| Dórea AM, Borges SAC, 202126 |
Pesquisa qualitativa |
Como as situações de racismo reverberam na clínica psicológica, impactam a escuta profissional e exigem posicionamento na interface clínico-política. |
Oncologia pediátrica (Morbidade; Acesso) |
Infância |
Masculino Feminino |
Racismo estrutural Racismo Institucional |
Atraso no diagnóstico e no tratamento de câncer de Sistema Nervoso Central, culminando em sequelas como perda de visão e dano neurológico extensivo. |
| Azevedo UC, Gomes DDO, 202343 |
Estudo de caso com pesquisa documental e de campo, com abordagem qualitativa |
Analisar os DSS* que incidem na vida das mulheres negras em acompanhamento biopsicossocial no Centro de Atenção Psicossocial do tipo álcool e outras drogas. |
Biopsicossocial (Morbidade; Acesso) |
Adulta |
Feminino |
Racismo Institucional |
Dificuldades para realizar o tratamento especializado devido a precariedade da infraestrutura e da ausência de serviços. |
| Mota CS et al., 202427 |
Percurso histórico |
Definir o percurso histórico até os dias atuais da implementação de políticas de saúde voltadas para as pessoas com doença falciforme. |
Doença falciforme (Morbidade; Acesso) |
Sem limite |
Masculino Feminino |
Racismo estrutural Racismo Institucional |
Não priorização de formulação de políticas públicas de saúde, negligenciando a doença e impactando na sobrevida e na qualidade de vida. |
| Catoia CC et al., 202044 |
Análise de caso com abordagem qualitativa |
Analisar o Caso Alyne Pimentel versus Brasil, julgado pelo CEDAW** buscando apontar para suas principais contribuições jurídicas na temática da violência de gênero contra as mulheres. Aprofundando na compreensão jurídica sobre os efeitos da discriminação racial na violência de gênero e na saúde reprodutiva de mulheres negras, pobres e periféricas. |
Morte materna (Mortalidade; Acesso) |
Adulta |
Feminino |
Racismo Institucional |
A baixa qualidade do tratamento e a falta do pré-natal, ambos considerados decisivos para a morte materna evitável. |
| Santana KSO et al., 202045 |
Transversal com abordagem quantitativa |
Apresentar uma visão geral da distribuição espaço-temporal de casos confirmados de microcefalia associada à SCZ*** e a intersecção com vulnerabilidades às quais as mulheres negras estão sujeitas. |
Síndrome Congênita do Zika (Morbidade) |
Infância |
Masculino Feminino |
Racismo Institucional |
Desenvolvimento da SCZ***, devido à maior exposição a arboviroses por residir em áreas com infraestrutura precária. |
| Góes EF et al., 202353 |
Transversal com abordagem quantitativa |
Analisar as desigualdades raciais na letalidade e na chance de óbito por Síndrome Respiratória Aguda Grave entre os casos diagnosticados para COVID-19 em mulheres gestantes e puérperas. |
Morte materna (Mortalidade; Acesso) |
Adulta |
Feminino |
Racismo antinegro |
Maior letalidade entre mulheres pretas e pardas e maior chance de óbitos entre mulheres pardas associado à COVID-19. |
| Fattore GL et al, 202228 |
Transversal de base populacional com abordagem quantitativa |
Avaliar o efeito da discriminação racial materna na prevalência de sintomas de asma de seus filhos, incluindo potenciais efeitos moderadores do apoio social familiar e da saúde mental materna. |
Asma (Morbidade) |
Infância |
Masculino Feminino |
Racismo vicário Racismo estrutural |
Crianças cujas mães relataram discriminação racial tiveram maiores chances de ter sintomas de asma. |
| Góes EF et al., 202046 |
Transversal de base populacional com abordagem quantitativa |
Identificar fatores associados às barreiras institucionais no acesso aos serviços de saúde para mulheres que realizaram aborto por raça/cor. |
Aborto (Morbidade; Acesso) |
Adulta |
Feminino |
Racismo Institucional |
