Argumenta-se quanto à necessidade de questionar a adequação do conceito “pandemia” para melhorar a resposta às emergências de saúde pública que o mundo irá enfrentar. Partindo da COVID-19 e não ignorando surtos anteriores (H1N1 in 2009, ebola em 2014 ou o zika em 2016), chama-se atenção para o poder simbólico, político e sanitário associado a patógenos que adquirem o estatuto de “pandemia” em detrimento de outros patógenos e de doenças não transmissíveis, recordando o que Susan Sontag designou por metáforas. Advoga-se quanto à maior adequação do termo “Emergências de Saúde Pública de Preocupação Internacional”, ainda que maior transparência e consistência sejam necessárias nessa atribuição, ainda que o sucesso de respostas justas, equitativas e integradas, tanto no Norte como no Sul global, precise muito mais do que designações. O que falta são ações e comprometimento com a saúde e bem-estar.
Palavras-chave:
Pandemias; Preparação para pandemias; Sindemia; Determinantes sociais da saúde