Iniciação sexual, masculinidade e saúde: narrativas de homens jovens universitários

Sexual initiation, masculinity and health: narratives of young men

Resumos

O objetivo do trabalho é analisar narrativas de homens jovens universitários sobre a experiência de iniciação sexual. O referencial teórico-conceitual foi o de scripts ou roteiros sexuais que se caracterizam como aprendizados sociais que informam os sujeitos sobre quando, como, onde e com quem devem ter experiências sexuais, indicando como agir sexualmente e as razões pelas quais devem ter algum tipo de atividade sexual. O método da investigação se configura como um estudo de narrativas, ancorado na abordagem de pesquisa qualitativa a partir da perspectiva hermenêutica dialética. O desenho metodológico envolve a compreensão de contextos, cenários, enredos e personagens das narrativas acerca da iniciação sexual. A análise se refere a narrativas de universitários na cidade do Rio de Janeiro. Dentre os significados da iniciação sexual, destacam-se os de coito, demarcação de uma etapa da vida, despertar para o gênero oposto e descoberta do corpo. Observa-se, ainda, como resultado do estudo, que as narrativas dos jovens foram coerentes com um modo de ser homem que se faz presente no discurso de diferentes gerações. Concluiu-se que é preciso um trabalho conjunto em saúde e educação que privilegie o protagonismo dos homens jovens em ações com vistas à promoção de saúde sexual e reprodutiva.

Sexualidade; Identidade de gênero; Juventude; Saúde e narrativa


The main objective of this study was to analyze the narratives of young university students about the experience of sexual initiation. The theoretical and conceptual references used were the sexual scripts of our society that inform people about when, how, where and with whom they should have their sexual experiences, indicating how to act sexually and the reasons why they have to practice some kind of sexual activity. The method used was a qualitative study of narratives from the perspective of dialectic hermeneutics. The methodological design involves the comprehension of sceneries, contexts, environments and characters of the narratives about sexual initiation. The analysis refers to narratives of university students in the city of Rio de Janeiro. Among the meanings of sexual initiation, we emphasize sexual intercourse, the demarcation of a stage of life, the awakening to the opposite sex and the discovery of the body. We observed that the young men's narratives were coherent with what is considered masculine, present in the discourse of different generations. It is concluded that the young men should be encouraged to participate in actions combining health and education aimed at promotion of sexual and reproductive health.

Sexuality; Gender identity; Youth; Health and narrative


TEMAS LIVRES FREE THEMES

Iniciação sexual, masculinidade e saúde: narrativas de homens jovens universitários

Sexual initiation, masculinity and health: narratives of young men

Lúcia Emilia Figueiredo de Sousa Rebello; Romeu Gomes

Instituto Fernandes Figueira, Fiocruz. Av. Rui Barbosa 716, Flamengo. 22250-020 Rio de Janeiro RJ. le-rebello@uol.com.br

RESUMO

O objetivo do trabalho é analisar narrativas de homens jovens universitários sobre a experiência de iniciação sexual. O referencial teórico-conceitual foi o de scripts ou roteiros sexuais que se caracterizam como aprendizados sociais que informam os sujeitos sobre quando, como, onde e com quem devem ter experiências sexuais, indicando como agir sexualmente e as razões pelas quais devem ter algum tipo de atividade sexual. O método da investigação se configura como um estudo de narrativas, ancorado na abordagem de pesquisa qualitativa a partir da perspectiva hermenêutica dialética. O desenho metodológico envolve a compreensão de contextos, cenários, enredos e personagens das narrativas acerca da iniciação sexual. A análise se refere a narrativas de universitários na cidade do Rio de Janeiro. Dentre os significados da iniciação sexual, destacam-se os de coito, demarcação de uma etapa da vida, despertar para o gênero oposto e descoberta do corpo. Observa-se, ainda, como resultado do estudo, que as narrativas dos jovens foram coerentes com um modo de ser homem que se faz presente no discurso de diferentes gerações. Concluiu-se que é preciso um trabalho conjunto em saúde e educação que privilegie o protagonismo dos homens jovens em ações com vistas à promoção de saúde sexual e reprodutiva.

