, privilegiando em seu raciocínio determinadas concepções presentes no Nascimento da tragédia , fato é que, dois dias antes, o consagrado crítico musical José Rodrigues Barbosa (que tinha então quarenta e um anos de idade) havia publicado um artigo no Jornal do Commercio inteiramente dedicado à obra inaugural do filósofo alemão. Tratava-se, na verdade, do décimo oitavo artigo de sua prestigiosa coluna intitulada “Teatros e Música”, inaugurada cinco anos antes, e que a partir da segunda quinzena de novembro de 1898 recebeu o subtítulo: “Os filósofos e a música. Tolstói e Nietzsche” 22 22 É importante notar que embora seu nome não apareça na coluna “ Theatros e Música ”, seu público leitor o conhecia, a exemplo da carta enviada por um de seus apreciadores: “Escreve-nos o Sr. Visconde de Taunay a seguinte carta: ‘Sr. Rodrigues Barbosa – Bem cordialmente o felicito pelos seus excelentes artigos a propósito da música sacra’” (“ Theatros e Música ”, Jornal do Commércio , RJ, 16/01/1898, p. 2). .

Reputado como um dos principais apreciadores e conhecedores da música de Richard Wagner, Rodrigues Barbosa viera bastante jovem de Minas Gerais para estabelecer-se no Rio de Janeiro. Na qualidade de um “Republicano dos mais fervorosos, tomou logo parte saliente na Proclamação da República, ao lado de Benjamin Constant, Aristides Lobo e outros”, sendo em seguida nomeado como “secretário do Ministério do Interior, prestando ali grandes serviços ao país” – ofícios estes que estavam vinculados com “o traço fundamental” de sua vida, ou seja, com “sua constante dedicação à cultura musical” 23 23 “ O falecimento, ontem, de Rodrigues Barbosa ”, O Jornal , RJ, 25/03/1939, p. 3. . Dentre as atividades realizadas no início da jovem República em consonância com sua vocação, ele integrou a comissão que no ano de 1890 “extinguiu o Conservatório Imperial e criou o Instituto Nacional de Música”, bem como inaugurou sua coluna “Teatros e Música na edição de 26 de Maio de 1893”, na qual, “além da ópera, a música sinfônica e de câmara passaram a receber crítica mais apurada” 24 24 VOLPE, “ José Rodrigues Barbosa: questões identitárias na crítica musical ”, Brasiliana – Revista Semanal da Academia Brasileira de Música , n. 25, Junho de 2007, p. 3-4. . Bem antes da criação de tal coluna, porém, ele já escrevia há alguns anos no mesmo jornal, divulgando as apresentações de óperas executadas no Rio de Janeiro e em outros lugares do país, bem como noticiando o que ocorria no exterior, tal como fizera em 1892 a propósito da música wagneriana: “O teatro de Ópera de Dresde vai brevemente celebrar o 50 o aniversário da 1 a representação de Rienzi . Esta obra musical da mocidade de Wagner foi pela primeira vez representada em 20 de Outubro de 1842” 25 25 “ Novidades theatrais e musicaes ”, Jornal do Commercio , RJ, 25/08/1892, capa. . Frequentando de modo assíduo as salas de concerto no Rio de Janeiro, seu repertório wagneriano permitia-lhe comparar as diferentes orquestrações da obra de Wagner representadas no país, tal como em setembro de 1898, quando, a propósito da ópera Lohengrin , que já tivera a oportunidade de assistir por uma “orquestra de primeira ordem (...) sob a regência magistral e finamente artística do saudoso Mancinelli”, ele então fez uma dura crítica a uma apresentação da “nova Companhia Italiana”, pois, segundo suas palavras, “a ópera foi mutilada sem dó nem piedade, e, já se sabe, com esta justificativa adrede engatilhada para este povo de bugres: que o próprio Wagner indicara esses cortes para as edições italianas!”; exasperando-se de modo implacavelmente crítico diante de seus leitores: “E dizer que haverá ainda hoje uma segunda representação!” 26 26 “ Theatros e Música ”, Jornal do Commercio , RJ, 21/09/1898, p. 2-3. .

Ora, é justamente dentro deste espírito de esclarecimento sobre a música de Richard Wagner que ele então decide apresentar ao público brasileiro dois “filósofos” que buscaram refletir sobre as composições wagnerianas. Já no primeiro artigo publicado em novembro de 1898 sob o título “Teatros e Música. Os filósofos e a música. Tolstói e Nietzsche”, ele começa por uma observação geral: “De ordinário os filósofos são pouco felizes quando se ocupam da arte musical”. Tratando Tolstói como um “mestre ilustre do nosso tempo”, um “novelista delicioso ou poderoso”, um “pensador profundo e penetrante”, o autor de A Sonata a Kreutzer , no entanto, tinha uma compreensão insuficiente no que diz respeito à música, pois, nas palavras de Rodrigues Barbosa: “Nunca lemos coisa tão vazia, tão paradoxalmente falsa, tão pueril como as páginas consagradas pelo célebre escritor russo à música no ensaio de estética geral que ele publicou recentemente com o título: Qu’est-ce que l’art? (Há duas traduções francesas: uma de Wizewa, outra de Halperine)” 27 27 “ Theatros e Música. Os philosophos e a música. Tolstoi e Nietzsche. I ”, Jornal do Commercio , RJ, 22/11/1898, p. 3. Rodrigues Barbosa referia-se às seguintes edições, recentemente traduzidas para a língua francesa: TOLSTOÏ, Léon. Qu’est-ce que l’Art? Traduit du russe et precede d’une Introduction par Teodor de Wyzewa . Paris: Librairie Académique Didier, 1898; TOLSTOÏ, Léon. Qu’est-ce que l’Art? Traduit du manuscrit original russe par E. Halpérine-Kaminsky . Paris: Ollendorff, 1898. .

Publicando a coluna sobre “Tolstói e Nietzsche” quase diariamente, no final de novembro de 1898, após mostrar que Tolstói buscou pensar a arte por meio das classes econômicas da sociedade, privilegiando a classe trabalhadora, Rodrigues Barbosa dá início a seu posicionamento contra a compreensão estética do autor russo 28 28 Para Rodrigues Barbosa “a arte não pode ser julgada boa ou má conforme o assunto e a matéria de que trata; seu valor intrínseco só é que deve ser examinado. Obras que se ocupem da vida dos ricos podem ser tão profundas, tão gerais, tão universais como as que examinam a vida dos pobres” (“ Theatros e Música. Os filósofos e a música. Tolstoi e Nietzsche. VIII ”, Jornal do Commercio , RJ, 29/11/1898, p. 2). . Aprofundando tal contraposição nos artigos da primeira quinzena de dezembro, ele mostrava as fragilidades teóricas de Tolstói no que diz respeito ao valor intrínseco da obra de arte, sobretudo quando este aponta Richard Wagner “como modelo perfeito da falsificação da arte” 29 29 “ Theatros e Música. Os filósofos e a música. Tolstoi e Nietzsche. IX ”, Jornal do Commercio , RJ, 1/12/1898, p. 2. . Mostrando para o leitor brasileiro que “há no livro de Tolstói (...) a narração de uma representação de Siegfried a que nosso filósofo assistiu em Moscou”, ele explorava a má-compreensão do escritor russo, defendendo, de forma literal, que “Tolstói tem uma ideia fixa: sua Arte social30 30 Idem. XIII, ibidem , RJ, 10/12/1898, p. 3. . A partir deste momento, Rodrigues Barbosa então explicitava seu conhecimento sobre a obra de Schopenhauer, validando a compreensão do filósofo sobre o fenômeno da música, ao mesmo tempo em que, contra Tolstói, saía em defesa do compositor alemão que compreendera Schopenhauer: “Apelo para todos aqueles que foram a Bayreuth. Ouvindo os dramas de Wagner neste admirável quadro, não somos mais os mesmos, parece, durante algumas horas, que se romperam os laços entre nós e as realidades da existência”; e, do mesmo modo, Rodrigues Barbosa não deixava dúvidas sobre a importância da obra de arte wagneriana: “É esse o triunfo supremo da arte (...) e é por nos ter feito experimentar muitas vezes e com uma intensidade singular, que Wagner é tão grande e ocupa lugar de primeira ordem entre aqueles que a humanidade deve honrar como seus benfeitores” 31 31 Idem. XV, ibidem , RJ, 12/12/1898, p. 2. .

Mas se a polêmica contra Tolstói ocupara mais de quinze artigos, é de modo inteiramente diferente que ele trata e apresenta Nietzsche no primeiro texto que lhe dedica na metade de dezembro de 1898:

Frederico Nietzsche tem sobre Tolstói uma vantagem quando fala de música: é que ele não ignorava em absoluto a arte musical. Fizera bons estudos, tocava piano regularmente e aprendera harmonia; sabia mesmo o suficiente para compor. Enfim, suas relações íntimas com Ricardo Wagner proporcionaram-lhe conhecer muitas questões de alta estética musical.

Entretando, ele nunca procurou agrupar suas ideias sobre música em um corpo de doutrina; disseminou-a em diversos escritos, sem ligação entre si, ao acaso da inspiração.

Um só desses escritos tem um caráter de um estudo de estética: é a brochura que publicou em 1872 com este título: Die Wiedergeburt der Tragödie aus dem Geiste der Musik , isto é: O renascimento da tragédia pelo gênio da música .

32 32 Idem. XVIII, ibidem , RJ, 15/12/1898, p. 3.

