Efeito de diferentes níveis de proteína e energia no desempenho de fêmeas Plymouth rock barrada na fase de postura

Effect of diferents levels of crude protein and metabolizable energy on the performance of Plymouth rock barred hens

Resumos

O presente trabalho teve por objetivo determinar o efeito de diferentes níveis de proteína e energia metabolizável na fase de postura de fêmeas da raça Plymouth Rock Barrada (PRB) provenientes do Setor de Avicultura do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Santa Maria. Selecionou-se 384 fêmeas as 21ª semanas, ao final da fase de recria, as quais foram alojadas em um galpão de postura. Estas aves foram submetidas a 4 dietas experimentais em cada período analisado, resultando assim num fatorial 2x2 (dois níveis protéicos e dois níveis energéticos) em cada fase de postura, com 12 repetições de 8 aves. Na Fase I (23ª a 42ª semana) foram utilizados níveis de 15,5 e 17% de PB e 2700 e 2800kcal de EM/kg de ração. Na Fase II os níveis protéicos sofreram uma redução de uma unidade de percentagem e os níveis energéticos permaneceram os mesmos. O desempenho produtivo foi avaliado através do peso corporal, consumo de ração, produção de ovos, taxas de postura, peso dos ovos, massa de ovos, conversão alimentar (kg/dz), gravidade específica dos ovos e pico de produção. Análises de variância foram conduzidas a cada período de 28 dias e no final da fase de postura, para os parâmetros avaliados. Sempre que diferenças significativas foram encontradas a nível de 5%, empregou-se o teste de Tuckey. O nível de 2800kcal de EM/kg de ração propiciou aumentos significativos na taxa de postura (períodos II, IV e V), na massa de ovo (períodos IV, V e VIII) e na conversão alimentar (períodos V e VI) das fêmeas. Os parâmetros peso corporal, consumo de ração e gravidade específica dos ovos não foram afetados por qualquer nível de proteína bruta ou energia metabolizável e/ou suas interaçôes utilizados nas diferentes fases. Novos estudos nutricionais devem ser conduzidos para melhor avaliar esta raça.

Plymouth Rock Barred hens; laying period; levels of crude protein and metabolizable energy


This work was conducted to determine the effects of different levels of crude protein (CP) and energy (EM) in laying phase of Plymouth Rock Barred (PRB) hens. The birds were obtained at the Poultry Section of the Departament of Animal Science, at the Federal University of Santa Maria. At the 21st week (end of the growing phase), 384 females were selected and allocated in a laying house. These birds were submitted to four experimental diets, in each analised period, resulting in a factorial analysis (two levels of protein X two levels of energy) with 12 replications of eight birds. In the phase I (23th to 42th week) and the phase II (43th to 54th wek) levels of 15.5 and 17.0% of CP, 2700 and 2800kcal of ME/kg were used. In the second phase the protein levels decreased one percent unit, and the energy levels were the same. The productive performance was estimated through body weight, feed intake, egg production, egg weight, egg mass, feed conversion (kg/dz), egg specific gravify and the peak of egg to each breed. During the laying period it was used a factorial analysis (two levels of protein x two levels of energy) with 12 replications of eight birds, per breed. The analysis of variance were conducted for each period of 28 days and at the end of the experimental period. The Tuckey test was used when at least 5% of significance was obtained. Females PRB feddiet with 2800kcal of ME/kg of the diet showed significant increased in the laying rate (periods II, IV and V), in the egg mass (periods IV, V and VIII) and in the feed conversion (periods V and VI). For females RIR the higherst energy level gave a better feed conversion in the period I (P<.05). The variable body weigth, feed intake and egg specific gravity were not affected by any level and/or interaction used at the diffèrent phases. Further studies should be conducted to better evaluated this breeds.

