Prevalência e fatores associados ao medo de falar público

Anna Carolina Ferreira Marinho Adriane Mesquita de Medeiros Eduardo de Paula Lima Júlia Janssen Pantuza Letícia Caldas Teixeira Sobre os autores

RESUMO

Objetivo

identificar a prevalência do medo de falar em público e verificar sua associação com as variáveis sociodemográficas, autopercepção da voz, fala e habilidades de comunicação oral em público.

Método

estudo transversal analítico com 1124 universitários. Um questionário online abordou características sociodemográficas, medo de falar, autoavaliação da fala em público por meio da Escala para Autoavaliação ao Falar em Público (SSPS), autopercepção da voz, da capacidade de captar e manter a atenção do ouvinte e de influenciar o outro.

Resultados

o medo de falar em público foi muito prevalente nos universitários. Houve associação do medo de falar com a autopercepção vocal, com a capacidade de captar e manter a atenção do ouvinte e influenciar o outro com a sua comunicação. Indivíduos que autorrelataram capacidade de captar e manter a atenção do interlocutor apresentaram maior chance de manifestar medo de falar em público em relação aos universitários que se autoperceberam como capazes de influenciar o ouvinte com a sua comunicação.

Conclusão

quanto mais habilidades comunicativas e mais persuasivo o indivíduo se percebe, menores as chances de ele ser acometido pelo medo de falar em público.

Descritores
Voz; Fonoaudiologia; Comunicação não Verbal; Medo; Estudante

ABSTRACT

Purpose

To identify the prevalence of fear of public speaking and verify its association with sociodemographic variables, self-perception of voice, speech, and oral communication skills in public.

Methods

A cross-sectional and analytical study with 1,124 university students was carried out. An online questionnaire addressed was performed, considering factors as sociodemographic characteristics; fear of speaking; Scale for Self-Assessment When Speaking in Public (SSPS), self-perception of the voice, the ability to grasp, and keep the listener's attention and influence another.

Results

The fear of public speaking was prevalent in undergraduate students. There was an association of the fear of speaking with the vocal self-perception, with the ability to capture and keep the listener's attention and to influence another with their communication. Individuals who have the ability to capture and maintain the attention of the interlocutor are more likely to be afraid of public speaking than the undergraduate students who perceive themselves as having the ability to influence the listener with their communication.

Conclusion

The more communicative skills and more persuasive the individual perceives his or her self, the less likely he or she is to be affected by the fear of speaking.

Keywords
Voice; Speech-language Therapy; Nonverbal Communication; Fear; Student

INTRODUÇÃO

O ensino superior exige dos universitários responsabilidades, desempenho, bom relacionamento interpessoal, novas habilidades e competências(11 Pereira SM, Lourenço LM. O estudo bibliométrico do transtorno de ansiedade social em universitários. Arquivos Brasileiros de Psicologia. 2012;64(1):47-63.). Entre estas, destaca-se a habilidade de falar em público, constantemente solicitada durante as apresentações de trabalhos, seminários ou eventos científicos(22 Azevedo RAS, Fernandes ACN, Ferreira LP. Oficina de expressividade para universitários em situação de apresentação de seminários. Distúrb Comun. 2013;25(3):458-76.), vindo muitas vezes acompanhada do medo(11 Pereira SM, Lourenço LM. O estudo bibliométrico do transtorno de ansiedade social em universitários. Arquivos Brasileiros de Psicologia. 2012;64(1):47-63.).

O medo de falar em público é um temor prevalente na população mundial(22 Azevedo RAS, Fernandes ACN, Ferreira LP. Oficina de expressividade para universitários em situação de apresentação de seminários. Distúrb Comun. 2013;25(3):458-76.