Indicando o título do livro de um modo que não era estranho a Nietzsche (pois o próprio filósofo muitas vezes o viu citado desta maneira) 33 33 Lembremos que em relação à Die Geburt der Tragödie , o próprio Nietzsche reconheceu: “Por várias vezes encontrei o livro citado como o Re nascimento (die Wieder geburt) da tragédia a partir do espírito da música” ( Ecce homo , “O nascimento da tragédia”, §1). , em seguida, Rodrigues Barbosa busca contextualizar para seu leitor que o “estudo de estética” de Nietzsche possuía uma relação tanto com a obra de Wagner quanto com a de Schopenhauer:

No fundo, esse escrito do filósofo-filólogo é apenas um capítulo complementar da grande obra de Wagner: Opera e Drama . Continuando a tese favorita de Wagner sobre a unidade necessária do drama musical, ele faz depender a decadência da tragédia helênica da separação dos dois elementos de que ela se acompanha – o elemento musical e o elemento puramente literário, e a sua conclusão era que Wagner, na sua obra de arte, restabelecendo a única das duas artes, reconstituía a tragédia em sua essência original, fazia renascer do gênio da música a tragédia perdida desde a antiguidade.

Essa tese original, desenvolvida de maneira muito interessante, tem por fundamento as teorias de Schopenhauer sobre a música. Discípulo do filósofo de Francfort, de quem ele se devia separar mais tarde completamente, combatendo o mesmo com singular vivacidade, Nietzsche está então ainda todo imbuído das doutrinas expostas no Mundo como Vontade e Representação . Ele admite que a música é a expressão da própria essência das causas, ou, como diz Schopenhauer, uma objetivação da vontade (...)

34 34 “ Theatros e Música. Os filósofos e a música. Tolstoi e Nietzsche. XVIII ”, Jornal do Commercio , RJ, 15/12/1898, p. 3. .

O crítico musical que, por meio do subtítulo de sua coluna no Jornal do Comércio , havia despertado em seus leitores a expectativa sobre quem seria o então pouco conhecido “Nietzsche” também apresenta, na sequência, e em nosso vernáculo, seu conhecimento de O Nascimento da tragédia:

O desenvolvimento ulterior da arte (...) está ligado à união de dois princípios distintos: o elemento apolíneo e o elemento dionisíaco; depende deles, como a geração da dualidade dos sexos, periodicamente unidos apesar do seu antagonismo irredutível. Esses dois elementos tinham sido personificados pelos Gregos em Apolo e Dionisio (...). O elemento apolíneo corresponde ao estado de sonho, o elemento dionisíaco ao estado de embriaguez. É no estado de sonho que se apresentavam ao artista grego as nobres formas dos deuses, é em sonho que o escultor via levantar-se diante dele a sedutora harmonia dos corpos divinos, que o poeta via desprenderem-se os numerosos mundos possíveis que o mundo real encerra em si mesmo. Ora, as belas aparências do mundo dos sonhos, na criação dos quais todo o ser humano é artista, são a premissa de toda arte plástica e também de toda a poesia.

E ainda neste mesmo artigo Rodrigues Barbosa dá a conhecer, de forma quase literal, uma parte substancial da primeira seção de O nascimento da tragédia 35 35 Idem, ibidem . . A partir disso, é possível deduzir que parte do público leitor do Jornal do Commercio , ao assistir à posse de João Ribeiro dois dias mais tarde na Academia Brasileira de Letras, já tivera um contato prévio com algumas das concepções da obra do filósofo alemão. Mostrando sua sapiência sobre Richard Wagner, um dos últimos artigos escritos por Rodrigues Barbosa no ano de 1898 em sua coluna é para divulgar que, na França, o Journal des débats anunciava a publicação das “Cartas de Ricardo Wagner a Emilio Heckel”, obra que ele julgava ter “um valor especial para os que conhecem a música wagneriana”, pois “Heckel foi outrora um dos maiores inimigos e rebeldes desta nova música” 36 36 “ Theatros e Música. Nova publicação de Wagner ”, Jornal do Commercio , RJ, 28/12/1898, p. 2. É provável que a casa editorial que publicou a correspondência de Wagner com Heckel tenha enviado antecipadamente o livro para o Journal de Débats , pois a obra sairia com data do ano seguinte, a saber: Briefe Richard Wagners an Emil Heckel: zur Entstehungsgeschichte der Bühnenfestspiele in Bayreuth / hrsg. von Karl Heckel . Berlin: Fischer, 1899. Cabe notar que Nietzsche conhecia Heckel, pois enviou para ele pelo menos duas cartas no segundo semestre de 1873. .

Durante o mês de janeiro de 1899, dando continuidade à abordagem de “Tolstói e Nietzsche”, Rodrigues Barbosa inicia o vigésimo primeiro artigo da série “Os filósofos e a música” revelando que ele e outros apreciadores de ópera devem a Nietzsche a compreensão do valor e do sentido do conjunto da obra wagneriana:

Com seu modo de ver tão penetrante e novo sobre a tragédia na antiguidade, foi incontestavelmente Nietzsche quem abriu-nos o caminho para a compreensão da arte e do gênio de Wagner.

Quem não leu a obra do filósofo de Basiléia não pode compreender inteiramente a obra do mestre de Bayreuth. O Nascimento da tragédia é um capítulo complementar da grande obra em que Wagner expôs suas ideias e suas aspirações estéticas: Ópera e Drama .

Não é diminuir esse grande e belo estudo acrescentar que o capítulo complementar de Nietzsche é necessário à compreensão do que se chamou o sistema de Wagner, pois só ali se revelam o verdadeiro valor e o verdadeiro sentido das obras do mestre

37 37 “ Theatros e Música. Os filósofos e a música. Tolstoi e Nietzsche. XXI ”, Jornal do Commercio , RJ, 15/01/1899, p. 2. .

Explicando que em Ópera e Drama Wagner falara como artista, “sem se preocupar muito com a exatidão histórica de sua exposição nem o rigor absoluto de suas deduções”, e que o compositor não analisava sua relação com os mitos, Rodrigues Barbosa volta a pontuar em relação à novidade da interpretação nietzschiana:

Essa análise foi Nietzsche quem nos deu, feita com toda a penetração de uma crítica infinitamente mais bem aparelhada que a de Wagner, e com uma clareza de método, uma solidez de argumentação que não se encontram no Ópera e Drama .

Assim é que a natureza verdadeira das relações de Wagner com o mito só tem para nós explicação cabal no estudo mui penetrante e mui profundo de Nietzsche sobre a essência do trágico .

(...) Nietzsche, pela sua parte, desce bem até o fundo do problema, e mostrando os laços estreitos que prendem o sentimento trágico ao mito e este à música, revela-nos ao mesmo tempo as causas profundas da predileção irresistível de Wagner pelos assuntos míticos. Sendo um poeta trágico, no sentido mais verdadeiro do termo, Wagner devia necessariamente fundir em uma obra de arte o mito e a música, como fizeram os grandes trágicos gregos

38 38 Idem, ibidem . .

Do mesmo modo, na sequência final de textos em que privilegia a abordagem da obra nietzschiana, o crítico musical Rodrigues Barbosa afirmava no penúltimo artigo desta série que “ Geburt der Tragoedie é um escrito visivelmente concebido sob a influência das ideias do mestre de Bayreuth, e no qual, segundo toda verossimilhança, Nietzsche desenvolveu, com sua originalidade própria, o modo de ver do próprio Wagner sobre sua arte” 39 39 Idem. XXVIII, ibidem , RJ, 28/01/1899, p. 3. . Tese esta que ele por fim retoma para mostrar a relação estreita entre o filósofo e o músico alemão, sugerindo também o modo como um leitor sagaz deveria interpretar o título do primeiro livro de Friedrich Nietzsche:

(...) Nietzsche, que durante longos anos foi até certo ponto o discípulo mais fervente de Wagner; que pode observá-lo de perto com seu olhar penetrante de filósofo e de analista; que procurou explicar a si mesmo o fenômeno altamente interessante que tinha sob os olhos, não teria certamente concebido sua tese tão ousada e tão nova sobre a tragédia antiga sem as sugestões de quem ele considerava naquele momento como um gênio excepcional e sem igual.

Pretendendo explicar esteticamente e filosoficamente Ésquilo, Sófocles e Eurípedes, era Wagner que ele procurava compreender e fazer compreender.

O título do seu estudo sobre a tragédia não é exato.

O verdadeiro título, para quem sabe ler, não é o Nascimento da tragédia , e sim, o Nascimento do drama wagneriano do gênio da Música .

40 40 Idem. XXIX, ibidem , RJ, 29/01/1899, p. 2.

Como wagneriano convicto, parece não restar dúvida, pelas abordagens de Rodrigues Barbosa, que ele teve contato com a primeira versão da obra de Nietzsche, e não com a edição em que o filósofo acrescentou seu “Ensaio de autocrítica” e modificou o subtítulo da obra para “Helenismo e Pessimismo”. De outra parte, o crítico musical brasileiro conhecia também O caso Wagner , pois alguns meses depois, ele retoma uma parte da quarta seção desta obra (na qual Nietzsche analisa o Anel dos Nibelungos de Wagner e conclui que a influência de Schopenhauer sobre o compositor “revelou o artista da décadence a si mesmo ”) para mostrar (citando um trecho de um artigo recentemente publicado pelo “tradutor dos trabalhos de Wagner em prosa”, William Ashton Ellis) que “todo o schopenhauerismo que existe no Ring des Nibelungen , tal como é de nós conhecido, já nele existia antes que Wagner tivesse lido uma só linha das obras do filósofo de Frankfurt ou tivesse notícia qualquer de seu sistema” 41 41 “ Theatros e Música. Wagner e Schopenhauer ”, Jornal do Commercio , RJ, 23/04/1899, p. 3. Cabe registrar que o conjunto de textos de crítica musical publicados ao longo de décadas por Rodrigues Barbosa no Jornal do Commercio ainda não foram reunidos e devidamente apreciados. Sobre sua importância como crítico, Maria Alice Volpe indica que ele foi “o primeiro a proclamar o compositor Alberto Nepomuceno” como “o fundador da Música Brasileira”, e que uma “das obras escritas sob o influxo wagneriano no Brasil, I Salduni , de Leopoldo Miguez, foi dedicada aos críticos musicais Rodrigues Barbosa e Luís Castro, ‘os dois infatigáveis trabalhadores que tanto têm feito para a vitória do drama Lírico no Brasil’” (VOLPE, “José Rodrigues Barbosa: questões identitárias na crítica musical”, Brasiliana – Revista Semanal da Academia Brasileira de Música , n. 25, Junho de 2007, p. 1 e 5). .

