As profilaxias baseadas no uso de antirretrovirais, como a profilaxia pré-exposição sexual ao HIV (PrEP), têm o potencial de proteger as populações mais vulneráveis à infecção, o que renova o otimismo para controle da epidemia de HIV. Nesse cenário, o objetivo do artigo é analisar as percepções, negociações e tensões do uso de PrEP, no âmbito da prevenção combinada, em homens que fazem sexo com homens (HSH). Trata-se de um recorte qualitativo de estudo multicêntrico, com análise de entrevistas semiestruturadas com 18 usuários de serviços especializados em HIV/Aids da cidade de São Paulo-SP. Os achados apontam que a negociação do uso de PrEP entre os HSH perpassa situações de procura de parcerias, em que se desenrolam diferentes cenas sexuais e o uso de álcool ou drogas. Os usuários conferiram à PrEP o sentido de facilitador da negociação sobre o (não) uso do preservativo e a (re)significação do cuidado e da prevenção em diferentes parcerias afetivo sexuais. A pesquisa amplia o debate sobre aspectos subjetivos envolvendo a prevenção do HIV entre HSH, especialmente no que concerne ao seu gerenciamento em situações de negociações envolvendo as outras estratégias de prevenção.
Palavras-chave:
HIV; Minorias sexuais e de gênero; Profilaxia pré-exposição; Prevenção; Pesquisa qualitativa