Palavras-chave: Sexualidade, Identidade de gênero, Juventude, Saúde e narrativa

ABSTRACT

The main objective of this study was to analyze the narratives of young university students about the experience of sexual initiation. The theoretical and conceptual references used were the sexual scripts of our society that inform people about when, how, where and with whom they should have their sexual experiences, indicating how to act sexually and the reasons why they have to practice some kind of sexual activity. The method used was a qualitative study of narratives from the perspective of dialectic hermeneutics. The methodological design involves the comprehension of sceneries, contexts, environments and characters of the narratives about sexual initiation. The analysis refers to narratives of university students in the city of Rio de Janeiro. Among the meanings of sexual initiation, we emphasize sexual intercourse, the demarcation of a stage of life, the awakening to the opposite sex and the discovery of the body. We observed that the young men's narratives were coherent with what is considered masculine, present in the discourse of different generations. It is concluded that the young men should be encouraged to participate in actions combining health and education aimed at promotion of sexual and reproductive health.

Key words: Sexuality, Gender identity, Youth, Health and narrative

Introdução

O início da vida sexual é considerado, historicamente, como um dos importantes marcos da passagem da infância para a vida adulta1-6. Este início, tanto no senso comum como no meio acadêmico, tem sido associado à primeira relação sexual com penetração (coito) entre pessoas de sexos opostos6- 8. Alguns autores, entretanto, ampliam este conceito para todo o processo de experimentação física e relacional que se inicia nas primeiras manifestações da puberdade e se estende até depois da primeira relação sexual3,4,9,10.

Ainda que os conceitos de iniciação sexual, citados anteriormente, possam servir como ponto de partida, identificar e trabalhar com os significados que os sujeitos atribuem à experiência de iniciação sexual nos permite uma análise que reflete tanto aspectos subjetivos como questões socioculturais. É neste sentido que compreender os scripts sexuais que permeiam a conduta dos homens jovens torna-se fundamental3,11,12. Entretanto, nem sempre nos é possível ter acesso a essa compreensão, isto porque, para o universo masculino, falar de si e de suas incertezas pode ser entendido como fraqueza ou ausência de masculinidade13 e, assim, mesmo que o jovem do século XXI seja visto como livre e bem informado, quando o assunto é sexo há muitas dúvidas e conflitos a serem desvelados.

Em termos de idade da primeira relação sexual, Borges e Schor8, com base numa ampla revisão da literatura, apontam "que o início da vida sexual de homens ocorre basicamente ao redor dos 15 anos de idade". As pesquisas indicam que, entre rapazes e moças, a idade em que ocorre a primeira relação sexual vem diminuindo e a atividade sexual, aumentando14,15. No entanto, ainda persiste uma dupla moral sexual, determinando normas e expectativas sociais em relação à idade e circunstâncias adequadas para as primeiras práticas sexuais, que diferenciam homens e mulheres16, 17.

São os scripts sexuais, decorrentes de aprendizados sociais, que informam aos sujeitos sobre quando, como, onde e com quem devem ter experiências sexuais. Indicam, ainda, como agir sexualmente e as razões pelas quais devem ter algum tipo de atividade sexual12,18. Estes scripts são menos resultantes do ditame de normas, regras e interdições, do que da impregnação por narrações envolvendo seqüências de acontecimentos ou, ainda, da interiorização dos modos de funcionamento das instituições12, 19, 20.

De um modo geral, há uma tendência a se depreciar as afirmações explicativas dadas pelas pessoas sobre seu comportamento, o que, de certo modo, pode explicar que só recentemente os estudos voltados para a consideração dos próprios jovens e suas experiências, suas percepções, formas de sociabilidade e atuação, venham ganhando vulto5,12.

Mesmo que se reconheça a importância de envolver os homens jovens nas intervenções de prevenção e promoção de saúde sexual, há pouca informação sobre o que estes homens jovens pensam sobre sua própria sexualidade21, 22.

