Resumo
Se os Lusíadas tiveram a primeira versão completa em língua italiana em 1658, a poesia lírica deveria esperar pelo séc. XVII para ser incluída em florilégios poéticos em tradução. Acompanhando as fases de “sístole” e “diástole” do corpus lírico camoniano, tendo na monumental edição de 1913 de Tommaso Cannizzaro a expressão mais eloquente do interesse dos intelectuais italianos relativamente à produção lírica do poeta português, a apreciação da poesia de Camões em Itália parece essencialmente circunscrita à forma soneto e especificamente inclinada a encontrar e enaltecer os ecos petrarquescos. A minha intervenção visa, pois, inventariar (quanto possível) as traduções italianas da produção lírica do poeta português, refletindo também sobre a sua receção e sobre questões relativas ao corpus, à edição e às estratégias tradutivas.
Palavras-chave
Luís de Camões; poesia lírica; tradução literária; crítica de tradução; recepção
Abstract
If the Lusiads had its first complete version in Italian in 1658, lyric poetry had to wait until the 17th century to be included in translated poetic florilegia. Following the phases of “systole” and “diastole” of Camões’ lyrical corpus and having in Tommaso Cannizzaro’s monumental 1913 edition the most eloquent expression of the Italian intellectuals’ interest in the Portuguese poet’s lyrical production, the appreciation of Camões’ poetry in Italy seems essentially limited to the sonnet form and specifically inclined to detect and exalt the Petrarchan echoes. My intervention aims, therefore, to inventory (as much as possible) the Italian translations of the lyric production of the Portuguese poet, reflecting also on its reception and on issues related to the corpus, the edition and the translation strategies.
Keywords
Luís de Camões; lyric poetry; literary translation; translation criticism; reception
O estudioso que hoje se debruça sobre a circulação das obras camonianas em Itália ainda não pode prescindir de consultar os Catálogos de Manuppella (1972) e de José Vitorino de Pina Martins (1975), para obter as primárias e básicas informações sobre edições, traduções, reformulações em Itália das obras daquele que foi considerado o Príncipe dos poetas portugueses. Claro que a pesquisa, conduzida a partir destes dois imprescindíveis instrumentos, deverá ser integrada com outras fontes que digam respeito a épocas posteriores aos anos Setenta do século passado. Nesse campo, porém, o investigador não será ajudado por catálogos que recolham dados novos, mas deverá consultar os ensaios académicos que, tanto em Portugal como em Itália, se têm produzido a partir dos anos aos Oitenta: desde as contribuições contidas nos dois números da revista Quaderni portoghesi (n.os 6, 1979; 7–8, 1980), ao volume de Henrique de Almeida Chaves (2001), passando pelas várias entradas do Dicionário de Luís de Camões (2011) organizado pelo saudoso Professor Aguiar e Silva, até às numerosas intervenções dispersas nas revistas científicas ou disponibilizadas online, levadas a cabo por investigadores italianos e portugueses1.
Tratar da circulação da poesia camoniana em língua estrangeira – mesmo restringindo-se, como nestas breves páginas, ao âmbito da língua italiana – implica a consideração de diversos planos de reflexão. Tal abordagem conduz-nos, com efeito, a interrogar questões de natureza textual (quanto conheciam e conhecem os italianos acerca das problemáticas relativas ao corpus poético de Camões e à organização estrutural do seu livro de poesia?); de natureza literária (até que ponto a receção da sua poesia permaneceu circunscrita ao âmbito do petrarquismo e sobre quais composições líricas incidiu maior interesse?); de ordem editorial e de público-alvo (que lugar ocuparam as traduções dos versos camonianos? conseguiu a sua lírica integrar o polissistema literário italiano?); e, finalmente, de ordem tradutológica (de que modo os diversos tradutores abordaram a poesia camoniana?). Nestas poucas páginas tentarei refletir sobre estes aspetos, partindo do levantamento diacrónico das traduções que consegui recolher, resumido no Apêndice deste estudo preliminar sobre a questão.
Relativamente à receção da poesia lírica camoniana em Itália, dando uma vista de olhos pelas edições que a incluem, sobressai um aspeto: o interesse que se foi desenvolvendo pelo Camões épico (no bem e no mal, com detratores e apreciadores) não suscitou um igual interesse pela sua faceta mais propriamente lírica. Efetivamente, se Os Lusíadas tiveram uma tradução para italiano relativamente precoce (a de 1658 por Carlo Antonio Paggi)2, para a primeira tradução da lírica camoniana será preciso esperar pelo séc. XVII, quando Giulio Cesare Becelli inclui, em 1732, a sua própria versão italiana de dois sonetos (“Alma minha gentil que te partiste” e “Sete anos de pastor Jacob servia”), no seu ensaio “Sulla novella poesia”, publicado em Verona – uma sede algo periférica, se pensarmos nos centros universitários e culturais vizinhos de Pádua e de Veneza. Camões é chamado em causa por Becelli no Livro III, no qual o seu discurso sobre a lírica italiana se abre em perspetiva comparativa com as produções francesas e espanholas. É justamente por conseguir equilibrar a agudeza espanhola e a delicadeza francesa que Camões é considerado por Becelli muito próximo do “fare italiano”, tanto que ele mesmo admite não encontrar “nelle forastiere poesie alcuno che alle nostre italiane più s’assomigli, o nella rotondità e corrispondenza del concetto, o in altro” (Becelli, 1732, p. 302).