3 Osório FI, Crippa JA, Loureiro SR. Escala para auto avaliação ao falar em público (SSPS): Adaptação transcultural e consistência interna da versão brasileira. Rev Psiquiatr Clín. 2008;35(6):207-211. http://dx.doi.org/10.1590/S0101-60832008000600001.
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4 Furukawa TA, Watanabe N, Kinoshita Y, Kinoshita K, Sasaki T, Nishida A, et al. Public speaking fears and their correlates among 17,615 Japanese adolescents. Asia-Pac Psychiatry. 2014;6(1):99-104. http://dx.doi.org/10.1111/j.1758-5872.2012.00184.x. PMid:23857766.
http://dx.doi.org/10.1111/j.1758-5872.20...
-55 D’El Rey GJF, Pacini CA. Medo de falar em público em uma amostra da população: prevalência, impacto no funcionamento pessoal e tratamento. Psicol, Teor Pesqui. 2005;21(2):237-42. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-37722005000200014.
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) e universitária(55 D’El Rey GJF, Pacini CA. Medo de falar em público em uma amostra da população: prevalência, impacto no funcionamento pessoal e tratamento. Psicol, Teor Pesqui. 2005;21(2):237-42. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-37722005000200014.
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6 Ferreira Marinho AC, Mesquita de Medeiros A, Côrtes Gama AC, Caldas Teixeira L. Fear of public speaking: perception of college students and correlates. J Voice. 2016;31(1):127-11. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015.12.012. PMid:26898522.
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-77 Maldonado I, Reich M. Estrategias de afrontamiento y medo a hablar em público en estudiantes universitários a nível de grado. Cienc Psicol. 2013;7(2):165-82.). Para os estudantes universitários, o temor associa-se à autopercepção negativa da voz, pouca participação em atividades de comunicação oral(66 Ferreira Marinho AC, Mesquita de Medeiros A, Côrtes Gama AC, Caldas Teixeira L. Fear of public speaking: perception of college students and correlates. J Voice. 2016;31(1):127-11. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015.12.012. PMid:26898522.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015....
) e estratégias de enfrentamento negativas e de evitação ao falar em público(77 Maldonado I, Reich M. Estrategias de afrontamiento y medo a hablar em público en estudiantes universitários a nível de grado. Cienc Psicol. 2013;7(2):165-82.). O medo de falar é um estressor psicossocial relacionado a características do transtorno de ansiedade social, que pode ser generalizado ou de desempenho(11 Pereira SM, Lourenço LM. O estudo bibliométrico do transtorno de ansiedade social em universitários. Arquivos Brasileiros de Psicologia. 2012;64(1):47-63.). Ele se manifesta por meio de sintomas somáticos, respostas comportamentais e aspectos cognitivos(88 Associação Americana de Psiquiatria. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed; 2013. (Tradução organizada por M. I. C. Matos).,99 Osório F, Crippa JA, Loureiro SR. Aspectos Cognitivos do falar em público: validação de uma escala de autoavaliação para universitários brasileiros. Rev Psiquiatr Clin. 2012;39(2):48-53. http://dx.doi.org/10.1590/S0101-60832012000200002.
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).

Os sintomas somáticos provocam alterações fisiológicas como mecanismo de defesa frente às situações de fala em público(55 D’El Rey GJF, Pacini CA. Medo de falar em público em uma amostra da população: prevalência, impacto no funcionamento pessoal e tratamento. Psicol, Teor Pesqui. 2005;21(2):237-42. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-37722005000200014.
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,88 Associação Americana de Psiquiatria. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed; 2013. (Tradução organizada por M. I. C. Matos).). São manifestações comportamentais acionadas pelo sistema nervoso autônomo: taquicardia, rubor, tremor, sudorese e desvios na comunicação não verbal(88 Associação Americana de Psiquiatria. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed; 2013. (Tradução organizada por M. I. C. Matos).). Estudos mostraram que entre os universitários há muito desconforto emocional e físico antes e/ou durante situações de fala em público(1010 Barbosa RA, Friedman S. Emoção: efeitos sobre a voz e a fala na situação em público. Distúrb Comun. 2007;19(3):325-36.), e que o medo de falar causa falta de concentração, tremor e outros sintomas que prejudicam emocional e cognitivamente os estudantes(11 Pereira SM, Lourenço LM. O estudo bibliométrico do transtorno de ansiedade social em universitários. Arquivos Brasileiros de Psicologia. 2012;64(1):47-63.,1111 Burato KR, Crippa JAS, Loreiro SR. Artigo transtorno de ansiedade social e comportamentos de evitação e segurança: uma revisão sistemática. Estud. Psicol. 2009;14(2):167-74.,1212 Hofmann SG, DiBartolo PM. An instrument to assess self-statements durin public speaking: scale development and preliminary psychometric properties. Behav Ther. 2000;31(3):499-515. http://dx.doi.org/10.1016/S0005-7894(00)80027-1. PMid:16763666.
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).

