Processo de decisão pelo tipo de parto no Brasil: da preferência inicial das mulheres à via de parto final

Decisión del tipo de parto en Brasil: de la preferencia inicial de las mujeres, al parto final

Rosa Maria Soares Madeira Domingues Marcos Augusto Bastos Dias Marcos Nakamura-Pereira Jacqueline Alves Torres Eleonora d'Orsi Ana Paula Esteves Pereira Arthur Orlando Correa Schilithz Maria do Carmo Leal Sobre os autores

O objetivo deste artigo é descrever os fatores referidos para a preferência pelo tipo de parto no início da gestação e reconstruir o processo de decisão pelo tipo de parto no Brasil. Dados de uma coorte de base hospitalar nacional com 23.940 puérperas, realizada em 2011-2012, foram analisados, segundo fonte de pagamento do parto e paridade, com utilização do teste χ2. A preferência inicial pela cesariana foi de 27,6%, variando de 15,4% (primíparas no setor público) a 73,2% (multíparas com cesariana anterior no setor privado). O principal motivo para a escolha do parto vaginal foi a melhor recuperação desse tipo de parto (68,5%) e para a cesariana o medo da dor do parto (46,6%). Experiência positiva com parto vaginal (28,7%), parto cesáreo (24,5%) e realização de laqueadura tubária (32,3%) foram citadas por multíparas. Mulheres do setor privado apresentaram 87,5% de cesariana, com aumento da decisão pelo parto cesáreo no final da gestação, independentemente do diagnóstico de complicações. Em ambos os setores, a proporção de cesariana foi muito superior ao desejado pelas mulheres.

Parto; Saúde Materno-Infantil; Preferência do Paciente; Cesárea


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