Depois desta primeira pequena amostra, será preciso esperar pelo final do século para outra inclusão de Camões num florilégio de traduções de autores ibéricos, levado a cabo pelo catalão – mas palermitano de nascença – Juan Francisco Masdeu (Poesie di ventidue autori spagnuoli), publicado em Roma por Pier Luigi Perego Salvioni em 1786, e dedicado ao Cardeal e bibliófilo espanhol Francisco Javier de Zelanda. Nesta antologia, o tradutor dedica a questões editoriais parte do prefácio, lamentando não só a falta de conhecimento de autores ibéricos pelos intelectuais italianos, mas sobretudo a falta de consideração de que esses mesmos autores são alvo na Península italiana. Por isso, chega à conclusão de que “la miglior difesa di tutte sia quella di presentarli in abbigliamento italiano, onde l’Italia li legga e li conosca” (Masdeu, 1786, p. 17)3. Ao lado de Garcilaso, Boscán, Góngora, Quevedo, Ercilla e outros, como único representante do côté português, o tradutor inclui Camões – de quem escolhe apresentar, além de alguns episódios dos Lusíadas, quatro sonetos: “Esforço grande igual ao pensamento”, “Amor é fogo que arde sem se ver”, “Sete anos de pastor Jacob servia” e “Alma minha gentil que te partiste”.
Com estas primeiras duas apresentações da poesia camoniana em italiano, estabelece-se, igualmente, uma constante na sua divulgação: a marcada predileção pela forma soneto e a praticamente contínua inclusão do soneto “Alma minha gentil”. Afirma, de facto, Celani (2014):
Alma minha gentil que te partiste risulta essere uno dei sonetti in assoluto più antologizzati e citati, ma anche uno dei più tradotti in italiano. Tra il 1732 e il 2004 ne abbiamo infatti, secondo una stima approssimativa, più di venti versioni in italiano [...], eseguite da almeno dieci diversi traduttori
(Celani, 2014, p. 50).
Mas, consultando a Tabela 1 no Apêndice, poder-se-á constatar que “Sete anos de pastor Jacob servia” é outro soneto que quase nunca falta nos florilégios em italiano. Para além disso, a predileção pela forma soneto contribui para fixar de modo quase indelével o vínculo de parentesco entre Camões e Petrarca4, vínculo que condicionará qualquer leitura dos versos não épicos camonianos, até aos nossos dias. Ao lado do binómio Camões-Tasso, a receção da lírica camoniana, especialmente em Itália, processa-se através da sua inclusão quase exclusiva no horizonte do petrarquismo.
Se, como vimos, no prefácio de Masdeu notava-se uma incipiente reflexão sobre a receção da lírica ibérica (e, portanto, também camoniana) em Itália, em contrapartida nota-se que a discussão sobre o corpus textual do poeta é bastante tardia, como tardio é o retorno à tradução da lírica camoniana em Itália. Deveremos, de facto, esperar pela segunda metade do séc. XIX para voltarmos a ler um verso de Camões na língua de Dante. E este fenómeno levanta algumas perplexidades, visto como a intelectualidade italiana se aproveitara da figura de Camões na primeira metade desse século (Tocco, 2013). De facto, durante as primeiras décadas do séc. XIX, assistimos em Itália a um uso instrumental da biografia camoniana em prol da formação de um sentimento nacionalista útil à causa unionista do Risorgimento, com uma presença significativa de obras dramáticas e melodramáticas centradas nos últimos dias da vida do poeta, e com uma importante difusão (até pirata) das traduções do poema épico (lido como texto patriótico): Camões, como estava a acontecer no seu próprio espaço político-cultural de origem, também em Itália se transformou, nestes anos, num tema (Anastácio, 2010, p. 70). Neste contexto, pois, é estranho que a poesia lírica não tenha merecido análoga atenção, apesar de – potencialmente – poder fornecer materiais (auto)biográficos úteis a corroborar justamente as vertentes funcionais à imagem que se queria propor do poeta. Até à unidade de Itália de 1861, saíram três versões integrais do poema épico (1804, anónima; 1814, por Nervi, várias vezes editada5; 1826, por Briccolani), ao passo que, para uma apresentação mais consistente de traduções da lírica, depois das experiências do séc. XVII, teríamos de esperar até à segunda metade do século seguinte para finalmente dispormos, na língua de Dante, de uma amostra mais significativa de traduções. Abrem, de facto, um renovado e mais sólido interesse relativo à lírica camoniana as propostas de Marco Antonio Canini, de um lado, e sobretudo de Prospero Peragallo, do outro, a partir de 1885.
