Entre a memória e a política: Nietzsche e Arendt na atualidade

Miguel Angel de Barrenechea Mário José Dias Sobre os autores

Resumos

Neste artigo a nossa proposta é pensar, a partir de filosofias tão diversas como as de Nietzsche e Arendt, questões relevantes do campo teórico da memória social, vinculadas à problemática da política na atualidade. Para tanto, partimos da tese de que Nietzsche e Arendt, embora não sejam autores vinculados diretamente à memória social, apresentam ideias que podem contribuir de forma fecunda a este campo discursivo. Justifica esta tese a constatação de que os pensadores colocam o problema da memória e do esquecimento no centro de sua reflexão sobre a sociedade e sobre a política. Para nos aproximarmos dessas ideias sobre memória e política em Nietzsche e Arendt, como proposta metodológica nos concentramos no estudo daqueles que consideramos os escritos mais importantes de cada um deles - Genealogia da moral e Origens do totalitarismo, respectivamente - nos quais esses conceitos são tematizados de forma lapidar. Em ambos os livros a memória e o esquecimento são interpretados, de formas distintas, como fenômenos sociais que surgem num contexto de violência, de coerção. Os filósofos em questão reconhecem que a memória e o esquecimento são processos sociais instaurados com dor e violência. Para eles, o desafio é estudar os processos elaborados pela violência que controla e instaura o poder em diversas configurações sociais, discutindo o papel da memória e do esquecimento nessas configurações societárias. O escopo deste artigo, assim, é indagar como, em pensadores como Nietzsche e Arendt, a memória e a política podem ser interpretados segundo perspectivas que, mesmo partindo de algumas noções muito próximas, chegam a conclusões muito diversas.

Nietzsche; Arendt; memória; esquecimento; política


In this article our proposal is to think, from philosophies as diverse as Nietzsche and Arendt, relevant theoretical questions of social memory, linked to the issue of politics in actuality. The starting point of the thesis that Nietzsche and Arendt, although authors are not linked directly to social memory, present ideas that can contribute to this prolific discursive field. Justifies this argument finding that the thinkers pose the problem of memory and forgetting in the center of his reflection on society and on the political. To approach these ideas about memory and politics in Nietzsche and Arendt, as proposed methodological study we focus on those who consider the most important writings of each of them - Genealogy of Morals and The Origins of Totalitarianism, respectively - in which these concepts are thematized in tersely. In both books memory and forgetting are interpreted in different ways, such as social phenomenon that emerge in a context of violence, coercion. Philosophers concerned recognize that memory and forgetting are social processes brought pain and violence. For them, the challenge is to study the processes developed by the violence that establishes and controls the power in various social settings, discussing the role of memory and forgetting these corporate settings. The scope of this article, therefore, is to ask how, in thinkers such as Nietzsche and Arendt, memory and politics can be interpreted through perspectives, even from some notions very close, come to very different conclusions.

Nietzsche; Arendt; Memory; Oblivion; Political


  • 1
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  • 2
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  • 3
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  • 13
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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    30 Out 2013
  • Data do Fascículo
    2013

Histórico

  • Recebido
    26 Abr 2013
  • Aceito
    15 Maio 2013
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