***

Os artigos enviados por João Ribeiro desde a Europa para o Jornal do Commercio entre os anos de 1896 e 1897 com informações sobre a filosofia ou com registros de aspectos biográficos de Nietzsche; seu discurso na Academia Brasileira de Letras em dezembro de 1898, publicado em janeiro do ano seguinte na conceituada Revista Brasileira (Tomo XVI, Outubro-Dezembro de 1898) 42 42 Cf. “Revista Brasileira”, Revista Moderna , RJ, Janeiro de 1899, p. 4. José Veríssimo, então diretor da Revista Brasileira , publicou neste mesmo volume seu próprio discurso de recepção a João Ribeiro proferido na Academia Brasileira de Letras. ; a sequência de artigos de autoria de Rodrigues Barbosa no mesmo jornal entre novembro de 1898 e janeiro de 1899, nos quais o crítico musical colocou o nome de Nietzsche ao lado do já célebre Tolstói: tudo isto mostra não somente que ambos foram os que primeiramente abordaram O nascimento da tragédia , mas que provavelmente são os dois primeiros estudiosos brasileiros que se detiveram sobre o pensamento nietzschiano na última década do século XIX, contribuindo de modo decisivo para a divulgação de sua filosofia no Brasil.

Neste sentido cabe registrar, em breve retrospectiva, que dentre os primeiros artigos sobre Nietzsche publicados na imprensa brasileira (conhecidos até o presente momento) estão “O neo-cinismo” ( Gazeta de Notícias , RJ, 20/05/1893) e “A filosofia na moda: Frederic Nietzsche” ( Jornal do Commercio , RJ, 04/09/1896), o primeiro assinado por “Julio Erasmo” e o segundo pelo “Dr. Ernst”. Trata-se, entretanto, de dois autores que há bastante tempo utilizavam pseudônimos quando escreviam textos para a imprensa e que, estando na Europa, ao perceberem o crescimento de interesse pela filosofia de Nietzsche, buscaram refletir sobre o fenômeno, enviando seus artigos para publicação no Rio de Janeiro. O primeiro deles um parlamentar conservador brasileiro que partiu para o exílio logo no início de nossa República e era conhecido por seus textos de caráter político; o segundo, um alto funcionário português que, naquele momento, ocupava um cargo de diplomata na Alemanha, dedicando-se em suas horas livres à atividade jornalística, em particular enquanto crítico literário 43 43 Neste sentido ver: “Nietzsche na imprensa brasileira do século XIX: sobre as interpretações e os autores de”O neo-cinismo” (1893) e “A filosofia na moda” (1896)“, artigo de nossa autoria que encontra-se no prelo para publicação. . E se entre aqueles que enviaram tais textos desde a Europa, João Ribeiro destaca-se por assinar com seu próprio nome o artigo sobre “F. Nietzsche” ( Jornal do Commercio , RJ, 18/06/1897), fato é que logo em seguida, em solo brasileiro, outros estudiosos, cujos nomes eram bastante conhecidos, buscarão refletir sobre o filósofo alemão.

Dentre os presentes na Academia Brasileira de Letras na sessão de posse de João Ribeiro estava Silvio Romero, que no ano seguinte receberia um artigo sobre Nietzsche a ele dedicado por Leopoldo de Freitas – conhecido até aquele momento como “Bacharel em Direito pela faculdade de S. Paulo e dedicado ao jornalismo” 44 44 BLAKE, “ Leopoldo de Freitas Cruz ”, Diccionario Bibliographico Brazileiro , 1899, p. 303. . Texto que novamente surgia na capa de um jornal do Rio de Janeiro, o autor de “Um filósofo” ( O Paiz , RJ, 16/10/1899) estava estabelecido há mais de dez anos em São Paulo, embora visitasse com frequência a capital da República, lugar onde mantinha um círculo de amigos ligados ao jornalismo, entre os quais os próprios editores de O Paiz 45 45 Ao longo de anos, Leopoldo de Freitas foi anunciado pelos editores do jornal quando chegava no Rio de Janeiro: “Acha-se entre nós, vindo de S. Paulo, o Sr. Dr. Leopoldo de Freitas, muito conhecido na roda literária tanto de São Paulo como de Santos, onde dirigiu algumas folhas importantes” (“ Publicações ”, O Paiz , RJ, 06/01/1892, p. 2)“, sendo que, estando na cidade, visitava o respectivo periódico:”Chegou ontem de S. Paulo e deu-nos o prazer de sua visita o Dr. Leopoldo de Freitas, nosso talentoso colega de imprensa” (“ Jury Federal ”, O Paiz , RJ, 03/07/1897, capa); “Ao Dr. Leopoldo de Freitas agradecemos a visita pessoal com que nos distinguiu” (“ Naufrágio ”, O Paiz , RJ, 07/10/1898, capa). . Natural do Rio Grande do Sul, Leopoldo de Freitas tinha vinte e dois anos quando ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo em 1887 46 46 Cf. “ Faculdade de Direito ”, Correio Paulistano , SP, 15/11/1887, p. 2; “ Telegramas ”, RJ, Gazeta de Notícias , 15/11/1887, capa. . Concluindo seu curso no ano de 1891 47 47 Ao terminar sua formação em 1891, sua vocação como escritor também já havia despontado: “Foi ontem aprovado nas matérias do 5o ano jurídico o distinto acadêmico Leopoldo de Freitas. Este jovem escritor, durante o seu curso acadêmico, distinguiu-se sempre pelo seu lúcido talento e pela sua notável aptidão” (“ Leopoldo de Freitas ”, Correio Paulistano , SP, 21/10/1891, capa). , é provável que no período de sua formação ele tenha tomado contato com a inovadora obra de Silvio Romero, A philosophia no Brazil (Porto Alegre: Typ. do Deutsche Zeitung, 1875), ou que posteriormente tenha travado diálogos com o ilustre sergipano no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (onde ambos foram admitidos como sócios em 1895) 48 48 Cf. PEREIRA, Subsídios para a história da educação no Brasil: um estudo da Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo , 2013, p. 53. , ou mesmo que conhecesse o recente livro de Clóvis Beviláqua Juristas Philosophos (Bahia: Livraria Magalhães, 1897) – no qual havia um capítulo inteiro dedicado a Silvio Romero. Certo é, porém, que havia publicado recentemente o artigo “História do Direito” ( O Paiz , RJ, 24/09/1899) e, conhecendo a veia germanista do autor a quem admirava (lembremos que alguns anos antes Silvio Romero publicara os “Estudos PhilologicosRIBEIRO, J. Estudos Philologicos. In: ROMERO, S. Estudos de Litteratura Contemporânea. Páginas de crítica. Rio de Janeiro: Laemmert & C. Editores, 1885.”, de João Ribeiro) 49 49 O texto de João Ribeiro foi publicado em: ROMERO, Silvio. Estudos de Litteratura Contemporânea. Páginas de crítica . Rio de Janeiro: Laemmert & C. Editores, 1885; o qual foi amplamente divulgado pela editora, como por exemplo em: “ Estudos de Litteratura Contemporânea ”, O Paiz , RJ, 10/09/1885, p. 3. , ele apresenta o filósofo por meio de um cuidadoso perfil historiográfico (abordagem em que já se destacara num dos dois livros publicados até então) 50 50 Cf. BLAKE, Op . cit. , p. 304. Trata-se dos pequenos opúsculos Perfil biographico e político de Martim Francisco (São Paulo: Typ. King, 1896) e Duello (São Paulo: [s.n.], 1898). . Iniciando o artigo pela frase “Friedrich Nietzsche é considerado na Alemanha contemporânea como um dos maiores pensadores do século”, ele em seguida mostra porque o filósofo exerce influências sobre literatos e artistas, cita em língua portuguesa diversos trechos das obras do filósofo, e detém-se, particularmente, na relação dele com Richard Wagner. Informações que Leopoldo de Freitas em boa parte encontrou em sua leitura de dois autores que estavam entre aqueles que “têm divulgado ao público, de leitores latinos, as particularidades das obras e do caráter de Friedrich Nietzsche”: o primeiro Teodor de Wyzewa ( Écrivains étrangersWYZEWA, T. Écrivains étrangers. Paris: Librairie Académique Didier, 1896. . Paris: Librairie Académique Didier, 1896) 51 51 Nesta obra, o primeiro capítulo é dedicado a Nietzsche (“I. Le dernier métaphysicien ”; II. La jeunesse de Fréderic Nietzsche ”), sendo que no quarto capítulo, relativo aos “Escritores russos”, ele abordou Tolstói (“III. Les derniers écrits philosophiques du comte Tolstoi ”). , ou seja, o crítico de arte, escritor e tradutor de Qu’est-ce que l’art? (a obra de Tolstói que havia sido lida e citada pelo crítico musical Rodrigues Barbosa); o segundo Henri Albert, um “apaixonado pelo nietzscheísmo52 52 “ Um philosopho ”, O Paiz , RJ, 16/10/1899, capa. (ou seja, o germanista francês que em 1899 iniciara a edição das Oeuvres Complètes de Frédéric Nietzsche ) autor do recente livro Pages choisies / Frédéric Nietzsche (Paris: Société du mercure de France, 1899).