Marco Antonio Canini, “studioso, sia pur discusso e talora controverso, di numerose lingue e letterature straniere, parecchie delle quali imparate in loco durante le sue diverse peregrinazioni europee, spesso forzate dalle contingenze politiche” (Rigobon, 2019, p. 100), primeiro docente de Literatura espanhola na Universidade de Veneza, polemista e excêntrico, publica cinco volumes de lírica amorosa italiana e estrangeira, por ele traduzida de várias línguas ocidentais e orientais. Recolhe as composições por tema, divididos em cinco volumes. No que diz respeito à área que nos interessa aqui, até chega a afirmar, na introdução ao primeiro volume, que “l’ungherese e la portoghese sono ora le prime letterature nella poesia d’amore” (Canini, 1885, p. XXXVII), mas não inclui um número consistente de composições na língua de Luso (como era de esperar), e Camões é presente ao longo das centenas de páginas de que consta a antologia só com 7 composições: nos volumes I (2 sonetos, um excerto da elegia “Aquele mover d’olhos excelente”, 2 composições em medida velha), III (excerto da canção “Junto de um seco, fero, estéril monte”), V (1 soneto). Os volumes da antologia saem todos em Veneza, por tipógrafos diversos, em língua italiana (sem textos originais à frente), e são pensados e dirigidos para um público marcadamente italiano.
Pelo contrário, Prospero Peragallo elabora e publica a maioria das suas versões italianas de lírica camoniana e de outros autores aquando da sua permanência em Lisboa6. Os paratextos destas edições (de 1885, 1890 e 1892) são redigidos em português, e os volumes (o primeiro em tiragem de 170 exemplares, conforme se lê no verso do frontispício) são todos editados em Lisboa, tendo saído os de 1890 e 1892 dos prestigiados prelos da Imprensa Nacional7. Por isso impõe-se a pergunta: a quem é que se dirigia Peragallo? Qual era o seu leitor modelo, o seu público-alvo? Possivelmente, a comunidade italiana recolhida em volta da Igreja do Loreto, de que ele foi prior de 1865 a 1896 (Rosa, 2006); mas também talvez a comunidade intelectual portuguesa, composta majoritariamente pelos homens da Geração de Setenta, os quais manifestaram, nas últimas décadas de Oitocentos, uma forte tendência poliglota, organizando antologias e volumes individuais contendo composições traduzidas em numerosas línguas e até dialetos.
Nesse âmbito, é preciso recordar o volume organizado por Xavier da Cunha, Pretidão de amor (1893), que recolhia dezenas e dezenas de traduções em inúmeras línguas e dialetos das famosas “Endechas a Bárbara escrava” de Camões: pelo que diz respeito à área do italiano, foram incluídas 5 traduções para a língua de Dante, e muitas outras para dialetos italianos (siciliano, napolitano, milanês etc.). Entre os cinco tradutores para italiano também constava o próprio Peragallo, ao lado de Tommaso Cannizzaro – que viria a ser o mais aplicado divulgador dos sonetos camonianos em Itália e que se ocupou, para o volume em questão, também da versão em dialeto siciliano. O facto de que Peragallo inclua também as variantes das suas versões poderia confirmar a hipótese de que se dirigisse também aos membros, estrangeiros e portugueses, que constituíam aquela rica rede de lusófilos, linguistas e cultores de literatura que na altura visavam a estreitar relações transnacionais (Ragusa & Girotto, 2024; Tocco, 2024).
As antologias de Peragallo de 1890 e 1892 saíram num quadro comemorativo de celebrações do tricentenário camoniano. De facto, na “Justificação da tiragem” de ambas afirma-se: “Esta edição, commemorativa do decimo anniversario do Tricentenario de Camões [...]”. A tiragem das duas edições foi de 150 exemplares – o que parece mais uma vez corroborar a ideia de que estas traduções tenham nascido para um público selecionado, composto por italianos em Portugal e por eruditos que até desejavam manter vivo o interesse por Camões, fortemente estimulado, dez anos antes, pelo Tricentenário. Não é de esquecer que seja Peragallo seja, mais tarde, Tommaso Cannizzaro privavam com Joaquim de Araújo, o qual não apenas foi o propulsor da revista Círculo camoniano do Porto, mas também – durante o exercício das suas funções diplomáticas em Itália (1894-1913) – foi o catalizador do interesse pela cultura portuguesa na Península italiana, tecendo e mantendo uma maciça rede de relações com os intelectuais italianos (Ferreira de Brito, 2000, p. 260-280).
