Resumo
Este estudo buscou avaliar a associação da insegurança alimentar e obesidade em chefes de família adultos, considerando as diferenças entre homens e mulheres. Caracteriza-se como estudo transversal com dados do I Inquérito sobre a Insegurança Alimentar no Município do Rio de Janeiro. Foram analisados os indivíduos adultos (20-59 anos) responsáveis pelos domicílios (n = 1.026). A Escala Brasileira de Insegurança Alimentar foi utilizada para avaliar a segurança alimentar e os níveis de insegurança alimentar (leve e moderada/grave). As medidas de peso e estatura autorreferidas foram utilizadas para estimar a obesidade avaliada pelo índice de massa corporal. As associações entre os níveis de insegurança alimentar das famílias e a obesidade foram estimadas por modelos logísticos multinomiais (razão de risco relativo - RRR - e respectivos intervalos de confiança - IC95%), utilizando-se o software Stata. As mulheres com insegurança alimentar leve (RRR = 2,8; IC95%: 1,3-5,8) e insegurança alimentar moderada/grave (RRR = 2,5; IC95%: 1,0-6,4) tiveram maior risco de obesidade. A insegurança alimentar foi um fator de risco para obesidade somente entre as mulheres, sem resultado estatisticamente significativo entre os homens, evidenciando como a desigualdade de gênero amplia os efeitos adversos da insegurança alimentar das famílias chefiadas por mulheres, com comprometimento da qualidade e quantidade da sua alimentação.
Palavras-chave:
Obesidade; Insegurança Alimentar; Fome; Gênero
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Fonte: elaboração própria. Nota: segurança alimentar e níveis de insegurança alimentar são classificadas de acordo com a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA)