Open-access Comportamento de saúde propenso a risco em universitários: uma análise conceitual

Comportamiento de salud propenso al riesgo en universitarios: un análisis conceptual

Resumo

Objetivou-se analisar o conceito de comportamento de saúde propenso a risco em universitários, delimitando seus atributos, antecedentes e consequentes. Trata-se de uma análise conceitual, empregando uma revisão integrativa da literatura com buscas nas bases MEDLINE/PubMed, Scopus, PsycInfo, LILACS, BDENF e IBECS. Foram analisados 135 artigos na íntegra. Definiu-se como comportamento de saúde propenso a risco em universitários uma tendência à adoção de hábitos prejudiciais à saúde e ao bem-estar de caráter voluntário, negativo, desfavorável e/ou destrutivo. Manifesta-se a partir da influência de fatores de desenvolvimento pessoal e individual, relacionais, familiares, psicológicos, socioeconômicos, ambientais, formativos, extracurriculares, comportamentais e de cuidado em saúde. E coaduna para comportamentos de risco como hábitos alimentares inadequados, prática de atividade física instável, consumo de substâncias, práticas sexuais de risco, uso excessivo de tecnologias digitais, ensino-aprendizagem comprometido, violência, saúde mental comprometida, condução de trânsito perigosa, hábitos inadequados de sono, condutas desviantes e cuidado com a saúde prejudicada. A elucidação do conceito possibilitou a identificação dos elementos que compõem o fenômeno e estabeleceu uma compreensão inicial do construto.

Palavras-chave:
Comportamentos de risco à saúde; Universidades; Estudantes

Abstract

The objective was to analyze the concept of university student behaviors prone to health risks, delineating its attributes, antecedents, and consequences. This study involved a conceptual analysis using an integrative literature review with searches conducted in the MEDLINE/PubMed, Scopus, PsycInfo, LILACS, BDENF, and IBECS databases. A total of 135 full-text articles were analyzed. University student behaviors prone to health risks were defined as a tendency to voluntarily adopt harmful habits that negatively impact health and well-being, characterized by voluntary, unfavorable, negative, and/or destructive aspects. They are manifested by the influence of several factors: personal and individual development, relational, family, psychological, socioeconomic, environmental, educational, extracurricular, behavioral, and healthcare. These contribute to risk behaviors such as inadequate dietary habits, unstable physical activity, toxic substance use, risky sexual practices, excessive use of digital technologies, compromised learning processes, violence, compromised mental health, dangerous driving, inadequate sleep habits, deviant conduct, and impaired concern for health. The elucidation of the concept allowed identification of the elements that compose this phenomenon, and established an initial understanding of the construct.

Key words:
Health risk behaviors; Universities; Students

Resumen

Se objetivó analizar el concepto de comportamiento de salud propenso al riesgo en estudiantes universitarios, delimitando sus atributos, antecedentes y consecuentes. Se realizó un análisis conceptual mediante una revisión integrativa de la literatura, con búsquedas en las bases de datos MEDLINE/PubMed, Scopus, PsycInfo, LILACS, BDENF e IBECS. Se analizaron 135 artículos completos. El comportamiento de salud propenso al riesgo en universitarios se definió como una tendencia hacia la adopción de hábitos perjudiciales para la salud y el bienestar, de carácter voluntario, negativo, desfavorable y/o destructivo. Este comportamiento se manifiesta a partir de la influencia de factores de desarrollo personal e individual, relacionales, familiares, psicológicos, socioeconómicos, ambientales, formativos, extracurriculares, comportamentales y de cuidado de la salud. Conduce a comportamientos de riesgo, tales como hábitos alimentarios inadecuados, práctica irregular de actividad física, consumo de sustancias, prácticas sexuales de riesgo, uso excesivo de tecnologías digitales, compromiso en el proceso de enseñanza-aprendizaje, violencia, deterioro de la salud mental, conducción peligrosa, hábitos de sueño inadecuados, conductas desviadas y cuidado de la salud deficiente. La elucidación del concepto permitió identificar los elementos que componen el fenómeno y estableció una comprensión inicial del constructo.

Palabras clave:
Conductas de riesgo para la salud; Universidades; Estudiantes

Introdução

Comportamentos de risco à saúde, como tabagismo, uso de álcool, inatividade física e hábitos alimentares não saudáveis, têm sido associados com o período de vivência da universidade, com perduração na vida adulta e consequente desenvolvimento de condições crônicas não transmissíveis de relevância para a saúde pública, entre as quais pode-se pontuar: hipertensão arterial, diabetes, neoplasias e doenças respiratórias crônicas1-5.

Segundo essa perspectiva, a universidade se materializa como um espaço de produção social em constante transformação, apresentando potencial para a promoção da saúde, bem como propensão para a adoção de comportamentos de risco pelos atores que a compõem - gestores, servidores, docentes e discentes. Logo, a vertente predominante situa-se em um campo de disputas entre o biologicismo e o conceito ampliado de saúde, fundamentando-se na transversalidade do cuidado em diferentes contextos e na valorização do bem-estar e da qualidade de vida como fatores que, direta e/ou indiretamente, influenciam o processo de ensino-aprendizagem e a promoção de ambientes saudáveis e sustentáveis6.