O elucidativo artigo “Um filósofo” de Leopoldo de Freitas (dedicado, portanto, “ao mestre Silvio Romero”) 53 53 É nestes termos que Leopoldo de Freitas inicia um artigo alguns anos depois intitulado “ O Brasil Social ”, Correio Paulistano , SP, 13/02/1907, capa. , parece ter ganho repercussão imediata, visto que uma semana depois José Veríssimo (ou seja, o acadêmico que na sessão solene de recepção a João Ribeiro definira o Rio de Janeiro como a “Meca dos nortistas”) 54 54 Cf. “ Discurso do Sr. José Veríssimo ”, Revista Brasileira , Tomo XVI, Outubro-Dezembro de 1898, p. 280. também publica um texto sobre Nietzsche intitulado “A filosofia de um poeta” ( Jornal do Commercio , RJ, 23/10/1899). Tendo por base uma abordagem crítica de Nietzsche que ele toma de empréstimo a Henri Lichtenberger, organizador da obra Friedrich Nietzsche: aphorismes et fragments_________ Friedrich Nietzsche: aphorismes et fragments / choisis par Henri Lichtenberger. Paris: Alcan, 1899. (Paris: Alcan, 1899), José Veríssimo inicia por posicionar-se em relação ao estatuto do pensamento nietzschiano já pelo título de seu artigo; em seguida, após definir Nietzsche como “um puro subjetivo, um ultra individualista (...) demais obscuro”, acaba por classificá-lo como um “um grande poeta”. Tomando para si a tarefa de apresentar o “poeta”, após dizer que “Nietzche é quase desconhecido entre nós”, ele esboça um panorama de sua vida e obra e, embora não se detenha na análise do primeiro livro do pensador alemão, busca mostrar aos seus leitores que o mesmo fazia parte de um projeto mais amplo:

(...) Nietzsche procurou nos seus primeiros escritos o Nascimento da tragédia (1872), Schopenhauer educador (1874), e R. Wagner em Bayreuth (1876), indicar a largos traços o que devia ser a cultura moderna, que ele quisera fundar na reunião de três elementos principais: a tragédia grega, o drama musical de Wagner, a filosofia de Schopenhauer

55 55 “ A philosophia de um poeta ”, Jornal do Commercio , RJ, 23/10/1899, capa. .

Artigo, em suma, pouco original, pois como reconhece o próprio José Veríssimo “Tal é Nietzsche, segundo a representação do Sr. Lichtenberger, que me limitei a resumir e traduzir”, ele é provavelmente um dos últimos veiculados na imprensa brasileira no apagar das luzes do século XIX, em particular no que diz respeito a alguma informação sobre O nascimento da tragédia .

Somente no ano seguinte o nome de Friedrich Nietzsche ganharia as páginas de muitos jornais em decorrência de seu falecimento, em vinte e cinco de agosto de 1900. No Jornal do Recife (cidade onde o nome do filósofo circulava desde 1876 por intermédio de Tobias Barreto) 56 56 Neste sentido, ver: PANTUZZI, Recepção e Antropofagia: Nietzsche na Escola de Recife , 2023. , os editores traduziram um texto do jornal Le Temps , de Paris, publicado “por ocasião da morte do notável pensador alemão”. Nele, consta uma panorama geral da biografia e das obras publicadas por Nietzsche, bem como surge a mudança que o filósofo fizera no subtítulo de seu primeiro livro ao reeditá-lo tardiamente com seu “Ensaio de autocrítica”: “ Origem da tragédia ou helenismo e pessimismo (1872)” 57 57 “ Frederico Guilherme Nietzsche ”, Jornal do Recife , PE, 27/09/1900, capa. .

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O alvorecer do século XX trouxe consigo a edição francesa L’origine de la tragédie ou hellénisme et pessimisme , traduzida por Jean Marnold e Jacques Morland (Paris: Société du Mercure de France, 1901), um dos volumes publicados na coleção Oeuvres Complètes de Frédéric Nietzsche , sob a direção de Henri Albert. Impressa em dezembro de 1901, ela chegou nas livrarias em 1902, gerando um novo impacto sobre os “leitores latinos” de Nietzsche trinta anos após a primeira edição alemã. No Brasil, o cearense Tristão de Alencar Araripe Júnior, membro da Academia Brasileira de Letras (que também esteve presente na sessão de recepção a João Ribeiro), dedicou-se a refletir sobre a primeira obra nietzschiana no texto intitulado “ ( T. A. ARARIPE JUNIOR, 1903_________ Ulisses e Dionísios. Comentário e questionamento sobre a obra de Nietzsche “Origens da Tragédia”. In: Almanaque Brasileiro Garnier para o anno de 1904, Anno II, Publicado sob a direção de B.F. Ramiz Galvão (Rio de Janeiro/Paris: Typ. H. Garnier, [1903]), p. 193-194. ) . Comentário e questionamento sobre a obra de Nietzsche Origens da Tragédia ”, que é concluído com a indicação do lugar e da data na qual ele o finalizou: “Rio [de Janeiro], 30 de Dez. de 1902”. Texto este que encontraria os seus leitores já no ano seguinte 58 58 Texto concluído no final de dezembro de 1902, ele surgiu já no ano seguinte impresso no Almanaque Brasileiro Garnier para o anno de 1904 , Anno II, Publicado sob a direção de B.F. Ramiz Galvão (Rio de Janeiro/Paris: Typ. H. Garnier, [1903]), visto que esta edição foi lançada no segundo semestre de 1903. Neste sentido, ver: “ Almanaque Brasileiro Garnier para o anno de 1904 ”, Gazeta de Notícias , RJ, 23/09/1903, p. 6; “ Almanaque Brasileiro Garnier.2° Ano ”, O Malho , RJ, 14/11/1903, p. 2. Importante mencionar que os Almanaques atingiam um público bastante amplo, pois além de comercializados eram também disponibilizados em Bibliotecas Públicas de todo o país. .

Formado pela Faculdade de Direito do Recife em 1869 59 59 Cf. “ Faleceu ontem Araripe Junior ”, A Imprensa , RJ, p. 2. , não era a primeira vez que Tristão de Alencar Araripe Júnior dava a conhecer certas ideias do pensador alemão. Escritor e crítico literário já consagrado, no final de 1896 ele revia “as últimas provas do seu livro ( T. A. ARARIPE JUNIOR, 1896ARARIPE JUNIOR, T. A. Literatura Brasileira, movimento de 1893. O crepúsculo dos povos. Rio de Janeiro: Tipografia da Empresa Democrática Editora, 1896. In: Obra crítica de Araripe Júnior, volume III, 1895-1900. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura / Casa de Rui Barbosa, 1963, p. 197-221. ), movimento do ano de 1893 ”, o qual trazia “como apêndice – O crepúsculo dos povos60 60 “ Gazetilha ”, Jornal do Recife , PE, 21/10/1896, p. 2. , sendo que neste opúsculo ele registrou uma paráfrase a partir de temas presentes em Assim falava Zaratustra 61 61 Neste texto, o escritor cearense inicia narrando a história de um amigo que ele chama de “Lohengrin”, o qual é flagrado lendo o capítulo “Crepúsculo dos povos” da obra Degenerescência , de Max Nordau (Cf. ARARIPE JUNIOR, T. A. Literatura Brasileira movimento de 1893. O crepúsculo dos povos . Rio de Janeiro: Tipografia da Empresa Democrática Eidtora, 1896. In: Obra crítica de Araripe Júnior volume III, 1895-1900. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura, Casa de Rui Barbosa, 1963, p. 203). . No final do ano de 1902, todavia, é de modo sintético que ele aborda o primeiro livro do filósofo:

Na sua obra Origens da tragedia Nietzsche explica a decadência grega e a de todo o Ocidente, pela morte do espírito dionisíaco.

O extermínio de Pã assinala justamente a debacle da vida intensa, que houve no meio daquele povo privilegiado. Esse excídio completou-se na sistemática substituição dos grandes e misteriosos instintos da espécie humana pela razão , pela mesquinhez da análise, pela maiêutica socrática.

Eurípedes, acrescenta o autor de Assim falou Zaratustra , transportando o espectador, o povo, para a cena, onde originalmente só tripudiavam aqueles instintos, nos símbolos de Ésquilo, e obrigando o antigo espectador ou o homem cotidiano a desempenhar os papéis na tragédia, foi o primeiro autor daquela decadência lutuosa

62 62 “ Ulisses e DionísiosComentário e questionamento sobre a obra de Nietzche Origens da Tragédia” . In: Almanaque Brasileiro Garnier para o anoo de 1904 , Anno II, Publicado sob a diração de B. F. Ramiz Galvão (Rio de Janeiro/Paris: Typ. H. Garnier, [1903]), p. 193. .

Impactado pelas teses defendidas na obra nietzschiana, que Araripe Júnior leu na edição francesa recentemente publicada (a qual iniciava pelo “ Essai d’une critique de soi-même ”) 63 63 Num texto publicado algum tempo depois, no qual Araripe Junior volta a refletir sobre a primeira obra de Nietzsche, após citar um trecho da mesma ele indica sua fonte em uma nota de rodapé: “Nietzsche, L’origine de la tragédie , pag. 187. Trad. Marnold. Pariz. 1901” (ARARIPE JUNIOR, “ O sentimento trágico do século XIX ”, Os Annaes , RJ, 13/04/1905, p. 211). , e considerando coerente e respeitáveis as posições do filósofo, ele julgava que mesmo assim era “lícito fazer algumas interrogações”. E dentre as diversas e interessantes questões levantadas, o autor de Carta sobre a literatura brasílica também indagava: “Baco conquistou a Índia. A sua expansão seria suficiente para envolver a América, e os novos mundos?” 64 64 “ Ulisses e Dionísios . Comentário e questionamento sobre a obra de Nietzsche Origens da Tragédia ”. In: Op. cit. , p.194. .

A resposta afirmativa para a pergunta de Tristão de Alencar Araripe Júnior viria alguns anos mais tarde. Afinal, se O Nascimento da tragédia tivera uma recepção a partir do final do século XIX por parte de um grupo de elite da inteligência brasileira, que contribuiu significativamente para a disseminação das obras do “discípulo do filósofo Dioniso” 65 65 O próprio Araripe Júnior escreveu, no texto publicado em 1905, a propósito de Nietzsche: “Qualquer que seja o destino do seu paradoxo em filosofia moral, é certo, porém, que a sua obra repercute a ansiedade trágica do fenômeno da moderna vida social. Não há quem leia os aforismos da Gaia ciência , da Genealogia da Moral , do Acima do bem e do mal , do Assim falou Zarathustra , da Vontade de poder , que não experimente a surpresa de um pensamento infernal, escondido nas dobras da própria consciência (...) e não parece sem significação o sátiro do futuro que ele imagina, nem será novidade que o sentimento trágico venha a constituir a verdadeira base da obra artística do século XX” (ARARIPE JUNIOR, “ O sentimento trágico do século XIX ”, Os Annaes , RJ, 13/04/1905, p. 211). , atualmente não resta a menor dúvida de que a concepção de uma “sabedoria trágica” atraiu a atenção, entre nós, de uma multidão de seguidores 66 66 É importante mencionar que a pesquisa inaugural sobre a recepção de Nietzsche no Brasil foi realizada no Rio de Janeiro: BARROSO, A. V. L. T. Um Nietzsche à brasileira: uma leitura do pensamento nietzschiano no Modernismo (1890-1940) . Dissertação de Mestrado, orientada por José Nicolao Julião no PPG em História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Seropédica/RJ: UFRRJ, 2015. .