Não é por acaso que em Nápoles tenha sido fundada, no início do séc. XX, a Società Luigi Camoens, por iniciativa de Antonio Padula, que também pertencia às relações de Araújo. As traduções de Peragallo são precedidas apenas por breves palavras (em português, como já se referiu) de elogio ao poeta lusitano, de admiração pela elegância estilística das suas composições e de amor do tradutor ao país que o acolheu: nenhuma menção à questão autoral ou à organização dos poemas. Todavia, o prior italiano da Igreja do Loreto será o primeiro a tentar apresentar Camões duma forma mais completa e ligeiramente complexa: no volume de 1892, de facto, ultrapassa a tirania dos sonetos para se debruçar na tradução de três redondilhas, uma ode e uma canção – obviamente, ao lado de algumas oitavas dos Lusíadas (o episódio da “fermosíssima Maria”) e de alguns indefectíveis sonetos.
Com o trabalho de Tommaso Cannizzaro retorna-se a falar diretamente ao público italiano, publicando em Itália e na língua de Dante também os paratextos. E a propósito disso, o primeiro a mencionar a questão autoral e a dar conta de todo o trabalho crítico e ecdótico sobre a lírica portuguesa das origens desenvolvido pelos filólogos nas décadas precedentes foi justamente Tommaso Cannizzaro, na sua edição dos sonetos camonianos de 1913 (Morabito, 1995, 2023)8. Nota-se, de facto, que até finais do séc. XIX os paratextos nunca mencionam a questão do corpus da lírica, nem se preocupam de fornecer qualquer indício sobre a eventual organização das composições – se bem que a comunidade intelectual pudesse ter tido acesso a essa discussão, levantada, pelo menos, a partir da publicação das Rimas de Camões comentadas por Manuel Faria e Sousa (saídas já após a morte do polígrafo barroco, em 1685-88). Era (e é) conhecida, de facto, a nota do ponto 20 do I volume e o comentário à canção VII “Manda-me amor que cante docemente”, na qual o crítico medita e discute a ordem em que deviam ser colocadas as composições camonianas.
Como já tratei noutro contexto (Tocco, 2016), o volume das Rhytmas de Camões de 1595 serve de modelo formal para a estruturação do livro de poesia em Portugal, privilegiando – daí em diante – a sequência por formas, deixando em segundo plano ou circunscrita a determinados géneros (geralmente, os sonetos) a estruturação narrativa ou por temas das composições. Porém, Faria e Sousa – mesmo não alterando a sequência por formas dos materiais poéticos conhecidos e publicados em edições anteriores – repara que muitas composições camonianas, se dispostas noutra ordem, proporcionariam uma leitura narrativa dos casos amorosos e existenciais do poeta, e decide atribuir uma ordenação por temas àqueles textos, até à altura inéditos, que ele acrescenta na sua própria edição. Aliás, é mais do que provável que Camões tenha concebido uma organização específica da sua produção lírica, como o demonstra o soneto de inequívoco caráter proemial “Enquanto quis fortuna que tivesse” (cuja atribuição camoniana nunca foi posta em dúvida). A referência à leitura do livro (“quando lerdes / num livro casos tão diversos”, v. 10) – onde livro, nesta tradição, indicava justamente o volume organizado de composições poéticas (livro de poesia) – pode ser considerada mais um elemento a favor da ideia de que Camões tivesse efetivamente estruturado as suas composições9: claro que não sabemos segundo qual modelo, nem sabemos a que ponto deste trabalho teria chegado, antes que o suposto Parnaso desaparecesse.
A operação de Cannizzaro apresenta-se, pois, como a primeira tentativa de pôr a comunidade italiana a par das discussões em volta da obra lírica camoniana. Nesse sentido, é interessante observar uma certa contradição na sua decisão de apresentar ao público da Península Itálica apenas os sonetos – neste caso, todos aqueles que a tradição atribuía a Camões: “Noi abbiamo stimato opportuno tradurli tutti, non volendo defraudare il lettore di nessuno dei sonetti che sono stati compresi finora nella produzione lirica di Camões”, revela no seu prefácio “A chi legge” (Cannizzaro, 1913, p. 11). Antes desta afirmação, elenca os manuscritos que contêm lírica atribuída ao poeta, cita o labor de Carolina Michaëlis na discriminação entre o que podia ser atribuído a Camões e o que de Camões decerto não era, dando prova de conhecer – e bem – o estado da questão.