Para tanto, convém ressaltar que a experimentação universitária, em princípio, é balizada como um período de transformações e rupturas, sobretudo por associar à finalização do ensino médio, com atribuições, habilidades, normativas institucionais e vínculos familiares e sociais sendo modificados para o seguimento da formação7. Observa-se também que, em virtude da heterogeneidade na universidade, é possível que existam grupos que não ingressaram obrigatoriamente após a conclusão do ensino anterior, o que favorece a pluralidade de vivências e experiências passíveis de reconhecimento nesses espaços.

No que diz respeito à relação entre ambiente de ensino-aprendizagem e comportamento de saúde propenso a risco, destacam-se as mudanças relacionadas às exigências de ajustamento às regras, às boas relações com pares e superiores, à busca por destaque no desenvolvimento acadêmico, ao excesso de carga horária de estudo, às exigências para atingir as metas institucionais, à adaptação à nova realidade acadêmica, às rotinas diferentes de sono, à necessidade de organização de tempo e às estratégias de estudo, entre outras8. Essas demandas podem se apresentar como estressores, pois demandam do universitário uma transição comportamental em tempo hábil que muitas vezes não é atingida, gerando autocobranças, estresse mental e sintomas físicos9,10.

O ambiente universitário configura-se, portanto, como um influenciador da adoção de comportamentos de saúde de risco entre discentes, considerando os impactos das vivências acadêmicas na gestão da vida cotidiana, bem como nas expectativas pessoais e profissionais. Entre as principais justificativas para tais comportamentos, destacam-se a busca por alívio do estresse, o enfrentamento de problemas pessoais, a necessidade de autoaceitação, o desejo de afirmação da identidade e a pressão exercida por pares (como colegas, familiares e professores)11.

Em vista disso, é relevante compreender que os comportamentos humanos são mediados por estímulos motivacionais e contextuais. A motivação constitui um construto multifacetado, relacionado à autonomia e à autodeterminação, podendo fundamentar-se tanto no comportamento orientado pelo prazer e por desejos pessoais quanto na articulação entre diferentes estilos de regulação autodeterminada. No panorama do comportamento de saúde do universitário, se percebe a predominância da motivação autodeterminada, dado a predisposição do indivíduo a adaptação por intermédio da situação, pressão ou recompensa12.

O comportamento de saúde propenso a risco pode ser caracterizado, ainda, pelo abuso de substâncias; pela falha em adotar medidas de prevenção a problemas de saúde; pela dificuldade em alcançar uma sensação adequada de controle; pela minimização de alterações no estado de saúde; pela não aceitação dessas mudanças; e pelo tabagismo13. Está relacionado a: ansiedade social; apoio social inadequado; baixa autoeficácia; compreensão inadequada de informações de saúde; estressores; percepção negativa da estratégia recomendada de cuidados de saúde; e percepção negativa do profissional de saúde13.

Embora o comportamento de saúde propenso a risco em universitários seja um construto de interesse reconhecido em estudos nacionais e internacionais, observa-se a prevalência de pesquisas que abordam os fatores de risco, sobrepujando a propensão à adoção do comportamento de risco, a polissemia empregada ao tratar do seu conceito e a necessidade de elucidação do conceito comportamento de saúde propenso a risco para embasar efetivamente políticas institucionais e públicas de saúde e educação, bem como ações promotoras de saúde.

Sob esse prisma, justifica-se a realização de uma análise do seu conceito, com vistas a elucidá-lo, delineando seus componentes essenciais, com o propósito de apoiar a tomada de decisões, padronizar a linguagem de adoção do construto e fomentar a atenção e o cuidado em saúde aos universitários.

Dessa forma, objetivou-se analisar o conceito de comportamento de saúde propenso a risco em universitários, delimitando seus atributos, antecedentes e consequentes.

Métodos

Estudo do tipo análise do conceito, desenvolvido conforme os preceitos metodológicos de Walker e Avant, cuja finalidade é avaliar, distinguir e elucidar os elementos representativos que oferecem apoio a um conceito14.

Para esse fim, percorreu-se oito etapas preestabelecidas14: 1) seleção do conceito de comportamento de saúde propenso a risco em universitários; 2) delimitação do objetivo de refinar o conceito e elucidar os seus constituintes; 3) identificação do uso do conceito por meio de revisão integrativa da literatura; 4) determinação dos atributos empregados na literatura como ilustradores do conceito; 5) elaboração do caso-modelo para descrição do uso do conceito; 6) construção dos casos adicionais como possibilidade de exemplificação do limite conceitual; 7) identificação dos antecedentes e consequentes do conceito através de revisão integrativa da literatura; e 8) definição das referências empíricas do conceito estudado.