Plymouth Rock Barred hens; laying period; levels of crude protein and metabolizable energy


EFEITO DE DIFERENTES NÍVEIS DE PROTEÍNA E ENERGIA NO DESEMPENHO DE FÊMEAS PLYMOUTH ROCK BARRADA NA FASE DE POSTURA1 1 Parte da dissertação de Mestrado em Avicultura apresentada pelo primeiro autor ao Curso de Pós-Graduação em Zootecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 97119-900, Santa Maria, RS. Autor para correspondência.

EFFECT OF DIFERENTS LEVELS OF CRUDE PROTEIN AND METABOLIZABLE ENERGY ON THE PERFORMANCE OF PLYMOUTH ROCK BARRED HENS

Alexandre Pires Rosa2 1 Parte da dissertação de Mestrado em Avicultura apresentada pelo primeiro autor ao Curso de Pós-Graduação em Zootecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 97119-900, Santa Maria, RS. Autor para correspondência. Irineo Zanella3 1 Parte da dissertação de Mestrado em Avicultura apresentada pelo primeiro autor ao Curso de Pós-Graduação em Zootecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 97119-900, Santa Maria, RS. Autor para correspondência. Neventon Santi Vieira4 1 Parte da dissertação de Mestrado em Avicultura apresentada pelo primeiro autor ao Curso de Pós-Graduação em Zootecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 97119-900, Santa Maria, RS. Autor para correspondência.

RESUMO

O presente trabalho teve por objetivo determinar o efeito de diferentes níveis de proteína e energia metabolizável na fase de postura de fêmeas da raça Plymouth Rock Barrada (PRB) provenientes do Setor de Avicultura do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Santa Maria. Selecionou-se 384 fêmeas as 21ª semanas, ao final da fase de recria, as quais foram alojadas em um galpão de postura. Estas aves foram submetidas a 4 dietas experimentais em cada período analisado, resultando assim num fatorial 2x2 (dois níveis protéicos e dois níveis energéticos) em cada fase de postura, com 12 repetições de 8 aves. Na Fase I (23ª a 42ª semana) foram utilizados níveis de 15,5 e 17% de PB e 2700 e 2800kcal de EM/kg de ração. Na Fase II os níveis protéicos sofreram uma redução de uma unidade de percentagem e os níveis energéticos permaneceram os mesmos. O desempenho produtivo foi avaliado através do peso corporal, consumo de ração, produção de ovos, taxas de postura, peso dos ovos, massa de ovos, conversão alimentar (kg/dz), gravidade específica dos ovos e pico de produção. Análises de variância foram conduzidas a cada período de 28 dias e no final da fase de postura, para os parâmetros avaliados. Sempre que diferenças significativas foram encontradas a nível de 5%, empregou-se o teste de Tuckey. O nível de 2800kcal de EM/kg de ração propiciou aumentos significativos na taxa de postura (períodos II, IV e V), na massa de ovo (períodos IV, V e VIII) e na conversão alimentar (períodos V e VI) das fêmeas. Os parâmetros peso corporal, consumo de ração e gravidade específica dos ovos não foram afetados por qualquer nível de proteína bruta ou energia metabolizável e/ou suas interaçôes utilizados nas diferentes fases. Novos estudos nutricionais devem ser conduzidos para melhor avaliar esta raça.

Palavras-chave: aves Plymouth Rock Barrada, postura, níveis protéicos e energéticos.