Mulheres pretas sofreram mais abortos espontâneos e em estágios mais avançados (≥ 13 semanas) e foram mais afetadas pelas barreiras de acesso à internação hospitalar para a conclusão do aborto. Mulheres negras foram a maioria com condições de saúde consideradas regulares, graves ou muito graves. |
| Siqueira JS, Fernandes RCP, 202129 |
Transversal com abordagem quantitativa |
Analisar a associação entre raça/cor e dois desfechos do trabalho a que estão submetidos os trabalhadores: demandas psicossociais e as físicas. |
Doença ocupacional (Morbidade) |
Adulta |
Sem restrição |
Racismo estrutural |
Trabalhadores pretos estão submetidos a mais altas demandas psicossociais e física no trabalho. Sendo mais expostos a trabalho físico pesado, que ademais, estão submetidos a situações estressoras, com maior exigência de tempo e menor autonomia no desempenho das tarefas. |
| Santos SM et al., 200747 |
Transversal com abordagem quantitativa |
Caracterizar a mortalidade de mulheres adultas negras e brancas residentes em Recife, no período entre 2001 e 2003, descrevendo e analisando as desigualdades raciais no risco de morte. |
Óbitos de mulheres jovens -20 a 59 anos (Mortalidade) |
Adulta |
Feminino |
Racismo Institucional |
Maiores coeficientes de mortalidade em mulheres adultas negras, com risco de morte 1,7 vezes superior ao observado para mulheres brancas, tendo como principais causas: homicídios; acidentes de transporte; doenças isquêmicas do coração, cerebrovasculares e hipertensivas; diabetes e tuberculose. |
| Fanton M et al., 202430 |
Transversal de base populacional com abordagem quantitativa |
Analisar as associações diretas e indiretas da experiência de discriminação racial nos padrões alimentares, obesidade e obesidade abdominal. |
Obesidade; obesidade abdominal (Morbidade) |
Adulta |
Masculino Feminino |
Racismo estrutural Racismo Institucional |
Obesidade e obesidade abdominal estão associadas a níveis mais altos de experiências autorrelatadas de discriminação racial, e essas associações são independentes do padrão alimentar saudável ou não saudável entre adultos brasileiros. |
| Taquette SR, Meirelles ZV, 201348 |
Pesquisa qualitativa |
Verificar a discriminação racial vivenciada por adolescentes negras moradoras em favelas da cidade do Rio de Janeiro e sua possível influência no processo de vulnerabilização ao HIV****/Aids*****. |
IST******/Aids***** (Morbidade; Acesso) |
Adolescente |
Feminino |
Racismo institucional |
Impossibilidade de tratamento adequado das IST******, de aquisição de insumos de prevenção e de orientação em prevenção de IST******/Aids***** |
| Domingues PML et al., 201349 |
Exploratório-descritivo, com abordagem qualitativa |
Apreender como as mulheres percebem a discriminação racial nas práticas do cuidado em saúde reprodutiva. |
Saúde reprodutiva (Acesso) |
Adulta |
Feminino |
Racismo institucional |
Cuidado superficial prestado por profissionais de saúde e um maior tempo de espera para serem atendidas. |
| Cajazeiro JMD et al. 202431 |
Ecológico espaço-temporal com abordagem quantitativa |
Investigar a associação entre proporção de população vulnerabilizada (pretos, pardos e indígenas) e mortalidade por SRAG******* decorrente de COVID-19 |
COVID-19 (Mortalidade) |
Sem limite |
Masculino Feminino |
Racismo estrutural |
A cada incremento de 10% nas proporções de população vulnerabilizada ou de população parda, ocorrem aumentos, respectivamente, de 12% e de 9% nas taxas de mortalidade por COVID-19. |
| Moura RF et al., 202332 |
Transversal com abordagem quantitativa |
Identificar fatores determinantes das disparidades das condições sociais na saúde de idosos não institucionalizados na cidade de São Paulo, sob a perspectiva da autodeclaração da cor da pele. |
Autoavaliação de saúde; Hipertensão arterial (Morbidade) |
Envelhecimento |
Masculino Feminino |
Racismo estrutural |
A prevalência de autoavaliação de saúde regular, ruim e muito ruim e de hipertensão arterial foi maior entre pardos (45,5%) e pretos (47,2%). |