Ao mesmo tempo que escolhe não eliminar do corpus os sonetos de que os críticos duvidavam a autoria camoniana, o seu rigor filológico leva-o, de qualquer modo, a dar conta ao leitor da varia lectio de algumas composições e dos cancioneiros, e a declarar de qual texto-base partiu para aprontar as suas traduções: a edição de Teófilo Braga de 1873. Fazendo votos de que a Sr.a D.a Carolina Michaëlis de Vasconcelos cedo publique uma edição “veramente purgata, corretta e genuina non solo dei Sonetti ma di tutte le rime di Camões” (Cannizzaro, 1913, p. 13), Cannizzaro enumera os sonetos até à altura considerados autênticos, e em nota de rodapé indica a atribuição a outros autores daqueles sonetos que – apesar de tudo – decide incluir na sua edição e traduzir. Mas a sua apresentação vai além disso: oferece ao leitor italiano a primeira apreciação crítica e estilística acerca da forma soneto tanto em Camões como nos outros poetas a ele contemporâneos. Também a discussão sobre a estruturação dos textos se verifica pela primeira vez com ele, na língua de Dante. Contando com o apoio científico de Carolina Michaëlis, a qual, numa das cartas que os dois se trocaram, aprova “o seu plano de dispor os Sonetos segundo os assuntos, relegando a um Apêndice os duvidosos” (Morabito, 2023, p. 191), Cannizzaro, apesar de seguir a ordem presente na edição tomada por base (isto é, a de Teófilo Braga, de 1873, como já foi recordado), oferece também um “indice disposto per categorie di soggetti” (Cannizzaro, 1913, p. 17)10, fornecendo, desta forma, instrumentos críticos para ultrapassar o simples binómio Camões-Petrarca que tinha sido, como já disse, o fio constante na apreciação da lírica do poeta português. Aliás, à imitação petrarquesca Cannizzaro reserva palavras muito ponderadas, alargando o âmbito das relações intertextuais a outros modelos líricos aos quais Camões se podia eventualmente ter inspirado.
Depois do grande esforço do intelectual siciliano, saído dos prelos da prestigiada, e muito difundida no País, editora Laterza de Bari, a circulação da poesia camoniana vai ficando cada vez mais limitada ao ambiente académico. Só em 1951, sai uma antologia de lírica camoniana organizada pelo filólogo Silvio Pellegrini: os textos, porém, são apresentados apenas na língua original e comentados em italiano11. Isto identifica o público-alvo da edição de Pellegrini como um círculo muito selecionado de estudiosos. Na verdade, os estudos críticos dedicados à vertente lírica de Camões multiplicaram-se entre as décadas de 30 e 50 do séc. XX, procurando, por um lado, restituir a tradicional imagem schlegeliana e romântica do poeta português, e, por outro, integrar a sua obra no contexto das fontes trovadorescas e petrarquistas europeias. Entre os nomes mais relevantes desse período contam-se, por exemplo, Camillo Guerrieri Crocetti (1938), Arturo Farinelli (1940, 1948), e Giuseppe Carlo Rossi, o primeiro titular em Itália de uma cátedra de Literatura Portuguesa, na Universidade de Nápoles, e autor de numerosos trabalhos (que não cabe enumerar aqui)12. É neste contexto que saem também as Pagine della letteratura portoghese (1955) selecionadas por Pasquale A. Jannini, volume que oferece uma amostra eclética de prosas e poesias portuguesas das origens à contemporaneidade, fornecendo a tradução de apenas três sonetos camonianos, dos menos conhecidos e comentados.
De qualquer modo, o interesse académico e científico crescente pela poesia portuguesa levará Leo Negrelli a dedicar-se ao estudo da forma soneto, e a fornecer uma seleção de sonetos portugueses desde Sá de Miranda até Miguel Torga. Na realidade, Negrelli (1964, p. 6) admitia que a sua publicação não pretendia ser “un’opera di erudizione e nemmeno di critica letteraria”, querendo apenas dar a “conoscere al pubblico italiano, in larga sintesi, la produzione sonettistica della più occidentale delle nazioni neolatine”. Quanto a Camões, inclui a tradução de sete sonetos retirados da edição das Rimas levada a cabo, em 1944, por Álvaro Júlio da Costa Pimpão. Publicado “sotto gli auspici dell’Instituto de Alta Cultura di Lisbona”, mas pensado em Itália para o público italiano, o volume de Negrelli inclui versões que, se comparadas com as anteriores produzidas por Peragallo ou Cannizzaro, mais se parecem com traduções de serviço do que com verdadeiras reproposições dos versos elegantes e musicais da pena camoniana. Frequentemente hipermétricos ou hipométricos, os sonetos de Camões surgem desfigurados em ritmo, prosódia, cesuras. Negrelli apenas mantém a rima e a forma soneto: o resto – o essencial – fica como resíduo, irremediavelmente inexprimido na língua italiana.
O volume que mais proporciona a um público italófono uma amostra rica, ponderada, documentada e até comentada da lírica camoniana é, sem dúvida, o proposto pelo então diretor do Instituto Italiano de Cultura de Lisboa Riccardo Averini. De facto, a antologia da lírica camoniana é publicada pelos prelos do próprio Instituto, como número especial (o número 41) da revista Estudos italianos em Portugal (Averini, 1979)13, dedicado às celebrações do quarto centenário da morte do Poeta. Averini, que no âmbito das celebrações do quarto centenário da publicação dos Lusíadas, em 1972 tinha aprontado a tradução do poema, pela qual lhe foi atribuído, póstumo, o prémio Monselice para a Tradução literária, neste caso dedica-se às líricas.