SUMMARY

This work was conducted to determine the effects of different levels of crude protein (CP) and energy (EM) in laying phase of Plymouth Rock Barred (PRB) hens. The birds were obtained at the Poultry Section of the Departament of Animal Science, at the Federal University of Santa Maria. At the 21st week (end of the growing phase), 384 females were selected and allocated in a laying house. These birds were submitted to four experimental diets, in each analised period, resulting in a factorial analysis (two levels of protein X two levels of energy) with 12 replications of eight birds. In the phase I (23th to 42th week) and the phase II (43th to 54th wek) levels of 15.5 and 17.0% of CP, 2700 and 2800kcal of ME/kg were used. In the second phase the protein levels decreased one percent unit, and the energy levels were the same. The productive performance was estimated through body weight, feed intake, egg production, egg weight, egg mass, feed conversion (kg/dz), egg specific gravify and the peak of egg to each breed. During the laying period it was used a factorial analysis (two levels of protein x two levels of energy) with 12 replications of eight birds, per breed. The analysis of variance were conducted for each period of 28 days and at the end of the experimental period. The Tuckey test was used when at least 5% of significance was obtained. Females PRB feddiet with 2800kcal of ME/kg of the diet showed significant increased in the laying rate (periods II, IV and V), in the egg mass (periods IV, V and VIII) and in the feed conversion (periods V and VI). For females RIR the higherst energy level gave a better feed conversion in the period I (P<.05). The variable body weigth, feed intake and egg specific gravity were not affected by any level and/or interaction used at the diffèrent phases. Further studies should be conducted to better evaluated this breeds.

Key words: Plymouth Rock Barred hens, laying period, levels of crude protein and metabolizable energy.

INTRODUÇÃO

A maturidade sexual, o peso corporal, o peso dos ovos, a qualidade interna e externa dos ovos, entre outros parâmetros, são influenciados por condições ambientais, de manejo, de sanidade e nutricionais. Diferenças genéticas entre raças, linhagens e indivíduos, quanto à utilização de proteína e/ou energia dos alimentos, foram evidenciadas por DEATON & QUISENBERRY (1965) e NESHEIM (1966). Segundo estes autores, a eficiência de utilização dos nutrientes depende do metabolismo de muitos compostos, envolvendo grande número de reações, controladas por enzimas, as quais, possivelmente, estão sob controle genético. SIBBALD & SLINGER (1963) citam que um variado número de fatores são responsáveis pelas diferenças de utilização da energia metabolizável, destacando-se entre outros, variações genéticas na habilidade de digerir e absorver nutrientes.

Para que as aves expressem seu máximo potencial genético é necessário que estejam adequadamente nutridas, e isto se consegue quando são supridas as suas exigências nutricionais mínimas. HILL et al. (1956) encontraram efeitos significativos de dietas de alta energia sobre a eficiência alimentar e a produção de ovos. Dietas de alta, média e baixa energia, produziram 68%, 66% e 64% de postura, respectivamente. Porém, MACINTYRE & AITKEN (1957) e, BERG & BEARSE (1956), não encontraram efeitos dos níveis de energia sobre a produção e o peso dos ovos, sendo que, a eficiência da utilização de energia melhorou com dietas de alta energia.

COUTO et al. (1990) conduziram um experimento com reprodutoras de corte (26ªà 52ª semanas de idade), objetivando avaliar 4 diferentes níveis de consumo protéico no desempenho reprodutivo. Os tratamentos constaram de 4 dietas com níveis crescentes de proteína (12,0%, 13,33%, 14,67% e 16,0% de PB), em consumo fixo de 150g de ração/ave/dia, proporcionando níveis de 18, 20, 22 e 24g de consumo de proteína/ave/dia, respectivamente. Não verificaram efeitos significativos (P>0,05) dos níveis de consumo de proteína na produção de ovos, massa de ovos, conversão alimentar, eclodibilidade e peso dos pintos ao nascerem. Porém, estes autores verificaram que o consumo protéico afetou significativamente (P<0,05) o peso médio dos ovos e o peso corporal final das matrizes. KESHAVARZ & NAKAJIMA (1995), observaram que aves alimentadas com dietas contendo 21% de PB, produziram ovos mais pesados que as alimentadas com 17% de PB. Segundo estes autores, o aumento do peso dos ovos, foi devido ao aumento do peso do albúmen e, citam ainda que, em nenhum dos casos o peso da gema foi influenciado pelo nível protéico. PARSONS et al. (1993) relataram que o peso dos ovos no início da fase de produção foi influenciado pelo aumento do nível protéico da dieta de 16% para 18% e também por adição de 2% de óleo de milho em dieta com 20% de proteína bruta.