Um mesmo conceito pode ser expresso por uma infinidade de combinações de palavras. A análise desse conceito é fundamental para identificar o significado subjacente a essas diferentes expressões14. Para identificação dos possíveis usos do conceito, bem como antecedentes, atributos e consequentes, optou-se pela revisão integrativa da literatura. Por sua vez, os antecedentes e os consequentes relacionam-se à temporalidade do fenômeno, sendo compreendidos, respectivamente, como os eventos que precedem e viabilizam sua ocorrência (manifestação a priori) e aqueles que dele decorrem (manifestação a posteriori)14.

A operacionalização da revisão integrativa da literatura15 partiu da elaboração de uma pergunta de pesquisa segundo a estratégia mnemônica PICo: P - população: Universitários; I - intervenção: não se aplica; Co - contexto: comportamento de saúde propenso a risco. Dessa forma, determinou-se a seguinte questão norteadora: “Qual a definição do conceito comportamento de saúde propenso a risco em universitários, seus atributos, antecedentes e consequentes?”.

A busca na literatura ocorreu entre os meses de setembro e novembro de 2023, via acesso à Comunidade Acadêmica Federada (CAFe) do Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e às bases de dados National Library of Medicine and National Institutes of Health (MEDLINE/PubMed), Scopus e PsycInfo. Para as bases de dados Latin American and Caribbean Health Sciences Literature (LILACS), Bases de Dados em Enfermagem (BDENF) e Índice Bibliográfico Espanhol em Ciências da Saúde (IBECS), a busca foi feita via Biblioteca Virtual de Saúde (BVS).

A estratégia de busca foi organizada por intermédio da conexão dos descritores representativos do fenômeno identificados nos Descritores em Ciências da Saúde (DECS) e Medical Subject Headings (MESH), articulados segundo os operadores booleanos AND e OR. A equação final elaborada foi (“Health Risk Behaviors” OR “Comportamento de risco à saúde”) AND (“Students” OR “Estudantes” OR “Universities” OR “Universitários”), ajustada a cada fonte de busca, conforme particularidade dessas.

Foram incluídas produções disponíveis integralmente em formato virtual que apresentavam aproximação com a definição e/ou as características do comportamento de saúde propenso a risco em universitários. Foram excluídas publicações sem relação com a temática de interesse, estudos indisponíveis online, registros duplicados e aqueles classificados como comentário, revisão de literatura, editorial, dissertações ou teses. Com o objetivo de ampliar o escopo de análise do fenômeno, não foram estabelecidos recortes temporal ou idiomático.

Os resultados das buscas foram exportados em formato .csv e importados para o Rayyan (https://www.rayyan.ai/), onde foi realizada a triagem pareada por dois pesquisadores, com cegamento assegurado. Nessa etapa, os estudos foram classificados quanto à inclusão, dúvida (“talvez”) ou exclusão. Os casos de discordância foram resolvidos por consenso, com a participação de um terceiro pesquisador.

As etapas de identificação, triagem e inclusão foram sumarizadas conforme o instrumento Preferred Reporting Items for Systematic Review and Meta-Analyses (PRISMA)16 (Figura 1).

Figura 1
Fluxograma do processo de identificação dos estudos via bases de dados para análise do conceito comportamento de saúde propenso a risco. Iguatu, Ceará, Brasil, 2024.

A organização das informações se deu a partir de: leitura dos artigos selecionados, reconhecimento do uso do conceito comportamento de saúde propenso a risco em universitários, reconhecimento das características essenciais do conceito e classificação dessas enquanto atributos, antecedentes e consequentes. A classificação das características essenciais do conceito foi feita por três pesquisadores independentes, conforme condução da revisão integrativa da literatura prévia.

A classificação do nível de evidência foi realizada com base no tipo de estudo, adotando-se a seguinte hierarquia: Nível I - evidências provenientes de revisões sistemáticas e/ou metanálises de ensaios clínicos randomizados; Nível II - evidências de ensaio clínico randomizado, controlado e bem delineado; Nível III - evidências de estudos controlados, bem delineados, sem aleatorização; Nível IV - evidências de estudos de coorte ou caso-controle; Nível V - evidências de revisões sistemáticas de estudos descritivos e qualitativos; Nível VI - evidências de estudos descritivos e/ou qualitativos; e Nível VII - evidências oriundas de opiniões de especialistas ou relatórios de comitês17.

Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva, considerando frequências absolutas e relativas. Os resultados foram sintetizados em infográfico, para apresentação das características dos estudos, e em tabelas, contemplando os atributos, antecedentes e consequentes. Ao fim, elaborou-se um modelo conceitual que representa visualmente as relações entre os elementos essenciais do conceito comportamento de saúde propenso a risco em universitários.

Em seguida foram construídos um caso modelo, um caso limítrofe e um caso contrário, com vistas a possibilitar comparações e contrastes do conceito analisado, elucidando o que o conceito é, o que não é e a aplicação de seus elementos constitutivos. O caso modelo demonstra uma situação de aplicação do conceito, com seus antecedentes, atributos e consequentes; o caso limítrofe apresenta uma situação em que há elementos característicos e confundidores do conceito, ou seja, que não pertencem a esse; e, por fim, o caso contrário ilustra um contexto que não corresponde ao conceito em questão, opondo-se a esse.