As descrições e reflexões oferecidas pelas narrativas dos sujeitos deste estudo devem ser entendidas como relatos socialmente produzidos e culturalmente situados. Caminhando nessa compreensão, buscamos discutir a especificidade da sexualidade dos homens para além de seu papel instrumental, no sentido de contribuir para que estes sejam vistos também como protagonistas das ações da saúde sexual e reprodutiva, numa perspectiva relacional de gênero. Com isto, não estamos apenas caminhando no avanço da discussão acerca da sexualidade masculina, mas também na direção das implicações desta no campo da saúde sexual feminina23.

A partir destas considerações, o objetivo do nosso artigo é analisar as narrativas de homens jovens universitários, sobre a experiência de iniciação sexual, buscando identificar uma possível interface entre iniciação sexual, identidade masculina e saúde.

Método

A pesquisa pautou-se numa abordagem qualitativa, entendida como um conjunto de práticas interpretativas que busca investigar os sentidos que os sujeitos atribuem aos fenômenos e ao conjunto de relações em que eles se inserem24 . Nesta abordagem, com base em princípios da hermenêutica-dialética25, buscamos caminhar na compreensão e na contextualização dos sentidos subjacentes às narrativas dos sujeitos investigados.

Neste desenho de estudo, entendemos a narrativa como uma forma de representar e recontar a experiência, sendo os eventos apresentados em uma ordem significativa e coerente para o narrador, permitindo que este possa perceber uma articulação entre presente, passado e o futuro11.

Utilizamos as regras desta técnica de entrevista para ativarmos o esquema da história; provocarmos narrações dos informantes e, uma vez começada a narrativa, conservarmos a narração através da mobilização do esquema autogerador26. Houve certo questionamento, por parte dos sujeitos da pesquisa, à narrativa como forma de entrevista, sendo apontado que seria mais fácil se tivessem que responder a um questionário ou a perguntas sobre o tema. Neste sentido, após termos explicado o contexto da investigação e obtermos sua permissão para gravar, formulamos o tópico inicial para a narração sobre a experiência de iniciação sexual. Iniciada a narração, esta não foi interrompida até que houvesse uma clara indicação de que o entrevistado havia terminado a narrativa. Neste momento, perguntamos ao informante se ele desejava acrescentar mais algum detalhe à sua narrativa. O tempo médio de narração até o seu fim "natural" foi de vinte minutos. Passamos, então, à fase de questionamentos. As questões, que foram formuladas com base no interesse de nossa pesquisa, foram traduzidas em temas, tópicos e relatos de acontecimentos que surgiram durante a narração, empregando-se a linguagem do informante, na tentativa de completar as lacunas existentes da história. Ao final da entrevista, com o gravador desligado, em alguns casos, surgiram discussões interessantes na forma de comentários informais relevantes para a interpretação da narração no seu contexto. No sentido de não perder esta informação, utilizamos o recurso do diário de campo.

Cabe ressaltar que, em função da especificidade do tema da pesquisa, o local onde foram realizadas as entrevistas narrativas foi indicado pelos próprios entrevistados. Ainda que dois jovens tenham indicado as próprias residências justificando que ficariam mais à vontade para falar em função da privacidade, a maioria dos informantes preferiu ser entrevistado na própria universidade, em horários próximos às aulas.

A amostra do estudo foi composta a partir dos seguintes critérios recomendados por Minayo25: (a) escolher os sujeitos que detinham os atributos relacionados ao estudo; (b) considerar tais sujeitos em número suficiente para que se pudéssemos ter uma certa reincidência das informações; (c) considerar a possibilidade de inclusões sucessivas de sujeitos até que fosse possível uma discussão densa das questões da pesquisa. Com isto, não buscamos uma representatividade numérica e sim um aprofundamento da temática.