Investigações referentes aos efeitos da proteína bruta e da energia metabolizável durante a fase de postura, tem sido o tema de esporádicas pesquisas nos últimos anos e, ainda assim, com resultados conflitantes conforme citações de KESHAVARZ & NAKAJIMA (1995). São poucas as informações sobre o comportamento produtivo da raça Plymouth Rock Barrada, quanto às suas exigências nutricionais. Desta forma, conduziu-se este experimento com o objetivo de determinar o efeito de diferentes níveis proteicos e energéticos, na fase de postura de fêmeas desta raça.

MATERIAIS E MÉTODOS

O trabalho foi realizado no Setor de Avicultura do Dept° de Zootecnia da Universidade Federal de Santa Maria - UFSM, Santa Maria, RS. A UFSM localiza-se na Depressão Central do Estado do Rio Grande do Sul, latitude 30°S e altitude 150m, tendo temperatura, umidade relativa do ar e precipitação médias anuais, 19°C, 82% e 1969mm, respectivamente. Utilizaram-se 384 fêmeas da raça Plymouth Rock Barrada (PRB), oriundas de uma população de 1000 pintos, provenientes do Setor de Avicultura/UFSM. Do nascimento à 5ª semana de idade (fase inicial), foram criados em boxes sob cama de maravalha e, receberam dieta única, à vontade, com 19,5% de PB, 0,8% de Ca, 0,39% de P disponível e 2800Kcal de EM/kg de ração.

As aves foram vacinadas (Marek, Newcastle e Epitelioma Contagioso), sexadas, debicadas, e destas na 6ª semana selecionou-se 480 fêmeas e após foram alojadas em galpão de recria. Utilizou-se 60 gaiolas com duas celas cada de 0,45 x 0,40 x 0,45m de frente, fundos e altura, respectivamente, com 8 aves/m linear, em 2 andares. Da 6ª até a 11ª semana manejou-se as aves conforme as normas de manejo tradicionalmente utilizadas. Da 12ª à 21ª semana de idade, as fêmeas receberam iluminação artificial, de modo a manter a luminosidade constante de 14 horas/dia. Nesta fase as aves receberam ração à vontade, contendo 15,5% de PB, 0,75% de Ca, 0,38% de P disponível e 2700Kcal de EM/kg de dieta.

Ao término da fase de recria, selecionaram-se 384 fêmeas para compor o plantel experimental. As aves foram alojadas em 48 gaiolas, sendo cada uma com 1 m linear e composta de 4 celas. Alojou-se 2 fêmeas em cada cela de 0,25 x 0,40 x 0,45m, portanto 8 aves/m linear. A partir da 6ª semana de idade, os bebedouros e comedouros utilizados, foram do tipo calha. As aves ao serem alojadas nas gaiolas de postura, passaram a receber luz artificial crescente, com estímulos semanais de 15 minutos, até atingir 17 horas e 30 minutos de luminosidade diária, permanecendo constante até a 54ª semana, quando ocorreu o término da fase experimental.

As 384 fêmeas em avaliação foram submetidas a 4 dietas experimentais em cada período de 28 dias. É conveniente salientar que a 22a semana serviu como período de adaptação das aves às novas instalações e dietas. A partir da 23ª semana, iniciou-se a fase experimental de postura. A fase produtiva estudada entre a 23ª e 54ª semanas de idade, foi dividida em 8 períodos de 4 semanas cada, sendo: período I = 23ª à 26ª semana, II = 27ª à 30ª, III =31ª à 34ª, IV = 35ª à 38ª, V = 39ª à 42ª, VI = da 43ª à 46ª, VII - 47ª à 50ª e período VIII = 51ª à 54ª semana. Sob o aspecto produtivo, o ciclo de postura foi dividido em 2 fases, a Fase I de postura que compreendeu os períodos de I ao V e a Fase II que foi do período VI ao VIII.