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  • O JORNAL. O falecimento, ontem, de Rodrigues Barbosa, RJ, 25/03/1939, p. 3.
  • O MALHO. Almanaque Brasileiro Garnier. 2o Ano – Para 1904, RJ, 14/11/1903, p. 2.
  • O PAIZ. Estudos de Litteratura Contemporânea, RJ, 10/09/1885, p. 3.
  • _________ Publicações, RJ, 06/01/1892, p. 2.
  • _________ Estado do Rio, RJ, 06/04/1895, capa.
  • _________ Jury Federal, RJ, 03/07/1897, capa.
  • _________ Naufrágio, RJ, 07/10/1898, capa.
  • _________ O Distrito Federal, RJ, 18/12/1898, capa.
  • PANTUZZI, T. L. Recepção e Antropofagia: Nietzsche na Escola de Recife. Tese de Doutorado. São Paulo: Universidade Federal de São Paulo, 2023.
  • PEREIRA, M. A. Subsídios para a história da educação no Brasil: um estudo da Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Tese de Doutorado. São Carlos: UFSC, 2013.
  • REVISTA BRASILEIRA. Academia Brazileira de Letras, RJ, Tomo XI, Julho a Setembro de 1897, p. 129-142.
  • REVISTA ILUSTRADA. Livro da porta, RJ, 14/12/1889, p. 7.
  • RIBEIRO, J. Estudos Philologicos. In: ROMERO, S. Estudos de Litteratura Contemporânea. Páginas de crítica. Rio de Janeiro: Laemmert & C. Editores, 1885.
  • _________ Versos. Rio de Janeiro: Centro Bibliographico, 1889.
  • _________ Revista Allemã (...) Hannover, 30 de Julho, Jornal do Commercio, RJ, 02/09/1896, Capa.
  • _________ Revista Allemã (...) 27 de Dezembro de 1896, Jornal do Commercio, RJ, 25/01/1897, p. 2.
  • _________ Carta alemmã, Jornal do Commercio, RJ, 6/2/1897, p. 2.
  • _________ Revista Alemmã (...) 24 de Janeiro de 1897, Jornal do Commercio, RJ, 20/2/1897, capa.
  • _________ De toda a parte (...) Milão, 15 de Fevereiro, Jornal do Commercio, RJ, 15/03/1898, capa.
  • _________ A questão do oriente (...) 23 de Fevereiro de 1897, Jornal do Commercio, RJ, 26/03/1897, capa.
  • _________ Questão do Oriente (...) 3 de Março de 1897. Segundo Artigo, Jornal do Commercio, RJ, 31/03/1897, capa.
  • _________ A questão do oriente. O phil’-helenismo (...) Milão, 22 de Março, Jornal do Commercio, RJ, 15/04/1897, capa.
  • _________ F. Nietzche (...) 24 de Maio, Jornal do Commercio, RJ, 18/06/1897, capa.
  • _________ Academia Brasileira – recepção do Sr. João Ribeiro. Discurso do Sr. João Ribeiro, Revista Brasileira, Tomo XVI, Outubro-Dezembro de 1898, p. 270-279.
  • _________ Frederico Nietzsche, Almanaque Brasileiro Garnier para o Anno de 1904. Rio de Janeiro/Paris: Typ. H. Garnier, [1903], p. 247-250.
  • _________ O Fabordão. Cronica de vario assunto. Rio de Janeiro/Paris: H. Garnier, Livreiro-Editor, 1910.
  • _________ O verso, Fon-Fon, RJ, Natal de 1923, p. 177.
  • _________ O verso, A Federação, RS, 10/05/1928, p. 3.
  • TOLSTOÏ, L. Qu’est-ce que l’Art? Traduit du russe et precede d’une Introduction par Teodor de Wyzewa. Paris: Librairie Académique Didier, 1898.
  • _________ Qu’est-ce que l’Art? Traduit du manuscrit original russe par E. Halpérine-Kaminsky. Paris: Ollendorff, 1898.
  • VERÍSSIMO, J. Discurso do Sr. José Veríssimo, Revista Brasileira, Tomo XVI, Outubro-Dezembro de 1898, p. 279-290.
  • _________ A philosophia de um poeta, Jornal do Commercio, RJ, 23/10/1899, capa.
  • VOLPE, M. A. José Rodrigues Barbosa: questões identitárias na crítica musical, Brasiliana – Revista Semanal da Academia Brasileira de Música, n. 25, Junho de 2007, p. 2-9.
  • WYZEWA, T. Écrivains étrangers. Paris: Librairie Académique Didier, 1896.
  • 1
    Sob os cuidados de sua irmã, Nietzsche é levado em oito de agosto de 1898 para a Villa Silberblick , em Weimar, mesmo dia em que falece Jacob Burckardt (Cf. JANZ, Los años de hundimientoJANZ, C. P. Friedrich Nietzsche. Los años de hundimiento (Enero de 1889 hasta la muerte el 25 de agosto de 1900). Versión española de Jacobo Muñoz e Isidoro Reguera. Madrid: Alianza Editorial, 1985. , 1985, p. 164.
  • 2
    A versão inicial Die Geburt der Tragödie aus dem Geiste der MusikNIETZSCHE, F. Die Geburt der Tragödie aus dem Geiste der Musik / von Friedrich Nietzsche. Leipzig: Fritzsch, 1872. (Leipzig: Fritzsch, 1872), impressa posteriormente em outra casa editorial (Verlag von Ernst Schmeitzner, 1878); e a edição com o prefácio e o subtítulo alterado para Die Geburt der Tragödie Oder: Griechenthum und Pessimismus_________ Die Geburt der Tragödie Oder: Griechenthum und Pessimismus / von Friedrich Nietzsche. Leipzig: Fritzsch, 1886. (Leipzig: Fritzsch, 1886), reeditada na década seguinte (Leipzig: Druck und Verlag von C. G. Naumann, 1894).
  • 3
    Academia Brazileira de Lettras_________ Academia Brazileira de Lettras, RJ, 17/12/1898, p. 2. ”, A notícia , RJ, 17/12/1898, p. 2. A presença do Presidente da República já vinha sendo divulgada alguns dias antes: “Na noite 17 do corrente, realiza a Academia Brazileira de LetrasREVISTA BRASILEIRA. Academia Brazileira de Letras, RJ, Tomo XI, Julho a Setembro de 1897, p. 129-142. , no salão principal do Ministério do Interior, a sessão solene para recepção do sr. João Ribeiro (...). O Sr. Campos Salles, presidente da República, comparecerá ao ato” (“ Vida NacionalGAZETA DE PETRÓPOLIS. Vida Nacional, RJ, 13/12/1898, capa. ”, Gazeta de Petrópolis , RJ, 13/12/1898, capa).
  • 4
    Cf. “ Academia Brasileira_________ Academia Brasileira, RJ, 09/08/1898, capa. ”, Gazeta de Notícias , RJ, 09/08/1898, capa.
  • 5
    Os discursos da “Sessão Inaugural” realizada em 20 de Julho de 1887, a começar pelo de Machado de Assis, e a “lista dos primeiros membros da Academia com os seus respectivos patronos”, pode ser conferida em: “ Academia Brazileira de LetrasREVISTA BRASILEIRA. Academia Brazileira de Letras, RJ, Tomo XI, Julho a Setembro de 1897, p. 129-142. ”, Revista Brasileira , RJ, Tomo XI, Julho a Setembro de 1897, p. 129-142.
  • 6
    Academia Brazileira de Lettras_________ Academia Brazileira de Lettras, RJ, 17/12/1898, p. 2. ”, A notícia , RJ, 17/12/1898, p. 2.
  • 7
    O fato ocorrera em 15 de Novembro: “O novo Ministro do Interior e Justiça é o Sr. Epitácio Pessoa, professor da Faculdade de Direito de Pernambuco e muito conhecido e respeitado como excelente orador parlamentar” (“ Telegramas_________ Telegramas, RJ, 17/11/1898, capa. ”, Jornal do Commercio , RJ, 17/11/1898, capa).
  • 8
    Cf. “ O Distrito Federal_________ O Distrito Federal, RJ, 18/12/1898, capa. ”, O Paiz , RJ, 18/12/1898, capa.
  • 9
    “A academia distribuiu um número muito limitado de convites oficiais. Terão ingresso na sessão, porém, todas as pessoas que possa interessar essa festividade literária” (“ Academia Brazileira de Lettras_________ Academia Brazileira de Lettras, RJ, 17/12/1898, p. 2. ”, A notícia , RJ, 17/12/1898, p. 2).
  • 10
    Academia Brasileira – recepção do Sr. João Ribeiro. Discurso do Sr. João Ribeiro_________ Academia Brasileira – recepção do Sr. João Ribeiro. Discurso do Sr. João Ribeiro, Revista Brasileira, Tomo XVI, Outubro-Dezembro de 1898, p. 270-279. ”, Revista Brasileira , Tomo XVI, Outubro-Dezembro de 1898, p. 270-272.
  • 11
    Livros escolaresA NOTÍCIA. Livros escolares, RJ, 26/11/1896, p. 2. ”, A Notícia , RJ, 26/11/1896, p. 2.
  • 12
    Trata-se da seguinte obra: Versos_________ Versos. Rio de Janeiro: Centro Bibliographico, 1889. . Rio de Janeiro: Centro Bibliographico, 1889 (Cf. “ Livro da portaREVISTA ILUSTRADA. Livro da porta, RJ, 14/12/1889, p. 7. ”, Revista Illustrada , RJ, 14/12/1889, p. 7).
  • 13
    Academia Brasileira – recepção do Sr. João Ribeiro. Discurso do Sr. João Ribeiro_________ Academia Brasileira – recepção do Sr. João Ribeiro. Discurso do Sr. João Ribeiro, Revista Brasileira, Tomo XVI, Outubro-Dezembro de 1898, p. 270-279. ”, Revista Brasileira , Tomo XVI, Outubro-Dezembro de 1898, p. 272-273.
  • 14
    Conforme Fernando de Moraes Barros, Nietzsche realizou no inverno de 1870-71 um ciclo de conferências intitulado “O ritmo grego”, do qual ele traduz a seguinte passagem (KGW III, 2, p. 322): “A força do ritmo. Eu suponho que o poder físico do ritmo reside em dois ritmos que, operando entre si, visam a determinar um ao outro, de sorte que o ritmo mais amplo termina por cortar o passo do mais curto. O movimento rítmico do pulso, etc. (do caminhar) seria provavelmente redimensionado por meio de uma marcha musical, bem como o passo se acomodaria à pulsação. Quando o batimento da pulsação é, por exemplo, da ordem do 1’ 2 3 4’ 5 6 7’ 8, então o batimento será escutado a cada 1’ 4’ 7’: e assim por diante. Creio que o movimento sanguíneo em 1’ 4’ 7’ se torna gradativamente mais intenso que em 2 3 5 6 8. E, já que o corpo inteiro detém um sem-número de ritmos, então se pode dizer que, por meio do ritmo, uma intervenção direta sobre o corpo é realmente efetivada” BARROS, O pensamento musical de Nietzsche , 2005, p. 126 BARROS, F. R. de M. O pensamento musical de Nietzsche. Tese de doutorado. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2005. .
  • 15
    Academia Brasileira – recepção do Sr. João Ribeiro. Discurso do Sr. João Ribeiro_________ Academia Brasileira – recepção do Sr. João Ribeiro. Discurso do Sr. João Ribeiro, Revista Brasileira, Tomo XVI, Outubro-Dezembro de 1898, p. 270-279. ”, Revista Brasileira , Tomo XVI, Outubro-Dezembro de 1898, p. 274-275. Exceto pela frase final em que menciona Luiz Guimarães Junior, esse texto no qual João Ribeiro trata de Nietzsche seria publicado alguns anos depois sob o título “ O verso_________ O verso, Fon-Fon, RJ, Natal de 1923, p. 177. ”. Primeiramente na revista Fon-Fon , RJ, Natal de 1923, p. 177 (a revista indica a fonte: “João Ribeiro – Discurso de Recepção”) e mais tarde em: A Federação , RS, 10/05/1928, p. 3.
  • 16
    Idem , ibidem , p. 275. João Ribeiro indica, em nota de rodapé, a fonte desta expressão: “Fred. Nietzsche”.
  • 17
    “Parte hoje para a Europa no vapor alemão Santos o ilustrado escritor e filólogo João Ribeiro” (“ Estado do Rio_________ Estado do Rio, RJ, 06/04/1895, capa. ”, O Paiz , RJ, 06/04/1895, capa). Em tom jocoso, outro jornal anunciava que João Ribeiro “Resolveu agora ir à Europa (...) em busca de Winckelmann e outros (...) sábios alemães, versados em coisas helenas” (“ História dos sete diasA SEMANA. História dos sete dias, RJ, 6/4/1895, capa. ”, A Semana , RJ, 06/04/1895, capa).
  • 18