As respostas comportamentais são caracterizadas pela forma como o indivíduo enfrenta as situações de fala em público, ou seja, as estratégias que ele usa para resolver a situação(55 D’El Rey GJF, Pacini CA. Medo de falar em público em uma amostra da população: prevalência, impacto no funcionamento pessoal e tratamento. Psicol, Teor Pesqui. 2005;21(2):237-42. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-37722005000200014.
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,1111 Burato KR, Crippa JAS, Loreiro SR. Artigo transtorno de ansiedade social e comportamentos de evitação e segurança: uma revisão sistemática. Estud. Psicol. 2009;14(2):167-74.). O padrão comportamental das pessoas com medo de falar em público tem como característica o uso de estratégias de enfrentamento de evitação das interações ou situações sociais nas quais precisam se expor(11 Pereira SM, Lourenço LM. O estudo bibliométrico do transtorno de ansiedade social em universitários. Arquivos Brasileiros de Psicologia. 2012;64(1):47-63.,77 Maldonado I, Reich M. Estrategias de afrontamiento y medo a hablar em público en estudiantes universitários a nível de grado. Cienc Psicol. 2013;7(2):165-82.,1111 Burato KR, Crippa JAS, Loreiro SR. Artigo transtorno de ansiedade social e comportamentos de evitação e segurança: uma revisão sistemática. Estud. Psicol. 2009;14(2):167-74.). Esse padrão vincula-se à autopercepção de um perigo que requer proteção, já que as situações da fala em público são percebidas por essa população como ameaçadoras, antecipando uma avaliação negativa de si(11 Pereira SM, Lourenço LM. O estudo bibliométrico do transtorno de ansiedade social em universitários. Arquivos Brasileiros de Psicologia. 2012;64(1):47-63.,88 Associação Americana de Psiquiatria. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed; 2013. (Tradução organizada por M. I. C. Matos).).

Os aspectos cognitivos têm relação com as crenças do sujeito acerca da sua fala em público, ou seja, seus pensamentos positivos ou negativos perante essas situações(11 Pereira SM, Lourenço LM. O estudo bibliométrico do transtorno de ansiedade social em universitários. Arquivos Brasileiros de Psicologia. 2012;64(1):47-63.,1111 Burato KR, Crippa JAS, Loreiro SR. Artigo transtorno de ansiedade social e comportamentos de evitação e segurança: uma revisão sistemática. Estud. Psicol. 2009;14(2):167-74.,1212 Hofmann SG, DiBartolo PM. An instrument to assess self-statements durin public speaking: scale development and preliminary psychometric properties. Behav Ther. 2000;31(3):499-515. http://dx.doi.org/10.1016/S0005-7894(00)80027-1. PMid:16763666.
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). É possível observar que os indivíduos que têm medo de falar em público tendem a ser mais críticos consigo mesmos e apresentar autopercepção negativa(88 Associação Americana de Psiquiatria. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed; 2013. (Tradução organizada por M. I. C. Matos).,1212 Hofmann SG, DiBartolo PM. An instrument to assess self-statements durin public speaking: scale development and preliminary psychometric properties. Behav Ther. 2000;31(3):499-515. http://dx.doi.org/10.1016/S0005-7894(00)80027-1. PMid:16763666.
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,1313 Angélico AP, Bauth MF, Andrade AK. Estudo Experimental do falar em público com e sem plateia em universitários. Psico-USF. 2018;23(2):347-59. http://dx.doi.org/10.1590/1413-82712018230213.
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). Uma pesquisa com universitários mostrou que a maioria dos estudantes com medo de falar em público percebe negativamente a própria voz, incluindo uma autopercepção da voz como aguda e fraca(66 Ferreira Marinho AC, Mesquita de Medeiros A, Côrtes Gama AC, Caldas Teixeira L. Fear of public speaking: perception of college students and correlates. J Voice. 2016;31(1):127-11. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015.12.012. PMid:26898522.
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).

Hipotetizamos que os sintomas somáticos, respostas comportamentais e aspectos cognitivos do medo de falar em público estejam associados. Contudo, os estudos que abordam a temática são poucos e não aprofundam essas relações(88 Associação Americana de Psiquiatria. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed; 2013. (Tradução organizada por M. I. C. Matos).).-Entendemos que investigar os fatores associados aos sintomas somáticos do medo de falar aprofundará os conhecimentos sobre o tema e auxiliará na construção de treinamentos comunicativos e consultorias fonoaudiológicas para esse fim.

