O presente texto tem por objetivo promover criticamente o conceito de iatrogenia a partir das contribuições do pensador Ivan Illich para os campos da bioética e da saúde pública. A partir de revisão de literatura com abordagem qualitativa, a proposta é compreender como as expressões iatrogênicas, em particular a iatrogênese do corpo, estabelecem diálogos com a bibliografia hegemônica recente acerca do “melhoramento humano” e seu glossário em disputa, em particular a corrente transumanista e bioliberal norte-situada. A discussão enfatiza que pensar num corpo “perfeito”, “saudável”, “aprimorado” é necessariamente seguido por uma imagem-pensamento hegemônica de corpos que sejam os padrões universais de humanidade, isto é, corpos brancos, heteronormativos, masculinos, individuais, autossuficientes, revelando a faceta moderna/colonial desse imperialismo moral. Por fim, destacamos o papel da colonialidade da vida como um reflexo de iatrogenias na estrutura do corpo social, evidenciando a importância de um fazer/pensar/agir bioético posicionado de modo crítico em relação a uma noção única ocidental de humanidade a ser melhorada.
Palavras-chaves:
Iatrogenia; Biomelhoramento; Colonialidade; Bioética; Raça