No que diz respeito à formulação das referências empíricas, foram considerados os atributos do conceito, sendo estabelecidas, com base na literatura, as definições operacionais que detalham sua manifestação.

Por se tratar de um estudo com base em artigos científicos publicizados, foram assegurados os direitos éticos e legais de autoria mediante referência autoral, não havendo necessidade de apreciação por comitê de ética em pesquisa.

Resultados

O comportamento de saúde propenso a risco vem se manifestando na literatura científica nos últimos 40 anos, com crescente produção sobretudo de estudos observacionais do tipo transversal (94,81%) de nível VI de evidências (95,5%) e contemplando estudantes universitários no geral (81,48%), sem limitação a uma área do conhecimento ou curso de graduação. Em relação à localidade, os Estados Unidos da América agrupam a maior parte das pesquisas sobre o tema (31,85%), ao passo que no Brasil identificaram-se 12 estudos (8,8%).

A caracterização dos estudos encontra-se ilustrada na Figura 2, considerando período, nível de evidência, tipo de estudo, local de publicação e população de universitários participantes.

Figura 2
Infográfico de caracterização dos estudos inclusos na análise do conceito de comportamento de saúde propenso a risco em universitários. Iguatu, Ceará, Brasil, 2024 (n = 135).

A seleção do conceito de comportamento em saúde propenso a risco em universitários justifica-se pelas especificidades do período formativo da graduação e do contexto universitário, que ampliam a exposição a situações, cenários e possibilidades de adoção de comportamentos que, quando recorrentes e intensos, contribuem para a manifestação de riscos à saúde, ao bem-estar e à qualidade de vida desses indivíduos.

O refinamento desse conceito fundamenta-se em sua polissemia e na amplitude de abordagens voltadas aos comportamentos de risco, que, em geral, não contemplam a propensão à sua adoção. Essa propensão é compreendida como o conjunto de influências que predispõem à adoção de comportamentos de risco, antecedendo sua manifestação.

A investigação do comportamento de saúde propenso a risco tem como objetivo reconhecer os componentes que antecedem sua manifestação, representando a propensão ao risco (antecedentes); delimitar os elementos constitutivos que o caracterizam (atributos); identificar os principais comportamentos de risco aos quais os universitários estão expostos (consequentes); e fornecer subsídios para aplicação nas diferentes áreas da saúde, como assistência, gestão, docência e pesquisa.

A Tabela 1 sumariza os antecedentes, atributos e consequentes do conceito, bem como a frequência absoluta e relativa de sua presença nos estudos analisados. Os dados completos podem ser consultados no material suplementar (disponível em: https://doi.org/10.48331/SCIELODATA.S3ER2R), que contempla os artigos analisados e as respectivas características (antecedentes, atributos e consequentes) deles extraídas.

Tabela 1
Antecedentes, atributos e consequentes do comportamento de saúde propenso a risco em universitários. Iguatu, Ceará, Brasil, 2024.

Assim, o conceito é constituido por antecedentes reunidos em 11 domínios, dos quais são mais frequentes os psicológicos (47; 34,81%), relacionais (44; 32,59%) e formativos (42; 31,11%). A recorrência ou intensidade na manifestação desses antescedentes de modo voluntário, negativo, desfavorável e/ou destrutivo leva ao comprometimento direto ou indireto da saúde, do bem-estar e da qualidade de vida dos universitários, com potencial letalidade.

Entre os atributos, os aspectos de prejuízo ou comprometimento à saúde (12; 8,88%), o aumento no risco de lesões e/ou doenças (7; 5,18%) e a recorrência ou intensidade (6; 4,44%) são mais prevalentes nos estudos analisados. Por sua vez, foram mais frequentes os consequentes consumo de substâncias (118; 83,70%), os hábitos alimentares inadequados (70; 51, 85%) e a prática de atividade física instável (68; 50,37%), caracterizando-se como comportamentos de risco mais comuns na população de interesse.

Nesse sentido, delimitou-se os antecedentes como os elementos que predispõem os universitários à adoção de comportamentos de risco, enquanto os atributos reunem as caracteristicas que delimitam esse comportamento de saúde propenso a risco. Por fim, os consequentes podem ser compreendidos como os comportamentos de risco em si, adotados e manifestos pelos universitários como influencia dos antecedentes.

Por tratar-se de um construto, o comportamento de saúde propenso a risco em universitários pode ser analisado na perspectiva de um continuum, partindo-se do estímulo à propensão ao risco presente em fatores motivacionais, contextuais e estruturais (antecedentes), seguindo para a contemplação de comportamentos que predispõem a saúde dos universitários a riscos (atributos) e alcançando o/s comportamento/s de risco (consequentes).

Esses componentes e suas articulações estão ilustrados no modelo conceitual (Figura 3) de comportamento de saúde propenso a risco em universitários, apresentando a definição desse conceito elaborada a partir dos estudos analisados.

Figura 3
Modelo conceitual de comportamento de saúde propenso a risco em universitários. Iguatu, Ceará, Brasil, 2024.