Previamente à formulação das dietas todos os ingredientes foram analisados quanto a sua composição nutricional. A composição dos ingredientes das dietas e os níveis nutricionais .estimados das mesmas encontram-se na Tabela 1. O delineamento experimental foi um fatorial 2x2 (dois níveis protéicos x dois níveis energéticos), com 12 repetições de 8 aves cada, totalizando 384 fêmeas, aplicado em cada período experimental isoladamente.

Na Fase I (23ª à 42ª semana) utilizou-se 4 dietas experimentais, com 2 níveis protéicos e 2 energéticos: T1 = 15,5% de PB e 2700kcal de EM/kg de dieta, T2 = 17,0% de PB e 2700kcal de EM/kg de dieta, T3 - 15,5% de PB e 2800kcal de EM/kg de dieta e T4 = 17,0% de PB e 2800kcal de EM/kg de dieta. Na Fase II (43ª à 54ª semana) alteraram-se os níveis protéicos, de cálcio e fósforo, porém, os níveis energéticos permaneceram os mesmos conforme os tratamentos: T1 = 14,5% de PB e 2700kcal de EM/kg de dieta, T2 = 16,0% de PB e 2700kcal de EM/kg de dieta, T3 = 14,5% de PB e 2800kcal de EM/kg de dieta e T4 = 16,0% de PB e 2800kcal de EM/kg de dieta.

Os parâmetros avaliados na fase de postura foram o peso corporal, o consumo de ração, a produção de ovos e a taxa de postura, o peso dos ovos, a massa de ovos, a conversão alimentar e a gravidade específica. Para o parâmetro peso corporal as aves foram pesadas individualmente em balança com aproximação de 10g, no início da fase de postura (23ª semana) e ao final de cada período de 28 dias. As fêmeas eram arraçoadas à vontade uma única vez ao dia, sempre pela manhã. A coleta e pesagem das sobras de ração, com a finalidade de determinar o consumo, realizavam-se no mesmo dia da pesagem das aves (final do período). Para determinar a produção de ovos e a taxa de postura, eram realizadas quatro coletas diárias, sendo duas pela manhã e duas à tarde. Em fichas de controle de produção anotava-se o número de ovos normais, de casca mole, gema dupla, quebrados e deformados. Semanalmente, nas quintas-feira, todos os ovos normais eram pesados individualmente, usando-se uma balança com precisão de 0,1g. Obtinha-se a massa de ovos através do produto do número de ovos produzidos por repetição no período e seus pesos médios. A conversão alimentar das aves foi expressa em kg de ração consumida por dúzia de ovos produzidos. A qualidade da casca dos ovos foi mensurada na 40ª, 41ª e 42ª semanas de idade em todos os ovos normais. Para tal utilizou-se a técnica de imersão dos ovos em soluções salinas com densidades de 1,070 a 1,100, com incremento de 0,005 entre soluções. Considerava-se a gravidade específica do ovo quando a parte superior atingia o nível da solução, conforme VOISEY & FOSTER (1970).

