A permanente relação entre biologia, poder e guerra: o uso dual do desenvolvimento biotecnológico

Maria Eneida de Almeida Sobre o autor

Resumo

Ao longo do século XX, o avanço biológico teve uma relação cada vez mais estreita com as estratégias de poder, na busca pela ponta tecnológica. A partir de 1970, a manipulação de agentes patogênicos recombinados geneticamente foi o grande salto tecnológico que transcendeu radicalmente a biologia tradicional e reforçou as relações bélicas da ciência. Deu-se a abertura da revolução biotecnológica, com novas perspectivas para o campo político-militar da ciência. Foi a partir deste ponto do desenvolvimento biotecnológico que se criou um novo paradigma para a guerra, bem como para as ciências da vida, gerando novos desafios para a Saúde Internacional no século XXI. Através de uma trajetória histórica relacionada ao poder, o objetivo deste texto é apresentar o mecanismo de articulação entre ciência e poder e contribuir para a compreensão sobre a maneira pela qual o campo militar está naturalmente inserido no desenvolvimento biotecnológico que, em sua essência, produz biotecnologias de uso civil e militar.

Palavras-chave
Saúde internacional; Era biotecnológica; Biotecnologias de uso dual; Big Science

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