Avanços na redução da pobreza e das desigualdades nos anos 2000 tiveram efeito paradoxal sobre o território brasileiro. O artigo tem como objetivo analisar como transformações socioeconômicas, de oferta e complexidade de serviços de saúde se expressam nas regiões constituídas para fins de planejamento e gestão intergovernamental do Sistema Único de Saúde. Para isso, procurou-se identificar e explicar diferenciações nas composições das 438 regiões de saúde existentes e sua distribuição espacial, comparando-se situações observadas em 2016 com aquelas encontradas em 2000. Técnicas de análise fatorial e de agrupamentos foram utilizadas para a construção de uma tipologia nos dois anos da série, com base em um conjunto diversificado de fontes de dados secundários. Verificou-se evolução dos níveis de renda e oferta de serviços entre as regiões de saúde, com expressiva melhora nas condições socioeconômicas da população. Os resultados sugerem impactos positivos da combinação de estratégias relacionadas à política social, econômica e regional para a promoção do desenvolvimento com geração de bem-estar de forma mais disseminada no território. Entretanto, permanecem limitações das políticas implementadas para a universalização do sistema de saúde.
Desigualdades em saúde; Regionalização; Sistema Único de Saúde; Regiões de saúde
Fonte: Datasus e IBGE. Elaboração dos autores.Nota: Grupo 1 = regiões com baixo desenvolvimento socioeconômico e com baixa, média ou alta oferta/complexidade de serviços de saúde; Grupo 2 = regiões com médio ou alto desenvolvimento socioeconômico e baixa oferta/complexidade de serviços de saúde; Grupo 3 = regiões com médio desenvolvimento socioeconômico e com média ou alta oferta/complexidade de serviços de saúde; Grupo 4 = regiões com alto desenvolvimento socioeconômico e média oferta/complexidade de serviços de saúde; Grupo 5 = regiões com alto desenvolvimento socioeconômico e alta oferta/complexidade de serviços de saúde.