Experiência de mulheres com cesariana no Uruguai: o direito a estar acompanhada por uma pessoa de sua confiança e as dificuldades no seu cumprimento

Carolina Farías Alejandra López Gómez Sobre os autores

O objetivo deste artigo é analisar o acompanhamento durante a cesariana, por parte de uma pessoa de confiança da mulher, consignado pela Lei nº 17.386 de “parto assistido”, adotada no Uruguai no ano de 2001. Os resultados fazem parte de uma pesquisa maior sobre a experiência e o significado da cesariana para as mulheres que passaram por esta experiência. Para esse fim, foi escolhida uma metodologia qualitativa de caráter exploratório e descritivo. A técnica utilizada foi a entrevista en profundidade, realizada em um total de 31 mulheres, cujas cesarianas tiveram lugar na sua primeira gestação, em Montevidéu e área metropolitana (Uruguai). A partir dos resultados obtidos, concluiu-se que o acompanhamento no processo de trabalho de parto e nascimento é experimentado pelas mulheres como um fator de proteção emocional ante as ansiedades que geram a experiência de uma cirurgia maior como a cesariana. No entanto, para as mulheres entrevistadas, o “acompanhamento” ao invés de continuo foi caracterizado por uma série de separações, tanto de seus acompanhantes, como de seus filhos/as, o qual provocou ansiedade, aflição, sentimentos de ambivalência em relação ao recém-nascido, dificuldades no estabelecimento do vínculo materno, especialmente no puerpério imediato.

Saúde Reprodutiva; Cesárea; Trabalho de Parto


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