Diante do exposto, os objetivos deste estudo foram identificar a prevalência do medo de falar em público entre universitários e verificar sua associação com as variáveis sociodemográficas, autopercepção da voz, da fala em público, capacidade de captar e manter a atenção do ouvinte e influenciar o outro com a sua comunicação.

MÉTODO

Estudo analítico de delineamento transversal aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) sob o número 1.619.724. Participaram do estudo 1124 estudantes universitários, matriculados em uma instituição de ensino superior brasileira. Todos os estudantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Um total de 37,4% dos estudantes universitários estavam matriculados na área das Ciências humanas, 33,4% na área da Saúde, 24,7% na área das Ciências Exatas e 4,5% nas Artes. A idade média do grupo foi 25,2 anos (DP=7,8), predominando participantes com até 25 anos de idade (43,1%).

Dentre os instrumentos, foi utilizado um questionário autoaplicável desenvolvido pelos pesquisadores. O questionário foi dividido em quatro blocos.

O primeiro abordou características sociodemográficas em relação à idade, sexo, ser ou não gago, curso universitário da graduação e a área de concentração do curso.

O segundo bloco investigou o medo de falar em público por meio dos seguintes sintomas somáticos de ansiedade: tremores, rubor facial, respiração ofegante e taquicardia. Os participantes assinalaram quais desses sintomas se manifestavam durante a fala em público. O desfecho foi estabelecido considerando a presença de três ou mais sintomas somáticos de ansiedade(88 Associação Americana de Psiquiatria. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed; 2013. (Tradução organizada por M. I. C. Matos).).

O terceiro bloco do questionário foi constituído pela Escala para Autoavaliação ao Falar em Público (SSPS)(33 Osório FI, Crippa JA, Loureiro SR. Escala para auto avaliação ao falar em público (SSPS): Adaptação transcultural e consistência interna da versão brasileira. Rev Psiquiatr Clín. 2008;35(6):207-211. http://dx.doi.org/10.1590/S0101-60832008000600001.
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), um instrumento autoaplicável que avalia a autopercepção da fala em público, contemplando a dimensão cognitiva do medo de falar em púbico. A SSPS pressupõe que a ansiedade social é o resultado de uma percepção negativa de si mesmo e dos outros em relação a si próprio.

A escala é composta por dez questões e duas subescalas, uma de autoavaliação positiva (itens um, três, cinco, seis e nove) e outra de autoavaliação negativa (itens dois, quatro, sete, oito e dez), respondidas em uma escala Likert de zero (discordo totalmente) a cinco (concordo totalmente) pontos. O escore total é obtido pelo somatório dos dez itens do protocolo. A pontuação da subescala negativa deve ser invertida(1414 Pedrotti CA, Behlau M. Recursos comunicativos de executivos e profissionais em função operacional. CoDAS. 2017;29(3):e20150217. http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20172015217. PMid:28538820.
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). A pontuação mínima foi zero e a máxima 50. No presente estudo, a mediana de 32 pontos foi utilizada como ponto de corte para identificar a autoavaliação positiva ou negativa da fala em público. Os universitários que pontuaram abaixo da mediana foram classificados com autoavaliação negativa ao falar em público, e aqueles com pontuação igual ou acima, com autoavaliação positiva.

O quarto bloco apresentou questões referentes a três aspectos de autoavaliação da comunicação oral, incluindo a autopercepção vocal (ruim/muito ruim, boa/muito boa), autopercepção da capacidade de captar e manter a atenção do ouvinte ao falar em público (nunca/quase nunca, sempre/frequentemente) e de influenciar os outros com a comunicação (nunca/quase nunca, sempre/frequentemente). As opções de resposta foram dicotomizadas em: “não” para nunca e quase nunca, e “sim” para às vezes, quase sempre e sempre.