Na seleção dos sujeitos, adotamos uma prática bastante usual em pesquisa sobre os universos familiares, em que pessoas conhecidas do pesquisador indicaram outras a serem entrevistadas, que, por sua vez, indicaram outras conhecidas27. Em termos de critérios de inclusão dos homens jovens, procuramos fazer contato com universitários. Este critério incluiu os entrevistados em um grupo que tem acesso à informação, permitindo problematizar o pressuposto de que tal acesso transforma de imediato as práticas sexuais juvenis4. Possibilitou, ainda, que os autores das narrativas apresentassem uma visão mais reflexiva em relação à própria experiência de iniciação sexual. Um outro critério foi o de que os sujeitos pertencessem a uma mesma geração, isto é, um grupo de pessoas que, por ter nascido numa determinada época, experimentou acontecimentos sociais comuns27. Neste sentido, selecionamos homens jovens nascidos na década de 80 do século passado, que tiveram sua iniciação sexual nos anos noventa desse mesmo século. A escolha deste período se situa num contexto de mudanças sociais significativas, como a exemplo da emergência da epidemia da aids nos anos 1980 e do novo olhar sobre a saúde sexual e reprodutiva como um direito.

Mesmo trabalhando com universos familiares na seleção dos sujeitos, o fato da pesquisadora ser uma mulher e de uma geração diferente da geração dos sujeitos do estudo, em alguns momentos, interferiu na decisão destes em aceitar ou não participar da pesquisa. Nesta perspectiva, para que pudéssemos ter acesso a alguns dos jovens e as suas narrativas, tornou-se necessário inserir, como auxiliar de pesquisa, um homem da mesma geração dos entrevistados.

Em termos de seqüência metodológica, seguimos a proposta de Gomes e Mendonça11 para uma análise dos aspectos estruturais da narrativa. Numa primeira etapa, buscamos compreender o contexto das representações e da experiência de iniciação sexual. Esta compreensão não consistiu num momento específico do processo de interpretação. Assim, inicialmente realizamos um breve estudo do contexto histórico e sociocultural da sexualidade em relação às primeiras experiências sexuais masculinas, que foi sendo ampliado com base nas narrativas.

Na segunda etapa, procuramos desvendar os aspectos estruturais da narrativa os significados atribuídos à iniciação sexual, os cenários das narrativas da experiência de iniciação sexual, os personagens e espaços evocados, eventos mencionados para se contar como aconteceu, o enredo e o desfecho delineado pelos narradores.

Como terceira etapa, elaboramos uma síntese interpretativa, em que os dados revelados pelas narrativas dialogaram com o contexto sócio-histórico.

Os sujeitos do estudo só foram abordados após termos obtido aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto Fernandes Figueira da Fundação Oswaldo Cruz e, na apresentação dos dados, utilizamos nomes fictícios para que o princípio do anonimato fosse garantido.

Autores das narrativas e o cenário social

O grupo de autores das narrativas se constituiu inicialmente de dez homens jovens. No entanto, durante a narrativa, verificamos que um dos jovens não atendia ao critério de inclusão que determinava que o entrevistado/informante tivesse vivenciado, segundo seus próprios parâmetros, uma experiência de iniciação sexual. No entendimento deste jovem, a iniciação sexual corresponde à primeira relação sexual com penetração vaginal, experiência não vivenciada por ele. Sendo assim, o grupo que teve suas narrativas analisadas foi formado por nove homens jovens, universitários, sexualmente ativos.

Além de terem nascido na cidade do Rio de Janeiro, os autores das narrativas afirmaram residir, desde o nascimento, em bairros da zona norte (5), zona oeste (2) e zona suburbana (1), com exceção de um que, tendo nascido na zona norte, na época do trabalho de campo, residia na baixada fluminense (1). O conjunto dos locais de moradia confere aos entrevistados uma identidade sociocultural urbana.