Os dados de cada período experimental foram submetidos a análise de variância de acordo com o modelo bi-fatorial: Yijh = m + aj + bj + (ab)ij + com o modelo bi-fatorial: Yijh = m + aj + bj + (ab)ij + eijk onde: Yijk é o valor medido numa parcela que recebeu o nível protéico ai e o nível energético bi na repetição k,; ai é o efeito do nível protéico i; bj é o efeito do nível energético, sendo que, o ai e bj são aplicados na parcela que forneceu o valor Yijk. O (ab)IJ corresponde ao efeito da interação entre o aa e bj e, eijk corresponde a variação aleatória que insidiu na parcela que forneceu o valor Yijk.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No início e final da fase de postura, as aves possuíam peso de 1820g e 2367g, respectivamente. Os níveis protéicos e energéticos bem como suas interações, não afetaram significativamente (P>0,05) o peso das aves em nenhum dos períodos estudados. O peso médio (g) das aves foi de 2080, 2108, 2137, 2167, 2231, 2236, 2317, 2367, nos períodos I, II, III, IV, V, VI, VII e VIII, respectivamente. PROUDFOOT et al (1988) conduziram 3 experimentos com o objetivo de estimar o efeito de simples, duplo e triplo regimes alimentares na fase de postura, utilizando níveis de 15, 18 e 21% de PB. Observaram que em 2 experimentos, níveis mais elevados de proteína bruta aumentaram o peso corporal (P<0,05), sendo estes resultados diferentes dos obtidos neste experimento. Porém, em um terceiro experimento, elevados níveis protéicos não afetaram o peso corporal (P>0,05), sendo estes resultados semelhantes aos encontrados no presente trabalho. KESHAVARZ & NAKAJIMA (1995), também não verificaram efeito dos níveis protéicos (17 e 21%) e energéticos (2816 e 3036kcal de EM/kg de dieta) sobre o peso corporal das aves. SUMMERS & LEESON (1993) alimentaram poedeiras Leghome da 16 a 55ª semana de idade, com dietas contendo 13 ou 17% de PB e, 2.600 ou 2.900kcal de EM/kg de dieta. Verificaram que aves alimentadas com dietas que possuíam 300kcal a mais de EM/kg de dieta, não tiveram peso corporal superior (P>0,05), porém, aves que receberam dietas com 17% de PB, pesaram na 55ª semana, cerca de 100g a mais (P<0,05) que as alimentadas com dietas contendo 13% de PB.

O consumo alimentar das aves não foi influenciado (P>0,05) pelos diferentes níveis protéicos e energéticos das dietas, bem como por suas interações. O consumo médio nos períodos. I, II, III, VI, V, VI, VII e VIII, foi de 107, 109, 100, 104, 102, 103, 110 e 111g, respectivamente. As fêmeas PRB em análise, não consumiram menor quantidade de ração quando alimentadas com níveis energéticos mais elevados. Autores como DAGHIN (1973), SKINNER et al. (1951), LILLIE et al. (1952) e SUMMERS & LEESON (1993), citam que elevando-se o teor energético das dietas, ocorre diminuição do consumo alimentar pelas aves. REID & WEBER (1975), estudaram o consumo e outros parâmetros em poedeiras alimentadas com dietas contendo 17% de PB e com quatro níveis de energia (de 2640 a 3080kcal de EM/kg), suplementadas com 5, 10 e 15% de gordura (origem animal). Os resultados mostraram dietas com adição de 15% de gordura, provocavam redução no consumo alimentar.

Segundo PROUDFOOT et al. (1988), aves alimentadas com dieta contendo elevado nível protéico, apresentam menor consumo do que as recebendo dietas com baixo nível protéico, o que também não foi evidenciado neste experimento. Talvez isto possa ser explicado pela proximidade dos níveis em estudo, pois, o referido autor considera nível protéico elevado acima de 21% de PB. No trabalho de SUMMER & LEESON (1993), verifica-se que em várias semanas, aves alimentadas com dietas contendo 17% de PB, consumiram maior quantidade de ração (P<0,05) que as alimentadas com dietas contendo 13% de PB. Segundo trabalho de KESHAVARZ & NAKAJIMA (1995), quando poedeiras recebiam dietas com 2816kcal de EM/kg e diferentes níveis protéicos, às alimentadas com dietas mais proteicas (21% de PB), consumiram mais (P<0,05) do que as que receberam dietas com 17% de PB.

Verifica-se na Tabela 2 que a taxa de postura não foi afetada significativamente (P>0,05) em nenhum dos períodos, pelos níveis de proteína bruta em avaliação, sendo estas respostas semelhantes as do trabalho de SUMMERS & LEESON (1993). Por outro lado, PROUDFOOT et al (1988) observaram que para aves Leghom, níveis de 15, 18 e 21% de PB proporcionaram acréscimos (P<0,05) na taxa de postura. Analisando a mesma tabela, observa-se que, a energia metabolizável influenciou significativamente (P<0,05) a taxa de postura nos períodos II, IV e V, sendo que, as maiores taxas ocorreram para aves que receberam o mais elevado nível de energia metabolizável. Nestes períodos as fêmeas tiveram comportamento produtivo semelhante ao observado em trabalho conduzido por KURNICK et al (1961). Os referidos autores concluíram que, aves alimentadas com dietas energeticamente altas, produziam 5 a 6% mais ovos, em comparação com dietas contendo baixa energia. Citam ainda que a baixa produção está relacionada com a incapacidade das galinhas consumirem quantidade suficiente de alimento durante os meses quentes.