O questionário e o TCLE foram enviados aos estudantes apenas uma vez, online, por meio da ferramenta SurveyMonkey. A coleta de dados durou dois meses. Os critérios de inclusão foram: ser estudante de graduação, matriculado na instituição de ensino superior, de qualquer etnia, sexo e idade. Foram excluídos da pesquisa aqueles que autorreferiram gagueira e estudantes dos cursos de Fonoaudiologia e Psicologia. Um estudo-piloto foi aplicado previamente em dez indivíduos para observação da compreensão do instrumento. O tempo de preenchimento variou de cinco a dez minutos, e todas as questões foram consideradas aplicáveis, uma vez que os voluntários não apresentaram dificuldade em responder ao questionário.

Coleta de dados

As informações obtidas na coleta de dados foram alocadas em um banco de dados digital e analisadas posteriormente. A variável resposta adotada foi o medo de falar em público, e as variáveis explicativas foram: sexo, idade, autoavaliação da fala em público, autopercepção vocal, capacidade de influenciar os outros com sua comunicação e captar e manter atenção do ouvinte ao falar em público.

Foi realizada análise descritiva das variáveis estudadas. Para análise da associação do medo de falar em público com as variáveis explicativas, utilizou-se o teste Qui-Quadrado de Pearson. Aquelas associadas à resposta com valor p menor ou igual a 0,20 foram incluídas no modelo multivariado por meio da regressão logística (Método Forward). A magnitude de associação de cada variável explicativa, de forma independente, com a variável resposta foi aferida por Odds Ratio. No modelo final, foram mantidas apenas as variáveis que permaneceram significativamente associadas ao desfecho. Foram utilizados os programas IBM SPSS Statistics, versão 20, e STATA (StataCorp, College Station, Estados Unidos), versão 12.0.

RESULTADOS

A amostra foi composta por uma maioria de estudantes do sexo feminino (64,6%), com faixa etária de 17 a 25 anos de idade (69,5%). Os sintomas somáticos estiveram presentes entre os universitários, sendo os mais frequentes a respiração ofegante (95,6%) e a taquicardia (64,7%). O medo de falar em público, ou seja, a presença de três ou mais sintomas somáticos de ansiedade, foi relatado por 59,7% dos estudantes. Um pouco mais da metade dos participantes apresentaram autoavaliação positiva da fala (53,0%) e autopercepção vocal ruim (55,2%). Os participantes acreditaram que não conseguiam influenciar o interlocutor durante a fala em público (53,0%) e que não conseguiam captar e manter a atenção do ouvinte (57,6%) (Tabela 1).

Tabela 1
Características sociodemográficas, sintomas somáticos de ansiedade ao falar em público, medo de falar em público, autoavaliação da fala e da comunicação oral em público (n=1124)

A Tabela 2 mostra a associação entre medo de falar em público e as variáveis sexo, idade, autoavaliação da fala em público e autopercepção da comunicação oral. Houve associação do medo de falar em público com a autopercepção vocal ruim, ser capaz de captar e manter atenção do ouvinte e conseguir influenciar o ouvinte com a sua comunicação. O medo não se diferenciou em relação ao sexo, idade e autoavaliação da fala em público.

Tabela 2
Associação do medo de falar em público com sexo, idade, autoavaliação da fala e da comunicação oral em público (n=1124)

No modelo multivariado final (Tabela 3), verificou-se que foram mantidas com significância estatística as variáveis autopercepção da capacidade de manter a atenção do interlocutor e de influenciar o ouvinte. Os indivíduos que autorrelataram capacidade de captar e manter a atenção do interlocutor durante as apresentações em público apresentaram maior chance de autorreferir medo de falar em público. Aqueles que se perceberam capazes de influenciar o ouvinte com a sua comunicação apresentaram menor chance de sentir medo de falar em público.

Tabela 3
Análise multivariada da associação entre sintomas do medo de falar em público e as variáveis: capacidade de captar e manter atenção do interlocutor e capacidade de influenciar o ouvinte

DISCUSSÃO

Os resultados deste estudo indicam uma alta prevalência do medo de falar em público em universitários. O desfecho associou-se à autopercepção de não conseguir influenciar o interlocutor com seu discurso e com a capacidade de captar e manter a atenção do ouvinte.

