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A saúde como campo de batalha: doenças e artes de curar no Brasil, 1750-1822

Resumo

O artigo explora como as doenças eram pensadas e enfrentadas na América portuguesa no início da década de 1820, pouco antes da consolidação da ruptura política com Portugal que tornou o Brasil um país independente. Analisa quem foram os indivíduos chamados para tratar as doenças da população sofredora, seus saberes e terapêuticas. Para tanto, inicia-se com um recuo no tempo, enfatizando as influências das reformas do Império português sobre o saber médico na segunda metade do século XVIII. A primeira parte do artigo se dedica a explorar as complexas e multifacetadas práticas de cura na América portuguesa, resultantes das misturas entre as concepções tradicionais sobre o corpo e a doença que faziam parte das referências culturais da população local. Em seguida, analisa alguns dos embates institucionais e políticos envolvidos na consolidação da medicina científica no Brasil, especialmente após a transferência da Corte portuguesa para o Rio de Janeiro. Apesar do prestígio político dos médicos acadêmicos, os praticantes das artes da cura contavam com amplo apoio da população, além de encontrarem mobilidade social nas brechas das relações clientelistas que marcavam a cultura política do período.

Palavras-chave:
Terapêuticas tradicionais; História da saúde pública; Brasil

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