O volume organizado por Averini oferece uma articulada amostra de todos os géneros tocados pela fértil pena do poeta renascentista (22 redondilhas, 51 sonetos, 4 canções, 4 odes, 2 éclogas, 1 elegia, 1 sextina), acompanhada por uma ampla introdução geral, na qual dá conta das discussões acerca do corpus, fornece informações sobre a tradição manuscrita e sobre a tradução impressa até aos dias contemporâneos, e na qual discute também do seu próprio método tradutivo. Cada secção de poesias é aberta, ainda, por uma específica premissa, e cada poesia é enriquecida de notas e comentários. O que é particularmente digno de nota é que Averini inclui no volume uma extensa antologia da crítica (de Feliciano Ramos a José Hermano Saraiva), apresentada, todavia, exclusivamente em português. Isto, como já aconteceu anteriormente, indica que o principal público-alvo a que o volume era destinado era justamente (e mais uma vez) não os estudantes, estudiosos ou curiosos italianos em Itália, mas sim a comunidade italiana em Portugal14, ou – quando muito – um círculo restrito de leitores, fora de Portugal, sabedores das duas línguas.
Uma operação semelhante será levada a cabo mais recentemente, já no novo milénio, num momento em que Lisboa e Portugal começaram a ser meta privilegiada de turistas de todos os cantos da Europa e do mundo. Nesse contexto de boom turístico opera a casa editora Lisbon Poets & Co. (Shantarin), especialmente dedicada à divulgação em Portugal da literatura, das artes, da história e do património portugueses em várias línguas estrangeiras. Do seu catálogo consta também um volume dedicado a Camões, mas apenas na versão português-inglês15. Todavia, o nosso Poeta aparece representado também em italiano na antologia que tem como título Poeti di Lisbona (Russo, 2016) e que inclui, para além de Camões, também Cesário Verde, Florbela Espanca, Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa; “cinque poeti-mito, poeti-monumenti della Nazione” (Russo, 2016, p. 9). Do poeta renascentista, ao lado de umas oitavas (poucas) de Os Lusíadas, constam apenas cinco sonetos, com um enquadramento essencial e muito genérico sobre o autor. Claro que este volume nada tem de comparável com a operação cultural, filológica, tradutológica que Averini desenvolveu em finais dos anos 1970 (ou até Peragallo, em finais de 1800, ou Cannizzaro na alvorada do séc. XX), mas representa uma saudável tendência do mercado editorial português, que pensa e quer cativar um público estrangeiro residente ou de passagem por Portugal, fornecendo-lhe instrumentos de interpretação da identidade cultural do País16.
Em Itália, entretanto, embora as comemorações do quarto centenário da morte de Camões (1980) tenham passado praticamente em silêncio no que respeita às traduções da sua lírica, Camões (e outros poetas a ele contemporâneos) são recordados a propósito de outra efeméride: a do sétimo centenário do nascimento de Francesco Petrarca. Em 2004, de facto, saem duas publicações (uma em revista, outra em volume) nas quais se aborda a historiografia crítica do petrarquismo português entre os petrarquismos europeus, acompanhando tais considerações por uma breve antologia de textos com tradução, entre os quais – obviamente – constam poemas camonianos, ao lado de outros testemunhos de Sá de Miranda, Bernardes, Ferreira etc. Ambas as publicações visam um público italiano sensível a tais problemáticas, em particular às de literatura comparada. A principal diferença entre as duas diz respeito ao modus traducendi dos organizadores, pois Roberto Mulinacci (2004) procede, do ponto de vista formal, tentando manter apenas o decassílabo da forma soneto, sem forçar o verso à rima, concentrando-se na restituição do ritmo e da mensagem; eu própria, pelo contrário, procuro respeitar não apenas as ideias chave dos poemas como também a estrutura métrica canónica do soneto, restituindo verso, rima, ritmo (Tocco, 2004).
Mas, à parte destas celebrações, que lançam na ribalta internacional a literatura petrarquista portuguesa, outro projeto, em 2004, divulga a poesia em língua portuguesa entre o grande público italiano: trata-se da antologia de poesia que saiu com o diário La Repubblica. Aí, a conceituada lusitanista italiana Luciana Stegagno Picchio apresenta uma escolha ponderada e canónica de poesias em língua portuguesa. No que diz respeito a Camões, são incluídas traduções velhas (Averini) e novas (levadas a cabo por ela própria ou por Renata Cusmai Berardinelli).