    Cf. “ Revista Allemã” (...) Hannover, 30 de Julho_________ Revista Allemã (...) Hannover, 30 de Julho, Jornal do Commercio, RJ, 02/09/1896, Capa. ”, Jornal do Commercio , 02/09/1896, capa.
  • 19
    Cf. “ Revista Allemã” (...) 27 de Dezembro de 1896_________ Revista Allemã (...) 27 de Dezembro de 1896, Jornal do Commercio, RJ, 25/01/1897, p. 2. ”, Jornal do Commercio , 25/01/1897, p. 2.
  • 20
    Cabe aqui mencionar os artigos publicados por João Ribeiro no Jornal do Commercio no ano de 1897, de modo a desfazer um mal-entendido. Inicialmente é importante observar que alguns deles surgem com a data e/ou o local em que ele redigiu os mesmos (a data de publicação indicaremos entre colchetes): “ (...) 27 de Dezembro de 1896_________ Revista Allemã (...) Hannover, 30 de Julho, Jornal do Commercio, RJ, 02/09/1896, Capa. ” [25/01/1897]; “ Carta alemmã_________ Carta alemmã, Jornal do Commercio, RJ, 6/2/1897, p. 2. ” [06/02/1897]; “ Revista Alemmã (...) 24 de Janeiro de 1897_________ Revista Alemmã (...) 24 de Janeiro de 1897, Jornal do Commercio, RJ, 20/2/1897, capa. ” [20/2/1897]; “ De toda a parte (...) Milão, 15 de Fevereiro_________ De toda a parte (...) Milão, 15 de Fevereiro, Jornal do Commercio, RJ, 15/03/1898, capa. ” [15/03/1898]; “ A questão do oriente (...) 23 de Fevereiro de 1897_________ A questão do oriente (...) 23 de Fevereiro de 1897, Jornal do Commercio, RJ, 26/03/1897, capa. ” [26/03/1897]; “ Questão do Oriente (...) 3 de Março de 1897. Segundo Artigo_________ Questão do Oriente (...) 3 de Março de 1897. Segundo Artigo, Jornal do Commercio, RJ, 31/03/1897, capa. ” [31/03/1897]; “ A questão do oriente. O phil’-helenismo (...) Milão, 22 de Março_________ A questão do oriente. O phil’-helenismo (...) Milão, 22 de Março, Jornal do Commercio, RJ, 15/04/1897, capa. ” [15/04/1897]; “ F. Nietzche (...) 24 de Maio_________ F. Nietzche (...) 24 de Maio, Jornal do Commercio, RJ, 18/06/1897, capa. ” [18/06/1897]. Este último artigo (no qual há um erro de grafia no sobrenome do filósofo) é, portanto, do ano de 1897 (o que faz sentido, pois a mãe de Nietzsche falecera em 20/04/1897). Alguns anos mais tarde, este texto receberá algumas modificações e será publicado sob o título “ Frederico Nietzsche_________ Frederico Nietzsche, Almanaque Brasileiro Garnier para o Anno de 1904. Rio de Janeiro/Paris: Typ. H. Garnier, [1903], p. 247-250. ”, (Cf. Almanaque Brasileiro Garnier para o Anno de 1904 , RJ, [1903], p. 247-250) sendo que ao final do mesmo, lê-se:”Berlim, Maio de 1896”, o que certamente constitui um erro de memória do próprio autor, pois este erro persistirá nas edições seguintes do texto (que também sofrerá revisões e acréscimos), como por exemplo em: RIBEIRO, O Fabordão_________ O Fabordão. Cronica de vario assunto. Rio de Janeiro/Paris: H. Garnier, Livreiro-Editor, 1910. , 1910, p. 17-27.
  • 21
    Quanto ao retorno de João Ribeiro, o próprio Jornal do Commercio noticiou: “Chegou ontem da Europa o Sr. João Ribeiro (...) fortalecido em sua saúde e mais forte em seu belo talento na rara ilustração para o exercício de seu professorado e para as letras” (“ Várias NotíciasJORNAL DO COMMERCIO. Várias Notícias, RJ, 02/7/1897, p. 2. ”, Jornal do Commercio , 02/07/1897, p. 2)
  • 22
    É importante notar que embora seu nome não apareça na coluna “ Theatros e Música_________ Theatros e Música, Jornal do Commercio, RJ, 16/01/1898, p. 2. ”, seu público leitor o conhecia, a exemplo da carta enviada por um de seus apreciadores: “Escreve-nos o Sr. Visconde de Taunay a seguinte carta: ‘Sr. Rodrigues Barbosa – Bem cordialmente o felicito pelos seus excelentes artigos a propósito da música sacra’” (“ Theatros e Música_________ Theatros e Música, Jornal do Commercio, RJ, 16/01/1898, p. 2. ”, Jornal do Commércio , RJ, 16/01/1898, p. 2).
  • 23
    O falecimento, ontem, de Rodrigues BarbosaO JORNAL. O falecimento, ontem, de Rodrigues Barbosa, RJ, 25/03/1939, p. 3. ”, O Jornal , RJ, 25/03/1939, p. 3.
  • 24
    VOLPE, “ José Rodrigues Barbosa: questões identitárias na crítica musicalVOLPE, M. A. José Rodrigues Barbosa: questões identitárias na crítica musical, Brasiliana – Revista Semanal da Academia Brasileira de Música, n. 25, Junho de 2007, p. 2-9. ”, Brasiliana – Revista Semanal da Academia Brasileira de Música , n. 25, Junho de 2007, p. 3-4.
  • 25
    Novidades theatrais e musicaesBARBOSA, J. R. Novidades theatrais e musicaes, Jornal do Commercio, RJ, 25/8/1892, capa. ”, Jornal do Commercio , RJ, 25/08/1892, capa.
  • 26
    Theatros e Música_________ Theatros e Música, Jornal do Commercio, RJ, 21/09/1898, p. 2-3. ”, Jornal do Commercio , RJ, 21/09/1898, p. 2-3.
  • 27
    Theatros e Música. Os philosophos e a música. Tolstoi e Nietzsche. I_________ Theatros e Música. Os philosophos e a música. Tolstoi e Nietzsche, Jornal do Commercio, RJ, 22/11/1898, p. 3. ”, Jornal do Commercio , RJ, 22/11/1898, p. 3. Rodrigues Barbosa referia-se às seguintes edições, recentemente traduzidas para a língua francesa: TOLSTOÏ, Léon. Qu’est-ce que l’Art? Traduit du russe et precede d’une Introduction par Teodor de WyzewaTOLSTOÏ, L. Qu’est-ce que l’Art? Traduit du russe et precede d’une Introduction par Teodor de Wyzewa. Paris: Librairie Académique Didier, 1898. . Paris: Librairie Académique Didier, 1898; TOLSTOÏ, Léon. Qu’est-ce que l’Art? Traduit du manuscrit original russe par E. Halpérine-Kaminsky_________ Qu’est-ce que l’Art? Traduit du manuscrit original russe par E. Halpérine-Kaminsky. Paris: Ollendorff, 1898. . Paris: Ollendorff, 1898.
  • 28
    Para Rodrigues Barbosa “a arte não pode ser julgada boa ou má conforme o assunto e a matéria de que trata; seu valor intrínseco só é que deve ser examinado. Obras que se ocupem da vida dos ricos podem ser tão profundas, tão gerais, tão universais como as que examinam a vida dos pobres” (“ Theatros e Música. Os filósofos e a música. Tolstoi e Nietzsche. VIII_________ Theatros e Música. Os filósofos e a música. Tolstoi e Nietzsche, Jornal do Commercio, RJ, 15/01/1899, p. 2. ”, Jornal do Commercio , RJ, 29/11/1898, p. 2).
  • 29
    Theatros e Música. Os filósofos e a música. Tolstoi e Nietzsche. IX_________ Theatros e Música. Os philosophos e a música. Tolstoi e Nietzsche, Jornal do Commercio, RJ, 22/11/1898, p. 3. ”, Jornal do Commercio , RJ, 1/12/1898, p. 2.
  • 30
    Idem. XIII, ibidem_________ Idem, ibidem, Jornal do Commercio, RJ, 10/12/1898, p. 3. , RJ, 10/12/1898, p. 3.
  • 31
    Idem. XV, ibidem_________ Idem, Jornal do Commercio, RJ, 12/12/1898, p. 2. , RJ, 12/12/1898, p. 2.
  • 32
    Idem. XVIII, ibidem_________ Idem, Jornal do Commercio, RJ, 15/12/1898, p. 3. , RJ, 15/12/1898, p. 3.
  • 33
    Lembremos que em relação à Die Geburt der TragödieNIETZSCHE, F. Die Geburt der Tragödie aus dem Geiste der Musik / von Friedrich Nietzsche. Leipzig: Fritzsch, 1872. , o próprio Nietzsche reconheceu: “Por várias vezes encontrei o livro citado como o Re nascimento (die Wieder geburt) da tragédia a partir do espírito da música” ( Ecce homo_________ Ecce homo. Como alguém se torna o que é. Tradução, notas e posfácio: Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. , “O nascimento da tragédia”, §1).
  • 34
    Theatros e Música. Os filósofos e a música. Tolstoi e Nietzsche. XVIII_________ Theatros e Música. Os filósofos e a música. Tolstoi e Nietzsche, Jornal do Commercio, RJ, 15/01/1899, p. 2. ”, Jornal do Commercio , RJ, 15/12/1898, p. 3.
  • 35
    Idem, ibidem_________ Theatros e Música. Os filósofos e a música. Tolstoi e Nietzsche, Jornal do Commercio, RJ, 15/01/1899, p. 2. .
  • 36
    Theatros e Música. Nova publicação de Wagner_________ Theatros e Música. Nova publicação de Wagner, Jornal do Commercio, RJ, 28/12/1898, p. 2. ”, Jornal do Commercio , RJ, 28/12/1898, p. 2. É provável que a casa editorial que publicou a correspondência de Wagner com Heckel tenha enviado antecipadamente o livro para o Journal de Débats , pois a obra sairia com data do ano seguinte, a saber: Briefe Richard Wagners an Emil Heckel: zur Entstehungsgeschichte der Bühnenfestspiele in Bayreuth / hrsg. von Karl HeckelHECKEL, K. Briefe Richard Wagners an Emil Heckel: zur Entstehungsgeschichte der Bühnenfestspiele in Bayreuth / hrsg. von Karl Heckel. Berlin: Fischer, 1899. . Berlin: Fischer, 1899. Cabe notar que Nietzsche conhecia Heckel, pois enviou para ele pelo menos duas cartas no segundo semestre de 1873.
  • 37
    Theatros e Música. Os filósofos e a música. Tolstoi e Nietzsche. XXI_________ Theatros e Música. Os philosophos e a música. Tolstoi e Nietzsche, Jornal do Commercio, RJ, 22/11/1898, p. 3. ”, Jornal do Commercio , RJ, 15/01/1899, p. 2.
  • 38
    Idem, ibidem_________ Theatros e Música. Os philosophos e a música. Tolstoi e Nietzsche, Jornal do Commercio, RJ, 22/11/1898, p. 3. .
  • 39
    Idem. XXVIII, ibidem_________ Theatros e Música. Os philosophos e a música. Tolstoi e Nietzsche, Jornal do Commercio, RJ, 22/11/1898, p. 3. , RJ, 28/01/1899, p. 3.
  • 40
    Idem. XXIX, ibidem_________ Theatros e Música. Os philosophos e a música. Tolstoi e Nietzsche, Jornal do Commercio, RJ, 22/11/1898, p. 3. , RJ, 29/01/1899, p. 2.
  • 41
    Theatros e Música. Wagner e Schopenhauer_________ Theatros e Música. Wagner e Schopenhauer, Jornal do Commercio, de 23/04/1899, p. 3. ”, Jornal do Commercio , RJ, 23/04/1899, p. 3. Cabe registrar que o conjunto de textos de crítica musical publicados ao longo de décadas por Rodrigues Barbosa no Jornal do Commercio ainda não foram reunidos e devidamente apreciados. Sobre sua importância como crítico, Maria Alice Volpe indica que ele foi “o primeiro a proclamar o compositor Alberto Nepomuceno” como “o fundador da Música Brasileira”, e que uma “das obras escritas sob o influxo wagneriano no Brasil, I Salduni , de Leopoldo Miguez, foi dedicada aos críticos musicais Rodrigues Barbosa e Luís Castro, ‘os dois infatigáveis trabalhadores que tanto têm feito para a vitória do drama Lírico no Brasil’” (VOLPE, “José Rodrigues Barbosa: questões identitárias na crítica musical”, Brasiliana – Revista Semanal da Academia Brasileira de Música , n. 25, Junho de 2007, p. 1 e 5).
  • 42
    Cf. “Revista Brasileira”, Revista Moderna , RJ, Janeiro de 1899, p. 4. José Veríssimo, então diretor da Revista Brasileira , publicou neste mesmo volume seu próprio discurso de recepção a João Ribeiro proferido na Academia Brasileira de Letras.