A melhor compreensão do conceito está associada à elaboração de casos fictícios relacionados a situações do cotidiano passíveis de manifestação do fenômeno de interesse. Desse modo, foram elaborados o caso modelo, o caso limítrofe e o caso contrário, seguindo uma metodologia que visa explorar os limites e as possibilidades do conceito em estudo.

A análise do caso modelo nos mostra que os conceitos não são estáticos, são fatores sociais multideterminados e podem apresentar variações em diferentes contextos.

Caso modelo - comportamento de saúde propenso a risco em universitários

LLP, 21 anos, sexo feminino, cursou o segundo semestre de engenharia mecânica em um Instituto Federal. Na graduação, agora longe do controle dos pais e curiosa para vivenciar novas experiências, fez amizade com meninas de um grupo de estudo. Entretanto, embora participasse de todos os momentos com as colegas, sentia-se inferior em relação ao nível acadêmico e aos padrões de beleza delas, o que a levou a ter episódios recorrentes de tristeza, introversão e insatisfação com a vida. Sempre que possível, consumia drogas ilícitas para fugir da realidade, pulava refeições com o intuito de controlar o peso e passava longas horas no computador estudando para assemelhar-se às colegas. Para manter o corpo magro como desejava, buscava informações em redes sociais sem compartilhar com as amigas, a família e/ou profissionais de saúde, adotando dietas restritivas que a deixavam fraca e cansada. Esse cansaço prolongava as horas de sono, fazendo com que aumentasse seu número de faltas nas aulas e reduzisse seu desempenho acadêmico, mesmo frente aos estudos em casa. Ao fim do semestre, foi reprovada na maior parte das disciplinas, o que influenciou diretamente em sua satisfação com a vida, seus níveis de felicidade e seu bem-estar mental.

O caso modelo explicita uma possibilidade vivenciada por universitários, contemplando os atributos do conceito de comportamento de saúde propenso a risco em universitários, bem como a manifestação de antecedentes e consequentes do construto.

Na situação, observa-se a tendência à adoção de hábitos intensos e recorrentes, comprometedores da saúde e do bem-estar, adotados de forma voluntária, negativa, desfavorável e/ou destrutiva e com impactos sobre a aprendizagem, danos físicos, emocionais, econômicos e sociais (atributos).

A propensão à adoção desse comportamento de risco advém de influências familiares, sociais, relacionadas ao desenvolvimento pessoal e individual, relacionais, formativas, psicológicas, comportamental e de cuidado em saúde (antecedentes). Tais influências convergem para a manifestação de comportamentos considerados de risco para o universitário, como hábitos alimentares inadequados, consumo de substâncias, saúde mental comprometida, hábitos inadequados de sono, uso abusivo de tecnologias, cuidado com a saúde prejudicado e ensino-aprendizagem comprometido, apresentados pela personagem no caso modelo fictício exposto.

Caso limítrofe - comportamento de saúde propenso a risco em universitários

MFLP, 19 anos, sexo masculino, é estudante do 7º período do curso de graduação em medicina e irá iniciar as atividades no internato no Hospital Universitário da região metropolitana em que estuda. Para tanto, precisou sair da casa dos pais e morar em uma residência estudantil. Na ocasião, diante da intensa desesperança quanto à possibilidade de concluir o curso - em razão das dificuldades socioeconômicas familiares, do baixo apoio dos pais aos estudos e da dificuldade em acreditar em seu próprio potencial -, o estudante passou a utilizar substâncias estimulantes para reduzir as horas de sono, buscando manter um bom desempenho nas atividades curriculares e extracurriculares. A falta de acesso à alimentação adequada e a dificuldade de preparar alimentos ampliou seu consumo de fast food. Aos finais de semana, reconhecendo a necessidade de socializar e rente aos convites insistentes dos companheiros de residência, sai para boates onde faz uso de bebidas alcóolicas, vapping e volta de carona com colegas alcoolizados.

O caso limítrofe, assim como o caso modelo, aborda uma situação de aplicação do conceito, sem, no entanto, contemplar todos os seus atributos. Na situação relatada, reconhece-se os antecedentes desesperança, morar distante dos pais, autoconfiança insuficiente, baixo apoio familiar, baixos níveis socioeconômicos, preocupação de manter um bom desempenho acadêmico, baixa disponibilidade de alimentos saudáveis, falta de habilidades para preparar alimentos, influência dos pares e necessidade de socializar. Descreve ainda atitudes negativas, destrutivas e prejudiciais, bem como a recorrência ou intensidade dessas ações, seu caráter voluntário, passível de controle, e o risco para si e para os outros, caracterizados como alguns dos atributos do conceito. Além disso, aponta hábitos alimentares inadequados, consumo de substâncias, condução de trânsito perigosa e padrões inapropriados de sono como consequentes.

