Abastecimento irregular de água, seu uso domiciliar e dengue: uma pesquisa biossocial no Nordeste do Brasil

Andrea Caprara José Wellington de Oliveira Lima Alice Correia Pequeno Marinho Paola Gondim Calvasina Lucyla Paes Landim Johannes Sommerfeld Sobre os autores

Apesar do crescimento de esforços no controle, desde 1986, a dengue, em Fortaleza, Nordeste do Brasil, continua endêmica com esporádicos surtos epidêmicos. Diversos fatores influenciam a ecologia do vetor, como as políticas sociais, a migração, a urbanização, o abastecimento urbano de água, a coleta de resíduos sólidos, as condições das casas, assim como as interpretações e práticas da comunidade. Este estudo descritivo utiliza uma abordagem multidisciplinar conjugando a antropologia e a entomologia. Foi adotado um desenho de estudo de caso múltiplo em seis quarteirões da cidade. O abastecimento de água é irregular seja nas casas pobres, seja naquelas privilegiadas. Apesar disso, existem diferenças entre os quarteirões em áreas pobres e aqueles mais privilegiados. Nos quarteirões mais privilegiados, existem casas que não têm ligação com o sistema de abastecimento público mas têm sistemas com poço e bomba, por isso a irregularidade não os afeta. Nos domicílios mais pobres, onde o abastecimento de água é irregular, a utilização de reservatórios como caixas d'água, cisternas, tambores, potes, cria as condições ambientais para um maior número de criadouros potenciais que poderiam incrementar a sobrevivência do Aedes aegypti.

Dengue; Abastecimento de Água; Antropologia; Entomologia


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