  • 43
    Neste sentido ver: “Nietzsche na imprensa brasileira do século XIX: sobre as interpretações e os autores de”O neo-cinismo” (1893) e “A filosofia na moda” (1896)“, artigo de nossa autoria que encontra-se no prelo para publicação.
  • 44
    BLAKE, “ Leopoldo de Freitas CruzBLAKE, A. V. A. S. “Leopoldo de Freitas Cruz”. In: Diccionario Bibliographico Brazileiro. Vol. 5. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1899, p. 303-304. ”, Diccionario Bibliographico Brazileiro , 1899, p. 303.
  • 45
    Ao longo de anos, Leopoldo de Freitas foi anunciado pelos editores do jornal quando chegava no Rio de Janeiro: “Acha-se entre nós, vindo de S. Paulo, o Sr. Dr. Leopoldo de Freitas, muito conhecido na roda literária tanto de São Paulo como de Santos, onde dirigiu algumas folhas importantes” (“ Publicações_________ Publicações, RJ, 06/01/1892, p. 2. ”, O Paiz , RJ, 06/01/1892, p. 2)“, sendo que, estando na cidade, visitava o respectivo periódico:”Chegou ontem de S. Paulo e deu-nos o prazer de sua visita o Dr. Leopoldo de Freitas, nosso talentoso colega de imprensa” (“ Jury Federal_________ Jury Federal, RJ, 03/07/1897, capa. ”, O Paiz , RJ, 03/07/1897, capa); “Ao Dr. Leopoldo de Freitas agradecemos a visita pessoal com que nos distinguiu” (“ Naufrágio_________ Naufrágio, RJ, 07/10/1898, capa. ”, O Paiz , RJ, 07/10/1898, capa).
  • 46
    Cf. “ Faculdade de DireitoCORREIO PAULISTANO. Faculdade de Direito, SP, 15/11/1887, p. 2. ”, Correio Paulistano , SP, 15/11/1887, p. 2; “ TelegramasGAZETA DE NOTÍCIAS. Telegramas, RJ, 15/11/1887, capa. ”, RJ, Gazeta de Notícias , 15/11/1887, capa.
  • 47
    Ao terminar sua formação em 1891, sua vocação como escritor também já havia despontado: “Foi ontem aprovado nas matérias do 5o ano jurídico o distinto acadêmico Leopoldo de Freitas. Este jovem escritor, durante o seu curso acadêmico, distinguiu-se sempre pelo seu lúcido talento e pela sua notável aptidão” (“ Leopoldo de Freitas_________ Leopoldo de Freitas, SP, 21/10/1891, capa. ”, Correio Paulistano , SP, 21/10/1891, capa).
  • 48
    Cf. PEREIRA, Subsídios para a história da educação no Brasil: um estudo da Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São PauloPEREIRA, M. A. Subsídios para a história da educação no Brasil: um estudo da Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Tese de Doutorado. São Carlos: UFSC, 2013. , 2013, p. 53.
  • 49
    O texto de João Ribeiro foi publicado em: ROMERO, Silvio. Estudos de Litteratura Contemporânea. Páginas de crítica . Rio de Janeiro: Laemmert & C. Editores, 1885; o qual foi amplamente divulgado pela editora, como por exemplo em: “ Estudos de Litteratura Contemporânea O PAIZ. Estudos de Litteratura Contemporânea, RJ, 10/09/1885, p. 3. ”, O Paiz , RJ, 10/09/1885, p. 3.
  • 50
    Cf. BLAKE, Op . cit. , p. 304. Trata-se dos pequenos opúsculos Perfil biographico e político de Martim FranciscoFREITAS, L. Perfil biographico e político de Martim Francisco. São Paulo: Typ. King, 1896. (São Paulo: Typ. King, 1896) e Duello_________ Duello. São Paulo: [s.n.], 1898. (São Paulo: [s.n.], 1898).
  • 51
    Nesta obra, o primeiro capítulo é dedicado a Nietzsche (“I. Le dernier métaphysicien ”; II. La jeunesse de Fréderic Nietzsche ”), sendo que no quarto capítulo, relativo aos “Escritores russos”, ele abordou Tolstói (“III. Les derniers écrits philosophiques du comte Tolstoi ”).
  • 52
    Um philosopho_________ Um philosopho, O Paiz, RJ, 16/10/1899, capa. ”, O Paiz , RJ, 16/10/1899, capa.
  • 53
    É nestes termos que Leopoldo de Freitas inicia um artigo alguns anos depois intitulado “ O Brasil Social_________ O Brasil Social, SP, 13/02/1907, capa. ”, Correio Paulistano , SP, 13/02/1907, capa.
  • 54
    Cf. “ Discurso do Sr. José VeríssimoVERÍSSIMO, J. Discurso do Sr. José Veríssimo, Revista Brasileira, Tomo XVI, Outubro-Dezembro de 1898, p. 279-290. ”, Revista Brasileira , Tomo XVI, Outubro-Dezembro de 1898, p. 280.
  • 55
    A philosophia de um poeta_________ A philosophia de um poeta, Jornal do Commercio, RJ, 23/10/1899, capa. ”, Jornal do Commercio , RJ, 23/10/1899, capa.
  • 56
    Neste sentido, ver: PANTUZZI, Recepção e Antropofagia: Nietzsche na Escola de RecifePANTUZZI, T. L. Recepção e Antropofagia: Nietzsche na Escola de Recife. Tese de Doutorado. São Paulo: Universidade Federal de São Paulo, 2023. , 2023.
  • 57
    Frederico Guilherme Nietzsche_________ Frederico Guilherme Nietzsche, PE, 27/09/1900, capa. ”, Jornal do Recife , PE, 27/09/1900, capa.
  • 58
    Texto concluído no final de dezembro de 1902, ele surgiu já no ano seguinte impresso no Almanaque Brasileiro Garnier para o anno de 1904 , Anno II, Publicado sob a direção de B.F. Ramiz Galvão (Rio de Janeiro/Paris: Typ. H. Garnier, [1903]), visto que esta edição foi lançada no segundo semestre de 1903. Neste sentido, ver: “ Almanaque Brasileiro Garnier para o anno de 1904_________ Almanaque Brasileiro Garnier para o anno de 1904, RJ, 23/09/1903, p. 6. ”, Gazeta de Notícias , RJ, 23/09/1903, p. 6; “ Almanaque Brasileiro Garnier.2° AnoO MALHO. Almanaque Brasileiro Garnier. 2o Ano – Para 1904, RJ, 14/11/1903, p. 2. ”, O Malho , RJ, 14/11/1903, p. 2. Importante mencionar que os Almanaques atingiam um público bastante amplo, pois além de comercializados eram também disponibilizados em Bibliotecas Públicas de todo o país.
  • 59
    Cf. “ Faleceu ontem Araripe JuniorA IMPRENSA. Faleceu ontem Araripe Junior, A Imprensa, RJ, p. 2. ”, A Imprensa , RJ, p. 2.
  • 60
    GazetilhaJORNAL DO RECIFE. Gazetilha, PE, 21/10/1896, p. 2. ”, Jornal do Recife , PE, 21/10/1896, p. 2.
  • 61
    Neste texto, o escritor cearense inicia narrando a história de um amigo que ele chama de “Lohengrin”, o qual é flagrado lendo o capítulo “Crepúsculo dos povos” da obra Degenerescência , de Max Nordau (Cf. ARARIPE JUNIOR, T. A. Literatura Brasileira movimento de 1893. O crepúsculo dos povosARARIPE JUNIOR, T. A. Literatura Brasileira, movimento de 1893. O crepúsculo dos povos. Rio de Janeiro: Tipografia da Empresa Democrática Editora, 1896. In: Obra crítica de Araripe Júnior, volume III, 1895-1900. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura / Casa de Rui Barbosa, 1963, p. 197-221. . Rio de Janeiro: Tipografia da Empresa Democrática Eidtora, 1896. In: Obra crítica de Araripe Júnior volume III, 1895-1900. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura, Casa de Rui Barbosa, 1963, p. 203).
  • 62
    Ulisses e DionísiosComentário e questionamento sobre a obra de Nietzche Origens da Tragédia”_________ Ulisses e Dionísios. Comentário e questionamento sobre a obra de Nietzsche “Origens da Tragédia”. In: Almanaque Brasileiro Garnier para o anno de 1904, Anno II, Publicado sob a direção de B.F. Ramiz Galvão (Rio de Janeiro/Paris: Typ. H. Garnier, [1903]), p. 193-194. . In: Almanaque Brasileiro Garnier para o anoo de 1904 , Anno II, Publicado sob a diração de B. F. Ramiz Galvão (Rio de Janeiro/Paris: Typ. H. Garnier, [1903]), p. 193.
  • 63
    Num texto publicado algum tempo depois, no qual Araripe Junior volta a refletir sobre a primeira obra de Nietzsche, após citar um trecho da mesma ele indica sua fonte em uma nota de rodapé: “Nietzsche, L’origine de la tragédie_________ L’origine de la tragédie ou hellénisme et pessimisme. Traduit par Jean Marnold et Jacques Morland. Paris: Société du Mercure de France, 1901 (Oeuvres Complètes de Frédéric Nietzsche, publiées sous la direction de Henri Albert). , pag. 187. Trad. Marnold. Pariz. 1901” (ARARIPE JUNIOR, “ O sentimento trágico do século XIX_________ O sentimento trágico do século XIX, Os Annaes, RJ, 13/04/1905, p. 211. ”, Os Annaes , RJ, 13/04/1905, p. 211).
  • 64
    Ulisses e Dionísios_________ Ulisses e Dionísios. Comentário e questionamento sobre a obra de Nietzsche “Origens da Tragédia”. In: Almanaque Brasileiro Garnier para o anno de 1904, Anno II, Publicado sob a direção de B.F. Ramiz Galvão (Rio de Janeiro/Paris: Typ. H. Garnier, [1903]), p. 193-194. . Comentário e questionamento sobre a obra de Nietzsche Origens da Tragédia ”. In: Op. cit. , p.194.
  • 65
    O próprio Araripe Júnior escreveu, no texto publicado em 1905, a propósito de Nietzsche: “Qualquer que seja o destino do seu paradoxo em filosofia moral, é certo, porém, que a sua obra repercute a ansiedade trágica do fenômeno da moderna vida social. Não há quem leia os aforismos da Gaia ciência , da Genealogia da Moral , do Acima do bem e do mal , do Assim falou Zarathustra , da Vontade de poder , que não experimente a surpresa de um pensamento infernal, escondido nas dobras da própria consciência (...) e não parece sem significação o sátiro do futuro que ele imagina, nem será novidade que o sentimento trágico venha a constituir a verdadeira base da obra artística do século XX” (ARARIPE JUNIOR, “ O sentimento trágico do século XIX_________ O sentimento trágico do século XIX, Os Annaes, RJ, 13/04/1905, p. 211. ”, Os Annaes , RJ, 13/04/1905, p. 211).
  • 66
    É importante mencionar que a pesquisa inaugural sobre a recepção de Nietzsche no Brasil foi realizada no Rio de Janeiro: BARROSO, A. V. L. T. Um Nietzsche à brasileira: uma leitura do pensamento nietzschiano no Modernismo (1890-1940)BARROSO, A. V. L. T. Um Nietzsche à brasileira: uma leitura do pensamento nietzschiano no Modernismo (1890-1940). Dissertação de Mestrado, orientada por José Nicolao Julião no Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Seropédica/RJ: UFRRJ, 2015. . Dissertação de Mestrado, orientada por José Nicolao Julião no PPG em História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Seropédica/RJ: UFRRJ, 2015.
  • *
    Agradeço a Tereza Calomeni o convite para participar do “Simpósio Nacional 150 de publicação de O nascimento da tragédia ”, bem como à Fundação Biblioteca Nacional pelo acervo de periódicos disponibilizados na Biblioteca Nacional Digital. O presente artigo é dedicado a Márcio José Silveira Lima.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    05 Abr 2024
  • Data do Fascículo
    2024

Histórico

  • Recebido
    15 Set 2023
  • Aceito
    16 Nov 2023
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