Os dados obtidos em alguns períodos deste experimento estão de acordo com os de trabalhos conduzidos por HILL et al. (1956), onde aves que receberam dietas com nível energético mais elevado (2900 versus 2600kcal de EM/kg) responderam com taxas de posturas mais elevadas. Entretanto, não produziram maior número de ovos, o que vem de encontro com dados de SUMMERS & LEESON energético nas dietas de poedeiras, proporcionam aumento nas taxas de postura.

Níveis de 15,5 (14,5) e 17,0 (16,0)% de PB, 2700 e 2800kcal EM/kg de ração, bem como suas interações, não apresentaram diferenças significativas (P>0,05) no peso dos ovos das fêmeas PRB. O peso dos ovos nos períodos I, II, III, VI, V, VI, VII e VIII foram 47, 51, 53, 54, 56, 56, 58 e 59 g, respectivamente. JUNQUEIRA (1988) cita que ROLLAND (1976), trabalhando com níveis de 11,5 até 20% de PB verificou que o peso do ovo foi afetado quando o nível protéico estava abaixo de 16% de PB. PARSON et al (1993) verificou que o peso dos ovos de aves que receberam 18% de PB nas suas dietas eram superiores as que ingeriam 16% de PB (P<0,05). Também no trabalho de KESHAVARZ & NAKAJIMA (1995) observa-se que aves que receberam dietas com 21% de PB produziram ovos mais pesados do que aquelas que ingeriram dietas com 17%. Segundo estes autores o que influencia o aumento do peso dos ovos é o aumento do peso do albúmen e, citam ainda que, em nenhum dos casos o peso da gema foi influenciado pelo nível protéico. Porém, os resultados obtidos por SUMMERS & LEESON (1983), demonstram que aumentando o nível protéico de 17 para 22% em dietas de poedeiras Leghorn, estas não produziram ovos mais pesados. Os dados obtidos no presente experimento concordam com os obtidos por estes pesquisadores. MACINTYRE & AITKEN (1957), BERG & BEARSE (1956) e KESHA-VARZ & NAKAJIMA (1995), também não encontraram efeito dos níveis energéticos sobre o peso dos ovos. Conforme observou-se, o peso dos ovos não foi influenciado pelos diferentes níveis nutricionais em avaliação. Devido a isto, a massa de ovo foi influenciada, basicamente, pela produção de ovos.

Na Tabela 3 pode-se observar que a massa de ovo não foi afetada em nenhum período pelos níveis protéicos utilizados na fase de postura (P>0,05). Ao avaliar-se esta tabela é possível verificar, com exceção do primeiro período de postura, que aves alimentadas com dietas contendo alta energia (2800kcal de EM/kg), tenderam a massas de ovos superiores, sendo que, nos períodos IV, V e VIII esta superioridade foi significativa (P<0,05), bem como as interações protéico-energéticas.

Na Tabela 4, observa-se que em nenhum instante a conversão alimentar foi alterada pelos diferentes níveis protéicos utilizados na postura. Porém, níveis de 2700 e 2800kcal EM/kg alteraram significativamente (P<0,05) as conversões nos períodos V e VI. Sendo que, no período V- 2,370 e 2,102, e período VI - 2,581 e 2,243, respectivamente. Nos demais períodos manteve-se a tendência que quando as aves foram alimentadas com nível energético elevado, necessitaram quantidades menores de alimento para produzir uma dúzia de ovos, porém, sem apresentarem diferenças significativas a nível de 5%. PROUDFOOT et al. (1988) citam que aves alimentadas com elevado teor protéico apresentaram um menor consumo do que aves alimentadas com dietas de baixo valor protéico, resultando assim em uma maior eficiência alimentar, isto quando mensurada pelo parâmetro kg de alimento consumido/unidade de ovos produzidos. Aquelas observações não são semelhantes as obtidas neste trabalho, pois as conversões observadas não foram influenciadas (P>0,05) pelos níveis protéicos em estudo, nas fases de postura.

