Analisou-se o desfecho do parto de nascidos vivos (NV) com baixo peso (BPN) no Brasil em mulheres residentes nos municípios rurais remotos (MRR), vis a vis o deslocamento ao parto em outro município. Estudo quantitativo, com informações do Sistema de Informação de Nascidos Vivos (SINASC) de 2013-2019, no Brasil. Analisados o desfecho de parto-BPN e deslocamento, comparando os desfechos em mulheres residentes-MRR e demais municípios brasileiros. No período, foram registrados 20.476.367 NV no Brasil, com 437.800-2,14% em MRR. Considerando todos os municípios, o parto com deslocamento aumenta 1,2 vez a chance de BPN, potencializada em sua interação com os MRR. Morar em MRR foi fator protetor (OR = 0,6). O modelo multivariado apresentou maiores chances de BPN - igualmente para MRR e o restante do Brasil - em gestações < 37 semanas (16,2), gravidez múltipla (10,0), parto cesáreo (1,1), adolescentes (1,1), < 7 consultas de pré-natal-PN (1,7), nascimento em outros locais (2,0), pretas (1,2) e ano de nascimento mais recente (1,02). Este estudo demonstrou que nascer em MRR foi fator protetor para BPN, ainda que em um cenário de menor número de consultas-PN, de maiores deslocamentos a outros municípios e de maior número de mães adolescentes que o restante do país.
Palavras-chave:
Saúde da população rural; Zonas remotas; Cuidado pré-natal; Parto; Recém-nascido de baixo peso