Como ponto de partida para uma contextualização do cenário da iniciação sexual destes jovens, consideramos o pertencimento a uma mesma geração27, 28, ou seja, a geração da década de 1980, por terem nascido entre 1981 e 1987, sendo a média de idade entre eles de 21 anos. Estes indicaram que a iniciação sexual ocorreu nos anos noventa. A idade apontada para a primeira relação sexual foi de catorze anos. Esta média de idade se encontra abaixo da média referida pela literatura14 . Apenas quatro declaram estar inseridos no mercado de trabalho. Nestas condições, todos ainda residiam com suas famílias de origem. Essas características revelam um perfil próprio da geração dos jovens dos anos oitenta, que vivem a indeterminação do mundo do trabalho e a fluidez do sentido de ser jovem, estejam eles emancipados ou não da família de origem29.

Quanto ao curso universitário, procuramos selecionar preferencialmente alunos do curso de engenharia que, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas30, é onde predominam os representantes do sexo masculino (96%). Como contraponto e ainda com base na mesma pesquisa, selecionamos um aluno do curso de serviço social, no qual ocorre a predominância de representantes femininos (97%).

O cenário das narrativas de iniciação sexual analisadas neste estudo se inscreve na década de 1990 que, segundo Fernández-Galiano31, poderia ser chamada de década global, posto que, com a extinção do mundo bipolar, o fenômeno da globalização acelerou-se prodigiosamente; década virtual, porque virtual é, com efeito, o inédito universo que se multiplicou nesses dez anos; década dócil, adjetivando o conformismo social e ideológico de um planeta submetido a uma só potência e a um só pensamento. Mas que melhor se define como década digital, pois esse termo matemático e orgânico resume, à sua maneira, os outros três.

Ainda neste cenário, contabilizam-se os novos desafios diante da epidemia da aids. As campanhas oficiais de prevenção contra a aids, iniciadas ainda em 1987, adotavam, no início dos anos noventa, um discurso intimidatório e que reforçava a discriminação, em que a idéia central era: a aids não tem cura e mata. Este discurso enfrentou a resistência dos movimentos sociais organizados, àquela altura, engrossados pelas ONGs de pessoas soropositivas. Com o passar dos anos, torna-se consenso que faz parte da prevenção a luta contra discriminação e o preconceito e a defesa da solidariedade e dos direitos das pessoas vivendo com HIV/aids32.

A cidade do Rio de Janeiro torna-se palco para o Projeto Aids e a Escola, a partir do entendimento de que a escola era o lugar ideal para a difusão do conhecimento considerado necessário para a iniciação e vivência sexual dos jovens33. As relações entre família e sexualidade também vivenciam um processo de transformação, em que a conjugalidade torna-se um domínio relativamente autônomo da família e a atividade sexual deixa de ser restrita ao casamento3, 17, 34.

Ainda que o Rio Janeiro seja considerado metrópole de vanguarda no que diz respeito à liberação de costumes16, persiste em grande parte das famílias dificuldades em lidar com a nova realidade que se impõe à sexualidade juvenil, tendo sido destacado por um dos sujeitos como um desafio a ser superado pelas próximas gerações:

Acho importante abordar a questão do preservativo. Os jovens estão transando cada vez mais cedo e talvez por medo de como os pais irão reagir se por acaso encontrarem na bolsa de uma menina de catorze anos uma camisinha, faz com que essa menina não ande ou não queira que seu parceiro use preservativo. Também não acho simples para uma família achar com um rapaz de catorze/quinze anos uma camisinha. É evidente que pra mulher é muito pior. Talvez a próxima geração de pais tenham uma cabeça melhor para lidar com isso. Pelo menos eu que nasci nos anos oitenta, que cresci num tempo de aids, quer dizer, de inúmeras outras doenças sexualmente transmissíveis, mas a aids... Espero que eu como as pessoas de minha geração que cresceram nesse meio, quando se tornem pais, entendam a importância de saber lidar com isso para seus filhos. (André, 19 anos)

Os anos noventa foram, também, marcados por um crescente interesse das pesquisas no sentido de compreender melhor como homens jovens são socializados, do que necessitam em termos de um desenvolvimento saudável e de que forma saúde e educação podem se unir para melhor atendê-los em sua especificidade5. A Conferência Internacional de População e Desenvolvimento no Cairo (1994) e a IV Conferência sobre Mulheres (1995), em Beijing, constituíram a fundamentação necessária à compreensão da importância de se incluir homens adultos e jovens nos esforços de melhor atendimento no campo da saúde sexual21,20.

