“Não se meta com meus filhos”: a construção do pânico moral da criança sob ameaça* * Agradeço a Richard Miskolci pelo diálogo enriquecedor sobre os temas aqui tratados. Este artigo foi preliminarmente apresentado no programa Pesadelos Artificiais do Núcleo de Estudos em Emoções e Realidades Digitais da UFSM e também no Congresso Latino-Americano de Sociologia (ALAS), em 2017

Fernando de Figueiredo Balieiro Sobre o autor

Resumo

Nos últimos anos, empreendedores morais diversos foram responsáveis por disseminar um pânico moral contra materiais didáticos escolares, programas educacionais e exposições artísticas que incluíam a abordagem das diferenças de gênero e sexualidade. Este artigo visa analisar três episódios envolvidos nesse pânico: a reação, em 2011, contra materiais didáticos pelo enfrentamento da homofobia nas escolas, a discussão, entre 2014 e 2015, sobre planos educacionais na qual se difundiu a noção de “ideologia de gênero” e, em 2017, a perseguição a exposições e performances artísticas em Porto Alegre e São Paulo que antecedeu a vinda de Judith Butler ao Brasil. Discutirá como a formação do pânico moral dependeu do recurso discursivo estratégico de transformar iniciativas que visassem promover avanços aos direitos sexuais em ameaça às crianças.

Pânicos Morais; Ameaça às Crianças; “Ideologia de Gênero”; Direitos Humanos; Judith Butler

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