Na situação de fala em público, sob efeito do estresse, ocorre liberação do hormônio cortisol e de neurotransmissores como a noradrenalina, substâncias do corpo humano que desencadeiam mudanças corporais e vocais(1010 Barbosa RA, Friedman S. Emoção: efeitos sobre a voz e a fala na situação em público. Distúrb Comun. 2007;19(3):325-36.,1515 Oliveira MA, Duarte AMM. Controle de respostas de ansiedade em universitários em situações de exposições orais. Rev Bras Ter Comport Cogn. 2004;6:183-200.). A literatura descreve que, geralmente, ao falar em público, as pessoas podem experimentar reações como tremores, sudorese na palma da mão, taquicardia, rubor, falhas na memória(1010 Barbosa RA, Friedman S. Emoção: efeitos sobre a voz e a fala na situação em público. Distúrb Comun. 2007;19(3):325-36.,1515 Oliveira MA, Duarte AMM. Controle de respostas de ansiedade em universitários em situações de exposições orais. Rev Bras Ter Comport Cogn. 2004;6:183-200.,1616 Teixeira-Silva F. Trait anxiety in Brazilian university students from Aracaju. Rev psiquiatr Rio Gd Sul. 2008;30(1):19-24. http://dx.doi.org/10.1590/S0101-81082008000100007.
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) e padrão respiratório irregular(1010 Barbosa RA, Friedman S. Emoção: efeitos sobre a voz e a fala na situação em público. Distúrb Comun. 2007;19(3):325-36.). Esses sintomas, além de desconfortáveis ao falante, podem gerar no ouvinte uma percepção negativa do comunicador(1616 Teixeira-Silva F. Trait anxiety in Brazilian university students from Aracaju. Rev psiquiatr Rio Gd Sul. 2008;30(1):19-24. http://dx.doi.org/10.1590/S0101-81082008000100007.
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,1717 Almeida AAF, Behlau M, Leite JR. Correlação entre ansiedade e performance comunicativa. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2011;16(4):384-9. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342011000400004.
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).

Entre os estudantes universitários, a prevalência do medo de falar em público não se diferenciou estatisticamente quanto ao sexo e à idade. Tal resultado é consistente, pois o medo de falar em público ocorre independente de gênero, etnia e idade(77 Maldonado I, Reich M. Estrategias de afrontamiento y medo a hablar em público en estudiantes universitários a nível de grado. Cienc Psicol. 2013;7(2):165-82.).

Os resultados do presente estudo mostraram que a manifestação do medo de falar em público não dependeu diretamente de uma autoavaliação positiva ou negativa ao falar em público. Autores já discutiram que, muitas vezes, bons comunicadores também não conseguem livrar-se totalmente do medo de falar em público, pois a base do medo é fisiológica e multifatorial(1717 Almeida AAF, Behlau M, Leite JR. Correlação entre ansiedade e performance comunicativa. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2011;16(4):384-9. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342011000400004.
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,1818 Cuddy AJC. O poder da presença. Rio de Janeiro: Ed Sextante; 2016.). Esse dado é relevante para que as assessorias comunicativas valorizem estratégias de enfrentamento, com o objetivo de minimizar o medo de falar em público, como o autoconhecimento(1414 Pedrotti CA, Behlau M. Recursos comunicativos de executivos e profissionais em função operacional. CoDAS. 2017;29(3):e20150217. http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20172015217. PMid:28538820.
http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/2017...
,1919 Hancock AB, Stone MD, Brundage SB, Zeigler MT. Public speaking attitudes: does curriculum make a difference? J Voice. 2010;2(3):302-7. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2008.09.007. PMid:19481418.
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20 Santos TD, Pedrosa V, Mara Behlau M. Comparação dos atendimentos fonoaudiológicos virtual e presencial em profissionais do telejornalismo. Rev CEFAC. 2015;17(2):385-95. http://dx.doi.org/10.1590/1982-0216201512814.
http://dx.doi.org/10.1590/1982-021620151...
-2121 Carney DR, Cuddy AJC, Yap AJ. Power posing: brief nonverbal displays affect neuroendocrine levels and risk tolerance. Psychol Sci. 2010;21(10):1363-8. http://dx.doi.org/10.1177/0956797610383437. PMid:20855902.
http://dx.doi.org/10.1177/09567976103834...
), organização e domínio do discurso, vivências de fala em público(1414 Pedrotti CA, Behlau M. Recursos comunicativos de executivos e profissionais em função operacional. CoDAS. 2017;29(3):e20150217. http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20172015217. PMid:28538820.
http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/2017...
) e técnicas terapêuticas com exercícios de respiração e voz(1010 Barbosa RA, Friedman S. Emoção: efeitos sobre a voz e a fala na situação em público. Distúrb Comun. 2007;19(3):325-36.,1616 Teixeira-Silva F. Trait anxiety in Brazilian university students from Aracaju. Rev psiquiatr Rio Gd Sul. 2008;30(1):19-24. http://dx.doi.org/10.1590/S0101-81082008000100007.
http://dx.doi.org/10.1590/S0101-81082008...
,2020 Santos TD, Pedrosa V, Mara Behlau M. Comparação dos atendimentos fonoaudiológicos virtual e presencial em profissionais do telejornalismo. Rev CEFAC. 2015;17(2):385-95. http://dx.doi.org/10.1590/1982-0216201512814.
http://dx.doi.org/10.1590/1982-021620151...
).