Os ovos das fêmeas PRB, na 40a, 41a e 42a semanas de idade, apresentaram gravidade específica média de 1,082. Estes valores não foram influenciados pelos níveis protéicos e energéticos na fase de recria como na fase de postura, bem como em todas as interações analisadas.

Estes dados estão de acordo com uma série de autores, que foram citados por JUNQUEIRA (1988), que variaram a proteína bruta de 15 a 21% e, não observaram influências na gravidade específica dos ovos.

PROUDFOOT et al. (1988), após trabalharem com níveis de 15, 18 e 21% de PB, em 3 fases de postura, obtendo várias interações destes níveis, concluíram que em 2824 fêmeas Leghomes avaliadas, os diferentes níveis e interações não alteraram a gravidade específica dos ovos, sendo que, aqueles resultados também confirmam os verificados neste experimento, quando relaciona-se a gravidade específica aos níveis protéicos das dietas.

As fêmeas PRB quando alimentadas com diferentes níveis energéticos, não produziram ovos com diferença na gravidade específica (P>0,05). Vários pesquisadores confirmaram estes resultados, entre eles SUGANDI et al (1975) e CAREN et al (1976), citados por JUNQUEIRA (1988), que relataram que diferentes níveis energéticos não exerceram efeito sobre a espessura da casca e gravidade específica dos ovos.

Um experimento conduzido por JUNQUEIRA (1988) demonstrou não haver diferença na qualidade da casca dos ovos através da gravidade específica e peso de suas cascas, quando poedeiras foram alimentadas durante 16 semanas em período de verão, com dietas contendo níveis de 2650 e 2850Kcal EM/kg de ração. Isto confirma o encontrado neste experimento, ou seja, que níveis energéticos semelhantes aos descritos anteriormente não afetaram a qualidade da casca do ovo no que diz respeito à gravidade específica. Conforme MORAES (1976), a gravidade específica foi a variável que melhor explicou a variação da resistência à ruptura da casca, pois obteve alta correlação entre elas, contribuindo na avaliação da qualidade dos ovos. Segundo KESHAVARZ & NAKAJIMA (1995) relatam que tanto o alimento protéico quanto o energético nas dietas de poedeiras, aumentam as taxas de postura.

CONCLUSÕES

Segundo os resultados obtidos e nas condições nas quais conduziu-se este experimento conclui-se que:

- A alimentação de fêmeas PRB com dietas contendo 2800kcal resulta em taxa de produção de ovos superior, bem como massa de ovos e conversão alimentar (kg/dz).

- Os parâmetros peso corporal, consumo de ração e gravidade específica dos ovos, não são afetados pelos diferentes níveis de proteína bruta e energia metabolizável e/ou suas interações.

2 Zootecnista, Professor Assistente, Departamento de Zootecnia, UFSM.

3 Zootecnista, Professor Assistente do Departamento de Zootecnia, UFSM.

4 Zootecnista, pós-graduando em Zootecnia, UFSM.

Recebido para publicação em 28.08.95. Aprovado em 02.04.96.

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  • 1
    Parte da dissertação de Mestrado em Avicultura apresentada pelo primeiro autor ao Curso de Pós-Graduação em Zootecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 97119-900, Santa Maria, RS. Autor para correspondência.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    25 Set 2008
  • Data do Fascículo
    Ago 1996

Histórico

  • Recebido
    28 Ago 1995
  • Aceito
    02 Abr 1996
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