Caso contrário - comportamento de saúde propenso a risco em universitários

MSDL, sexo masculino, 20 anos, cursa a graduação em direito e gosta de ter sua rotina muito organizada para alcançar suas metas semanais. Tem apoio dos pais nas questões escolares, pratica atividade física regularmente, alimenta-se de modo saudável, preparando a comida aos sábados para toda a semana, e tenta dormir ao menos oito horas por noite. Organiza os turnos da tarde para as atividades extracurriculares e da noite para os estudos. Dedica no mínimo um momento do dia ao lazer e sempre que tem dúvidas relacionadas à saúde procura a equipe assistencial do seu campus ou os profissionais da Unidade Básica de Saúde do seu bairro.

Esse caso retrata uma situação de não conceito, em que as características essenciais apresentadas diferem totalmente das esperadas no conceito, bem como de seus atributos, antecedentes e consequentes. Nesse sentido, o universitário fictício apresenta condutas contrárias ao comportamento de saúde propenso ao risco em universitários, mais condizentes com comportamentos saudáveis e promotores de saúde.

As definições de referências empíricas, última etapa da análise conceitual, possibilitam a melhor descrição dos atributos, auxiliando na compreensão de como esses se manifestam operacionalmente (Quadro 1).

Quadro 1
Definições empíricas dos atributos de comportamento de saúde propenso a risco em universitários. Iguatu, Ceará, Brasil, 2024.

Discussão

Embora amplamente abordados na literatura, os fenômenos relacionados ao comportamento e à saúde dos universitários apresentam ambiguidades semânticas, especialmente no que se refere ao comportamento de risco e à propensão ao risco. Para tanto, a análise conceitual apresenta-se como estratégia para elucidar significados de conceitos empregados de modo polissêmico em contextos, tempos e situações semelhantes, adequando sua utilização e otimizando os processos de trabalho18.

O comportamento de risco, majoritariamente enfatizado nas publicações científicas, corresponde a um estágio subsequente e inter-relacionado ao comportamento de saúde propenso a risco, no âmbito de um continuum de decisões em saúde que pode culminar no adoecimento e até na morte desses indivíduos. Destaca-se, nesse contexto, como um conjunto de atitudes e padrões comportamentais de longo prazo que interferem negativamente na saúde do universitário19, sendo, neste estudo, compreendidos como consequentes.

De modo distinto, a propensão ao risco é delineada como a fase que antecede o comportamento de risco, cujas peculiaridades orientam e predispõem o universitário à adoção de hábitos prejudiciais à saúde e à qualidade de vida, potencializando o adoecimento. Nesse sentido, esse conceito é fundamentado na predisposição à prática de risco, de modo voluntário, controlável, com efeitos negativos e danosos à saúde.

Elucidar os constituintes do comportamento de saúde propenso a risco em universitários revela-se relevante, uma vez que está intrinsecamente relacionado à adoção de comportamentos de risco, frequentemente analisados de forma fragmentada, ao se associarem a situações específicas, em geral vinculadas ao adoecimento. No Brasil, por exemplo, as pesquisas sobre o tema concentram-se na avaliação de comportamentos de risco para doenças crônicas transmissíveis, na relação com insatisfação corporal e transtornos alimentares, ou ainda com infecções sexualmente transmissíveis, entre outros. No entanto, tais abordagens não contemplam, de modo abrangente, a propensão à adoção desses comportamentos entre universitários20-23.

Valorizando os estudos que buscam conhecer, identificar ou relacionar os comportamentos de risco com certas situações ou doenças em universitários, reflete-se sobre a necessidade de transcender delineamentos que reduzam o adoecer de universitários às vivências contextuais e à adoção de comportamentos de risco. Espera-se, portanto, uma visão ampliada do processo saúde-doença-cuidado, que considere as inter-relações que o influenciam e reconheça que a vivência universitária não limita nem exclui as influências de outras dimensões da vida, como as esferas familiar, socioeconômica, relacional, ambiental e de desenvolvimento pessoal.

Assim, a construção de um modelo conceitual que defina o comportamento de saúde propenso a risco em universitários e explicite seus constituintes apresenta potencial para ampliar a compreensão da vivência universitária como um período marcado por múltiplas mudanças no cotidiano, que influenciam direta ou indiretamente o bem-estar, a qualidade de vida e a saúde dos indivíduos, como a sobrecarga de atividades acadêmicas, a escassez de tempo livre e os elevados níveis de cansaço e estresse23.

A análise conceitual possibilita a evolução do conhecimento, a qualificação do processo de trabalho relacionada à ampliação do espectro de visão do objeto e a possibilidade de subsidiar outros estudos24.

Os antecedentes do conceito estudado podem ser compreendidos como os comportamentos e atitudes que predispõem a adoção de comportamentos de risco. Nesse sentido, a dimensão psicológica que compreende, entre outras, situações de sofrimento psicológico, tristeza, baixa autoestima, ansiedade e depressão consolidou-se na literatura como a maior predisponente ao comportamento de risco. Esse apontamento pode estar relacionado com a centralidade da mentalidade e das emoções nos processos humanos, influenciando e sendo influenciada diretamente pelas demais dimensões identificadas25.