A maioria dos universitários com medo de falar em público autopercebeu a voz como ruim. Esse dado não permaneceu com significância estatística no modelo multivariado. Contudo, incentiva-se que o uso de técnicas vocais universais seja incorporado em todo trabalho de comunicação oral em público, uma vez que a voz é instrumento de comunicação e emoção(2121 Carney DR, Cuddy AJC, Yap AJ. Power posing: brief nonverbal displays affect neuroendocrine levels and risk tolerance. Psychol Sci. 2010;21(10):1363-8. http://dx.doi.org/10.1177/0956797610383437. PMid:20855902.
http://dx.doi.org/10.1177/09567976103834...

22 Bicalho AD, Behlau M, Oliveira G. Termos descritivos da própria voz. Rev CEFAC. 2010;12(4):543-50. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-18462010005000048.
http://dx.doi.org/10.1590/S1516-18462010...
-2323 Borrego MCM, Behlau M. Recursos de ênfase utilizados por indivíduos com e sem treinamento de voz e fala. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2012;17(2):216-24. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342012000200019.
http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342012...
) que exerce influência direta naquele que ouve(2222 Bicalho AD, Behlau M, Oliveira G. Termos descritivos da própria voz. Rev CEFAC. 2010;12(4):543-50. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-18462010005000048.
http://dx.doi.org/10.1590/S1516-18462010...
), fator importante para conquistar o público e aumentar a autoconfiança(2121 Carney DR, Cuddy AJC, Yap AJ. Power posing: brief nonverbal displays affect neuroendocrine levels and risk tolerance. Psychol Sci. 2010;21(10):1363-8. http://dx.doi.org/10.1177/0956797610383437. PMid:20855902.
http://dx.doi.org/10.1177/09567976103834...
).

Os resultados da análise multivariada mostraram que os universitários que autoperceberam captação e manutenção da atenção do ouvinte apresentaram mais chances de relatar medo de falar em público. Já os indivíduos que autorrelataram capacidade de influenciar o ouvinte com a sua comunicação apresentaram menor chance de sentir medo. A fala em público envolve três objetivos fundamentais: informar, entreter e persuadir(2424 Lucas SE. A arte de falar em público. Rio de Janeiro: LTC Editora S.A.; 2003. Chapter 1, Falando em Público; p. 1-21.). Ao informar, o falante expõe um assunto e elucida suas ideias, mas ele também precisa capturar e manter a atenção do ouvinte, habilidade que pode ser realizada entretendo o interlocutor, como por meio de um relato interessante de um caso ou uma história. Contudo, superando esses dois objetivos, o orador precisa persuadir o ouvinte e influenciá-lo com a sua comunicação(2424 Lucas SE. A arte de falar em público. Rio de Janeiro: LTC Editora S.A.; 2003. Chapter 1, Falando em Público; p. 1-21.).

Desse modo, a hipótese deste estudo é que pessoas que conseguem influenciar as outras com a comunicação já desenvolveram uma habilidade comunicativa mais refinada. São pessoas que têm grande domínio comunicativo, expõem as ideias de modo claro e persuasivo, envolvendo os ouvintes de modo a influenciá-los. Quando o sujeito já consegue persuadir e influenciar, ele provavelmente não fica excluído do medo, mas apresenta bem menos chances de ser dominado por ele.