| Pereira S et al., 202533 |
Pesquisa qualitativa com abordagem exploratória |
Entender se há diferenças entre as experiências de mulheres negras e brancas no acesso e no apoio recebidos dos serviços da rede multiagências especializadas em São Paulo, após terem iniciado um processo criminal contra seus parceiros por violência doméstica sob a Lei Maria da Penha. |
Violência doméstica (Acesso) |
Adulta |
Feminino |
Racismo estrutural |
Mulheres negras relataram ter sofrido mais episódios de violência institucional, por meio de atitudes de culpabilização dos provedores e dúvidas sobre a veracidade de suas declarações. Interrupção de suas jornadas, seja por operadores de políticas negando diretamente seu acesso, seja pelo tratamento rude e objetificante que as mantinha longe dos serviços. Nos serviços de saúde foram expostas a constrangimento da equipe do hospital ao entrar no pronto-socorro; falta de anestesia durante os procedimentos; cirurgias reparadoras malfeitas para as sequelas da violência que resultaram na necessidade de novas cirurgias para reparar. |
| Silva JC et al., 202334 |
Transversal com abordagem quantitativa |
Analisar o efeito da interseccionalidade no acesso de pacientes a testes diagnósticos de COVID-19 durante o surto de SRAG*******. |
Acesso ao diagnóstico de COVID 19 (Acesso) |
Adulto |
Masculino Feminino |
Racismo estrutural |
Mulheres e homens negros tiveram menos acesso a testes de diagnóstico em comparação com indivíduos brancos, mesmo quando controlado por marcadores de gravidade clínica e de variáveis relacionadas ao acesso. |
| Santos Ferreira RB et al., 202050 |
Descritivo com abordagem qualitativa |
Compreender as implicações do racismo institucional no itinerário terapêutico de pacientes com insuficiência renal crônica na busca pelo diagnóstico e tratamento da doença. |
Insuficiência Renal Crônica (Acesso) |
Adulto |
Masculino Feminino |
Racismo institucional |
Tratamento conservador ofertado apenas às pessoas brancas, os negros eram encaminhados diretamente para a terapia de substituição renal. O acesso ao diagnóstico precoce também só ocorreu para brancos. E, 81,8% das pessoas negras foram encaminhadas ao serviço de nefrologia após piora dos sintomas e após internação, contrastando com 41,7% dos brancos. |
| Silva AR, Scorzafave LGDS, 202435 |
Transversal com abordagem quantitativa |
Compreender se a pandemia da COVID-19 agravou as disparidades de rastreamento do câncer de mama entre mulheres de diferentes raças e etnias. |
Câncer de mama (Acesso) |
Adulto |
Feminino |
Racismo estrutural |
As taxas de triagem para mulheres pretas, pardas e indígenas são menores do que para mulheres brancas e amarelas durante todo o período. A pandemia de COVID-19 diminuiu a lacuna entre as mulheres devido à queda acentuada nas mamografias de rastreamento de mulheres brancas e amarelas no primeiro ano da pandemia. |
| Paixão ES et al., 202342 |
Transversal de base populacional com abordagem quantitativa |
Estimar a carga de sífilis materna e congênita atribuída às desigualdades étnico-raciais no Brasil, |
Sífilis congênita; Sífilis materna (Morbidade; Acesso) |
Adulto Nascimento |
Feminino |
Racismo estrutural |
Mulheres negras tiveram maior probabilidade de terem sido tratadas inadequadamente ou não tratadas para sífilis materna, maior probabilidade de terem sido diagnosticadas durante ou após o parto e seus parceiros tiveram menor probabilidade de terem sido tratados para sífilis em comparação com suas contrapartes brancas. As frações atribuíveis definida como a proporção de risco entre um grupo exposto que é atribuível à exposição, para sífilis congênita aumentaram substancialmente entre nascidos vivos de mulheres pardas e negras. |
| Ferreira RBS et al., 202251 |
Ecológico de base documental e descritivo |