Tal perspectiva pode ser explorada por meio do reflexo da dimensão relacional na dimensão psicológica, em que os conflitos relacionais, competição por destaque e a necessidade de inclusão potencializaram a ocorrência de transtornos mentais, como estresse acadêmico, ansiedade e quadros depressivos26.

No contexto relacional, o desenvolvimento de parcerias em um ambiente de novas vivências, experimentações, liberdade e autonomia assume papel facilitador na adaptação e socialização, ao passo que predispõe a comportamentos de saúde de risco, principalmente aqueles socialmente normatizados. Essa perspectiva encontra respaldo na representação dos pares como modelos de influência, proporcionando oportunidades e pressão para a adoção de comportamentos, em especial aqueles relacionados ao abuso de substâncias, um dos grupos de consequentes de maior prevalência na literatura2.

Em caráter formativo, o ensino superior envolve um conjunto de atribuições e responsabilidades que exigem do universitário habilidades de gerenciamento do tempo, compromisso e dedicação ao processo de aprendizagem. Nesse contexto, a sobrecarga de atividades pode expor o estudante a diversas preocupações, especialmente relacionadas ao desempenho acadêmico26, favorecendo, por exemplo, a negligência de hábitos alimentares saudáveis1 e o aumento do consumo de drogas ilícitas27 como estratégia de enfrentamento.

Embora menos frequentemente abordadas nos estudos analisados, destaca-se a importância de considerar as demais dimensões antecedentes ao fenômeno nas práticas em saúde, na formulação de políticas públicas e em pesquisas que busquem melhor compreender o comportamento de saúde propenso a risco, uma vez que também contribuem para sua manifestação.

Quanto aos atributos que definem esse comportamento em universitários, observa-se que ele se caracteriza pela adoção de atitudes negativas, destrutivas e prejudiciais à saúde. Contudo, para sua configuração, é necessário que tais atitudes apresentem continuidade ou elevada intensidade, possuam caráter voluntário, sejam passíveis de controle, representem risco para si e para os outros e comprometam o alcance do potencial de aprendizagem e de desenvolvimento geral2,28,29.

Avançando frente à identificação das características mais prevalentes que envolvem o conceito deste estudo na população universitária, como o comprometimento à saúde, o aumento no risco de lesões e/ou doenças e a recorrência ou intensidade, torna-se necessário considerar de forma mais expressiva a vulnerabilidade e os riscos à saúde desse grupo30.

Nessa linha de argumentação, a saúde do estudante é, portanto, uma questão atual, que precisa ser compreendida a partir da interação entre as demandas inerentes ao ensino superior e os aspectos sociais, econômicos e pessoais, fazendo-se necessário considerar os atributos que explicitam o comportamento de saúde propenso à risco.

Assim, a atuação voltada à promoção da saúde dos universitários apresenta-se como uma estratégia para reduzir a adoção desses comportamentos, prevenir riscos e promover o empoderamento individual e coletivo na tomada de decisões mais saudáveis e na defesa da própria saúde31.

Urge fortalecer o contexto universitário como promotor da saúde, considerando as perspectivas atuais da realidade acadêmica. Em sua matriz conceitual, a promoção da saúde consiste em um campo de teorias e práticas que se materializa como alicerce do novo paradigma de saúde, na busca de superar o cuidado pautado essencialmente no modelo biomédico e hospitalocêntrico. Dessa maneira, propõe o desenvolvimento de ações que consideram e contribuem com a participação social, bem como com a articulação entre pesquisa e realidade dos serviços de saúde e das comunidades31,32.

O ambiente universitário exerce influência sobre o bem-estar e a saúde dos indivíduos, podendo favorecer tanto a adoção de condutas promotoras de saúde quanto de comportamentos propensos ao risco. Os hábitos desenvolvidos nesse período tendem a se perpetuar ao longo da vida, contribuindo para o surgimento de condições crônicas e para o adoecimento. Nesse sentido, reconhecer a universidade como espaço estratégico de intervenção em saúde e atuar para consolidá-la como ambiente promotor de saúde torna-se imperativo2.

Os consequentes do modelo conceitual elaborado representam os comportamentos de risco aos quais os universitários estão expostos e para os quais podem apresentar propensão à adoção. Entre eles, destacam-se hábitos alimentares inadequados, prática irregular de atividade física, consumo de substâncias, uso excessivo de tecnologias digitais, práticas sexuais de risco, comprometimento do processo de ensino-aprendizagem, violência, prejuízos à saúde mental, condução de trânsito perigosa, padrões inadequados de sono, cuidado com a saúde prejudicado e condutas desviantes.

O conjunto de comportamentos de risco apontados comprometem em maior ou menor grau a saúde e o bem-estar dos universitários, com reflexos sobre o processo ensino-aprendizagem que elevam os indicadores educacionais de retenção, absenteísmo, presenteísmo e evasão33,34.