Significados atribuídos pelos sujeitos à iniciação sexual

Os autores das narrativas apresentaram diferentes significados para a iniciação sexual. De um modo geral, cada jovem apresentou mais de um significado. Entretanto, todos os significados têm como referência scripts sexuais envolvendo a perspectiva heterossexual. Apenas um dos sujeitos apresentou a iniciação numa perspectiva de interação sexual entre sujeitos do mesmo sexo.

O primeiro significado apresentado para iniciação sexual é de demarcação de uma etapa da vida. Um marco de transição entre a infância e vida adulta, bem como de definição da própria identidade, o que para a maioria dos entrevistados corresponde à expectativa de "ser homem".

É toda uma série de fatores que começa desde quando o jovem deixa de ser uma criança, passa pela adolescência e começa a descobrir o que é o sexo e a definir a sua opção sexual. (Diogo, 20 anos)

Conversa com os amigos, masturbação, revistas eróticas essas coisas todas estão relacionadas à iniciação sexual. (Hélio, 22 anos)

A iniciação sexual é uma das fases mais importantes da vida. É a fase em que o homem começa a descobrir que não é o único no mundo, é a perca da inocência e início da maturidade. (Bruno, 20 anos)

O segundo significado é o de que a iniciação sexual é um despertar para o sexo oposto. Gagnon12 aponta que este despertar obedece a roteiros sociais de gênero, que são ensinados às crianças na mais tenra idade. Estes roteiros explicitam as formas apropriadas de iniciação, controle e dominação que devem existir entre meninos e meninas, mulheres e homens.

Na iniciação sexual, o cara começa a descobrir que existe um tipo de relacionamento diferente de amizade entre homem e mulher. (Ivan, 19 anos)

Vai desde a primeira conquista da primeira garota que geralmente é idealizada até o fato inicial que se sucede. (César, 22 anos)

Mesmo na narrativa do jovem que declarou "gostar de meninos", este despertar para o sexo oposto aparece como um roteiro de iniciação sexual a ser seguido e que limita por longo período a expressão de sua sexualidade no "sentido prático da coisa", como ele mesmo define:

Aos doze anos descobri que gostava de meninos, mas dos doze até os quase dezesseis anos eu não vivenciei no sentido prático da coisa porque eu achava que ia conter o meu desejo, achava que ia passar, que aquilo era só uma fase como todo mundo sempre diz. (Flavio, 25 anos )

O terceiro significado é o de que a iniciação sexual é a descoberta, incluindo a descoberta do corpo como fonte de desejo e prazer.

Depois de um certo número de descobertas, de nos tocar, acariciar, essas coisas, a gente chegou ao ato sexual. Foi a primeira vez que eu vi um seio na minha frente, e mulher mesmo. Eu tirei a blusa dela e eu vi o seio dela, fiquei meio espantado, na hora não sabia o que fazer. (Bruno, 20 anos)

Segundo Gagnon12, esta descoberta envolve roteiros de gênero que, na nossa cultura, apresentam o desempenho orgástico como uma forma rotineira de comportamento na maioria dos meninos, em conjunto com a masturbação no início da puberdade.

O quarto significado é de que a iniciação sexual é penetração, significado este também presente em diferentes estudos sobre iniciação sexual5- 8, 35. Este significado apareceu na fala de todos os jovens, independente do gênero do parceiro.