Apesar de todas estas tentativas de divulgação, os versos de Camões não conseguem entrar de forma estável e séria no polissistema italiano, apesar de suscitar interesse no ambiente académico, pelo menos: com o desenvolvimento dos Estudos portugueses nas universidades italianas, de facto, a necessidade de apetrechar de instrumentos científicos as novas cátedras e os novos alunos levou à produção de antologias e manuais de literatura. Sem me dedicar à resenha dos manuais que incluem também traduções de líricas ou excertos de prosa, é de realçar a ampla antologia realizada por Giovanni Ricciardi e Roberto Barchiesi, em Nápoles, que inclui poemas camonianos – servindo-se, na maioria dos casos, de traduções já anteriormente realizadas por vários tradutores (no caso de Camões, por Averini e Cannizzaro). A circulação deste instrumento didático manteve-se, porém, bastante reduzida.
Mais recentemente, saiu dos prelos da Valigie Rosse, uma pequena editora independente que se interessa por poesia internacional, outra antologia, desta vez circunscrita aos sonetos de Camões. Trata-se de D’amor sì dolcemente, na qual Federico Bertolazzi apresenta a um público italiano heterogéneo17 a seleção que o poeta Eugénio de Andrade tinha realizado em 2000, com a chancela da Assírio & Alvim. Com esta publicação verifica-se um regresso ao soneto como expressão exclusiva da lírica camoniana e um retorno a Petrarca como subtexto e intertexto preponderante, evidenciado até na própria sequência dos sonetos: a organização narrativa deles, de facto, remete para a estruturação biográfica do Canzoniere.
Para concluirmos estas considerações ainda incipientes, pode afirmar-se que a receção da lírica camoniana em Itália se processa, em grande medida, através do filtro da antologia. Com exceção dos trabalhos de Peragallo, Cannizzaro, Averini ou Bertolazzi, que apresentam florilégios exclusivamente camonianos, o Camões lírico aparece, de facto, em antologias coletivas – “programáticas” ou “panorâmicas” (Russo, 2012, p. 89). Nessas antologias, os organizadores procuraram oferecer um leque mais ou menos amplo da poesia portuguesa: desde as antologias generalistas – que abrangem diacronicamente toda a periodização literária, das origens à contemporaneidade, como a de Stegagno Picchio – até antologias que reúnem diversos géneros textuais (prosa, ensaio, poesia), como as de Jannini; passando por antologias pedagógico-didáticas, como a de Ricciardi e Barchiesi; ou antologias setoriais, como a de Negrelli. Em todas elas, nunca faltam algumas poesias camonianas. De qualquer modo, e apesar dos esforços empreendidos até agora, sob a abóbada cultural da Itália, o Camões épico continua a fazer sombra ao Camões lírico.
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Conjunto de dados de pesquisa
Não se aplica.
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Financiamento
Não se aplica.
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Consentimento de uso de imagem
Não se aplica.
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Aprovação de comitê de ética em pesquisa
Não se aplica.
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Edição da seção
Andréia Guerini – Willian Moura
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Normalização
Alice S. Rezende – Ingrid Bignardi – João G. P. Silveira – Kamila Oliveira
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Lembro aqui apenas duas contribuições especificamente sobre a tradução para italiano da lírica camoniana: Sacco (2007) e Celani (2014). Mas não se podem esquecer os vários estudos críticos, como os volumes de Comentário a Camões, coordenados por Rita Marnoto e publicados no âmbito do Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos de Coimbra e o Centre d’Études Lusophones de Genebra (consultáveis a partir da página https://ciep-ge.com/camoniana), pois para esses volumes contribuíram também estudiosos italianos (Barbara Spaggiari, Maurizio Perugi, Roberto Gigliucci, Clelia Bettini, Valeria Tocco). Também é bem lembrar os volumes da edição crítica da lírica de Camões que o mesmo centro de investigação suíço está a produzir em língua italiana (dos quais saíram os dedicados às Redondilhas, às Oitavas, às Odes preparados por Barbara Spaggiari, e os dedicados aos Sonetos, às Canções, às Elegias, às Éclogas organizados por Maurizio Perugi). Os mencionados volumes estão disponíveis em livre acesso através da página https://ciep-ge.com/editions-critiques. Importa igualmente recordar o contributo decisivo dos filólogos românicos italianos para os estudos camonianos desenvolvidos em Itália, sobretudo entre meados e finais do séc. XX. A sua atenção incidiu, em grande medida, sobre a épica (cf. Roncaglia, 1975; Tavani, 1981); contudo, autores como Luciana Stegagno Picchio distinguiram-se pela publicação de importantes e numerosos ensaios sobre a lírica (veja-se, por exemplo, Stegagno Picchio, 1997, 2004). A leitura atenta da bibliografia da lusitanista italiana basta, aliás, para evidenciar a amplitude e a fecundidade da sua produção científica camoniana (Lancastre et al., 1999).