Estudos mostram que o acúmulo de experiências positivas ao falar em público promove e aprimora as habilidades de comunicação oral(1010 Barbosa RA, Friedman S. Emoção: efeitos sobre a voz e a fala na situação em público. Distúrb Comun. 2007;19(3):325-36.,1919 Hancock AB, Stone MD, Brundage SB, Zeigler MT. Public speaking attitudes: does curriculum make a difference? J Voice. 2010;2(3):302-7. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2008.09.007. PMid:19481418.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2008....
). Nessa vertente, as assessorias comunicativas oferecem treinamento e aperfeiçoamento para a comunicação oral(1919 Hancock AB, Stone MD, Brundage SB, Zeigler MT. Public speaking attitudes: does curriculum make a difference? J Voice. 2010;2(3):302-7. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2008.09.007. PMid:19481418.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2008....
,2020 Santos TD, Pedrosa V, Mara Behlau M. Comparação dos atendimentos fonoaudiológicos virtual e presencial em profissionais do telejornalismo. Rev CEFAC. 2015;17(2):385-95. http://dx.doi.org/10.1590/1982-0216201512814.
http://dx.doi.org/10.1590/1982-021620151...
,2323 Borrego MCM, Behlau M. Recursos de ênfase utilizados por indivíduos com e sem treinamento de voz e fala. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2012;17(2):216-24. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342012000200019.
http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342012...
,2525 Neiva TMA, Gama ACC, Teixeira LC. Expressividade vocal e corporal falar bem no telejornalismo: resultados de treinamento. Rev CEFAC. 2016;18(2):498-507. http://dx.doi.org/10.1590/1982-021620161829415.
http://dx.doi.org/10.1590/1982-021620161...
,2626 Santos AC, Borrego MC, Behlau M. Efeito do treinamento vocal direto e indireto em estudantes de fonoaudiologia. CoDAS. 2015;27(4):384-91. http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20152014232. PMid:26398263.
http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/2015...
). O trabalho mobiliza atitudes positivas do comunicador, aumenta a autoconfiança do falante e aprimora a expressividade(1919 Hancock AB, Stone MD, Brundage SB, Zeigler MT. Public speaking attitudes: does curriculum make a difference? J Voice. 2010;2(3):302-7. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2008.09.007. PMid:19481418.
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,2323 Borrego MCM, Behlau M. Recursos de ênfase utilizados por indivíduos com e sem treinamento de voz e fala. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2012;17(2):216-24. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342012000200019.
http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342012...
,2525 Neiva TMA, Gama ACC, Teixeira LC. Expressividade vocal e corporal falar bem no telejornalismo: resultados de treinamento. Rev CEFAC. 2016;18(2):498-507. http://dx.doi.org/10.1590/1982-021620161829415.
http://dx.doi.org/10.1590/1982-021620161...
,2727 Goberman AM, Hughes S, Haydock T. Acoustic characteristics of public speaking: anxiety and practice effects. Speech Commun. 2011;53(6):867-76. http://dx.doi.org/10.1016/j.specom.2011.02.005.
http://dx.doi.org/10.1016/j.specom.2011....
), diminuindo a ansiedade de falar em público.

Como limitação do estudo, o delineamento transversal não permitiu analisar a relação de causalidade entre as variáveis estudadas. São necessários, portanto, novos estudos que longitudinalmente acompanhem os sujeitos para que o tema seja mais detidamente explorado. Também é importante que estudos futuros contemplem análises objetivas e multidimensionais, incluindo a autopercepção do sujeito e análise de filmagens de fala em público por juízes especialistas. Por fim, os resultados aqui encontrados poderão contribuir para o avanço na construção de assessorias comunicativas cada vez melhores, beneficiando as pessoas que precisam falar bem em público.

CONCLUSÃO

O medo de falar em público é prevalente na maioria dos universitários, e permanece mesmo nos indivíduos que acreditam conseguir captar e manter a atenção do ouvinte, porém com menos chance de existir nos indivíduos que se julgam capazes de influenciar o ouvinte com sua comunicação.

  • Trabalho realizado no Programa de Pós-graduação em Ciências Fonoaudiológicas, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG - Belo Horizonte (MG), Brasil.
  • Fonte de financiamento: nada a declarar.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    17 Out 2019
  • Data do Fascículo
    2019

Histórico

  • Recebido
    05 Nov 2018
  • Aceito
    06 Mar 2019
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