Quando você é gay, talvez você perca a virgindade de duas maneiras diferentes. Não sei se isso é real, nem dá pra dizer se do ponto de vista prático são duas experiências diferentes, mas do ponto de vista simbólico tem uma diferença em ser penetrado e ser o penetrador. Eu entendo que perdi minha virgindade duas vezes porque fiz duas coisas diferentes. (Flavio, 25 anos)

Síntese interpretativa

Nas narrativas dos sujeitos deste estudo, os scripts sexuais envolvendo a experiência de iniciação sexual encontram-se subordinados a scripts de "ser homem". Os jovens autores das narrativas apontaram medo e ansiedade de não corresponderem às expectativas de idade para a iniciação sexual.

Ainda que os sujeitos deste estudo não tenham mencionado em suas narrativas uma forte pressão dos pares no sentido de precisar, a todo custo, ter a primeira relação sexual para se provar como homem, ficou claro que o medo de não corresponder às expectativas tem por trás uma pressão social pautada em padrões hegemônicos de masculinidade. Neste sentido, destacamos que a maioria dos sujeitos finalizou a narrativa da primeira relação sexual com frases afirmativas: "e eu gostei", "eu achei bom", as quais um dos jovens ainda acrescentou "isso é óbvio", cabendo pensar em uma cobrança subjetiva - e se eu não gostar? Portanto, possivelmente, os homens jovens sentem a necessidade de provar para si mesmos, através de sua primeira relação sexual, que são "homens de verdade".

Também no campo da saúde, observamos que diferentes processos de socialização, reproduzidos a cada geração, estabelecem que o cuidado com a saúde é característica da mulher, ou seja, não é próprio do masculino13, 36- 38 . Sendo assim, é compreensível que nas narrativas dos nossos jovens não tenha aparecido a preocupação com o cuidado da própria saúde sexual. A exceção disso, identificamos na narrativa de um único jovem a informação de ter buscado ajuda de um urologista, sendo esta não no sentido de um cuidado preventivo, mas sim propiciada pelos sintomas de uma doença.

Há um consenso quanto à dificuldade em integrar o homem no processo de cuidado da própria saúde e da saúde da parceira, principalmente quando este cuidado passa pela problematização de determinadas práticas masculinas validadas como "naturais". Mesmo que a aids tenha propiciado que o uso do preservativo fizesse parte dos scripts sexuais e ainda que os jovens deste estudo tenham apresentado um bom nível de informação neste sentido, as narrativas apontaram que, na maioria das vezes, estes não utilizam o preservativo nas relações sexuais que se sucedem à primeira relação sexual.

Uma primeira justificativa para este fato é que a maioria dos sujeitos das narrativas apresentou, como parceiras de iniciação sexual, as namoradas. O namoro, no discurso destes jovens, pressupõe uma relação de exclusividade entre pessoas que se gostam e, sendo assim, haveria uma confiança de que "nada de mal aconteceria" (André, 19 anos). Isso se reforça a partir de inúmeros estudos acerca da sexualidade masculina1, 14, 18, 37.

Outras justificativas apontadas são o fato de "ter sido pego de surpresa" (Hélio, 22 anos e Bruno, 20 anos) e a dificuldade para colocar o preservativo: "eu erro o lado, gasto várias até colocar corretamente e acabo perdendo vários minutos preciosos" (Diogo, 20 anos). Neste sentido, fica claro o entendimento de sexo como performance, ou seja, que existe um roteiro sexual a ser seguido sem erros para que se consiga obter um "desempenho competente"12. Assim, muitos jovens, para garantir uma boa performance, preferem não correr o risco de perder a ereção, em meio à dificuldade para colocar o preservativo, e têm relações sexuais sem proteção.

O processo de aprendizado e construção da identidade masculina faz parte de um cenário histórico-cultural que indica o que é uma sexualidade "normal", em relação a "ser homem". Ser homem é ser heterossexual, é ser viril, é ser penetrador, mesmo para quem, teoricamente, se diferencia deste padrão de "normalidade".

