Este artigo tem como objetivo discutir como a interseção entre gênero, deficiência e classe, perante as relações de cuidado, podem interferir nos direitos sexuais de mulheres com deficiência na juventude. A pesquisa qualitativa, conduzida na região metropolitana de João Pessoa-PB com quatro interlocutoras, por meio de entrevistas em profundidade, analisou as vivências relacionadas à sexualidade na juventude de mulheres cishéterosexuais com deficiência física, nos anos 2000 e 2010. O eixo teórico-analítico foi ancorado nas vertentes interseccionais dos campos de estudos sobre o cuidado (care studies) e dos estudos sobre a deficiência (disability studies). Destacaram-se os desafios e estratégias de enfrentamento adotadas pelas interlocutoras, como formas de resistência aos estereótipos de corponormatividade socialmente impostos, que as posiciona como exclusivamente dependentes e infantilizadas. Nas relações de cuidado, esses estereótipos suscitam comportamentos de desencorajamento ou opressão em suas jornadas afetivas e sexuais e em outros campos da vida social. Os discursos e atitudes vinculados ao cuidado, quando distorcido e transformado em superproteção, reverte-se em mecanismos de controle da sexualidade de mulheres com deficiência, sobretudo na juventude.
Palavras-chave:
Mulheres com deficiência; Sexualidade; Juventude; Cuidado; Interseccionalidade