Analisar, sob a ótica interseccional, os atravessamentos do quesito raça/cor na morbimortalidade de gestantes pela Covid-19 no Brasil. |
Covid 19; Morbimortalidade materna (Mortalidade; Morbidade) |
Adulto |
Feminino |
Racismo institucional |
Gestantes negras tem mais risco de morrer do que gestantes brancas, devido a situação agrava de vulnerabilidade, com taxas mais altas de óbito do que de internações por SRAG*******. |
| Araujo EM et al., 202037 |
Descritivo e exploratório |
Descrever a experiência do Brasil e dos Estados Unidos da América em relação aos dados de morbimortalidade por Covid-19 segundo a raça/cor/etnia. |
Morbimortalidade pela Covid-19 (Mortalidade; Morbidade) |
Não relatada |
Masculino Feminino |
Racismo estrutural Racismo Institucional Racismo antinegro |
O impacto do vírus foi maior na população negra, com taxas mais alta de morbimortalidade. Destacando que mesmo quando houve predominância de hospitalizações na população branca, houve maior incidência de morte na população negra. Porém os dados desagregados eram invisibilizados e de baixa qualidade, limitando análises mais robustas com o viés étnico racial. |
| Faerstein E et al., 201438 |
Coorte prospectivo com abordagem quantitativa |
Relatar possíveis efeitos combinados da ascendência africana/discriminação racial percebida e desvantagem socioeconômica no risco de hipertensão no Brasil. |
Hipertensão arterial (Morbidade) |
Adulto |
Masculino Feminino |
Racismo social (estrutural) |
Indivíduos negros que experimentaram o racismo tiveram prevalência de hipertensão 2,1 vezes maior do que os brancos. |
| Camelo LV et al., 202239 |
Coorte transversal de base populacional com abordagem quantitativa |
Investigar o efeito combinado da raça/cor da pele e discriminação racial na velocidade de onda de pulso e espessura íntima-média da carótida no contexto brasileiro. |
Marcadores subclínico de DCV******** |
Adulto |
Masculino Feminino |
Racismo estrutural |
Pretos e pardos apresentaram maior média de velocidade de onda de pulso e espessura íntima-média da carótida, e maiores chances de estas serem alta em comparação aos brancos, sendo tais diferenças ainda maiores entre aqueles com discriminação racial. |
| Camelo LV et al., 202240 |
Coorte transversal de base populacional com abordagem quantitativa |
Investigar a associação entre racismo e a autoavaliação de saúde, e verificar em que medida a mobilidade social intergeracional media essa associação. |
Autoavaliação do estado de saúde (Morbidade) |
Adulto |
Masculino Feminino |
Racismo estrutural |
Indivíduos pretos e pardos apresentaram respectivamente chances 115% e 82% maior de reportarem a saúde como ruim do que os brancos, independentemente dos potenciais fatores de confusão. |
| Góes EF et al., 202341 |
Coorte longitudinal de base populacional com abordagem quantitativa |
Investigar as desigualdades raciais na mortalidade por câncer de mama e cervical e se a educação e condições familiares interagem com raça/etnia. |
Câncer de mama; Câncer cervical (Mortalidade) |
Adulto |
Feminino |
Racismo estrutural Racismo institucional |
Após ajustar fatores de confusão, em relação às mulheres brancas a mortalidade por câncer cervical foi 27% > entre pardas e 18% > entre mulheres pretas. Mulheres pretas tiveram 10% > mortalidade por câncer de mama do que suas contrapartes brancas. |
| Góes EF et al., 202052 |
Corte transversal com abordagem quantitativa |
Identificar as barreiras individuais das mulheres na busca do primeiro atendimento por cuidado pós-aborto em condições inseguras, adotando uma perspectiva racial. |
Aborto (Acesso) |
Adulto |
Feminino |
Racismo institucional |
Dentre as pretas, constatou-se o > percentual de relato de barreiras individuais enfrentadas na procura pelo primeiro atendimento (32% vs. 28% entre as pardas e 20,3% entre as brancas). |