Fomos pro motel e, no auge de brincadeiras, beijos, sei lá, ele disse que era virgem, mas que queria que fosse comigo. Isso me deixou com uma aura de responsabilidade pelo fato de ser a primeira vez dele e ele querer ser penetrado por mim. Não vou mentir que isso não traz um certo tipo de sentimento diferente em você. É lógico que você projeta valores que a sociedade, sua família vão te dando, e esse é um dos valores que perpassam as relações familiares. Sexo entre homens não é diferente do sexo em geral. É diferente porque você tem que desconstruir na sua cabeça uma série de coisas que você acha que é errado, que é pecado, que não é normal. É fato que com ele não aconteceu porque nós já éramos namorados. (Flávio, 25 anos)

Ainda que não seja entendido como parte hegemônica ou "tradicional" da identidade masculina, o desejo de fazer coincidir a experiência sentimental e a experiência sexual pode ser identificado nas narrativas dos sujeitos deste estudo:

Conheci minha namorada eu tinha catorze anos e estou com ela até hoje. Não que não tenha rolado outras garotas entre nossas idas e vindas, mas é dela que gosto na boa. Para mim iniciação sexual é sentir tesão, é querer transar com uma garota e conseguir. Quando a gente se gosta é melhor. (Ivan, 19 anos)

Um grande problema que teria é que chegou num momento que se eu não tivesse, por sorte, conseguido essa namoradinha, a primeira que chegasse aconteceria a minha primeira transa. (César, 22 anos)

Eu idealizava encontrar o grande amor da minha vida. Transar com ele, perder a virgindade com ele, e depois casar, viver junto para o resto da vida. (Flavio, 25 anos)

Através da análise das narrativas da experiência de iniciação sexual, tanto nos foi possível reproduzir aspectos de uma masculinidade hegemônica como atualizar este modelo. Esta ampliação do conhecimento sobre as primeiras experiências sexuais masculinas lança novos conhecimentos que permitem uma melhor abordagem da sexualidade tanto para a saúde como para a educação.

Considerações finais

Mesmo que a relação sexual com penetração tenha sido o significado mais presente nas narrativas, reforçando a idéia de que ser homem é ser penetrador, não podemos perder de vista que outros significados, como demarcação de uma etapa da vida, como despertar para o gênero oposto, como descoberta do corpo, também apontam comportamentos coerentes com um modo de ser homem que se faz presente no discurso de diferentes gerações, seja no sentido de afirmação de uma identidade masculina, seja para indicar caminhos possíveis de transgressão.

Tendo como ponto de partida para a análise de práticas sexuais a compreensão dos roteiros de gênero, reforçamos a idéia de que a informação por si só não impede que o jovem assuma determinados tipos de comportamentos em suas relações sexuais. Em termos de idade em que ocorre a primeira relação sexual, percebemos que esta obedece a scripts de gênero e que os homens jovens se sentem pressionados, de algum modo, a provar sua masculinidade iniciando sua vida sexual cada vez mais cedo.

Neste sentido, reforçamos a importância de estratégias de promoção de saúde que incentivem a participação de homens jovens e que os encorajem a mostrarem os seus sentimentos, a falarem de suas dúvidas e frustrações, sem a intenção de criarmos modelos de controle e/ou de comportamentos normatizados39,40.

A partir deste primeiro passo, que foi de escuta do que um grupo de homens jovens tinham a dizer sobre sua sexualidade, visualizamos um horizonte de possibilidades no sentido de proposição de novas formas de abordagem sobre velhos conceitos que insistimos em reforçar. Seja como pais, educadores ou profissionais de saúde, acreditamos ter a certeza de que sabemos o que é bom para os jovens, o que eles precisam e o que eles desejam. Admitir que podemos aprender com eles e que não sabemos tudo sobre eles pode ser um caminho de mudança desta crença.

Colaboradores

LEFS Rebello e R Gomes participaram igualmente de todas as etapas da elaboração do artigo.

Artigo apresentado em 14/02/2007

Aprovado em 22/06/2007

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    03 Fev 2009
  • Data do Fascículo
    Abr 2009

Histórico

  • Aceito
    22 Jun 2007
  • Recebido
    14 Fev 2007
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