É fundamental sublinhar que o comportamento de saúde propenso a risco se distribui majoritariamente em fluxos interrelacionais, de modo que cada preditor apresenta potencialidade de desencadear diversos comportamentos simultâneos, assim como podem surgir desses35. Como exemplo, pontua-se: o estresse resultante da ausência de tempo para a execução das demandas pode impulsionar a adoção de comportamentos ansiosos, aumentar o consumo de fast food, expor o indivíduo ao abuso de substâncias, modificar os padrões de sono, entre outros comportamentos que predispõem à manifestação do estresse.

Estudo desenvolvido com 974 estudantes universitários de enfermagem evidencia que esses comportamentos contribuem diretamente para a elevada prevalência de fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis, destacando a necessidade de programas educacionais para reduzir esses fatores. Tais achados impulsionam a urgência dessas ações, visto que o estilo de vida é um dos mais importantes determinantes da saúde da população estudantil36.

Em razão dessa complexidade, tem-se impulsionado discussões sobre a necessidade de adequação à promoção da saúde, considerando suas conexões com o sucesso acadêmico e a otimização da transição para o mercado profissional. Nesse sentido, a Universidade Promotora de Saúde apresenta potencial para contribuir na redução da adoção do comportamento de saúde propenso a risco por universitários. Trata-se de um movimento de construção de um espaço de aprendizagem e cultura organizacional direcionada à saúde, capaz de reduzir as barreiras do comportamento saudável utilizando o público e/ou ambiente como cenário para disseminação de informações sobre saúde37.

Considerando a polissemia que envolve o conceito de comportamento de saúde propenso a risco em universitários, bem como a relevância de investir na promoção da saúde nas universidades como um movimento de repercussão internacional, a elucidação desse conceito neste estudo demonstra potencial para contribuir com: a) a atuação profissional, especialmente de equipes de saúde universitária, como as presentes na rede federal de educação, ciência e tecnologia, e da atenção primária à saúde; b) a oferta de subsídios para a tomada de decisões por parte de gestores das áreas de educação, saúde e assistência social, orientando o cuidado aos constituintes do fenômeno; c) o apoio à formulação de políticas institucionais e públicas alinhadas às realidades identificadas e fundamentadas em evidências; e d) o apontamento de possibilidades para investigações futuras, como as inter-relações entre antecedentes, atributos e consequentes, a identificação de agrupamentos em clusters, a estruturação de cadeias causais e a análise de variáveis confundidoras e mediadoras, entre outras.

A adoção do termo de busca controlado comportamento de risco à saúde pode configurar uma limitação deste estudo, uma vez que o fenômeno investigado - a propensão ao risco - não tem representação específica como descritor controlado. Contudo, essa escolha se justifica pelo intuito de ampliar o alcance da busca, considerando o número ainda reduzido de pesquisas que utilizam explicitamente o termo comportamento de saúde propenso a risco. Outra limitação refere-se à predominância de estudos do tipo transversal, o que impossibilitou a identificação de relações causais entre os constituintes do conceito..

Conclusão

A análise conceitual permitiu reconhecer o comportamento de saúde propenso a risco em universitários como a predisposição à adoção de comportamentos prejudiciais ao bem-estar e à saúde, que assumem caráter voluntário, negativo, desfavorável e/ou destrutivo.

Nesse contexto, evidenciou-se tratar de um fenômeno complexo, que abrange 11 antecedentes relacionados a dimensões do desenvolvimento pessoal, individual, relacional, familiar, psicológico, socioeconômico, ambiental, formativo, extracurricular, comportamental e de cuidado em saúde. Além disso, foram identificados 12 atributos, correspondentes às características que indicam a presença do comportamento de saúde propenso a risco em universitários, e 12 consequentes decorrentes de sua manifestação.

Assim, a análise desse conceito contribui para uma apropriação inicial do construto, com potencial para subsidiar sua aplicação em ações concretas nas áreas de assistência, gestão e pesquisa, possibilitando que os diferentes núcleos profissionais identifiquem dimensões para intervenções individuais e/ou interprofissionais.

Considerando o caráter contextual do fenômeno, destaca-se a necessidade de sua atualização contínua, em razão das especificidades e das constantes transformações no perfil acadêmico, nas instituições universitárias, no ensino e nos fatores que o influenciam.

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  • Financiamento
    Chamada Conecta Mais Q-Inova IFPB - Edital nº 38/2023; Bolsa de Iniciação Científica URCA/FECOP.
  • Declaração de disponibilidade de dados
    As fontes de dados utilizados na pesquisa estão indicadas no corpo do artigo. Material suplementar disponível em: https://doi.org/10.48331/SCIELODATA.S3ER2R.
  • Editores-chefes:
    Maria Cecília de Souza Minayo, Romeu Gomes, Antônio Augusto Moura da Silva, Vania de Matos Fonseca

Disponibilidade de dados

As fontes de dados utilizados na pesquisa estão indicadas no corpo do artigo. Material suplementar disponível em: https://doi.org/10.48331/SCIELODATA.S3ER2R.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    11 Maio 2026
  • Data do Fascículo
    Abr 2026

Histórico

  • Recebido
    29 Maio 2024
  • Aceito
    30 Jan 2025
  • Publicado
    02 Fev 2025
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