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Todavia, recentemente, foi identificada e estudada uma versão abreviada em italiano dos Lusíadas, realizada a partir da tradução castelhana do poema e inserida no canto X do poema America de Girolamo Bartolomei. Esta redução, datável de cerca de 1650 – portanto anterior à tradução integral de Paggi –, foi analisada por Artico (2021). A existência desta tradução-síntese comprova o interesse do público italiano pela epopeia camoniana e revela que nos círculos literários da Península Itálica, circulava não tanto (ou não apenas) o texto português original dos Lusíadas, quanto as suas versões castelhanas.
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É útil saber que todos os paratextos que constituem o livro são bilingues: lado a lado, espanhol (castelhano) e italiano. A página mencionada acima diz respeito à versão italiana da “Prefazione del traduttore”. Masdeu era conhecido também com o nome arcádico de Sibari Tessalicense.
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Tomando só em consideração as antologias que apresentam traduções, lembremos o que Becelli (1732, p. 302) afirmava: “Per lo chè io certamente credo, o che il Camões a la vena del Petrarca bevesse leggendolo e rileggendolo, o che le stesse misure che lui, nella facoltà intellettiva avesse di poeticamente pensare o accozzare le idee”.
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Entre edições autorizadas e não autorizadas, a tradução de Nervi é reproposta em 1821, 1828, 1830, 1847 e 1882 (Tocco, 2011; Almeida 2015).
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Todavia, já de volta a Génova em 1896, Peragallo publicará um ramalhete de traduções sevilhanas e portuguesas por ocasião do casamento do sobrinho, no qual figuram versões de alguns sonetos e outros versos camonianos (Peragallo 1900).
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Apesar disso, Marcello Sacco (2007, p. 160) conclui que a atividade tradutiva de Peragallo, faltando-lhe, na sua opinião, “um estímulo e uma editora maiores”, talvez não tenha passado “de um divertissement”.
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Antes da publicação de 1913, Tommaso Cannizzaro tinha recolhido umas amostras das suas traduções camonianas para italiano e para o dialeto siciliano na segunda série dos seus ensaios de tradução poética, Fiori d’oltralpe (1893). E, ainda, 48 dos sonetos que confluirão na edição de Bari serão publicados como apêndice do ensaio de Antonio Padula, Camoens petrarchista (1904).
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Outro elemento a ter em consideração é a recorrência de determinadas sequências de sonetos, copiados sempre na mesma ordem em vários cancioneiros manuscritos, como apontou Askins (1979). Tal regularidade reforça a hipótese da existência de um antecedente comum (autógrafo?) que apresentaria esta mesma disposição.
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Os macrotemas em que estão divididos os sonetos são os seguintes: I. Amor, beleza e obstáculos; II. Tristeza e saudade do bem perdido; III. Dedicatórias e elogios a contemporâneos do Poeta; IV. Recordações históricas e mitológicas; V. Descrições e fantasias; VI. Sátiras e brincadeiras; VII. Reflexões morais; VIII. Matéria religiosa.
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Cf. Pellegrini (1951). Só depois da sua morte, se descobriram e se publicaram) algumas traduções de poesia camoniana que o ilustre filólogo tinha elaborado ao longo da sua carreira (Pellegrini, 1978-1979).
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Não esqueçamos também o trabalho de divulgação de Giacomo Prampolini, o qual nos seus sete volumes da Storia universale della letteratura (1959-1961) inclui muitas referências à cultura lusófona (portuguesa e brasileira).
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Junto com esse volume, imprimir-se-á também um suplemento em formato menor, contendo os textos originais dos poemas traduzidos (Dalle rime: supplemento testi originali del volume tradotto da Riccardo Averini / Luís de Camões).
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Podemos, ainda, lembrar que nas páginas da revista Estudos italianos em Portugal saem, ao longo dos anos, também outras traduções de poesia camoniana, como por exemplo as de Roberto Barchiesi (no n. 25, 1965) ou as de Enzio Di Poppa Vòlture (no n. 29, 1967).
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Trata-se de uma antologia organizada pelos prestigiados camonistas Hélder Macedo e Thomas Earle, que contém 14 excertos de Os Lusíadas e 36 textos líricos, entre medida velha e medida nova.
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Está prestes a sair (2025) mais uma antologia camoniana pela editora Shantarin de Lisboa, organizada por quem escreve, que inclui 22 sonetos, uma esparsa, uma canção, uma ode, uma sextina, e quatro composições em medida velha, entre as quais a versão longa das redondilhas “Sôbolos rios”.
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Digo heterogéneo porque, se bem que a editora seja generalista, a edição inclui uns paratextos que fornecem o enquadramento histórico-literário sobre o autor, sobre os sonetos em questão, sobre a história editorial da lírica camoniana, e, por último, também sobre a tradução – servindo, desta forma, para satisfazer as exigências de vários tipos de leitores.
Declaração de disponibilidade dos dados da pesquisa
Os dados desta pesquisa, que não estão expressos neste trabalho, poderão ser disponibilizados pelos(as) autores(as) mediante solicitação.
Referências
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Edição da seção
Andréia Guerini – Willian Moura
